terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Sabedoria e bom-humor

Orlandeli é um dos meus quadrinistas brasileiros preferidos! Adoro seu traço e sua narrativa sempre reflexiva e, ao mesmo tempo, divertida e encantadora! Em "O mundo de Yang: caminho do meio", a cada página, o protagonista se depara com emoções e sentimentos diversos: medo, raiva, dor... enfim, todos devidamente materializados em meio à poesia e os ensinamentos do Mestre Loh!
Harumi, sensata e destemida, é um charme! Ao lado de Yang, ela sempre nos brinda com cenas adoráveis e inspiradoras, como as duas que escolhi para ilustrar minha crônica (aliás, é difícil escolher entre tantas páginas irretocáveis). Na primeira, aparece Yang alimentando a imaginação! Ah! Também adoro alimentar minha imaginação! Pra mim, ler, assim como escrever, é necessidade!
E no momento em que o autor mistura duas paixões: arte e café, conquista completamente a leitora aqui! Quando Yang diz: "Café primeiro, problemas depois", não só me representa, mas me faz lembrar de dois irmãos: o Betão (Gilberto) que não vive sem um belo cafezinho a todo instante... rsrsrs; e o Gé (Gerson), companheiro frequente nas conversas sobre livros, HQs e futebol, sempre regadas a um bom café... rsrsrs...

Ah! Adorei conhecer o mundo de Yang ainda mais porque, mesmo nos divertindo com a irreverência do protagonista diante dos desafios da vida, a leitura nos faz refletir sobre como lidamos com todos essas "criaturinhas" com as quais nos deparamos por aí! Aplausos para a poesia ilustrada de Orlandeli! Viva as HQs! :)

sábado, 27 de dezembro de 2025

Folclore para todos os públicos

– Ahahaha... nada como ler um quadrinho relacionado ao folclore brasileiro!

– Também acho... ontem, reli alguns gibis da Turma do Pererê do grande Ziraldo... uma graça!

– Pois é... embora tudo o que Ziraldo fez seja espetacular, o Pererê é bem mais suave...

– Como suave, amor? Alías, o que você tá lendo aí com essa cara de pequeno canalha?

– Obrigado pelo pequeno canalha, soa mais agradável do que ser xingado sem motivo pela mulher mais cruel das galáxias!

– Ahahaha... bobo! Não enrola... o que tá te divertindo tanto? Também quero!

– Ahahaha... tô lendo o quadrinho "A Mula sem cabeça", do grande Marcatti! Além de adorar o traço dele, cheio de personalidade... as histórias são hilárias!

– Gosto do Marcatti, imagino sua versão da mula sem cabeça... rsrsrs... Quando você comprou esse quadrinho?

– Comprei na...

– ... na CCXP? Não acredito que não consegui ir esse ano... dá vontade de chorar.

– Não chora, boba! Ano que vem, vamos juntinhos! Sua companhia melhora qualquer evento!

– Juntos tudo fica melhor! Mas você não me disse se pegou autógrafo do Marcatti...

– Não consegui, até esperei, mas ele tava numa mesa de debate... mesmo assim, não ia deixar de comprar este quadrinho!

– Claro! Então, me conta... é divertido?

– É Marcatti! Como ele mesmo diz no encarte com a lista de seus gibis: "Heurístico, idiossincrático, pervertido, obsceno, repugnante, indecente, escatológico, desconcertante... e um tanto romântico"... ahahaha...

– Ahahaha... a genialidade do Marcatti é sempre bem-vinda!

– Sempre! Ele é um dos maiores representantes do quadrinho underground no Brasil! Eu me diverti até com o que está no pé da contracapa...

– Antes de saber, já tô rindo...

– Então segura: "Quadrinhos nojentos e desaconselháveis a TODAS as idades"... ahahaha...

– Adoro coisas desaconselháveis!

– E nojentas também?

– Ahahaha... prefiro as desaconselháveis que não são nojentas!

Ahahaha... tá bom, chega desse papo estranho... vamos voltar à arte do Marcatti!

– Sim! Voltemos ao que interessa. Quando você vai me emprestar esse quadrinho?

– No dia em que você revelar onde guarda a Turma do Pererê, da qual nunca nem cheguei perto!


– Estão guardados na última gaveta da minha escrivaninha!

– Não entendo porque são os únicos guardados longe dos outros quadrinhos que dividimos!

– Simplesmente, porque é um presente da minha avó... ela que me deu todos os gibis dessa coleção... tenho um carinho especial por eles.

– Ofendido é pouco! Tô indignado! Quer dizer que o mundo de quadrinhos que compramos juntos e estão organizados em nossas estantes não são tão importantes e nem merecedores do seu carinho?

– Não seja exagerado!

– Não adianta, não vou completar com "jogado a seus pés"... fiquei magoado!

– Não fica magoado! Tá bom, vamos arrumar um lugar pra coleção nas estantes...

– Se não for de coração, sinceramente, não adianta...

– Ahahaha... claro que é de coração! Você sabe que minha coleção só ficaria na gaveta enquanto não chegassem as estantes novas...

– Mas nós já montamos todas as estantes novas!

– Sim, mas concluímos tudo ontem, ainda nem colocamos todos os quadrinhos e livros em seus lugares... calma, amor!

– Tá bom! Vou acreditar em você...

– Pode acreditar!

– Grande Marcatti... se não fosse pelo gibi que comprei dele, você nunca ia concordar em tirar da gaveta sua coleção especial!

– Ah! Não quero brigar. Hoje, tô um tanto romântica, feito o Marcatti... rsrsrs... 

– Então, vamos fazer alguma coisa desconcertante... ahahaha...

– Uau! :)

terça-feira, 23 de dezembro de 2025

Sobre sorte e destino

Ah! Claro que fiquei animada para conhecer "Suki e a lojinha sem sorte", afinal, a ilustração é do querido Hiro Kawahara! Apoiei no Catarse e estava curiosa para ler a história que tem texto de Angela Tessicini! A fábula, que fala sobre sorte, destino e gatos, narra a história da garota Mei, que herda do pai uma famosa lojinha, situada no Beco dos Gatos Perdidos!

Assim que assume a loja, Mei passa longos dias sem a visita de um cliente sequer, até que um dia, um senhor, dizendo que tinha recebido ajuda de seu pai, entrega a ela um amuleto japonês, Maneki Neko! Mei se animou por ser uma gatinha da sorte!

Mas a sorte não vem assim facilmente, é preciso esforço e dedicação... por isso, não vou contar mais nada, apenas que é uma leitura leve, divertida e que nos inspira a seguir nosso caminho com coragem e determinação!

E o que dizer sobre a delicadeza das ilustrações? Ah! É sempre uma satisfação ler uma publicação com a arte de Hiro (@hirokawahara). Sou suspeita, por ser fã de seu trabalho, mas garanto que vale muito a pena acompanhar a saga da gatinha Suki! 


E o melhor de tudo é que nem precisei esperar o envio pelos correios... Como tive a alegria de ir à CCXP 25, aproveitei e peguei meu exemplar, com direito à conversa animada, autógrafo e a foto ao lado... rsrsrs... Adorei! Viva os quadrinistas brasileiros! Salve o Artists' Valley que nos proporciona os melhores encontros e descobertas! :)

sábado, 20 de dezembro de 2025

Reminiscências imperiais

Em "Memórias de Adriano", Marguerite Yourcenar nos brinda com um carismático protagonista, que embora à beira da morte, nos conquista a cada página! Na obra, resultado de quase três décadas de pesquisa, o imperador romano, que governou de 117 d.C a 138 d.C., escreve uma carta endereçada ao seu sucessor Marco Aurélio.

Em dado momento, o imperador percebe que "pouco a pouco, esta carta, começada para te informar sobre os progressos do meu mal, transformou-se no entretenimento de um homem que já não tem energia necessária para se dedicar longamente aos negócios do Estado. É a meditação escrita de um doente que dá audiência a suas recordações. Já agora pretendo ir mais longe: proponho-me a contar-te minha vida."

E, então, ele segue revelando detalhes de sua juventude; do gosto pela equitação ("... o cavalo era um amigo. Se me fosse dado optar por minha condição neste mundo, teria escolhido a de Centauro."); sobre os anos em que viveu à frente do Império Romano, suas conquistas e combates nos campos de batalha, sobre o amor, também sobre a Grécia, mais especificamente Atenas, que "tornou-se cada vez mais minha pátria, o centro do meu universo."

Densa, fluida e, em vários momentos, bem-humorada, a narrativa nos apresenta, talvez, um dos mais humanos imperadores romanos, que não se sentia superior aos homens comuns: "sou, ao mesmo tempo, mais livre e mais submisso do que eles ousam ser." E ainda refletindo sobre ser livre: "Comecei por procurar uma espécie de liberdade de férias, constituída de pequenos momentos livres. Toda vida bem disciplinada os tem, e quem não sabe consegui-los não sabe viver." Nossa... é uma leitura tão rica, tão fascinante... são tantas reflexões instigantes que acabamos por nos identificar em alguns pontos com o pensamento de um imperador romano! Uau!

Ah! Roma é descrita de diversas maneiras, mas gosto de dois trechos em especial: 1 - "Roma, que eu era o primeiro a ousar qualificar como Eterna, assemelhar-se-ia cada vez mais às deusas-mães dos cultos da Ásia: progenitora dos jovens e das colheitas, cerrando contra o seio leões e colmeias."; 2 - "A Roma conquistadora da República cumpriu seu papel; a louca capital dos primeiros Césares tende, por si mesma, a tornar-se mais circunspecta; outras Romas virão das quais mal posso imaginar a fisionomia, mas para cuja formação terei contribuído." Adriano era um visionário! Realmente, pra quem, como eu, já teve a oportunidade de visitar Roma, enxerga bem essas várias faces que a cidade eterna foi esculpindo ao longo dos séculos... lá pulsa história em cada canto. Toda a vez que leio algo relacionado à Roma, meu lado italiano pulsa mais forte e dá aquela vontade de correr pra lá de novo... sempre bom sonhar!

Enfim, é um livro que merece ser lido e reverenciado pela maestria da escritora, que nos envolve desde o primeiro parágrafo e que nos faz mergulhar numa época tão distante, mas com muitos desafios e conflitos ainda comuns ao nosso tempo! Agradeço ao meu irmão Gé (Gerson), que me presenteou com esse belo exemplar! Viva a Literatura! :)

quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

Sonhos e descobertas

 – Tava aqui lendo a Graphic MSP "Franjinha Contato"...

– ... do Vitor Cafaggi?

– Exatamente, espertinha!

– Bobo... você viu que o autor vai lançar o "Franjinha 2", no ano que vem?

– Oba! Vai ter que me dar de presente, amor!

– Ahahaha... calma aí! Primeiro leia a que tem em mãos, depois passe pra mim e tenha paciência porque é só no ano que vem, aliás, ainda bem... tá pensando que meu dinheiro nasce em árvore, querido?

– Nossa... essa você foi buscar no baú da sua avó... ahahaha...

– Ahahaha... certamente! Mas voltando ao Franjinha... o que você ia comentar?

– Não sei se devo... você vai ler depois...

– Ah! Comenta logo... nada vai tirar minha curiosidade de ler!

– Tá bom... na verdade, eu ia dizer que quando criança eu adorava as aulas de ciências... lembro que quando a professora mandou a gente fazer a experiência com o feijão, plantado no algodão, fiquei tão empolgado que comecei a pedir pro meu pai e pra minha mãe tudo que era livro que ensinasse experiências científicas e brinquedos relacionados ao tema...

– ... até que você quase destruiu a casa... ahahaha...

– ... ahahaha... nem vem, antes disso consegui entender que pra ser cientista era preciso estudar muito mais do que cuidar de um broto de feijão...

– Ahahaha... mas é um bom começo... o que mais tem nessa Graphic MSP?

– Ah! Sempre gostei do Franjinha pelo lado inventido e curioso... e o roteiro mostra muitos inventos dele que nem sempre funcionam, mas são adoráveis, ele ama a Ciência e isso é demais! Aí ele acha, na garagem de casa, o rádio comunicador de seu avô e resolve consertá-lo! Mas não vou contar mais nada, querida!

– Ah! Só mais um detalhe da história... por favor!

– Adorei a arte, sensível como o roteiro! Vou contar só mais um momento... aquele em que Franjinha vê Marina... ele diz assim: "Aos dez anos, eu encontrei o segundo amor da minha vida... Que sorte a minha... Até hoje, me lembro dessa sensação. A certeza juvenil de que éramos feitos um para o outro. Os dois lados de Leonardo Da Vinci. Ciência e Arte"!

– Ah! Que lindo... que romântico! Passa pra cá que já quero ler... rsrsrs...

– Sabia que você ia se animar e o mais legal é que quando li essa parte, lembrei de você, na verdade, de nós!

– Ai... que amor!

– Somos assim... a corda e a caçamba!

– Queijo com goiabada!

– Ahahaha... adoro! Essa conversa me abriu o apetite!

– Uau!

– Não faça essa carinha de travessa... tô falando de sair pra tomarmos um café...

– Ah! Claro... rsrsrs... então, vamos àquela cafeteria nova que abriu aqui perto?

– Opa! Não precisa pedir duas vezes... e para de me olhar com essa carinha...

– Carinha de quê, amor?

– De sapeca!

– Travessa, sapeca... parece que você também visitou o baú da sua avó... ahahaha...

– Vamos logo, ternura!

– Vamos, pão! :)

sábado, 13 de dezembro de 2025

Amizade e generosidade

Às vezes, a gente só quer uma HQ pra acalmar um pouco e esquecer as mazelas do mundo. "Como fazer amigos e enfrentar alienígenas", com roteiro de Eric Peleias e arte de Gustavo Borges, é assim... uma história divertida e empolgante! A obra faz parte da série premiada "Como fazer amigos", neste volume, Olívia e Leo conhecem Arthur, um menino que se diz especialista em rochas que pode ajudá-los a procurar pistas de extraterrestres.

A partir daí, os três se aventuram pela cidade com a alegria e a curiosidade, próprias da infância! Com uma narrativa leve, mesmo ao tocar em assuntos delicados relacionados à família, solidão, rejeição, medo... a HQ mostra como tudo fica mais fácil de ser enfrentado quando contamos com amigos verdadeiros, cada um com seu estilo, mas unidos na vontade de descobrir o mundo e seus mistérios! Leituras que nos levam à infância são adoráveis. Por falar em adorável, a arte transborda talento e é fundamental para criar o clima de mistério. As cores fortes e o traço descontraído ajudam a dar movimento às aventuras de Olívia, Leo e Arthur!


Já "Pétalas" é uma delicada narrativa visual sobre generosidade e amizade. A HQ, com roteiro e arte de Gustavo Borges e cores de Cris Peter, conta a história de uma família de raposas, avô e neto, que luta para sobreviver, enfrentando um rigoroso inverno. 

Um dia, ao sair de casa para buscar lenha, o filhote conhece um simpático pássaro de cartola. A cena em que se encontram é de uma ternura que conquista o leitor na hora!

Sem palavras, o autor nos conta a singela história por meio da expressão dos personagens, do aconchego da casa das raposas e até mesmo do clima hostil que toma conta da paisagem. Outro destaque é o trabalho da colorista que cria a atmosfera, dá movimento e profundidade aos quadros e nos emociona.

Ah! Tenho que registrar que peguei o autógrafo do Gustavo durante a CCXP 25! Adorei! Vale a pena conferir e prestigiar nossos quadrinistas! Viva a HQ brasileira! :)

quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

Samba em quadrinhos

Quando fui à 27ª Festa do Livro da USP, no mês passado, levei um roteiro dos livros que queria comprar, mas aberta a conhecer novas obras, principalmente, no pavilhão das HQs!

Passando pela mesa da Zapata Edições, uma capa em especial me chamou a atenção... quando me aproximei, descobri que a história envolvia Adoniran Barbosa... meu cartão de crédito até suspirou (imagino ele dizendo: lascou... ela vai querer comprar)... rsrsrs... Pois é, junte uma bela arte com um dos ícones do samba de São Paulo e a paulistana aqui logo se anima! Resultado: comprei mesmo!

A HQ em questão é "Tempo Discos, o perigoso pagode do Gerson", de Samuel Sajo, Rodrigo Febronio e Al Stefano, que ainda tem um tempero a mais: o nome do malandro que tenta roubar as canções de Adoniram é xará do meu irmão... rsrsrs... Inclusive, por isso e também por compartilhar a admiração pelo Adoniran, ele ganhou um exemplar! Merecido!

Misture uma vitrola mágica, viagem no tempo e samba de qualidade... assim é a aventura de Paulinho e Amélia para evitar que Gerson, o malandro... rsrsrs... roube as canções, o talento e a história de Adoniran Barbosa... tudo isso acontecendo a partir de uma loja de discos no Bixiga!

A narrativa é rica e dá o tom ao citar canções clássicas como, por exemplo, "Saudosa maloca", "Torresmo à milanesa", "As Mariposas", "Tiro ao Álvaro", "Iracema" e a doce "Prova de carinho". Sem contar a presença da escritora Carolina Maria de Jesus, autora de "Quarto de despejo", que ao lado de Adoniran, como diz a HQ e assino embaixo, são dos "maiores cronistas da vida do povo de São Paulo"! A leitura é fluida e como dizem, li numa sentada... rsrsrs...

A arte é outro destaque e o mais curioso é que o traço me lembrou o Amigo da Onça, criado pelo cartunista Péricles, publicado pela primeira vez na Revista Cruzeiro, em 1943, personagem que se tornou popular, inclusive, por ser o arquétipo de amigo falso e traiçoeiro! Talvez o nariz alongado de Gerson Horta e sua safadeza me fizeram lembrar desse ícone da malandragem! Viva nossos quadrinistas! :)

sábado, 6 de dezembro de 2025

Um simpático meliante

O que mais gostei em "Arsène Lupin, ladrão de casaca", do francês Maurice Leblanc, é a forma como o autor nos envolve nas tramas desse elegante e simpático meliante!

O livro reúne as primeiras nove aventuras do personagem, publicadas, originalmente, de julho de 1905 a julho de 1906, na revista "Je Sais Tout". São narrativas instigantes em que Arsène Lupin aparece em várias situações, valendo-se de sua especial habilidade em se disfarçar até mesmo de narrador das histórias, por vezes, enganando os próprios leitores... e a gente embarca legal... rsrsrs...

A irreverência de Leblanc, inclusive, ironizando o famoso detetive inglês Sherlock Holmes, de Conan Doyle, cria um personagem sedutor e enigmático, que consegue se safar de todos os golpes que aplica com inteligência e bom-humor! É uma leitura leve que, a cada página, nos faz tentar desvendar os próximos passos do protagonista!

A edição da saudosa Editora Ática foi presente do meu irmão Gerson, que estava organizando seus livros e descobriu que tinha mais de um exemplar... oba! Obrigada, Gé, por me presentear com pérolas que garimpa entre seus tesouros literários! Viva a gentileza! Viva a Literatura! :)

quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

Raízes e memórias afetivas

"Roseira, medalha, engenho e outras histórias", primeiro trabalho de Jefferson Costa como escritor e desenhista, é de uma delicadeza ao retratar, por meio de relatos de membros de sua própria família e pessoas próximas, experiências que traçam um relato comovente e, ao mesmo tempo, cativante.

Desenhista premiado, Jefferson se mostra um hábil roteirista em uma narrativa que trabalha junto à arte de forma encantadora. A obra é irretocável e nos oferece uma história, absolutamente, humana e universal, que nos toca ao longo das páginas e nos faz refletir sobre a nossa própria vida, nossa origem!

Gostei bastante também do roteiro não linear, alternando momentos e épocas diferentes, retrando as dificuldades e desafios impostos pela seca, com uma linguagem realista, tornando a HQ ainda mais impressionante como registro de uma região e suas pessoas.

Ainda que mostre uma região específica, a narrativa me emocionou quando Zeca e Cotia resolvem levar as crianças pra "cumadi" Nega benzer... essas cenas me fizeram voltar à uma doce lembrança... quando minha avó materna me benzia de quebranto quase que diariamente... e eu, atrevida, ficava tentando entender o que ela dizia enquanto rezava. Às vezes, minha risada até desconcentrava minha avó que logo dizia pra minha mãe não ficar brava, porque estava tudo bem, era coisa de criança! Agradeço o autor por me fazer lembrar de minha avó com seu galhinho de arruda na mão, vindo me proteger com sua bênção ancestral. Pois é, quando uma HQ nos brinda com histórias de família, em algum momento, acabamos por nos identificar!

A arte é um caso à parte, porque Jefferson domina totalmente a forma como cada passagem de tempo ou assunto é retratado, as cores são escolhidas estrategicamente para contar essa história da maneira mais apropriada, dependendo da ação, sombrias quando necessário, mas muito iluminadas (como a página ao lado) para mostrar a alegria em um tempo em que "criança não trabaiava" e podia brincar no rio ou "trepano em árvre"! Aplausos para o talento de Jefferson Costa! Viva as histórias em quadrinhos que nos lembram nossas próprias histórias! :)