quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Sensibilidade e diversão

Nesses dias de luta pela manutenção da democracia, em que passamos muito tempo em estado de alerta, precisei dar uma aliviada nas preocupações... coisa rápida... é que escrever, ler, assistir a um filme ou animação, ir a uma exposição, ir ao teatro, visitar uma livraria... tudo isso me inspira, me ajuda a sonhar e me fortalece... a cultura sempre me salva! Por isso, para amenizar a tensão, assisti, pela primeira vez, uma das obras-primas do Estúdio Ghibli.

Escrita e dirigida por Hayao Miyazaki, a clássica animação "Meu Amigo Totoro" conta a história de duas irmãs, Satsuki e Mei que, junto ao pai, Tatsuo, mudam para o interior do Japão para que a família fique mais próxima ao hospital onde a mãe, Yasuko, está internada. Assim que chegam com a mudança, o pai incentiva as meninas a conhecerem cada cômodo e aí começam as descobertas a respeito da nova casa.

Quando já estão instalados e o cotidiano recomeça, Satsuki vai para a escola, o pai mergulha no trabalho e Mei, do alto de seus quatro aninhos, resolve explorar os arredores da propriedade. Os cenários são fascinantes e é exatamente na floresta que as crianças encontram o carinho e o conforto que precisavam pra enfrentar a falta da mãe. 

Então, a pequena tem o primeiro contato com espíritos da floresta ao seguir uma criaturinha de orelhas pontudas por uma espécie de túnel. A obra é um convite pra aproveitar a magia da Natureza... e, pra mim, que adoro ouvir os pássaros, o vento balançando os galhos das árvores, o barulho da chuva, uma história que valoriza essas delicadezas me conquista logo de cara!

Ah! Fiquei encantada quando a Mei conhece o Totoro e deita em cima dele, fofo e aconchegante como um bicho de pelúcia... rsrsrs... Dá até vontade de ter um desses pra relaxar nos momentos difíceis, deve ser terapêutico... rsrsrs...

A cena no ponto de ônibus é um charme... a irmã mais velha carrega nas costas a pequena que está com sono, Totoro chega pra fazer companhia e começa a se divertir com as gotas d'água batendo no guarda-chuva... é uma ternura!

Gostei demais! É uma obra sensível não só pelos personagens carismáticos e cores vivas, mas pela mensagem de otimismo, mesmo quando os problemas estão à espreita! A imaginação infantil e a magia da natureza tornam a animação encantadora. Valeu pelos inspiradores momentos de descanso. Viva a arte de Miyazaki! Viva a Cultura! :)

sábado, 17 de outubro de 2026

Um sábado relaxante

– Que manhã gostosa, amor!

– Também adorei, querida! Fazia tempo que a gente não tirava o sábado pra passear sem rumo. 

– Pois é... e nossa passada rápida na banca de jornal me aliviou uma saudade enorme...

– Sei bem... achei que seria interessante sair pra arejar um pouco sem programação.

– Ah! E adorei comprar palavras cruzadas.

– Lembrou da sua velhinha, amor?

– Às vezes, a gente acorda assim... com saudade de quem foi e continua sendo importante pra gente, mesmo sem estar mais aqui...

– Era você quem comprava as palavras cruzadas?

– Não, querido! Eu era pequenininha... tava começando a aprender a ler... minha mãe que comprava... e era uma alegria imensa ver os olhos brilhantes da minha avó pegando a sacolinha e começando imediatamente a fazer as palavras cruzadas... era uma boa terapia pra ela... e, inclusive, é muito bom pra saúde dos mais velhos! 

– Opa! Acho que tá na hora da gente começar a armazenar palavras cruzadas... rsrsrs... 

– Ahahaha... bobo, mas é bom mesmo!

– Concordo! Só falei pra alegrar o dia!

– Você sempre me alegra o dia...

– ... não é isso que você diz quando esqueço a toalha na cadeira do quarto... e isso porque não é na cama... ahahaha...

– Ahahaha... mas depois que dou bronca, sempre faço um carinho pra amenizar...

– Ahahaha... aí, realmente, me alegra o dia.

– Deixa de safadeza... eu tava aqui num momento doce, lembrando de minha avó e você vem...

– Quem começou a me provocar foi você dizendo que depois das broncas faz carinho aqui no seu menino travesso... rsrsrs...

– Ahahaha... sem comentários! Tá mais pra menino maluquinho...

– Gostei... grande Ziraldo! Mas voltando à sua avó... sabe o que me deu vontade de fazer agora?

– Palavras cruzadas?

– Ahahaha... mais tarde! Agora tava pensando que a gente podia fazer aquela bolachinha de amêndoas que ela te ensinou... 

– Ah! Adorei, amor! É uma forma de lembrar um pouquinho mais dela nessa manhã tranquila.

– Posso ajudar, untando a forma...

– Claro que quero sua ajuda, vamos fazer a bolachinha em homenagem à minha avó, mas sem bagunça!

– Ah! Assoprar um pouquinho de farinha em você não pode ser classificado como uma bagunça propriamente dita!

– Ahahaha... nem vem, depois sou eu que tenho que limpar a cozinha toda por conta da sua suave assopradinha. Por que você não unta a forma como todo mundo?

– Como diria nossas mães e, provavelmente, sua avó... eu não sou todo mundo!

– Original, ele!

– Grosseira, ela! Mas adoro mesmo assim.

– Ah! Então vem alegrar meu sábado, menino travesso!

– É pra já! :)


* Outro dia, pela manhã, passei na banca de jornal e quando olhei para as revistas de palavras cruzadas, imediatamente, lembrei que minha querida e saudosa mãe adorava! Uma doce lembrança que me inspirou a escrever esta singela crônica! ❤️

quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Flanando por aí

É numa segunda-feira, levemente chuvosa, que os dois se conhecem em frente a um cinema de rua. Eles se esbarram e ela deixa cair seu bloco de notas no chão.

– Desculpe, sou muito atrapalhada mesmo...

– Imagina, eu que estava pensando demais como sempre e não vi a senhora.

– Obrigada pelo respeito que a palavra senhora carrega, mas pode me chamar de você. 

– Claro... muito prazer! Meu nome é Sol!

– Sol?

– Sol... de Solano!

– Ah! Gostei... o apelido é doce... rsrsrs... e o nome é forte!

– Obrigado! Posso saber seu nome?

– Lia!

– Lia?

– Sim... Lia de Lia mesmo!

– Ahahaha... boa! Você estava indo ao cinema?

– Não exatamente, quer dizer, sim... mas não assistir a um filme.

Ele levanta uma das sobrancelhas e dá um sorriso enigmático.

– Não pense que sou estranha... pelo menos, não por isso... rsrsrs... é que, na verdade, eu ia comer uma torta de amora e tomar um expresso no café do cinema.

– Entendo! Aliás, é uma coincidência, porque eu também não ia assistir nenhum filme, embora, adore a Sétima Arte. É que assim que saí do metrô pensei no incomparável pastel de forno...

– Ahahaha... então, você também costuma vir ao cinema só pra comer e beber as delícias do café?

– Frequentemente... quando tô precisando arejar as ideias ou desacelerar... se bem que, ultimamente, aprendi a caminhar em marcha lenta pra ver o mundo, apreciar o céu... essas coisas...

Lia dá um sorrisinho, meio encabulada, e tenta disfarçar a satisfação de ouvir palavras que se conectam com o jeito como ela tenta enfrentar todo tipo de maré.

– O que foi? Agora eu que digo: não pense que sou estranho... rsrsrs...

– Muito pelo contrário, só me surpreendi ao notar como somos parecidos!

– É verdade... você ia ao café sozinha? Ou está esperando alguém? 

– Sozinha... por quê?

– Ah! Pensei que seria legal tomarmos esse lanche juntos no café do cinema, o que acha? Se não for atrapalhar seus planos...

– Sem planos... hoje, saí pra flanar por aí!

– Ahahaha! Não acredito que você usa esse verbo maravilhoso: flanar! Todo mundo me enche o saco por isso...

– Ahahaha... bem-vindo ao mundo dos que adoram flanar!

– Que ótimo! Será que encontrei meu mundo?

Lia dá um sorriso tímido e baixa os olhos, tentando guardar o bloco na bolsa, enquanto Sol a observa atentamente.

– Vamos ao café?

– Vamos! Você se importa se eu pedir minha torta doce?

– Imagina! A única coisa que quero é sua companhia... e, claro, meu pastel de forno... rsrsrs... :)


* Uma curiosidade: comecei a escrever essa crônica há meses e deixei arquivada... mas na semana passada, resolvi continuar a história e, de repente, vendo a ilustração da minha querida @alikailustra (sobrinha/afilhada/ilustradora) reconheci meus personagens! Pedi e ela, generosamente, me deixou publicar aqui! Obrigada pela parceria de sempre! ❤️

quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Alegria é resistência

– "É melhor ser alegre que ser triste. Alegria é a melhor coisa que existe. É assim como a luz no coração"!

– Ah! "Samba da Benção"... Vinícius de Moraes e Baden Powell! Adoro!

– Que letra, querido! O poetinha sabe das coisas!

– Pois é... mas achei que você tava um tanto quanto desanimadinha.

– Imagina! Tava só pensativa, amor! E nessas horas, gosto muito de cantar... uma bela canção sempre provoca sorrisos. Além do mais, alegria é um ato de resistência!

– Concordo muito! Aliás, nossas lutas são sempre acompanhadas de um sorriso largo!

– Agora lembrei de uma do Guilherme Arantes... "pra nunca perder esse riso largo e essa simpatia estampada no rosto"... rsrsrs...

– "Cuide-se bem"... uma bela canção puxa a outra... rsrsrs...

– Boa, amor! 

– A alegria consciente é nosso combustível pra enfrentar as maluquices que têm nos surpreendido por aí, querida!  

– A doce Cora Coralina dizia: "a alegria é uma escolha, uma atitude diante da vida"!

– Que lindeza, amor!

– Olha que depois de falar de coisas tão bonitas e relevantes, tô mais forte!

– Que bom, querida! Então, "deixa a tristeza pra lá. Canta forte, canto alto, que a vida vai melhorar"!

– Grande Martinho da Vila! Nesse caso, vou ter que cantar com você e dar um breque nas reflexões!

– Antes de cantarmos... falando em reflexão, vi uma entrevista do saudoso Paulo Freire que vem bem a calhar... ouça esse trecho: "sou inveteradamente esperançoso, tenho um certo gosto verdadeiro, na intimidade do meu ser, de brigar pela esperança"!

– Ah! Somos três! :)


* Ao escrever esta singela crônica, meus adoráveis personagens me ajudaram a esperançar! Viva a democracia!

sábado, 3 de outubro de 2026

Pelas ruas da capital francesa

Quando fui à exposição "Traçando Verissimo - O Mundo Fabuloso do Mestre do Humor Brasileiro", no Centro Cultural Fiesp, na Avenida Paulista, postei uma crônica (publicada em 26/09) e fiquei encantada com tudo, primeiro porque sou fã do autor desde sempre, segundo porque conheci um pouco mais sobre sua vida e carreira... porém quando vi o original da apresentação de "Traçando Paris" fiquei curiosa pra ler, saí pesquisando... e agradeço, imensamente, à existência dos sebos, em especial ao Sebo do Messias, onde comprei meu exemplar!

O livro é uma viagem sentimental que relata as particularidades de Paris na visão desse mestre do humor elegante! Como sempre acontece com sua obra, a leitura é fluida, divertida e inteligente, tratando de temas cotidianos com pitadas de História. Tive o prazer de conhecer vários pontos da capital francesa mostrados por ele, mas muitos outros não... e agora? Vou ter que planejar nova visita à terra das delicadezas! 

Logo de cara adorei o trecho: "Estamos na frente da Catedral de Notre Dame. Do alto destas torres sete séculos nos contemplam. E se você aguçar os olhos e a imaginação, também poderá ver o corcunda Quasimodo nos espiando de dentro de um nicho, lá em cima..." Incrível, quando estive em frente à Catedral pensei na mesma coisa, achei tão deslumbrante e grandiosa... mas evitava olhar com atenção para o alto das torres, porque também pensei que veria o corcunda me observando... rsrsrs... 

As ilustrações de Joaquim da Fonseca conseguem captar todo o encanto da capital francesa e sua elegante arquitetura. Até a polêmica pirâmide de vidro em frente ao majestoso Museu do Louvre tem seu charme... tanto nos belos traços do artista quanto ao vivo!

Confesso que, em 2015, quando vi a pirâmide estranhei, mas a foto (ao lado) que fiz da estrutura metálica com o sóbrio prédio ao fundo ornou... rsrsrs... Depois de muito observar, acabei adorando o resultado, não só da minha foto, mas também da mistura sofisticada do moderno com o clássico! 

Verissimo e família moraram em um apartamento da Rue Greneta, na parte mais antiga da cidade, de maio a dezembro de 1990. Em cada uma das crônicas, ele nos leva de carona, seja em suas observações pela janela, seja em suas andanças pelas ruas, enquanto ia se acostumando com a nova vizinhança. A poética ilustração de Fonseca (ao lado) nos convida a conhecer todos endereços e roteiros sugeridos. Com muito bom-humor, ironia e elegância, a cada página nos são apresentados o comportamento dos franceses, fatos históricos e sufocos cotidianos em meio à fascinação que o autor tinha pela capital francesa.

Ah! É uma leitura leve pra quem, como eu, adora as sutilezas da doce Cidade-Luz... ou melhor, La Ville Lumierè! "Agora, andem, que Paris é para sempre"... assim como nosso saudoso mestre das crônicas! Viva Luis Fernando Verissimo! :)

quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Levemente nostálgicos

– Que saudade que me deu das tradicionais bancas de jornal!

– Ah! Uma variedade de revistas e gibis pendurados chamando a gente pra ler! 

– Tudo colorido! Era uma festa pra todas as idades! Sem chance de passar em frente e ignorar!

– Ahahaha... pois é... era muito bom, tinha em qualquer esquina, de todos os bairros da cidade, sem miséria... pena que, atualmente, são tão escassas.

– Tudo era papel... tudo físico... e a alegria indiscutível de ter algo pra abraçar e levar pra casa!

– Antes que digam que somos muito nostálgicos...

– ... Somos mesmo... ahahaha...

– Ahahaha... a saudade de coisas boas do passado não anula as coisas boas do presente, apenas validam a beleza de tempos em que não existia tanta tecnologia, ninguém nos rastreava... e tudo parecia mais humano, inclusive, as relações!

– Ah! A nossa continua transbordando de amor!

– Emocionei, querida!

– Olha que coincidência... você sabia que hoje é Dia Nacional do Jornaleiro?

– Não, mas sabe de quem lembrei agora? Do Seu Pepe e seu topete grisalho... 

– E aquele bigodinho fino... que elegante!

– Ah! Você gosta de bigodinho fino?

– Sim, mas tem que ter estilo! E o Seu Pepe sempre teve muito, além da simpatia!

– Nossa! Eu querendo recordar uma lembrança pueril do jornaleiro e você toda animada com o estilo do Seu Pepe! Tô surpreso!

– Por que, amor? Era um senhor muito bem apessoado, sempre muito paciente com a pressa estabanada das crianças, só isso!

– Continuo impressionado! Você tem uma tese sobre o comportamento do Seu Pepe? E eu que pensava que ele era só o dono da banca de jornal mais legal do bairro!

– Ahahaha... você tá com ciúme do Seu Pepe da banca?

– Não, mas do jeito que você fala parece que ele era um velhinho e pelo que me lembro era só um cara grisalho e ainda bem novo... eu diria sapecado!

– Ahahaha... agora você acha que ele era novo e sapecado porque tem quase a mesma idade que ele tinha, mas, na época, a gente era criança... 

– Ahahaha... tá bom, bela forma de me lembrar que estou começando a ficar grisalho...

– ... e continua charmoso, querido! Não estrague nossa recordação, eu só pensava em comprar gibi e ser feliz!

– Obrigado pelo elogio, eu também só pensava em comprar gibis! Mas voltando ao tema central de nossa conversa... a Banca do Pepe era passagem obrigatória depois da aula... aos sábados...

– ... aos domingos e feriados também... ahahaha...

– Ahahaha... toda hora era ideal pra dar uma passadinha por lá! Nossa! E a gente nunca se encontrou na banca... que coisa!

– Ah! Moramos no mesmo bairro, mas não estudamos na mesma escola... e nem sempre eu passava na banca quando tinha vontade, meus pais controlavam meus trocados... ahahaha...

– Mesmo assim, a Banca do Pepe tava sempre cheia de crianças... queria ter te conhecido com aquelas tranças da fotografia!

– E eu queria ter conhecido você com aquela franja...

– Ahahaha... nem me lembre daquela franja... 

– Por quê? Tão lindinho...

– Sei que smpre fui lindo!

– Deixa de ser convencido! A hora exata da gente se encontrar esta escrita nas estrelas... rsrsrs... mas isso é outra história, amor!

– É nossa bela história!

– Agora voltando à banca, lembra dos fascículos de enciclopédias de tudo que é assunto: animais, cinema, futebol... 

– Adorava esperar a cada semana qual seria o fascículo da vez... era tão bom esse tempo, essa forma de colecionar aos poucos...

– Sem comparação! Eu adorava os fascículos de uma enciclopédia  sobre animais selvagens...

– Também tive... a gente gastava as páginas de tanto ler e conhecer novas espécies. E os álbuns de figurinhas? Lembra quando não eram autocolantes?

– Aquelas do tempo dos nossos avós? Ahahaha... tá bom, mocinho, vamos parar de lembranças enrugantes!

– Ahahaha... enrugante é ótimo! Mas e o que dizer do prazer de ir à banca comprar o jornal pra...

– ... ler as tirinhas! Uau! A gente caminhava, conversava com o Seu Pepe e com qualquer pessoa que estivesse lá... ou seja...

– ... a banca de jornal era o ponto de encontro do bairro, era diversão garantida... e ainda tinha as balas e doces. 

– Era um refúgio! Pena que esse cenário mudou tanto... 

– O importante é que continuamos indo às bancas... procurando conversas boas como as do Seu Pepe!

– E alguém com a irresistível simpatia do melhor jornaleiro de todos os tempos!

– Concordo! Mas agora me diz uma coisa: será que tenho de me preocupar com jornaleiros grisalhos?

– Não seja grosseiro... Seu Pepe é uma lembrança de nossa infância...

– De fato... é outra lembrança que nos liga, mesmo sem nunca termos ido juntos à banca!

– Ah... adoro nossa história, amor! 

– Adoro nós dois! :)


* A doce ilustração é da minha querida @alikailustra (sobrinha/afilhada/parceira/ilustradora/designer) ❤️

sábado, 26 de setembro de 2026

Mestre das crônicas e do humor elegante


Hoje o irretocável Luis Fernando Verissimo completaria 90 anos de vida! E que vida! Cronista, cartunista, roteirista, músico de jazz... uau... tantas habilidades em meio à sua charmosa timidez! Pra comemorar a data, uma exposição no Centro Cultural Fiesp, na Avenida Paulista, faz a alegria dos fãs. Adorei cada um dos itens dessa linda história do mestre das crônicas e do humor elegante!

"Traçando Verissimo - O Mundo Fabuloso do Mestre do Humor Brasileiro" nos dá a oportunidade de mergulhar nesse universo irônico, criativo e talentosíssimo do saudoso grande escritor! São mais de 300 itens entre originais de romances e crônicas, desenhos, charges e tiras de seus mais divertidos e reflexivos personagens, além de instrumentos musicais, fotos e vídeos.

Com uma carreira de mais de 50 anos, sua obra retrata o cotidiano, principalmente da classe média, sempre mesclando humor e crítica social... impossível não se identificar com alguma das situações e/ou reflexões... rsrsrs...   

Confesso que minha visita à exposição teve muita risada e muita emoção... emoção de alguém que escreve (ou tenta escrever), que se encantou em conhecer um pouco mais sobre o mestre... e até sentiu uma pontinha de tristeza por não ter tido a chance de conhecê-lo pessoalmente. O bom é que ler seus livros é uma forma de nos aproximar dele. Foi encantador ver os roteiros originais de Comédias da Vida Privada!

As capas das primeiras publicações de "Orgias", "A Mulher do Silva" e "Amor Brasileiro", entre outras, elaboradas a partir de ilustrações de Verissimo são criativas, divertidas e mostram todo seu talento para o desenho... traços leves que resultam em imagens poderosas! Dá vontade de ter esses exemplares, pena que são edições muito raras e difíceis de encontrar. 
Ah! As Cobras... irônicas e tão reflexivas... adoro! Segundo o mestre, "são o produto da combinação de meu gosto por quadrinhos com minhas limitações como desenhista. Cobra é fácil de desenhar porque não tem mão, só pescoço e cabeça, sempre gostei muito de cartum, e quando comecei a ter uma coluna no jornal aproveitei para me divertir com o desenho". Genial! Aliás, elas estão glamourosas, no meio da exposição!

Fiquei emocionada quando vi que, além do futebol e quadrinhos, a gente tem mais coisas em comum como, por exemplo, adorar a capital da França! Gostei muito de ver os manuscritos do livro "Traçando Paris", que tem ilustrações de Joaquim da Fonseca. Parei ali, encantada, e li a primeira página exposta como se estivesse em casa! Ah, mestre... agora, conquistou de vez sua admiradora aqui!

Suas crônicas são fascinantes por serem um retrato crítico e bem-humorado da nossa sociedade, mas, recentemente, quando soube da exposição, resolvi ler "As Aventuras da Família Brasil" pra conferir a reunião de suas tiras irônicas e sofisticadas... são puro jazz! Adorei o livro e ver seus originais de perto foi encantador! 

Uma das situações das que mais gosto é essa que reproduzo ao lado... quando o filho, desaforado, diz que tudo que tem em um livro, tem em seu computador, com som e movimento e o pai responde categórico: "Cheiro de livro é melhor"! Concordo plenamente! Inclusive, na minha humilde opinião, livros são melhores que muita gente... rsrsrs... Enfim, a exposição é uma experiência inspiradora! Recomendo não só a visita, mas também a leitura da vasta obra do mestre do humor brasileiro! Viva Luis Fernando Verissimo! Salve as crônicas, as charges, o jazz e toda forma de arte! :)