– Ah! Uma variedade de revistas e gibis pendurados chamando a gente pra ler!
– Tudo colorido! Era uma festa pra todas as idades! Sem chance de passar em frente e ignorar!
– Ahahaha... pois é... era muito bom, tinha em qualquer esquina, de todos os bairros da cidade, sem miséria... pena que, atualmente, são tão escassas.
– Tudo era papel... tudo físico... e a alegria indiscutível de ter algo pra abraçar e levar pra casa!
– Antes que digam que somos muito nostálgicos...
– ... Somos mesmo... ahahaha...
– Ahahaha... a saudade de coisas boas do passado não anula as coisas boas do presente, apenas validam a beleza de tempos em que não existia tanta tecnologia, ninguém nos rastreava... e tudo parecia mais humano, inclusive, as relações!
– Ah! A nossa continua transbordando de amor!
– Emocionei, querida!
– Olha que coincidência... você sabia que hoje é Dia Nacional do Jornaleiro?
– Não, mas sabe de quem lembrei agora? Do Seu Pepe e seu topete grisalho...
– E aquele bigodinho fino... que elegante!
– Ah! Você gosta de bigodinho fino?
– Sim, mas tem que ter estilo! E o Seu Pepe sempre teve muito, além da simpatia!
– Nossa! Eu querendo recordar uma lembrança pueril do jornaleiro e você toda animada com o estilo do Seu Pepe! Tô surpreso!
– Por que, amor? Era um senhor muito bem apessoado, sempre muito paciente com a pressa estabanada das crianças, só isso!
– Continuo impressionado! Você tem uma tese sobre o comportamento do Seu Pepe? E eu que pensava que ele era só o dono da banca de jornal mais legal do bairro!
– Ahahaha... você tá com ciúme do Seu Pepe da banca?
– Não, mas do jeito que você fala parece que ele era um velhinho e pelo que me lembro era só um cara grisalho e ainda bem novo... eu diria sapecado!
– Ahahaha... agora você acha que ele era novo e sapecado porque tem quase a mesma idade que ele tinha, mas, na época, a gente era criança...
– Ahahaha... tá bom, bela forma de me lembrar que estou começando a ficar grisalho...
– ... e continua charmoso, querido! Não estrague nossa recordação, eu só pensava em comprar gibi e ser feliz!
– Obrigado pelo elogio, eu também só pensava em comprar gibis! Mas voltando ao tema central de nossa conversa... a Banca do Pepe era passagem obrigatória depois da aula... aos sábados...
– ... aos domingos e feriados também... ahahaha...
– Ahahaha... toda hora era ideal pra dar uma passadinha por lá! Nossa! E a gente nunca se encontrou na banca... que coisa!
– Ah! Moramos no mesmo bairro, mas não estudamos na mesma escola... e nem sempre eu passava na banca quando tinha vontade, meus pais controlavam meus trocados... ahahaha...
– Mesmo assim, a Banca do Pepe tava sempre cheia de crianças... queria ter te conhecido com aquelas tranças da fotografia!
– E eu queria ter conhecido você com aquela franja...
– Ahahaha... nem me lembre daquela franja...
– Por quê? Tão lindinho...
– Sei que smpre fui lindo!
– Deixa de ser convencido! A hora exata da gente se encontrar esta escrita nas estrelas... rsrsrs... mas isso é outra história, amor!
– É nossa bela história!
– Agora voltando à banca, lembra dos fascículos de enciclopédias de tudo que é assunto: animais, cinema, futebol...
– Adorava esperar a cada semana qual seria o fascículo da vez... era tão bom esse tempo, essa forma de colecionar aos poucos...
– Sem comparação! Eu adorava os fascículos de uma enciclopédia sobre animais selvagens...
– Também tive... a gente gastava as páginas de tanto ler e conhecer novas espécies. E os álbuns de figurinhas? Lembra quando não eram autocolantes?
– Aquelas do tempo dos nossos avós? Ahahaha... tá bom, mocinho, vamos parar de lembranças enrugantes!
– Ahahaha... enrugante é ótimo! Mas e o que dizer do prazer de ir à banca comprar o jornal pra...
– ... ler as tirinhas! Uau! A gente caminhava, conversava com o Seu Pepe e com qualquer pessoa que estivesse lá... ou seja...
– ... a banca de jornal era o ponto de encontro do bairro, era diversão garantida... e ainda tinha as balas e doces.
– Era um refúgio! Pena que esse cenário mudou tanto...
– O importante é que continuamos indo às bancas... procurando conversas boas como as do Seu Pepe!
– E alguém com a irresistível simpatia do melhor jornaleiro de todos os tempos!
– Concordo! Mas agora me diz uma coisa: será que tenho de me preocupar com jornaleiros grisalhos?
– Não seja grosseiro... Seu Pepe é uma lembrança de nossa infância...
– De fato... é outra lembrança que nos liga, mesmo sem nunca termos ido juntos à banca!
– Ah... adoro nossa história, amor!
– Adoro nós dois! :)
* A doce ilustração é da minha querida @alikailustra (sobrinha/afilhada/parceira/ilustradora/designer) ❤️



















