sábado, 1 de agosto de 2026

Um querido e doce clássico


– Ah! Bom mesmo era meu querido Romi-Isetta azul! Foi o que enfatizou Seu Bernardo quando perguntado o que estava achando de passear na Ferrari F40, recém-adquirida pelo seu neto mais velho. Indignados, todos olham para o senhor com um misto de espanto e um leve rancor. Afinal, não é todo dia que se passeia em um automóvel tão icônico como o modelo italiano, ainda mais sendo o primeiro exemplar da coleção do rapaz.

– Eu sei que vocês gostam desses carros cheios de ostentação, espaçosos, que chamam a atenção onde quer que se vá, mas continuo com a minha opinião: são encantadores, no entanto, qual a graça se vão ficar guardados 99% do tempo em garagens todas monitoradas por câmeras, cães de guarda e seguranças?

– Mas papai, onde o senhor queria que a gente guardasse esses tesouros? Na calçada, em frente ao seu predinho simples, ao lado do metrô e da padaria da esquina?

– Não seja esnobe, querida! 

– Seu Bernardo, já sabemos sua opinião sobre tudo isso, mas gostaríamos que o senhor participasse desse momento de conquista de nosso primogênito, só isso! Queria que o senhor se divertisse com a gente! 

– Meu genro, não se desespere... peço desculpas a todos. É que toda a vez que vejo carros antigos bem conservados como esse, lembro do meu...

– ... "Bolinha Azul"! Sabemos disso, meu velho, não fique assim... um dia ainda vamos tê-lo conosco de novo e vamos fazer piquenique no parque todos os domingos de manhã!

–  Ah! Minha velha, Suzaninha! Só você mesmo pra me entender... você acha que estou sendo intransigente?

– Querido, só acho que deveríamos nos alegrar, afinal, nosso neto está começando uma bela coleção de automóveis antigos... você foi um dos seus maiores incentivadores, sempre levando-o a feiras de colecionadores! Dê ao menos um sorriso!

– Parabéns, meu neto, por iniciar sua coleção... desculpe seu avô, não queria ofendê-lo... o modelo é realmente lindo.

– Vô Bê, não se preocupe, não estou chateado, sei bem do seu amor por esse famoso "Bolinha Azul"!

– Tudo resolvido! Agora, vamos voltar pra casa, porque um lanche reforçado nos aguarda!

Seu Bernardo dá um suspiro contrariado. Ultimamente, não gosta muito de ficar longe de seu refúgio, adora passar as tardes lendo romances com Dona Suzana, porém, como já criou uma leve polêmica, aceita de bom grado ir à casa da filha.

Por mais que o clima tenha pesado durante o passeio de Ferrari, Seu Bernardo e família adoram um café da tarde e assim que veem a mesa posta repleta de pãezinhos, bolachinhas, geleias, manteiga, queijos e outras guloseimas, esquecem qualquer rusga. Com a presença dos dois netos mais novos, as conversas se tornam ainda mais animadas e as risadas preenchem o ambiente.

– Filha, adorei o café, estava tudo uma delícia, mas sua mãe e eu precisamos ir pra casa descansar!

– Nem pensar... depois do jantar, vamos cantar parabéns pro senhor, papai! Fiz o seu bolo preferido! Ou o senhor estava achando que o passeio era suficiente? Precisamos e adoramos comemorar seu aniversário!

– Ah! Imagina, filha! O passeio foi suficiente pra eu quase acabar com o dia da família... eu e minha boca grande... ahahaha...

– Não fale assim, olha a alegria de seu neto por ter te levado a esse passeio de carro novo!

– Por isso, não queria ter dado essas minhas opiniões inúteis...

– Para com isso, vovô! Vamos conversar, quero saber qual sua avaliação sobre alguns modelos que estive pensando... pai, vem cá também!

– Já tô pronto! Também quero saber o parecer de meu sogro sobre nossas ideias para as próximas aquisições! 

–  Vem, mamãe! Quero te mostrar umas toalhas e panos de prato que comprei...

– Ah, filha, quero ver tudo!

As duas saem da sala, enquanto Seu Bernardo, o genro e os netos se empolgam com o bate-papo sobre o mundo dos automóveis antigos. De repente, a conversa é interrompida por um estranho grito de Dona Suzana.

– O que foi? O que aconteceu com minha Suzaninha?

– Calma, vô! Já imagino... 

– Não se preocupe, o grito foi de satisfação, meu sogro!

– Que tipo de toalha, pano de prato ou seja lá o que for que minha filha mostrou pra mãe soltar um grito desse!? Agora fiquei curioso!

– Vamos ver, vovô!

Quando os netos e o genro abrem a porta da cozinha que dá acesso à garagem principal da casa, Seu Bernardo não consegue conter as lágrimas.

– Mas esse é meu querido "Bolinha Azul"? É ele mesmo, meu neto?

– Sim, vovô! Ele voltou para o senhor, é seu presente de aniversário!

– Como assim? Suzaninha, você sabia disso?

– Não, também fui surpreendida. Você não ouviu meu estabanado grito de alegria!?

– Mas como vocês conseguiram? Eu tive de vender meu Romi-Isetta e nunca mais tive contato com o dono, até tentei...

– Seu neto foi implacável, Seu Bê! Ele passou um ano procurando, lembra quando ele pediu pra ver as fotos do seu carro?

– Meu neto amado! Deve ter sido caro... como conseguiu achar meu "Bolinha Azul"?

– Simples, vovô! Fui atrás das pistas, conhecendo gente de tudo que é canto nas feiras que o senhor me apresentou quando eu era criança... estou realizado, comprar de volta esse carro é o que eu mais queria fazer.

– Mas como vou te pagar?

–  Com seu sorriso!

–  Me dá um abraço, meu neto! Nem sei o que dizer...

– Seus olhos já estão me dizendo, te amo Vô Bê! Agora, pegue sua garota e vá passear!

– Cadê a chave? Vamos, querida!

– Nada de passeio longo, casalzinho! Voltem logo pra gente cantar parabéns e comer o bolo! :)


* A foto que ilustra esta automobilística crônica é de minha autoria. O registro foi feito, há quase 10 anos, quando me deparei com essa coisinha lindinha sorrindo pra mim... rsrsrs... Pois é, assim como meu personagem, sou encantada por esse doce carrinho! ❤️

quarta-feira, 29 de julho de 2026

A insana violência do ser humano



– Tô chocada com a notícia da capivara que foi atingida por uma flecha, na Represa de Guarapiranga, na Zona Sul de São Paulo! O ser humano, realmente, continua sendo um dos menos evoluídos na face da Terra. 

– Também fiquei impressionado! O mundo todo sofrendo com as mudanças climáticas, tempestades, incêndios em florestas, calor extremo, fome e, no meio disso tudo, um insano é capaz de flechar uma capivara na maior metrópole da América Latina, em pleno Século XXI. Esse indivíduo não deve ter nada na cabeça.

– Deve ser um desalmado... um sem noção. Como ainda tem gente praticando caça de animais silvestres... que, além de desumana, é proibida no Brasil e configura crime ambiental?

– Sim! São Paulo tem tanto problema pra resolver, desigualdade social, violência, fome. Será que as pessoas não podiam aliviar um pouco ao invés de sair por aí brincando de tiro ao alvo?

– Não tem cabimento atentar contra os animais silvestres, com o meio ambiente. E nossa querida cidade cresceu e continua crescendo desordenadamente. Sinto tanto quando vejo árvores sendo derrubadas dando lugar a arranha-céus.

– Sem contar a quantidade de casas antigas sendo demolidas e substituídas por prédios que mais parecem caixas de sapato. Preservar a história e o patrimônio da cidade deveria ser mais levado em conta.

– Nossa, amor, que conversa mais triste. Vamos passear um pouco, se possível em um parque bem preservado pra ouvir só o canto dos pássaros?

– Claro, vem cá, me dá um abraço!

– Só se você me devolver outro...

– É pra já!

– Também te amo! :)


* A foto que ilustra essa crônica/desabafo é de minha autoria, fiz esse registro, há alguns anos, no Horto Florestal (ZN-SP). Resolvi publicar essa capivara com seus filhotinhos para reforçar como a Natureza é bonita, mais bonita do que muita gente. Viva os animais!

sábado, 25 de julho de 2026

Amor de porcelana

Aproveitando que amanhã é Dia dos Avós, tava lembrando da minha avó materna... portuguesinha de cabelinhos brancos, viúva desde muito nova... meu avô materno faleceu quando minha mãe tinha apenas sete anos.

Quando era pequenininha, lembro da hora do café da tarde, a mesa era organizada, tudo simples e muito bonito... a manteiga conservada na água pra ficar macia, os pãezinhos frescos... a faca de pão, grande de serrinha, clássica, todo mundo tinha uma em casa, o café com leite na medida certa, servido em bonitas xícaras com pires... ah... doces lembranças na casa da vó. 

Se íamos almoçar, ela acabava sempre me dando leves broncas, achava que eu comia pouco e até ameaçava dar um presente pra outra menina qualquer se eu não raspasse o prato... rsrsrs... eu me divertia... mas, às vezes, ficava preocupada... que menina seria essa que minha avó ia presentear? Até porque ela não gostava de dar brinquedos, ela sempre me dava roupa, só uma vez me deu uma bonequinha tão linda... guardo até hoje! 

Toda a vez que íamos visitá-la, minha mãe sempre dizia: comportem-se e não mexam em nada. Éramos educados e por mais que a cristaleira dela nos encantasse, nunca fizemos nada errado, a gente ficava só olhando todos aqueles itens que preenchiam as prateleiras, louças, souvenires... eu adorava os bibelôs de porcelana, especificamente, um casalzinho sentado num muro... era tão lindo! Quando minha vó faleceu, eu ainda era criança e minha tia me deu o bibelô de presente... ah... achei tão bonito, ela sabia que eu gostava! Sempre que olho pra ele sinto todo o carinho... é como um abraço de vó... da minha vó!

Uma coisa que me traz sua lembrança é o aroma de arruda... minha vó sempre ia na nossa casa logo cedo pra me benzer. Ela era muito paciente com a Gi pequenininha... rsrsrs... eu queria saber o que ela rezava enquanto me benzia, ela ria e isso atrapalhava sua reza. Minha mãe pedia pra eu ficar quieta, mas minha avó não se importava e, algumas vezes, pra conseguir me benzer, ela me virava de costas... coisa de criança sapeca e curiosa... rsrsrs... hoje sinto falta desse cuidado todo... mas sei que sua bênção continua me protegendo de onde estiver... ❤️

Já meu avô paterno, italiano, faleceu quando eu tinha três anos... não tenho lembranças dele, porém minha mãe dizia que quando eu me irritava parecia o vô Carlo... rsrsrs... e minha avó paterna faleceu quando eu tinha uns cinco anos de idade, mesmo assim lembro de seu cheirinho e de seu abraço! :)

* Esta crônica, ilustrada pela foto do meu querido casalzinho de porcelana, é uma singela homenagem aos meus avós paternos e maternos que me deram meu pai e minha mãe... ❤️

quarta-feira, 22 de julho de 2026

A calma simpática dos jabutis

– Outro dia tava observando a gente andando pela calçada rumo à padaria...

– Tava fazendo um estudo antropológico, amor?

– Não exatamente, apenas fazendo uma observação leiga.

– Qual sua conclusão?

– Não fique contente... minha conclusão é levemente incômoda!

– Não me diga!

– Pensei que tava curioso.

– Engraçadinha! Fala logo, minha observadora social!

– Ahahaha... adorei meu novo cargo! 

– Continuo aguardando seu parecer.

– Calma, vou fazer um simples comentário... de uma sensação que me veio à cabeça enquanto vi nosso reflexo nas vitrines daquela loja de departamentos, no quarteirão anterior à padaria!  

– Tá enrolando muito... e olha que eu sou o mais paciente do casal!

– Dois erros: não estou enrolando e você não é o mais paciente do casal pelo simples fato de eu não ostentar um traço sequer de paciência em meu ser!

– Ahahaha... agora você foi assertiva em sua colocação... prossiga!

– Como eu ia dizendo, olhando pra nós dois, quem vê de fora é capaz de achar que somos completamente sedentários.

– Não entendi, não somos sedentários, pelo menos, não completamente!

– Ahahaha... pois é, acho que vamos ter de rever os treinos na academia ou ao menos aumentar a intensidade das caminhadas.

– O que você viu nesse reflexo? Será que descobriu o multiverso?

– Bobo! Vi a gente se arrastando como se fôssemos um casal de jabutis indo atrás de um naco de banana ou uma folha de acelga!

– Ahahaha... exagerada! Mas não acho que estávamos nos arrastando tanto assim... se bem que parecer com um casal de jabutis é até simpático... são tão tranquilos, dóceis!

– Concordo, mas achei que estávamos até meio corcundas...

– Também gosto do Corcunda de Notre Dame... no fundo é um romântico e só queria a Esmeralda pra ele... acho justo!

– Então, assunto encerrado, não tenho mais como argumentar!

– O importante é manter o bom-humor! Não posso fazer nada se tem dias em que minha coluna adora doer a cada passo que dou... por isso, sou uma mistura de jabuti, pela calma, e corcunda pra tentar aliviar a tensão... ahahaha... 

– Se está satisfeito, ótimo! Não gostei de me ver arrrastando os chinelos e praticamente encurvada em público!

– Exagerada! Nem tinha ninguém na rua, domingo às sete da manhã, só mesmo o casal de jabutis corcundas aqui pra ir à padaria!

– Ahahaha... que raiva! Não quero rir, queria ficar chateada...

– Você é a única pessoa no mundo que quer ficar chateada. Deixa pra lá, aquelas vitrines confundem a visão, são muitos reflexos ao mesmo tempo, parece uma sala de espelhos...

– Depois eu é que sou exagerada!

– E nervosa... e impaciente!

– Mais algum adjetivo para me definir, querido?

– Por hora é isso mesmo... ahahaha...

– Você ainda quer a torta de frango que me pediu ontem à noite?

– Ah! Não... você não é vingativa.

– Talvez um pouco sentida...

– Amor... você tá querendo confete?

– Prefiro chocolate granulado!

– Ahahaha... essa é minha garota.

– A conversa tá boa, mas tenho que ir pra cozinha...

– Nem pensar... agora quero você aqui do meu lado! Tava pensando em comer um naco de banana ou uma folha de acelga junto da jabutizinha mais linda das galáxias!

– Como não tenho a calma de um jabuti, vou assar a torta!

– Você tá dispensando seu jabuti de coluna torta?

– Ahahaha... parece nome da espécie: jabuti-de-coluna-torta!

– Ahahaha... gostou? Adoro sua risada! 

– E eu adoro sua habilidade em me fazer rir!

– Deixa a torta, o jabuti e o corcunda pra lá e vem cá rir comigo, minha querida quelônia!

– Mas você não queria a torta?

– Prefiro passar a manhã, tranquilamente, em sua companhia.

– Ah! Assim você me quebra as pernas!

– Nada de violência! Aqui é só amor! :)


* A foto é de minha autoria... os inspiradores jabutis vivem na casa dos meus queridos Betão (irmão) e Nivia (cunhada)... ❤️

sábado, 18 de julho de 2026

A ternura de Ziraldo ao falar da gente...

A obra de Ziraldo é sempre uma alegria a se compartilhar! Sempre gostei de "O Menino Maluquinho" (publiquei aqui um texto sobre ele em agosto de 2024), mas agora tive a oportunidade de ler dois livros em que nós, meninas... rsrsrs..., somos as protagonistas!

Uma das coisas que mais me encantou foi a ternura com que o grande cartunista, escritor, chargista, cartazista, jornalista retratou as alegrias, sonhos e traquinagens das meninas. Em vários momentos, a Gi menininha que habita em mim se sentiu representada... foi uma leitura repleta de carinho, porque não importa a idade que temos, nossos sentimentos, valores e sonhos nos conectam à sua arte e nos fazem mais fortes!

Em "Uma menina chamada Julieta", adorei quando ela ganhou de presente da avó "uma saia bem branquinha, curtinha e toda plissada, uma camisa vermelha, tendo bordada no peito a figura de um raio". Ah... Flash! Inclusive, um dos personagens que criei é muito fã desse querido super-herói... adoro!
A partir daí, a Julieta nunca mais tirou "a roupinha que a fazia virar uma super-heroína". A pequena é um azougue, gosta de aprender novas palavras, de ouvir histórias antes de dormir, de jogar futebol, faz gol de tudo que é tipo... de cantar, brincar de teatro, de casinha e de boneca... mas uma coisa me fez lembrar da infância, quando minha mãe tentava desembaraçar meus cabelos... ai, os puxões da escova... sorte que ela tinha muitos afazeres em casa e passava a tarefa para um dos meus irmãos, que era paciente pra caramba... rsrsrs...

Já no livro "Meninas", Ziraldo convidou o amigo Aroeira para uma parceria e decretou feliz: "eu desenho, você colore". E, então, ganhamos uma obra que esbanja talento e delicadeza! No texto de abertura, o autor confessa que sempre pensou em ilustrar o livro "Alice no País das Maravilhas", acreditava que todo ilustrador tem o desejo ardente e até o dever de ilustrar o clássico de Lewis Carroll. Resultado: pensando em nos contar a história da famosa Alice à sua maneira, acabou por nos brindar com essa joia em que tenta explicar quem é a menina, "esse ser encantado que dura apenas dos sete aos onze anos". Este livro também me fez lembrar de quando era criança, sempre sonhadora... "Menina não precisa de asas para voar". Pois é, nunca precisei! Escrever me faz voar, sonhar... é quando mais me encanto com as belezas da vida. Salve a sensibilidade, a genialidade e a obra solar de Ziraldo! :)

quarta-feira, 15 de julho de 2026

Liberdade de pensamento

– O que foi? Tá quieto...

– Ah! Tava pensando...

– Algum pensamento cotidiano ou mais filosófico?

– Na verdade, há meia hora, tava pensando em fazer um café.

– Imagino que a preguiça ganhou...

– A princípio sim... rsrsrs... 

– Em nenhum momento pensou em ir me ajudar a estender a roupa no varal?

– Ahahaha... pelo jeito, já pendurou tudo, desculpe querida. É que depois de perder a vontade de fazer café, me veio um pensamento mais profundo.

– Uau! Sobre o quê?

– Liberdade de pensamento!

– Gostei... e o mais curioso é que ontem fui pesquisar sobre o Dia da Revolução Francesa e vi que 14/07 também é Dia Mundial da Liberdade de Pensamento! Fale mais a respeito, meu pensador!

– Nossa, que coincidência! Tava aqui matutando... liberdade de pensamento é muito legal... você pode pensar o que quiser, mas é importante elaborar e, acima de tudo, na hora de verbalizar, não confundir liberdade de expressão com desrespeito, preconceito e outras sandices que as redes sociais têm potencializado descaradamente a qualquer hora do dia.

– Adorei sua colocação, concordo plenamente! Liberdade é uma palavra tão bonita pra ser confundida com opiniões descompensadas...

– Liberdades de pensamento e de expressão, com responsabilidade e bom senso, são sempre muito bem-vindas! Pena que nem todos os ditos seres pensantes são realmente capazes de propagar coisas construtivas...

– Nossa... o que aconteceu que você tá tão filosófico, amor?

– Tá surpresa? Estranho, porque estou sempre propondo discussões pertinentes...

– Dormiu com o dicionário embaixo do travesseiro?

– Engraçadinha... aliás, dormi com você... de conchinha! O que tá me olhando?

– Ah! Como você diz, tava matutando aqui...

– Exponha seus pensamentos, amor!

– Pensei que se meu querido filósofo coasse mesmo o café, eu poderia abrir aquela lata de bolachinhas amanteigadas que você me deu de presente.

– Aquela lata que custou mais do que uns três boletos? Ótimo, assim vou conferir se é isso tudo mesmo!

– Que exagero! Claro que são uma delícia, bobo!

– E por que essa cara de safada?

–  Eu? Só tô falando de um lanchinho da tarde... o que os leitores vão pensar?

– Sei lá, eles têm liberdade de pensar o que quiserem...

– ... mas, por favor, com moderação... ahahaha...

– Ahahaha... não censure os pensamentos alheios!

– Chega de palavras bonitas, vamos pra cozinha!

– Sim senhora... mas depois do café quero ver se me diz o que vai aí no seu pensamento...

– Que pensamento, meu?

– Esse pensamento que te deixa com essa cara de menina travessa!

– Ahahaha... travessa é muito doce!

– Vamos logo abrir a lata de bolachinhas amanteigadas ou será que você prefere...

– Prefiro que você faça o café, menino assanhado!

– Ahahaha... bela dupla: travessa e assanhado! :)

sábado, 11 de julho de 2026

Elementar, meu caro leitor!

Outro dia, vi umas edições bonitinhas da obra de Sir Arthur Conan Doyle, num preço legal... resolvi comprar. É a primeira vez que leio Sherlock Holmes. Adorei! É uma leitura leve e instigante, a gente fica até tentando resolver os enigmas antes do detetive mais simpático e elegante da Londres do final do século XIX.

A forma como Holmes esmiúça e decifra cada caso é seu toque genial. E o assistente, o  carismático Dr. John Watson, é o amigo leal que está sempre lá pra contribuir, ainda que, muitas vezes, só com sua presença. Aqui abro um parêntese: em tempos de relacionamentos por meio de telas, é bom lembrarmos o quanto a presença física nos faz especiais, afinal, o ser humano é um ser social por natureza, já dizia o filósofo grego Aristóteles! Que tal deixarmos um pouco de lado as telas para encontros mais olho no olho? Fecho o parêntese.

Voltando à obra de Doyle, li três coletâneas de contos: "Um Escândalo na Boêmia e outras aventuras"; "A Liga dos Cabeças Vermelhas e outras aventuras" e "O Roubo da Coroa de Berilos e outras aventuras". Confesso que o que mais gostei foram os casos que não envolvem crimes, mas acontecimentos dos mais bizarros... rsrsrs... as observações detalhadas e as conclusões surpreendentes de Holmes aumentam a vontade de ler o próximo conto! 

Outro destaque é a narração feita por Watson que, como testemunha das aventuras de Sherlock Holmes, nos brinda com uma visão humana, tornando as histórias acessíveis, é como se ele traduzisse a "doideira" genial do amigo em algo mais palpável para os leitores. Claro que agora fiquei ainda mais curiosa para ler os quatro romances... quem sabe, em breve, volto a falar sobre Sherlock... rsrsrs... Viva a mente criativa de Arthur Conan Doyle! :)   


* A foto e o chá são de minha autoria... rsrsrs... afinal, nada mais apropriado do que saborear a tradicional bebida acompanhada de um clássico da literatura britânica!