sábado, 13 de junho de 2026

Primeira visita

Ah! Visitei o Museu do Futebol! Nada pensado, mas coincidiu de ser na semana de abertura da Copa do Mundo 2026. Fiquei encantada com as imagens, informações históricas e detalhes, mas pra conferir tudo uma visita só não basta! 

Na exposição principal, adorei a "Sala Pelé", as várias fotos dele em ação são fascinantes... pra quem, como eu, não o viu jogar, é uma forma de conhecer um pouco da magia do Rei! Sem contar com o registro dele com o manto sagrado do meu querido Saaaaaaantoooooos! E falando em emoção, uma das experiências mais empolgantes é a chamada "Sala da Exaltação". Telões enormes projetam imagens de várias torcidas com seus gritos de guerra em meio às pilastras de sustentação do Pacaembu... é de arrepiar! A vontade é estar na arquibancada cantando junto!

As cinco conquistas da Seleção Brasileira são contadas com os respectivos contextos de cada época. Tentei me atentar mais às de 1958, 1962 e 1970, porque assisti o tetra e o penta... rsrsrs... Mas o que mais procurei foram as fotos dos jogadores e seus uniformes que, aliás, pude conferir também na exposição temporária "Amarelinha"!  Camisas de craques de várias gerações, todas com as marcas do tempo e da luta que enfrentaram em campo... Adorei!

Sempre me interessei por curiosidades, itens raros e tudo que envolve o universo do futebol e, para isso, o Museu é um prato cheio! Destaco três (foto ao lado) que me chamaram a atenção e despertaram lembranças afetivas! Primeiro, alguns cards do querido "Futebol Cards da Ping Pong", tive o do Nilton Batata, atacante do "glorioso alvinegro praiano"... rsrsrs... Adorei lembrar que me divertia com o grande e saudoso Jô Soares, no programa "Viva o Gordo", e seu Zé da Galera, que ligava do orelhão para o também grande e saudoso Telê Santana, implorando para o técnico da Seleção Brasileira (1982 e 1986): "Bota ponta, Telê"! Ah! A Seleção de 82! Pra mim, a melhor que vi, tudo bem que não ganhou, mas encantou e muito! A capa icônica do "Jornal da Tarde" revela bem o que sentimos naquele dia! Mas no futebol é assim mesmo, por isso, é tão inspirador!

Pois é, comentei alguns pontos que marcaram esta minha primeira visita, mas certamente vou querer ir outras vezes e com mais calma. Só não podia deixar de dar uma olhadinha e registrar o campo do Pacaembu, onde tive a sorte de assistir a um jogo do Santos, única vez que fui a um estádio! Ah! O dia ensolarado tornou a visão ainda mais arrebatadora! Tomara que em breve o querido Paca volte a ser palco de jogos importantes à altura de sua história. Viva o futebol... e bola na rede! :)

quarta-feira, 10 de junho de 2026

Sabor outonal

– É preciso esclarecer que o céu de outono não é a única beleza da estação, além de suas tardes suaves e iluminadas!

– Continue, querida...

– Não faça essa cara de quem não sabe do que estou falando.

– Percebeu? Pois é, minha cara é realmente a de quem não sabe do que está falando, amor!

– Não seja tosco!

– Nossa, que delicada!

– Não mude de assunto, querido!

– Mas eu nem sei que assunto é esse? Com sua leve estupidez, fiquei meio perdido... recomece o diálogo, ó ser impaciente!

– Ahahaha... que raiva... tive que rir! Ser impaciente... até parece... ahahaha... tá bom, não precisa me fuzilar com esses doces olhos...

– Ah! Esse "doces olhos" me desmontou...

– Sou assim, te desmonto com uma simples tacada... ahahaha...

– Fala logo, minha certeira preferida!

– Ahahaha... tá bom... como eu ia dizendo... o outono não me encanta só pelo lindo céu azul e suas tardes suaves e iluminadas... tem uma fruta da época que é de lascar de boa... 

– CAQUI! Concordo, mas por que não me disse que o assunto era alimento?

– Porque, pra mim, outono é sinônimo de caqui... pensei que pra você também seria óbvio falar da estação e lembrar da fruta mais saborosa das galáxias!

– Desculpa, amor, pensei que você ia sugerir um passeio, mas aí fiquei com aquela cara que mais te irrita... ahahaha...

– Ahahaha... o que mais me irrita é me fazer rir quando tô irritada...

– Ahahaha... só piora, por favor, volte ao assunto, prometo me esforçar pra não te fazer rir.

– Não tem mais assunto... eu queria que quando falasse de outono você lembrasse de nossa fruta mais querida.

– Uma de nossas frutas mais queridas você quer dizer.

– Caqui é a nossa fruta MAIS QUERIDA DO OUTONO, ora bolas! 

– Calma, o que os vizinhos vão pensar dessa gritaria!?

– Uma conversa que poderia ter sido tão doce... mas você parece que tirou o dia pra me irritar.

– Quem sabe você tenha começado muito poética, amor... da próxima vez, seja mais direta.

– Pode deixar, vou ser mais direta: vou pra cozinha agora saborear um caqui maravilhoso! E você? Nem tente vir atrás de mim!

– Até parece que vou ficar aqui! E que fique claro, não vou atrás de você, vamos lado a lado, compartilhando tudo, como sempre!

– Sim! Compartilhando tudo, como sempre! Que romântico, amor!

– "Talvez eu seja o último romântico dos litorais desse Oceano Atlântico..."

– "Me dá um beijo, então, aperta a minha mão. Tolice é viver a vida assim sem aventura..."

– Ahahaha... vamos nos aventurar na cozinha comendo caqui, querida!

– Ahahaha... vamos de mãos dadas, amor! E viva Antônio Cícero, Lulu Santos e Sérgio Souza*! :)


* Compositores da bela canção "O Último Romântico".

sábado, 6 de junho de 2026

Uma bela e atribulada viagem

Depois de ler um livro extremamente denso, adoro me refugiar em leituras mais leves só pra dar aquela relaxada básica. Por isso, depois de um clássico de Dostoiévski, nada melhor que mergulhar no mundo das HQs. Desta vez, tive o prazer de reler "Uma volta pela Gália com Asterix". 
Ah! René Goscinny e Albert Uderzo... como vocês são geniais! O mais legal de reler as histórias é que, além de me divertir, acabo me emocionando ao lembrar que a Gi pequena adorava esses gauleses cativantes!


Com a arte impecável de Uderzo e o texto ágil e bem-humorado de Goscinny, a aventura instiga a vontade da leitora aqui de viajar pelas cidades e conferir se as especialidades apontadas são tradicionais ainda hoje! Cadê meu passaporte? Ahahaha...

O desafio de Asterix e Obelix é viajar por todas as regiões da Gália (território que compreendia a França atual, Bélgica, Países Baixos, grande parte da Suíça, parte da Itália e parte da Alemanha) e trazer os acepipes para, na volta, oferecerem um banquete... então, eles visitam, por exemplo, Lutécia (antigo nome romano de Paris... ulalá!), onde compram o famoso presunto; em Cambrai, as "mentirinhas" (balas de menta); em Toulouse, salsichas; em Bourdeaux, ostras e vinho branco; entre outras. Tudo isso, claro, tendo que driblar os romanos, mas nada que a eficiência dos dois não resolva... rsrsrs...

Adoro as HQs franco-belgas clássicas! Colecionar os títulos dessa série inspiradora é embarcar na imaginação! Viva o talento dos queridos Goscinny e Uderzo! Viva a Nona Arte! :)

quarta-feira, 3 de junho de 2026

Os labirintos da mente humana

Já postei sobre Fiódor Dostoiévski, inclusive sobre seu livro de estreia "Gente Pobre", do qual gostei muito... finalmente, depois de um longo e tenebroso inverno, li sua obra-prima: "Crime e castigo"! A narrativa densa sobre os labirintos da mente humana nos apresenta o jovem Raskólnikov "esmagado pela pobreza", que não consegue mais pagar os estudos nem o quarto que aluga e vive em constante insegurança, tendo que empenhar seus poucos pertences para conseguir alguns trocados, vivendo do dinheiro enviado pela a mãe e pela irmã, que moram no interior.

Mesmo atormentado, ele continua em Petersburgo, vestindo farrapos e isolado do convívio social, considerando-se mais inteligente do que qualquer um e quase não tolerando interações. Está sempre taciturno, refletindo sobre injustiças, moral, valores... adora Napoleão e acredita que nem todos os crimes devem ser punidos, porque alguns deles podem levar a um bem maior para a sociedade... pensamento sombrio esse, hein?

A partir de todas as dificuldades que enfrenta quando tem que deixar a faculdade e perde os alunos particulares, o jovem resolve cometer um crime que, em sua visão "napoleônica" vai livrar o mundo de uma pessoa deplorável: a velha viúva, a qual empenha seus pertences a juros escorchantes.

A desigualdade social e a forma vil como o pobre é desprezado nos grandes centros urbanos são temas constantes na obra do autor e nos deixa aquele gosto amargo, afinal, infelizmente, em pleno no Século XXI, continuamos vivendo os mesmos dilemas. Mas o que mais impressiona na narrativa é a magistral habilidade de criar personagens humanos... ainda que Raskólnikov seja um assassino cruel, tem seus momentos de puro altruísmo, como quando ajuda outras pessoas tão ou mais pobres que ele, por exemplo, doando todo o dinheiro enviado pela mãe para ajudar no enterro de um pai de família, de quem presencia o atropelamento.

A facilidade que Dostoiévski tem de detalhar não só as emoções como os cenários nos dá a sensação de estarmos acompanhando toda a jornada do protagonista e demais personagens in loco, porém, neste caso, o melhor a fazer é ficarmos olhando bem de longe... rsrsrs... Brincadeiras à parte, adoro quando o escritor lança mão do bom-humor em algumas conversas entre o protagonista e seu amigo, Razumíkhim; e ao descrever as características fisicas e trajes de outros personagens; são momentos que ajudam a aliviar a constante tensão.

Acompanhamos um homem dividido que, por um lado, acredita que seu crime era necessário, mas, ao mesmo tempo, sofre com a consciência pesada e luta por redenção. Enfim, cada livro do autor é uma aula de escrita e aumenta a vontade de ler toda sua obra! Viva a Literatura Clássica! Salve a genialidade de Dostoiévski! :)

sábado, 30 de maio de 2026

Revisitando um filme aconchegante

Decidi ir ao streaming escolher um filme, queria mergulhar em uma história que me fizesse esquecer um pouco minhas preocupações e as mazelas do mundo... Juro que queria alguma coisa nova, mas depois de rolar a tela e cansar de ver milhares de opções, me deparei com "Questão de tempo" (About time, 2013), com roteiro e direção de Richard Curtis, um diretor que sabe me conquistar com bom-humor, emoção e romance desde sempre... ou desde os adoráveis "Quatro casamentos e um funeral" (1994) e "Um lugar chamado Notting Hill" (1999)!
 

Ah! Eu estava precisando de um filme aconchegante como esse, que assisti no cinema, tive o DVD e é sempre uma inspiração só! Os personagens são muito bem construídos, absolutamente humanos e cheios de sutilezas!

Tudo começa quando Tim (Domhnall Gleeson) completa 21 anos e seu pai (Bill Nighy) conta a ele que os homens da família podem viajar no tempo e mudar o passado... e, então, ele conhece Mary (Rachel McAdams) e descobre que ela é a mulher da sua vida... a partir daí, várias situações se desenrolam até que ele a conquista. A sequência de cenas de Tim e Mary no metrô é encantadora e a do casamento na chuva é hilária. Ah! Adoro a trilha sonora!

Gosto das cenas iniciais em que é apresentada a família de Tim e suas tradições de tomar chá na praia, seja inverno ou verão, e realizar sessões de cinema ao ar livre, inclusive em dias chuvosos... as partidas de tênis de mesa entre o pai e o filho. A mãe (Lindsay Duncan) meio blasé, o adorável e excêntrico Tio D (Richard Cordery) e a irmã Kit Kat (Lydia Wilson) protagonizam cenas divertidas, assim como quando os pais de Mary conhecem Tim!

A relação que eles constroem é de uma delicadeza tão leve e bem-humorada que nos conquista completamente. Não vou contar detalhes pra que quem, por ventura, ainda não assistiu tenha suas próprias experiências com esse roteiro brilhante, desse cineasta igualmente brilhante! Adoro comédias britânicas! O filme nos convida a refletir sobre a importância de enfrentarmos os dias com um sorriso no rosto, lançando mão da gentileza pra facilitar a vida e conquistarmos momentos inesquecíveis! Viva o cinema! :) 

quarta-feira, 27 de maio de 2026

Não abandone seu poeta

A inversão de valores é explorada de forma altamente criativa pelo escritor português Afonso Cruz em "Vamos comprar um poeta". Preciso dizer que quando vi alguém, que não lembro quem, falando desta obra na internet, o que mais me chamou a atenção foi o título, que logo entrou para minha (cada vez maior) lista de leituras imprescindíveis! Aliás, benditas feiras que, por vezes, nos possibilitam comprar os livros que queremos com descontos vantajosos!

Com linguagem leve e certeira, o autor consegue prender a atenção do leitor desde as primeiras páginas. Em uma sociedade dominada pelo materialismo, onde tudo é contabilizado e negociado, a filha adolescente pede aos pais um poeta como se pedisse um animal de estimação. Na loja, o pai se certifica sobre o modelo que escolheram e o vendedor responde que o índice de subversão dele está abaixo dos 2%, mas alerta que é necessário que seja um pouco subversivo para manter a qualidade poética. O vendedor aconselhou ainda que para entretê-lo bastava comprar cadernos com folhas brancas, canetas e alguns livros! Adorei!

Além de provocar reflexões sobre o valor da poesia e da arte, a história, narrada pela adolescente, é permeada pelo humor. As características dos membros da família são um caso à parte: o pai vive tentando administrar os poucos cabelos que tem; o irmão descrito como "exponencialmente parvo", apaixona-se com facilidade e vive em "constante bancarrota emocional"; a mãe, cansada, sempre calçando pantufas gastas, recusa a compra de um artista, porque faz "muita porcaria", inclusive, uma conhecida passava horas limpando a "sujidade que ele fazia com as tintas", por isso acredita que um poeta seria menos trabalhoso. Já a narradora é a mais próxima do poeta e em determinado momento até se pergunta: "estarei a ficar poética?".

Ah! Como não adorar personagens tão bem construídos e uma narrativa inspiradora sobre a importância da cultura para o desenvolvimento humano em um mundo extremamente consumista! Aliás, vale o alerta: não abandone seu poeta numa praça qualquer! Viva a imaginação e o talento de Cruz! Salve a Literatura em língua portuguesa! :)

sábado, 23 de maio de 2026

Aquela vontade de comer um docinho


– Cadê você, amor?

– Tô aqui na sala... relaxando. Por quê?

– Tá tão quietinha.

– Tô olhando a garoa no vidro da janela.

– Que poética!

– E você? Tá fazendo o quê sozinho na cozinha, menino travesso?

– Ahahaha... adorei o travesso! Tava pensando...

– Pensando em quê?

– Sabe aquela vontade de comer um docinho?

– Sei...

– Nossa, que insensível!

– Por que insensível?

– Tô aqui externando minha vontade de saborear uma guloseima e você me vem com esse azedume!

– Desculpe, querido! Achei que era só um comentário daqueles de elevador, do tipo: esse calor tá de amargar!

– Ahahaha... tive que rir... faz tempo que não ouço "calor de amargar". No entanto, quero registrar que meu comentário foi muito mais profundo que uma conversa de elevador, querida!

– Tá bom, então, vamos dissertar sobre essa sua vontade...

– Não exagera! Tava só comentando e queria compartilhar.

– Já entendi, amor! Vamos começar de novo... pergunte!

– Sabe aquela vontade de comer um docinho?

– Te conheço, quando fala assim é porque já tem uma ideia formada. Qual docinho?

– Ah! Pensei num...

– Por favor, não vai me dizer que quer que eu faça crème brûlée ou, sei lá, alfajor... justo hoje que tiramos o dia pra descansar?

– Claro que não! Não sou requintado como você, pensei em algo bem mais simples.

– Devia gostar de ter ao seu lado alguém que está sempre pronta a aprender receitas variadas. Tá me chamando de fresca?

– Calma, amor! O fato é que você tem o paladar refinado...

– Para com isso! Não tenho culpa de gostar de doces de todos os tipos e nacionalidades.

– Tô falando... já lançou um "nacionalidades" e não quer que eu chame de requintada... ahahaha...

– Só disse que gosto de vários tipos de doces... do fino e delicado marzipan ao simpático e tradicional gibi, o doce de amendoim mais gostoso do Universo!

– Opa, não tá mais aqui quem falou! Eu ia dizer que tava querendo algo acessível como um pé de moleque.

– Ah! Pé de moleque? Que coisa mais sem glamour... ahahaha...

– Nesse momento, um pé de moleque já me satisfaria... e muito!

– Não precisa ficar chateado, tava te provocando.

– Bastava abrir o pote...

– Você venceu! Chega de admirar a garoa, mas que fique claro: não vou querer só o pé, quero inteiro! Vem cá, meu moleque! :)


* A foto que ilustra essa adocicada crônica é de minha autoria, assim como o marzipan em formato de coraçãozinho. Já o gibi, comprei no mercado, fotografei e depois saboreei, claro... rsrsrs...