sábado, 11 de julho de 2026

Elementar, meu caro leitor!

Outro dia, vi umas edições bonitinhas da obra de Sir Arthur Conan Doyle, num preço legal... resolvi comprar. É a primeira vez que leio Sherlock Holmes. Adorei! É uma leitura leve e instigante, a gente fica até tentando resolver os enigmas antes do detetive mais simpático e elegante da Londres do final do século XIX.

A forma como Holmes esmiúça e decifra cada caso é seu toque genial. E o assistente, o  carismático Dr. John Watson, é o amigo leal que está sempre lá pra contribuir, ainda que, muitas vezes, só com sua presença. Aqui abro um parêntese: em tempos de relacionamentos por meio de telas, é bom lembrarmos o quanto a presença física nos faz especiais, afinal, o ser humano é um ser social por natureza, já dizia o filósofo grego Aristóteles! Que tal deixarmos um pouco de lado as telas para encontros mais olho no olho? Fecho o parêntese.

Voltando à obra de Doyle, li três coletâneas de contos: "Um Escândalo na Boêmia e outras aventuras"; "A Liga dos Cabeças Vermelhas e outras aventuras" e "O Roubo da Coroa de Berilos e outras aventuras". Confesso que o que mais gostei foram os casos que não envolvem crimes, mas acontecimentos dos mais bizarros... rsrsrs... as observações detalhadas e as conclusões surpreendentes de Holmes aumentam a vontade de ler o próximo conto! 

Outro destaque é a narração feita por Watson que, como testemunha das aventuras de Sherlock Holmes, nos brinda com uma visão humana, tornando as histórias acessíveis, é como se ele traduzisse a "doideira" genial do amigo em algo mais palpável para os leitores. Claro que agora fiquei ainda mais curiosa para ler os quatro romances... quem sabe, em breve, volto a falar sobre Sherlock... rsrsrs... Viva a mente criativa de Arthur Conan Doyle! :)   


* A foto e o chá são de minha autoria... rsrsrs... afinal, nada mais apropriado do que saborear a tradicional bebida acompanhada de um clássico da literatura britânica!

quarta-feira, 8 de julho de 2026

Encantos do futebol

– Vamos comentar um pouco sobre a Copa do Mundo 2026?

– Alguma razão especial, depois do vexame?

– Nada a ver com o vexame. Nem esperava nada dessa turma mesmo... quero falar sobre o que tem me encantado na Copa... 

– Ah! Vamos comentar! Gosto de Copas do Mundo porque elas sempre trazem momentos marcantes. 

– Que bom... então, vamos lá... eu começo com uma que sempre gosto de ver: as torcidas todas misturadas nas arquibancadas dos estádios! Claro que sempre tem aquele mar de torcedores juntos...

– ... remando bem pra caramba... rsrsrs...

– Pois é... remaram, acima de tudo, com vontade, com habilidade!

– Parabéns aos vikings... mas deixemos esse capítulo pra lá.

– Certo, excluindo lembranças desagradáveis em... três... dois... um! Agora, diga alguma coisa que está te encantando, amor!

– Tô gostando por ser a Copa de lendas que estão se despedindo, mas ainda com o mesmo comprometimento, mesma alegria de menino ao chutar uma bola e ao comemorar um gol... tipo o argentino Lionel Messi que tá disputando a artilharia; o croata Luka Modric; o goleirão alemão Manuel Neuer... ah... falando em goleiro, o mexicano Ochoa, que jogou poucos minutos, mas lançou uma bola que resultou em um belo gol!

– A briga pela artilharia tá muito legal: Messi com oito gols, o francês Kylian Mbappé e o norueguês Erling Haaland com sete cada, o inglês Harry Kane com seis! Os caras estão implacáveis... muito bom ver atacantes tão efetivos! O que mais, querido?

– Também gostei de algumas seleções pela garra: Inglaterra, Bélgica e mesmo as desclassificadas do Paraguai, Canadá e México, que caíram lutando.

– Ah! Nem vem... a que mais me encanta é a Seleção Francesa... eles são demais! No ataque tem uma cacetada de jogadores de alto nível que estão entregando tudo: Mbappé, Dembélé, Doué, Olise, Thuram, Barcola...

– Chega! Já entendi que temos uma torcedora "Les Bleus"!

– Allez les Bleus!

– Creio que tá faltando alguém na lista de encantos dessa Copa...

Foto: Charlotte Wilson/Getty Images

– Ah! O mais marcante: Cristiano Ronaldo! Participou de seis Copas, marcou gols nas seis, é um atleta com a maiúsculo... gente muito boa, tenho o maior respeito por ele! 

– Concordo que ele é uma lenda... pena que a Seleção Portuguesa...

– ... nem me fale, aquele bando de moleque boicotou o CR7, ninguém cruzava pra ele. As poucas vezes que ele teve a bola marcou gol, mas fazer o quê... o meio campo português tá de parabéns, reunião de insensatos!

– Calma, querida! Não fique nervosa, durante todo o jogo das oitavas só ouvi você gritando: toca a bola pro Cristiano!

– Pois é... mas como dizia Mário Quintana: "Todos esses aí que estão atravancando meu caminho, eles passarão, eu passarinho". Viva CR7!

– Temos aqui uma torcedora franco-Cristianoronaldina... ahahaha...

– Ahahaha... e aí temos um torcedor de La Scaloneta!  

– Ahahaha... oficialmente, La Albiceleste! Mas calma que ainda tem outras seleções fortes por aí, vamos ficar atentos com La Roja, The Three Lions, Diables Rouges, Lios de l'Atlas, Vikins e Schweizer Nati.

– As quartas de final vão ser eletrizantes, querido!

– E o melhor de tudo é assistir todos os jogos agarradinho com a melhor torcedora das galáxias!

– Ah... adoro nossa arquibancada particular, meu torcedor preferido! E viva quem joga futebol com amor, garra... e SIUUU! :)

sábado, 4 de julho de 2026

Um clássico anti-herói

Uma leitura inquietante e, por vezes, avassaladora, assim é "Diário do Subsolo", do admirável Fiódor Dostoiévski. O narrador/protagonista, que se apresenta logo no início como um sujeito maldoso e repulsivo, é um clássico exemplo de anti-herói.

O ex-funcionário público resolve escrever um diário que transborda de situações pesadas e angustiantes, principalmente, pela maneira torta com que ele tenta resolver seus dilemas. Como quando decide que vai ao encontro de colegas de escola que o maltratavam e, mesmo assim, impõe sua presença e protagoniza cenas pra lá de constrangedoras. É um ser revoltado, amargo, que deixa o leitor em alerta máximo e bastante incomodado com suas memórias e sua forma de encarar a vida. O que mais me impressionou foi o tratamento desumano ao qual ele submeteu a desavisada Lisa (leiam pra saber mais sobre ela). 

O narrador, realmente, tem rompantes de crueldade absoluta, mesmo assim, sua consciência, muitas vezes, coloca um gosto amargo em sua boca. E aí é que está a genialidade de Dostoiévski, que como sempre nos mostra a complexidade da mente humana, mesclando tensão e perversidade... tudo temperado com ironia, em um texto fluido, ainda que denso, nos proporcionando uma leitura reflexiva e necessária! Viva a Literatura Clássica! :)

quarta-feira, 1 de julho de 2026

Pensamentos desenfreados

Parece brincadeira, mas quando Clotilde decide que o melhor a fazer é deitar cedo pra relaxar e ter uma noite de sono um pouco mais longa, basta colocar a cabeça no travesseiro para surgirem vários pensamentos aleatórios. Do nada, ela lembra que comprou uma escarola que precisa ser refogada, que o brócolis tá muito caro e, antes que murche na geladeira, seria muito bom comê-lo com macarrão. Tudo bem... vira para o lado, afofa o travesseiro, respira fundo, puxa a coberta e quando parece que vai dormir... tem um flash do cesto transbordando de roupas pra passar e, imediatamente, lembra de duas blusas que precisam sair do guarda-roupa direto pra máquina de lavar... sem condições, pra dizer o mínimo, estão com cheiro de armário!

Esgotada, ela fecha os olhos, tenta se acalmar... e logo vem a lembrança assustadora dos vidros das janelas da sala! Já passou da hora de limpá-los, mas não é preguiça, é dor nas costas. Dá um suspiro... estica as pernas e... ah... esqueceu de tirar a carne do congelador.... tudo bem, deixa pra lá. Ouve o caminhão do lixo passando... misericórdia, não separou os recicláveis! Agora só na semana que vem... paciência.

E, assim como veio, o turbilhão de pensamentos parece cessar gradativamente. Curiosa, antes de se aconchegar com o cobertor, olha o relógio! O que? Meia-noite e meia? Como isso pode ter acontecido? Clotilde se deitou antes das dez! Precisava tanto dormir... relaxar... e, afinal, pega no sono! Melhor assim, amanhã ela resolve tudo, mesmo que com belas olheiras de panda! :)

sábado, 27 de junho de 2026

Perspicácia animal

Sabe quando você precisa de um filme leve, divertido e com a participação de atores adoráveis como Hugh Jackson e Emma Thompson? Pois é, num desses dias chuvosos, resolvi fazer isso por mim... assisti "As Ovelhas Detetives" (The Sheep Detectives), no Prime Video.

Baseado no romance "Three Bags Full: A Sheep Detective Story", de Leonie Swann, o longa tem roteiro de Craig Mazin, direção de Kyle Balda e conta com carismáticas ovelhas, animadas em CGI.

Na trama, George (Hugh Jackman) é um pastor que vive em um trailer, na Vila de Denbrook, no interior da Inglaterra, que todas as noites costuma ler romances policiais para suas ovelhas, sem imaginar que elas entendem tudo. A rotina no campo parece calma até que George aparece morto, um choque para seu rebanho e um mistério que agita a vila. Tim Derry (Nicholas Braun) é o único policial da cidade. Mesmo bastante atrapalhado, com a ajuda das ovelhas mais que espertas, lideradas por Lily e Mimoso, acaba por desvendar o crime... não sei se fiquei tão encantada pelas imagens, mas pra mim foi uma surpresa... ahahaha... olha o que fazem simpáticas ovelhas!

Estava aberta para me divertir e logo de início George me conquistou... na primeira cena, ele aparece escrevendo uma carta... adoro! Depois conferimos um pouco de seu cotidiano cuidando e até propondo brincadeiras para o rebanho. As cenas em que as ovelhas discutem, tentando desvendar os crimes dos livros, são muito divertidas. Sem falar do cordeirinho que nasceu no inverno e é rejeitado pelo rebanho... coisa mais bonitinha, dá vontade de pegar no colo e abraçar... rsrsrs... E da presença marcante e sóbria de Tião, o carneiro que foi resgatado por George, mas que está sempre solitário com seus pensamentos.

Vale conferir os créditos finais com belas ilustrações, ao som de "I'm Gonna Be (500 Miles)", da banda escocesa The Proclaimers! Além de todo entretenimento de qualidade, o filme aborda temas sensíveis como afeto, perda, pertencimento, empatia, coragem... enfim, é uma bela pedida pra quem gosta de diversão com reflexão! Viva o cinema e sua enorme capacidade de nos fazer pensar! :)

quarta-feira, 24 de junho de 2026

Uma contundente e irônica crítica social

Em "Casa de Pensão", a veia cronista de Aluísio Azevedo nos brinda com uma narrativa rica sobre a sociedade do final do século XIX e, principalmente, a desigualdade social, que ainda hoje é uma ferida aberta no País. A obra conta a história de Amâncio de Vasconcelos, um jovem maranhense, filho de um comerciante rico, que chega ao Rio de Janeiro para estudar Medicina e se hospeda na casa de Luís Campos, que se torna uma espécie de seu tutor na Corte, e de sua esposa Hortênsia.

Um lar respeitoso parece ser a estadia perfeita para um estudante, mas Amâncio tem outros planos, não suporta ser controlado, e, com o tempo, percebe que o melhor a fazer é se mudar para onde possa ter mais liberdade e menos responsabilidade, já que "imaginara inúmeras felicidades" no Rio de Janeiro, porém não faz ideia das desventuras que enfrentará.

A convite de João Coqueiro, um rapaz que mal conhece, ele vai morar na pensão de Madame Brizard. Por trás da simpatia, o casal, na realidade, pretende que Amélia, irmã do tal Coqueiro, se envolva e quiçá case com o estudante abastado que, embora libertino, se mostra ingênuo ao cair em várias armadilhas.

A casa de pensão é como um dos personagens, a maestria com que o autor detalha seus cômodos, seus hóspedes e a rotina envolta em degradação e ironia nos coloca dentro da trama e, por vezes, até desejamos alertar Amâncio sobre o que ocorre ao seu redor e que ele, safo como pensa que é, nem percebe... como quando Lúcia, uma das moradoras (leiam pra saber mais sobre ela... rsrsrs), previne o estudante: "estás na aldeia e não vês as casas"!

Uma curiosidade é que a inspiração do autor para desenvolver o romance veio de um caso real, o Caso Capistrano, que ganhou as manchetes dos jornais, em 1876, no Rio de Janeiro. Observação do cotidiano é sempre enriquecedora para quem escreve... as histórias vivem por aí, basta ter os olhos bem abertos! Viva o talento incontestável de Aluísio Azevedo! Viva a Literatura Brasileira! :)

sábado, 20 de junho de 2026

Bate-estaca, pássaros e um mar de prédios


– Bate-estaca! Quem inventou isso não tem amor ao próximo!

– Ahahaha... desculpe a gargalhada... concordo inteiramente! 

– Por mais que se tente abstrair, o barulho desse equipamento azucrinante domina o pensamento e chega um momento em que você só quer que e o expediente dos caras termine.

– O problema é que essa sensação de urgência pelo silêncio acontece desde cedo, mas como é que se faz pra enfrentar as marteladas o dia inteiro?

– Já tentei de tudo: meditação, yoga, alongamento, passar roupas, limpar os vidros das janelas, fazer palavras cruzadas, falar em voz alta os elementos químicos da tabela periódica e as capitais dos países mundo afora, mas tenho falhado miseravelmente!

– Ontem, tentei me concentrar num livro, mas parece que, ao invés de falar, os personagens martelavam minhas ideias...

– Ahahaha... agora eu que peço desculpas pelas gargalhadas.

– Tudo bem, amor! Sinceramente, acho que estamos histéricos!

– Como não ficar assim? Quando, finalmente, todos os planetas se alinharam e conseguimos tirar férias ao mesmo tempo, imaginando as manhãs e as tardes de calmaria... o que ganhamos?

– Dias inteiros com essa trilha sonora de filme de terror!

– Mudando de assunto, mas ainda como consequência da quantidade de prédios enormes e caixotes sufocantes que estão sendo erguidos por todos os lados... essa construção desenfreada é que prejudica o planeta. Eu tava olhando na janela e vi uma revoada de passarinhos... que tristeza... eles quase não têm árvores onde pousar, se alimentar, dormir...

– Então, adoro acordar com o canto dos pássaros... é um alívio, uma alegria! Mas do jeito que destruíram as casas e os quintais arborizados pelo bairro pra levantar esse mar de prédios, os vestígios de Natureza estão cada vez mais escassos... menos árvores e mais concreto.

– Haja paciência com esse tipo de coisa... fico pensando, se nossas férias já estão taciturnas, imagina o futuro do planeta!

– Por favor, não vamos falar em futuro do planeta... vamos ao parque... pelo menos lá a gente consegue esquecer um pouco essas sandices todas.

– Desculpe pelo estresse em plenas férias!

– Imagina, querida, nosso estresse foi patrocinado pelo implacável bate-estaca... vem cá, minha irritadinha!

– Só se você me levar longe desse caos urbano...

– "Vamos fugir, pra outro lugar, baby... vamos fugir..."

– "Pra onde quer que você vá, que você me carregue"... ahahaha...

– Ahahaha... sempre! :)


* A foto é de minha autoria, mas a revoada de passarinhos é resultado de uma ediçãozinha básica. Já os versos de "Vamos fugir" (Gilberto Gil e Liminha) são a necessária pitada de poesia.