sábado, 4 de abril de 2026

A adorável Torre

Outro dia, procurando um filme no qual pudesse mergulhar pra esquecer um pouco as mazelas do mundo, me deparei com "Eiffel", sobre a construção do monumento que mais admiro: a Torre, símbolo de Paris, cidade que tive o prazer de conhecer em 2015! A coincidência é que assisti poucos dias após o monumento completar 137 anos (31 de março). Pra quem, como eu, adora a capital francesa e o maior ícone da engenharia mundial, certamente, era a escolha perfeita para uma singela e caseira sessão de cinema!
O longa, que tem a direção de Martin Bourboulon, conta a história do engenheiro francês Gustave Eiffel, que participou da construção de várias pontes ferroviárias, como a de Bourdeaux, e que depois de projetar a estrutura metálica interna da Estátua da Liberdade (presente da França para os Estados Unidos), foi convidado pelo governo francês a construir uma obra monumental que representasse a grandeza da França, para a Exposição Universal de 1889, quando, então, ele apresentou o projeto da encantadora Torre, que levaria seu nome e se tornaria um dos monumentos mais visitados do mundo!

Além do tema central ter me conquistado, gostei muito do trabalho impecável do ator Roman Duris interpretando Eiffel e da atriz Emma Mackey, como Adrienne Bourgès. Os dois vivem um romance, que mesmo ficcional, funciona como um tempero a mais ao enredo! Destaco ainda a fotografia e a reconstrução da época, que nos transportam imediatamente à "Cidade Luz"! 

Claro que até gostaria de ver mais detalhes da biografia e da trajetória profissional de Gustave Eiffel, mas pra isso podemos pesquisar (até fiz isso depois de assistir ao filme... rsrsrs). Ah! Se você se interessa pela Torre e por um bom romance, recomendo! Adorei! :)


* As fotos que ilustram esse texto são dois dos inúmeros registros que fiz durante a viagem... rsrsrs... Fiquei impressionada com a beleza da construção, não subi para ver a famosa vista da cidade, mas da próxima vez espero ter esse prazer! Foi muito divertido e inspirador caminhar pelas belas ruas de Paris!

quarta-feira, 1 de abril de 2026

Uma bela surpresa

Sentado no banco da praça, todos os dias no mesmo horário, ele pensa no que aconteceu ao longo das 24 horas anteriores… e sempre tem alguma coisa que desencadeia uma série de pensamentos que o levam ao passado. Não, ele não é nostálgico, nem gosta de perder tempo na vida, mas, às vezes, as situações se repetem… e nem sempre as atitudes tomadas são as mesmas… enfim… é um encadeamento de pensamentos tão intenso que para voltar a admirar o lindo céu ensolarado costuma levar alguns minutos.

Sua mania de sentar nesse banco todos os dias… ah… nem sei se isso é mania ou é sua hora de prazer, todos têm a sua e se não têm, procurem. É muito bom pensar em pessoas queridas, em momentos bons. Afinal, todos os dias temos momentos bons, basta abrirmos a mente!

Ainda que a paisagem, a luz do Sol, as árvores e tudo à sua volta sejam encantadores... hoje, inexplicavelmente, ele começa a prestar atenção no banco, pois é… o companheiro onde descansa o corpo, enquanto sua alma viaja pelos pensamentos. E fica mais impressionado ainda por nunca ter reparado nas inscrições que marcam o assento do querido banco.

Há tantos anos ele fazia aquele verdadeiro ritual de contemplar a natureza sentado ali que aquele cantinho parecia ser só seu e de suas lembranças, mas pelo jeito parece ser de outras pessoas também. Ao mesmo tempo em que se incomoda com os rabiscos sujando seu assento preferido, fica curioso para ler o que dizem.

Várias datas e letras entrelaçadas, algumas dentro de corações… que bonito! Certamente, são as iniciais de casais apaixonados! Neste momento, uma brisa balança os galhos da árvore e algumas flores minúsculas começam a se espalhar pela grama. Ele olha para cima admirando a chuva de florzinhas douradas e acaba esquecendo por uns instantes dos rabiscos.

Revoadas de passarinhos e o canto de um sabiá laranjeira ao longe deixam tudo ainda mais mágico... pelo menos, aos olhos dele, que troca qualquer coisa para estar ali perto da Natureza e de coisas belas, como a joaninha que pousa em seu joelho por um instante.

Distraído, ele coloca a mão no banco, sente as ranhuras e se pergunta como puderam machucar assim a madeira de seu companheiro de reflexões! De repente, ele olha para um coração, delicadamente esculpido, que quase se esconde num cantinho, e um arrepio percorre todo seu corpo. Incrédulo, ele lê seu nome junto ao da esposa. Ah! Então ela nos gravou na memória da praça? Mas como nunca me contou? Quando será que fez isso? Ele se concentra, irrita-se em não ter ido ao oftalmologista para trocar os óculos, mas eis que seus olhos se enchem de lágrimas… a data esculpida na madeira é a mesma em que eles se conheceram há exatos 60 anos!

– Meu amigo, eu nem imaginava que você fosse tão antigo! Ahahaha… estou surpreso!

– Por que surpreso, meu bem?

– Você estava aí há muito tempo, querida?

– Não, cheguei agora, mas a tempo de ouvir sua exclamação!

– Desculpe, mas estou impressionado de você nunca ter me contado que esculpiu nossos nomes dentro de um lindo coraçãozinho… e no meu banco preferido!

– Todos temos nossos segredos… por acaso, você me conta todas as lembranças que têm durante suas reflexões diárias aqui na praça?

– Nada demais, reflexões de um velho que ama sua esposa e que adoraria saber que todos os dias senta em cima de nossa história!

– Ah, querido! Na verdade, adoro saber que o banco que escolhi marcar nosso encontro de almas foi o mesmo que escolheu para pensar na vida…

– Garota esperta, escolheu o cantinho mais bonito da praça e o banco mais paciente e bom ouvinte que conheço! Talvez ele seja assim porque sabe que faz parte de nossa história…

– Sim! Você também foi um garoto esperto em escolher este belo banco! Mas agora vamos para casa, acabei de assar a torta… 

– Aquela que eu adoro?

– Exatamente! :)


*A foto que ilustra esta delicada crônica é de minha autoria e foi feita em uma visita que fiz à cidade de Bento Gonçalves, na Serra Gaúcha. Um banco... um pássaro... em uma bela e inspiradora praça!

quinta-feira, 26 de março de 2026

Uma ilha e seus segredos

Gabriel García Márquez é sempre encantador! Ler "Em agosto nos vemos" é um prazer não só pela escrita inspiradora, mas pelos personagens profundamente humanos, vivenciando o amor e suas desventuras.

O romance narra a história de Ana Magdalena Bach, uma mulher de 46 anos que, uma vez por ano, visita o túmulo de sua mãe em uma ilha caribenha. As visitas, que antes eram apenas para levar flores em memória da mãe, mudam completamente quando ela conhece um homem com quem passa a noite. O encontro desperta desejos talvez adormecidos pela rotina de seu casamento e, a partir daí, ela passa a considerar as visitas à ilha como novas oportunidades de viver tórridas experiências cada vez com um amante diferente. 

A obra póstuma, ainda que não tenha tido a aprovação final do autor, traz o estilo inconfundível, a maestria narrativa... o cotidiano visto pela lente poética de Gabo! O que mais gosto é a forma como o autor nos coloca nos cenários, detalhando cada objeto, a maneira como nos apresenta seus personagens, características físicas, como se vestem, seus sentimentos, pensamentos, desejos, medos... é incrível como, ao longo das páginas, vamos nos familiarizando com a protagonista e seus segredos.

A riqueza de detalhes torna a leitura tão envolvente que passamos a esperar a chegada de um novo agosto só para acompanharmos Ana Magdalena Bach à ilha caribenha, quem sabe, em busca de amor, carinho, prazer... e tudo que temos direito... rsrsrs... Viva Gabo! Viva a Literatura da América Latina! :)

terça-feira, 24 de março de 2026

Uma delicada e reflexiva animação

Quando vi o cartaz de "A pequena Amélie", achei que a animação era o que precisava no momento: a doçura, a ingenuidade e a magia das descobertas infantis! Isso porque acredito que a cada recomeço, precisamos buscar a criança dentro de nós para nos encorajar e nos ajudar a trilhar novos caminhos!

A ida ao cinema foi uma experiência bastante relaxante, primeira sessão da tarde, poucas pessoas, mas algumas bem interessantes. Amigas de longa data, duas senhoras me chamaram a atenção, muito animadas e, ao mesmo tempo, discretas... ainda no café do cinema, descobri que também iam assistir a menininha do cartaz... Adorei! Como todos que gostam de escrever e veem personagens em todos os lugares, fiquei observando discretamente as senhorinhas. Além delas, alguns senhorzinhos. Todos curiosos para conhecer Amélie!

A animação franco-belga usa cores vivas para mostrar a fascinante história de uma menina de três anos, que descobre, entre alegrias e conquistas, perdas e frustrações, o sentido da vida! Inclusive, o uso das cores não só apresenta a beleza das paisagens orientais, mas também retrata as sutilezas emocionais da protagonista. Filha de diplomatas belgas, Amélie nasce no Japão e passa seus primeiros anos em silêncio, como se observasse o mundo, numa espécie de estado vegetativo. A partir do momento em que ela desperta para a vida, embarcamos numa viajem encantadora de descobertas que nos fazem refletir e até lembrar de nossa própria infância!

Duas cenas me conquistaram: a primeira, quando a avó paterna apresenta à pequena o chocolate belga... uau... que sensação adorável... até senti o sabor... rsrsrs;  a segunda, quando a menina descobre a alegria que é tomar chuva... Ah! A Gi pequenininha adorou! Lembrei que meu pai costumava me levar no quintal pra perder o medo da chuva, minha mãe que tinha pavor de trovões e relâmpagos gostava da ideia da filha ser mais corajosa! Saudade... boas lembranças! É isso, Amélie nos faz reencontrar nossa criança! Salve todas as forma de arte! Viva a animação e o cinema! :)

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Forte, sem perder a ternura

Ilustração: Hiro Kawahara
Ser forte não nos isenta da necessidade de colo de vez em quando. Tenho tentado passar pelos obstáculos e rasteiras com serenidade. Pra isso, rir de mim mesma é uma das formas que encontro de enfrentar os percalços. O sorriso sempre nos leva longe, ainda que nosso olhar, por vezes, revele uma pontinha de tristeza.

E "cada vez que o mundo diz não", sigo em frente, tentando "manter a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo". Tudo é uma questão de equilíbrio.

Tá difícil? Sim, só eu sei o quanto, aliás, "cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é", por isso, concentro-me em realizar sonhos, fazendo tudo com amor e seguindo minha intuição.

Escrever me salva, me faz sonhar e encontrar caminhos. Afinal, é preciso caminhar... um passo de cada vez, com calma e direção! Viva nossos grandes Guilherme Arantes, Walter Franco e Caetano Veloso, que sempre me inspiram e temperam minha humilde crônica com seus belos versos! :)


* Agradeço ao querido Hiro Kawahara (@hirokawahara) pela doce ilustração, sua arte é sempre inspiradora! Obrigada pela gentileza e admirável talento!

sábado, 31 de janeiro de 2026

Uma bela homenagem

Como fã de René Goscinny e Jean-Jacques Sempé, nem tentei resistir a essa delicadeza intitulada "O Pequeno Nicolau: o que a gente está esperando para ser feliz?". Trata-se de uma bela homenagem de Anne Goscinny, com adaptação gráfica de Fabrice Ascione, aos criadores do querido menininho que adora brincar e se aventurar com seus colegas de escola!

No livro, o próprio Nicolau conta como Goscinny e Sempé se conheceram, como foi sua criação, a amizade entre seus autores... em suas palavras "a mais bela de todas as minhas aventuras". Com muita sensibilidade, a obra mostra a beleza da infância e sua capacidade de encontrar a felicidade nas pequenas coisas, nas relações humanas e nos momentos mais corriqueiros da vida.

Sempre de maneira leve e divertida, a narrativa nos apresenta os desafios pessoais e profissionais enfrentados por esses dois ícones dos quadrinhos franceses que encantaram o mundo com sua arte!
A leitura me instigou a ler a coleção inteira de "O Pequeno Nicolau" e todos os quadrinhos e livros assinados pelos dois! Aplausos às parcerias entre talentosos escritores e ilustradores, que nos divertem e nos emocionam! Viva Goscinny-Sempé! :)

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Primeiros passos de Saramago

Livros de José Saramago sempre me atraem, mas a história que envolve "Claraboia" me instigou ainda mais à leitura. Escrito no início da década de 1950, o original foi enviado para uma editora e acabou engavetado, sem qualquer retorno ao jovem autor. Mais tarde, em 1980, quando já era um escritor consagrado, a mesma editora entrou em contato para publicar o livro, o autor recusou e deixou claro que não gostaria de vê-lo editado em vida. 

Publicada em 2011, a obra é uma janela aberta pelo narrador para nos apresentar a rotina dos moradores de um pequeno prédio, em Lisboa, durante a primavera de 1952. Logo abrindo o primeiro capítulo, conhecemos Silvestre, o sábio sapateiro, e sua esposa Mariana, que mesmo depois de trinta anos de casados "amavam-se ternamente". São meus personagens preferidos pela leveza e postura, como diz o autor, "duas crianças, sem tirar nem pôr". E também pela profundidade das reflexões sobre a vida entre Silvestre e Abel, o jovem que aluga um quarto no apartamento do casal! Altas conversas, diálogos de mestre!

Admiro a genialidade de Samarago ao criar narrativas profundas, personagens bem construídos e, ao mesmo tempo, nos proporcionar momentos divertidos... bom-humor é tudo... rsrsrs... Como quando Anselmo, Rosália e a filha Maria Cláudia ouvem no rádio "o soluçar plangente e lastimoso do fado mais desabaladamente lancinante que jamais cantaram gargantas portuguesas"... pra completar, o autor comenta: "outro fado assim, e de três criaturas de saúde normal restariam três neuróticos"... ahahaha... adoro!

O autor detalha tão bem as características físicas e psicológicas dos personagens e seus desafios cotidianos que dá a impressão de conhecermos intimamente os moradores do prédio e até nos sentimos um deles!

"Claraboia" mostra um Saramago florescendo lindamente para a Literatura, com personagens cativantes e, acima de tudo, humanos, marca presente em toda sua obra. Ah! Já disse que o escritor português é um dos meus prediletos, ler seus livros é aconchego! Só pra registrar: ganhei este exemplar de presente de Natal do meu irmão Gerson e... adorei! Viva a literatura lusófona! Viva Saramago! :)