Coisa Phina
Um Olhar Apaixonado sobre Literatura, Cinema, Teatro, Música e Esporte!
sábado, 23 de maio de 2026
Aquela vontade de comer um docinho
quarta-feira, 20 de maio de 2026
Sonhos, desejos e desafios
Com uma linguagem fluida, lançando mão do encantador e desafiador fluxo de consciência, Lygia nos brinda com uma narrativa que alterna as vozes e pensamentos das três protagonistas, tornando a leitura ágil e extremamente cativante.
A autora domina a arte de criar personagens profundamente humanas, dosando os momentos de aflição e desespero com tiradas de humor dignas dos mais fervorosos aplausos. Confesso que quando concluí a leitura, fiquei meio sem ação... queria saber mais do futuro das protagonistas, por outro lado, adoro quando o autor encerra a conversa e deixa que o leitor imagine e tire suas próprias conclusões. Aliás, essa é uma das funções da Literatura, nos fazer refletir!
Gosto de como cada uma delas nos desperta um sentimento diferente: Ana Clara é daquelas amigas inconsequentes que é preciso dar colo e, ao mesmo tempo, encher de broncas; Lia e sua combatividade nos convida a lutar contra os desmandos de uma época de repressão; e Lorena, a mais sonhadora e sensível que, mesmo sendo descendente de uma família paulista quatrocentona, está sempre pronta para ajudar as amigas, sua visão mais leve e bem-humorada da vida faz a diferença.
Adoro as observações de Lorena em vários momentos, como quando fica indignada com a frase inicial do livro de Lia que diz: "Em dezembro, a cidade cheira a pêssego"... Ah, adorei! Um pouco de poesia não faz mal, Lorena, deixa a menina escrever o que quiser... rsrsrs; ou quando ela empresta um delicado lenço para Lia e fica imaginando que a amiga será capaz de limpar os sapatos com ele... e aconselha: "Mas não se importe não, seja lenço. Solto-o no espaço. Abriu-se leve como um paraquedas que Lião apanha impaciente". A genialidade da autora retratando, nos mínimos detalhes, toda e qualquer situação nos prende tanto a atenção que ficamos envolvidos pela trama, aguardando onde isso tudo vai dar! Viva o talento e a sensibilidade de Lygia Fagundes Telles! Salve a Literatura Brasileira! :)
sábado, 16 de maio de 2026
Patrimônio cultural ameaçado
O valor histórico e cultural do imóvel, um casarão da década de 1930, é inegável, além disso, o local integra área enquadrada como Zona Especial de Preservação Cultural - Área de Proteção Cultural (ZEPEC-APC). Ou seja, é um patrimônio cultural e afetivo da cidade e, portanto, deve ser preservado.
É inaceitável que tradicionais endereços tenham que dar lugar a empreendimentos residenciais, como se a cidade já não tivesse sendo desfigurada por torres e mais torres de apartamentos que a cada dia apagam sua memória, pobre metrópole!
Quem me conhece sabe que adoro cinemas de rua e cafés! Tenho inúmeras lembranças do Espaço de Cinema da Rua Augusta, frequento desde sempre... Em meados dos anos 1990, lembro de uma sessão lotada do filme "O Balconista" (direção de Kevin Smith), uma comédia hilariante, cinema independente em P&B, uma doideira tão empolgante que quando começaram a subir os créditos aplaudimos de pé! Longas inesquecíveis, como "Cortina de Fumaça" (direção de Paul Auster e Wayne Wang), filme que já abordei aqui no blog em 2024, incrível e muito inspirador.
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| Fotos: Divulgação/@cinecafefellini |
Já no Anexo, adorava assistir cinema europeu... ah... as produções italianas e francesas! Em 2018, assisti a comédia francesa "Assim é a vida" (direção de Eric Toledano e Olivier Nakache), sobre uma turbulenta festa de casamento realizada em um palácio do século XVII, roteiro brilhante e humor digno de aplausos. Lembro que ri até com a senhora que estava ao meu lado, isso é que é filme bom... a gente compartilha as risadas com desconhecidos sem qualquer pudor... rsrsrs... Mas isso também se dá porque o ambiente é agradável e o público se entende. Cinema de qualidade! No Café Fellini que sempre me cativou pelo nome, gostava de escolher uma mesa num cantinho do salão e outras vezes ao ar livre... natureza é sempre um bálsamo... pra saborear um cappuccino e uma adorável fatia de torta doce.
Ah! Ir ao cinema, pra mim, sempre foi aconchego... ir ao Espaço da Augusta e passar no Café antes da sessão é passeio completo, alimenta o corpo e a alma! Os dias em que vou ao cinema são sempre inspiradores e rendem boas recordações. Por isso, resolvi escrever sobre esse tradicional e querido cinema de rua... cada vez que eu atravessava aquela porta no número 1470 da Augusta, saía mais inspirada, querendo realizar sonhos! Torço para que o Anexo (salas e café) reabra para que eu possa conhecer novas histórias e para que a cidade mantenha seus centros culturais! Cinema de rua e cafés são amor! Viva o patrimônio cultural de São Paulo! :)










