quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Encanto, bom humor... e altas reflexões!

Com uma fotografia deslumbrante tal qual os quadros impressionistas de Claude Monet, "As Cores do Tempo", do cineasta e ator francês Cédric Klapisch, é um filme encantador que mistura dois momentos da capital parisiense: o atual e a charmosa Belle Époque.

A trama se desenrola quando primos distantes se reúnem para inspecionar uma propriedade da família, abandonada na Normandia, desde a década de 1940. 

No terreno, uma incorporadora planeja construir um supermercado e um enorme estacionamento... que horror... rsrsrs.... Claro que entre os trinta herdeiros reunidos em torno da questão, vários deles gostam da ideia de vender o casarão, mas a venda não é uma unanimidade.

Dos parentes, quatro são escolhidos para visitar a casa e aí começa o encantamento! A propriedade foi de Adèle Meunier (Suzanne Lindon), uma moça simples, que depois da morte da avó, resolve ir à Paris conhecer sua mãe Odette (Sara Guraudeau). Alternando a vida da protagonista, em 1895, e de seus descendentes, em 2025, o longa, então, nos brinda com cenas bucólicas de Adèle viajando e chegando à capital parisiense, onde conhece os jovens Anatole (Paul Kircher) e Lucien (Vassili Schneider); com as divertidas e emocionantes histórias e conflitos dos primos Seb (Abraham Wapler), Guy (Vincent Macaigne), Cèline (Julia Piaton) e Abdelkrim (Zinedine Soualem). Com idades e profissões distintas, aos poucos, eles vão se conhecendo e ficam fascinados com o que descobrem sobre a vida de Adèle.

Ah! Pra começar, um filme que envolva Paris moderna e antiga, Arte, Fotografia, humor e reflexão, facilmente, me conquista! Assim foi desde a primeira cena no museu com a sensível obra de Monet enchendo a tela! Porém, sem contar muitos detalhes pra não atrapalhar a experiência que cada um deve ter e que só a sala de cinema nos dá, preciso destacar as cenas emocionantes e, por vezes, divertidas, em que os primos passeiam pela casa abandonada e ficam arrebatados com as fotografias ainda penduradas nas paredes e com a atmosfera poética e até mágica do local. As várias situações vividas pelos personagens nos provocam altas reflexões sobre a conexão entre gerações e sobre a complexidade da vivência humana. Pois é, recomendo muito!

Uma curiosidade: quando os créditos começam a subir e aparecem fotos da família ao longo dos anos, fiquei impressionada com a semelhança de muitas delas com registros de minha mãe e meu pai quando jovens, por volta de 1950. Que elegante reminiscência! :) 

sábado, 22 de agosto de 2026

Sempre em frente

O importante é continuar caminhando... sem perder os sonhos de vista! Enquanto escrevia, lembrei da famosa frase de Martin Luther King: "Se não puder voar, corra; se não puder correr, ande; se não puder andar, rasteje, mas continue em frente de qualquer jeito". 

Não é fácil, depois de cair, levantar e continuar, mas caminhar é preciso! Cada um deve tentar encontrar coisas que ajudem nesse recomeço. No meu caso, escrever me acalma, ler me ajuda a continuar sonhando e conversar com a Lua ilumina meus pensamentos! 

Reflexões são, absolutamente, bem-vindas! Gosto de encadear ideias, olho a Lua e logo vem à cabeça duas músicas... primeira, do Caetano: "Lua de São Jorge, Lua soberana, nobre porcelana sobre a seda azul"... poesia pura! Segunda, de Johnny Mercer (letra) e Henry Mancini (melodia): "Moon River, wider than a mile; I'm crossing you in style, some day; Oh, dream maker, you heartbreaker, wherever you're going, I'm going your way...." Ah! Adoro a Audrey Hepburn cantando na janela, no doce "Bonequinha de Luxo"!

Pois é, "a gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte; a gente não quer só comida, a gente quer saída para qualquer parte"... Admiráveis Titãs, que me embalam desde sempre!

A Literatura, as HQs, a Música, o Cinema, enfim, as Artes em geral me salvam e me inspiram, por isso, mesmo aos trancos e barrancos, sigo procurando rumo, acolhida e atenção! Afinal, como cantou o Legião: "Sempre em frente, não temos tempo a perder." :)


* A foto que ilustra essa crônica é de minha autoria... adoro registrar as visitas que a Lua faz à minha janela... ❤️

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Uma cruel sala de espera

– Ah! Eu não aguento olhar pela janela e ver cada vez mais uma construção colada na outra... casas tão bonitas são demolidas dando lugar a essas caixas de sapato que insistem em chamar de prédio. Acho que já  falei sobre isso...

– Calma, amor! Realmente é de lascar... seria tão bom se, pelo menos, a construção não ocupasse o terreno todo e sobrasse um espacinho, sei lá, pra uma árvore, um arbusto ou um gramado que fosse... seria tão mais saudável pra cidade!

– E, assim, nossa querida metrópole vai perdendo sua memória arquitetônica e isso deixa um vazio na gente, daqui a pouco não vai ter mais nenhum quintal de caquinho, jardins com roseira, terraços aconchegantes... é triste! Mas, mudando de assunto, qual HQ você tava lendo aí tão quietinha?

– Ah! É "A Sala de Espera da Europa", da quadrinista holandesa Aimée de Jongh. É um relato sensível sobre a situação dos refugiados, em 2017, na ilha grega de Lesbos.

– Sei qual é... e aí, gostou?

– Adorei! Os temas são pesados, mas a delicadeza da arte torna a leitura fluida, nos aproxima daquelas pessoas sofridas que aguardam a autorização pra entrar na Europa... e nos faz refletir!

– É importante, sempre que possível, jogar os holofotes sobre o tema "refugiados" para que o mundo e, principalmente, os países mais ricos se mobilizem mais a respeito. Hoje, milhares de cidadãos de várias regiões fogem de todo tipo de conflito. Inclusive, potências mundiais continuam gastando montanhas de dinheiro com armamento e guerra infinitas... lamentável! 

– Concordo plenamente! Sem estragar sua leitura, querido, só quero destacar dois momentos da HQ que me sensibilizaram: o primeiro, quando crianças bem pequenas começam a seguir a quadrinista e a guia diz pra ela evitar muita aproximação, dar colo, por exemplo, porque os pequenos têm transtornos de apego reativo... é de chorar ver as mãozinhas levantadas, mas ela explica que isso evita que eles acabem com uma visão distorcida do mundo real, quando saírem de lá.

– Que difícil deve ter sido evitar os bracinhos de uma criança... 

– Mas é como a guia disse, é algo que deve ser levado em conta para o próprio bem dos pequenos.

– E o segundo momento que você queria contar?

– Ah! Ela conheceu um casal e sua casa/contêiner, o homem que trabalhava como barbeiro no acampamento contou sua história e que ainda aguardava a permissão para seguir para Atenas, com perspectiva de ir para outro país europeu. Aí o carinho... a quadrinista resolve desenhar o casal e o homem retribui com um desenho dela... Confesso que fiquei com lágrimas nos olhos!

– Definitivamente, o mundo precisa de mais amor! 

– Quer saber o que ele desenhou, querido? 

– Não! Quero ler!

– Ahahahah... tá bom! Aguardarei suas impressões!

– Pode deixar! Mas agora, vem cá, minha leitora preferida! Vamos tomar um café abraçados na varanda?

– Vamos! Ah, amor, que bom que temos um ao outro! :)

sábado, 15 de agosto de 2026

Uma aventura em João Pessoa

Ler uma história em quadrinho brasileira é sempre um prazer... tava garimpando por aí e "Boca de Siri", do ilustrador e quadrinista Paulo Moreira, me chamou a atenção!
Adorei a obra por vários motivos: a arte, tanto da capa quanto do miolo em P&B; o fato de nos apresentar João Pessoa (capital da Paraíba); os simpáticos protagonistas (Ygo, Vitória e Duda) que se deslocam pela cidade de bicicleta (mesmo sem saber andar, adoro esse meio de transporte... rsrsrs); entre outros.



Além de cenários muito bonitos, o roteiro é criativo, divertido... o autor nos brinda com uma aventura que mistura, na medida certa, realismo mágico com pitadas da cultura popular e belezas naturais de sua terra, consciência social e ambiental. Aliás, os extras da HQ também são encantadores... sobre as ideias originais, os rascunhos da arte, as fotos que ele fez da cidade... enfim, inspirador!




A narrativa envolve o lendário Guaiamum (uma espécie de siri) gigante, visto nas praias da cidade, desde 1977, que resolve fazer uma visita especial para evitar que o prefeito sem noção realize o alargamento da orla da praia de Cabo Branco. Em um embate, aos moldes de Godzilla, Ultraman e cia, o Guaiamum gigante duela com o robô Parahybatron (construído pela prefeitura). O mais incrível da HQ, além da diversão, é o fato de ser uma crítica afiada à especulação imobiliária que tanto afeta as praias brasileiras. Pra saber mais... leia... mergulhe nessa história solar! Viva a Natureza! Viva o quadrinista brasileiro! :)

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Uma querida injustiçada

– Oi, amor!

– Oi! Tô aqui na cozinha, não se preocupe, já passei pano no chão e limpei as janelas... 

– Adoro seu jeito prendado de ser!

– Pra mim, arrumar a casa sempre foi natural, minha saudosa mãe nos ensinou, ela queria que seus filhos soubessem se virar a qualquer tempo! 

– Sábia senhora! 

– Passou no mercado, querida?

– Sim! Fiz umas comprinhas, mas confesso que ouvi uns comentários arrogantes que me deixaram, sinceramente, irritada!

– Sobre o quê?

– Peraí, tô indo... me ajuda a guardar as compras?

– Claro, minha consumidora preferida!

– As sacolas estão mais pesadas do que planejei...

– ... você sempre compra mais coisas do que tinha na lista, amor!

– Olha quem fala... quando te peço pra comprar uma dúzia de ovos, você volta com várias sacolas descartáveis com todo tipo de mercadoria e guloseimas.

– Ahahaha... mas, seja sincera, você adora quando nessas sacolinhas tem bolachinhas de nata, chás variados e aquele docinho da infância, confere?

– Tá bom, sem críticas a ida de cada um ao mercado, agora, por favor, deixa eu sentar um pouco.

– Toma um copo de água, enquanto eu guardo tudo e, por favor, me conte o que te deixou indignada?

– Ah! Que gostoso beber água! Então... eu tava na parte de hortifrúti e me deparei com lindas mexericas...

– Tô comprovando... lindas e cheirosas!

– Pois é, adoramos essa delícia da Natureza! O problema é que tinha duas cidadãs falando mal: "não gosto nem de chegar perto, o cheiro delas fica impregnado por horas e as pessoas sabem de longe que comemos mexerica"... ao que a outra respondeu: "é verdade, prefiro banana que não tem esse cheiro horroroso"... Que ridículas, sem coração, falando na frente das frutinhas!

– Ahahaha... amor, desculpe, mas tive de rir. Concordo, já ouvi muita gente falando do cheiro da simpática mexerica... seu sabor é sem igual, não sei como podem evitá-la... Eu adoro o cheiro!

– Eu não me contive...

– Saiu no tapa com as duas?

– Só em pensamento, mas falei que era um absurdo condenar uma fruta tão saborosa e rica em nutrientes simplesmente por seu cheiro que, pra mim, é muito bom! É uma injustiça!

– Teve bate-boca?

– Não porque elas me olharam com um desprezo tão grande que não tive nem o que dizer mais. Só fiz questão de encher um saco bem grande de mexerica pra jogar na cara delas como são boas!

– Melhor não discutir, nunca se sabe com quem estamos lidando.

– Não se preocupe, eu virei as costas e saí. Provavelmente, falaram mal de mim, que se lasquem, eram duas frescas que devem preferir os insípidos sucos industrializados!

– O importante é que aqui em casa comemos fruta com as mãos, porque a ideia é se lambuzar mesmo... ahahaha...

– Concordo... fruta é pra se deliciar!

– Voltando a essa bizarrice, lembrei que trabalhei em um lugar que ninguém podia levar mexerica por causa do cheiro... quando levei a primeira vez não sabia dessa regra esdrúxula e me encheram o saco o dia inteiro alegando que a copa, a geladeira e eu ficamos cheirando mexerica... bando de neuróticos!

– Ahahaha... realmente fico indignada com quem se incomoda com o aroma de certos alimentos. Inclusive, hoje, as marmitas não são mais as mesmas... Como não amar essa doce fruta e os clássicos ovo frito com arroz e feijão ou ovo com pão? Gente insensível!

– Deixa pra lá, amor! Pra nós, mexerica tem espaço garantido! E ovo frito também!

– Nada mais agradável que alimentos saborosos...

– ... e cheirosos!

– Chega de conversa... vamos comer mexerica na varanda!

– Melhor programa depois de uma faxina rápida.

– Então, pega a sacola e vem, meu mexeriqueiro preferido!

– Ahahaha... vamos logo, senão vou te descascar em plena cozinha...

– Ahahaha... não me provoca! :)

sábado, 8 de agosto de 2026

Um delicado curta de animação

Às vezes, só precisamos assistir a uma história leve que coloque um sorriso em nosso rosto, nos dê a sensação de aconchego e nos afaste um pouco das preocupações do cotidiano.  Garimpando no YouTube, encontrei o curta de animação da Disney "Paperman", que acredito ser exatamente o que estava precisando pra relaxar.

A obra me conquistou de cara só pelo fato de ser em P&B. Achei um charme os cenários e, claro, os simpáticos protagonistas.

Ele, no trabalho, sempre rodeado de papéis por todos os lados, mas elegante e com aquele olhar sonhador que adoro. Um dia, na estação de trem, depois de uma ventania (que, aliás, vem bem a calhar, já que estamos passando por uma semana de expectativa de ventos fortes), ele conhece a "mulher da sua vida". As circunstâncias? Ah! Prefiro não contar, assista e tenha sua experiência... garanto que vai gostar... rsrsrs...

Por sua vez, ela, estilosa, com seu batom vermelho, que é decisivo na trama, também se encanta com o rapaz atrapalhadinho... rsrsrs... Enfim, é uma animação fascinante, que me fez lembrar de uma época adorável da Disney... dos clássicos "Cinderela", "Branca de Neve e os Sete Anões", "A Dama e o Vagabundo"... desenhos que assisto desde sempre com o mesmo brilho nos olhos! Viva os curtas e os longas de animação! :) 

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Quando nos reconhecemos em uma HQ

Outro dia, procurando algo pra ler, rir e relaxar um pouco, descobri a história em quadrinhos "Diário de uma volátil", da ilustradora argentina Agustina Guerrero. Além de gostar do fato de ser a reunião de publicações de seu blog autobiográfico, adorei a forma bem-humorada, por vezes escrachada e cheia de sutilezas, que ela nos apresenta seu cotidiano, com o qual me identifiquei em várias páginas... rsrsrs... Nada como uma autora sensível pra retratar, na medida certa, as mazelas de nosso dia a dia com reflexão e emoção! 



Poderia ficar aqui comentando cada uma das páginas, porque as ilustrações são lindas e divertidas, mas separei três que me abriram um sorriso no rosto, como a que fala exatamente que quanto maior o sorriso, melhor! Concordo plenamente, inclusive, já disse aqui que o sorriso sempre nos leva longe, facilita as coisas... mesmo quando estamos sem rumo!

Ah! A identificação com algumas situações foi enorme... rsrsrs... como a retratada ao lado. Quando vou ao supermercado, invariavelmente, pego o produto que está mais ao fundo da prateleira... adorei me ver nessa ilustração... ahahaha... Engraçado que faço isso com qualquer mercadoria, não importa se xampu, arroz, queijo, sabão em pó, margarina ou papel higiênico... sem pudor, escolho o mais escondido e saio satisfeita... ahahaha... 


Falando em emoção, fiquei surpresa quando me deparei com a ilustração que retrata a delicadeza de quando "o céu resolve desenhar"... Ah! Pra quem, como eu, adora o amanhecer, o entardecer, o anoitecer... enfim, admirar e conversar com o Sol, as nuvens, as estrelas e minha querida Lua, me reconheci muito nessa cena... rsrsrs... Incrível como, exatamente, no mesmo dia, registrei, da minha janela, um belo céu que também resolveu desenhar... 


Fiz a foto (ao lado) por volta das seis e meia da manhã... fiquei fascinada e, então, me identifiquei ainda mais com a moça da HQ... rsrsrs... Ah! Olhar para o céu, seja de dia ou de noite, sempre me acalma... me inspira! Viva as cores da Natureza! Viva a Nona Arte e o talento das quadrinistas! :)