sábado, 17 de janeiro de 2026

Celebrando a Cidade Luz

"Paris é uma festa", de Ernest Hemingway, é especialmente encantador por apresentar as experiências de um escritor em início de carreira e por ter como cenário Paris dos anos 1920!

Nada mais agradável para quem, como eu, gosta de escrever e já teve o prazer de visitar a adorável Cidade Luz do que ler uma narrativa leve, irônica, amorosa sobre a agitada vida na capital francesa, seus escritores e artistas, as pessoas comuns, seus cafés, suas charmosas ruas, enfim, uma festa a cada página... ops... a cada esquina!

Já no primeiro capítulo, Hemingway me conquista quando fala sobre um "bom café" que conhecia na Place Saint-Michel. "Era um café agradável, quente, limpo e acolhedor. Pendurei minha velha capa no cabide para secar, coloquei meu surrado e desbotado chapéu de feltro na prateleira que ficava por cima dos bancos e pedi um café au lait. O garçom trouxe-o e eu tirei do bolso do paletó o caderno de notas, um lápis, e comecei a escrever." Ah! Esse trecho é identificação imediata! Sempre gostei de ir às cafeterias com meus bloquinhos e já escrevi algumas crônicas, contos e trechos de livros nesse ambiente! Adoro... é inspirador!

Naquele tempo, ele não tinha dinheiro para comprar livros, mas os alugava na Shakespeare and Company, biblioteca e livraria de Sylvia Beach, figura cordial e amável, que deixou Hemingway pagar pelo empréstimo dos livros quando tivesse dinheiro. Generosidade é tudo! E assim ele conseguia ler com frequência, alías, necessidade básica de qualquer autor!

Na luta para ser um bom escritor e, ao mesmo tempo, ser fiel a si próprio, Hemingway narra a dificuldade financeira pontuada pela sensibilidade, crueza e ironia. Em dias em que, pela falta de dinheiro, era difícil até se alimentar, o autor nos envolve em uma narrativa rica e emocionante pelas ruas da cidade. "Se você não se alimentasse bem em Paris, tinha sempre uma fome mortal, pois todas as padarias exibiam coisas maravilhosas em suas vitrinas, e muitas pessoas comiam ao ar livre, em mesas na calçada, de modo que por toda parte se via comida ou se sentia o seu cheiro."

Outra situação com a qual me identifiquei bastante... rsrsrs... é quando ele reclama que está escrevendo concentrado, com a inspiração nível alto, e chega alguém para atrapalhar... "Era nesses momentos que um intruso poderia estragar tudo... Lá se ia embora a minha sorte, e o melhor era fechar o caderno. Nada pior do que isso." Pois é, também já me sentei em um café para escrever sozinha no meu canto e tive o desprazer de ser achada por esse tipo de ser humano... é de lascar! Também concordo com Hem (é tanta identificação que já tô íntima do colega... rsrsrs...) quando ele diz: "A única coisa capaz de nos estragar o dia eram pessoas, mas, se se pudesse evitar encontros, os dias não tinham limites. As pessoas eram sempre limitadoras da felicidade, exceto aquelas poucas que eram tão boas quanto a própria primavera." Assino embaixo!

Ah! O livro é uma festa! Poderia ficar aqui falando por parágrafos e mais parágrafos sobre a relação de amor e companheirismo dele com a esposa, Hadley; os vários amigos anônimos e famosos com quem viveu inúmeras situações, como o talentoso e perturbado escritor Scott Fitzgerald... mas preferi ressaltar os momentos em que Hem inspirou e até incentivou a Gi escritora e sua necessidade básica de escrever histórias! Viva Paris! Salve Hemingway! :)

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