quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Encanto, bom humor... e altas reflexões!

Com uma fotografia deslumbrante tal qual os quadros impressionistas de Claude Monet, "As Cores do Tempo", do cineasta e ator francês Cédric Klapisch, é um filme encantador que mistura dois momentos da capital parisiense: o atual e a charmosa Belle Époque.

A trama se desenrola quando primos distantes se reúnem para inspecionar uma propriedade da família, abandonada na Normandia, desde a década de 1940. 

No terreno, uma incorporadora planeja construir um supermercado e um enorme estacionamento... que horror... rsrsrs.... Claro que entre os trinta herdeiros reunidos em torno da questão, vários deles gostam da ideia de vender o casarão, mas a venda não é uma unanimidade.

Dos parentes, quatro são escolhidos para visitar a casa e aí começa o encantamento! A propriedade foi de Adèle Meunier (Suzanne Lindon), uma moça simples, que depois da morte da avó, resolve ir à Paris conhecer sua mãe Odette (Sara Guraudeau). Alternando a vida da protagonista, em 1895, e de seus descendentes, em 2025, o longa, então, nos brinda com cenas bucólicas de Adèle viajando e chegando à capital parisiense, onde conhece os jovens Anatole (Paul Kircher) e Lucien (Vassili Schneider); com as divertidas e emocionantes histórias e conflitos dos primos Seb (Abraham Wapler), Guy (Vincent Macaigne), Cèline (Julia Piaton) e Abdelkrim (Zinedine Soualem). Com idades e profissões distintas, aos poucos, eles vão se conhecendo e ficam fascinados com o que descobrem sobre a vida de Adèle.

Ah! Pra começar, um filme que envolva Paris moderna e antiga, Arte, Fotografia, humor e reflexão, facilmente, me conquista! Assim foi desde a primeira cena no museu com a sensível obra de Monet enchendo a tela! Porém, sem contar muitos detalhes pra não atrapalhar a experiência que cada um deve ter e que só a sala de cinema nos dá, preciso destacar as cenas emocionantes e, por vezes, divertidas, em que os primos passeiam pela casa abandonada e ficam arrebatados com as fotografias ainda penduradas nas paredes e com a atmosfera poética e até mágica do local. As várias situações vividas pelos personagens nos provocam altas reflexões sobre a conexão entre gerações e sobre a complexidade da vivência humana. Pois é, recomendo muito!

Uma curiosidade: quando os créditos começam a subir e aparecem fotos da família ao longo dos anos, fiquei impressionada com a semelhança de muitas delas com registros de minha mãe e meu pai quando jovens, por volta de 1950. Que elegante reminiscência! :) 

sábado, 22 de agosto de 2026

Sempre em frente

O importante é continuar caminhando... sem perder os sonhos de vista! Enquanto escrevia, lembrei da famosa frase de Martin Luther King: "Se não puder voar, corra; se não puder correr, ande; se não puder andar, rasteje, mas continue em frente de qualquer jeito". 

Não é fácil, depois de cair, levantar e continuar, mas caminhar é preciso! Cada um deve tentar encontrar coisas que ajudem nesse recomeço. No meu caso, escrever me acalma, ler me ajuda a continuar sonhando e conversar com a Lua ilumina meus pensamentos! 

Reflexões são, absolutamente, bem-vindas! Gosto de encadear ideias, olho a Lua e logo vem à cabeça duas músicas... primeira, do Caetano: "Lua de São Jorge, Lua soberana, nobre porcelana sobre a seda azul"... poesia pura! Segunda, de Johnny Mercer (letra) e Henry Mancini (melodia): "Moon River, wider than a mile; I'm crossing you in style, some day; Oh, dream maker, you heartbreaker, wherever you're going, I'm going your way...." Ah! Adoro a Audrey Hepburn cantando na janela, no doce "Bonequinha de Luxo"!

Pois é, "a gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte; a gente não quer só comida, a gente quer saída para qualquer parte"... Admiráveis Titãs, que me embalam desde sempre!

A Literatura, as HQs, a Música, o Cinema, enfim, as Artes em geral me salvam e me inspiram, por isso, mesmo aos trancos e barrancos, sigo procurando rumo, acolhida e atenção! Afinal, como cantou o Legião: "Sempre em frente, não temos tempo a perder." :)


* A foto que ilustra essa crônica é de minha autoria... adoro registrar as visitas que a Lua faz à minha janela... ❤️

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Uma cruel sala de espera

– Ah! Eu não aguento olhar pela janela e ver cada vez mais uma construção colada na outra... casas tão bonitas são demolidas dando lugar a essas caixas de sapato que insistem em chamar de prédio. Acho que já  falei sobre isso...

– Calma, amor! Realmente é de lascar... seria tão bom se, pelo menos, a construção não ocupasse o terreno todo e sobrasse um espacinho, sei lá, pra uma árvore, um arbusto ou um gramado que fosse... seria tão mais saudável pra cidade!

– E, assim, nossa querida metrópole vai perdendo sua memória arquitetônica e isso deixa um vazio na gente, daqui a pouco não vai ter mais nenhum quintal de caquinho, jardins com roseira, terraços aconchegantes... é triste! Mas, mudando de assunto, qual HQ você tava lendo aí tão quietinha?

– Ah! É "A Sala de Espera da Europa", da quadrinista holandesa Aimée de Jongh. É um relato sensível sobre a situação dos refugiados, em 2017, na ilha grega de Lesbos.

– Sei qual é... e aí, gostou?

– Adorei! Os temas são pesados, mas a delicadeza da arte torna a leitura fluida, nos aproxima daquelas pessoas sofridas que aguardam a autorização pra entrar na Europa... e nos faz refletir!

– É importante, sempre que possível, jogar os holofotes sobre o tema "refugiados" para que o mundo e, principalmente, os países mais ricos se mobilizem mais a respeito. Hoje, milhares de cidadãos de várias regiões fogem de todo tipo de conflito. Inclusive, potências mundiais continuam gastando montanhas de dinheiro com armamento e guerra infinitas... lamentável! 

– Concordo plenamente! Sem estragar sua leitura, querido, só quero destacar dois momentos da HQ que me sensibilizaram: o primeiro, quando crianças bem pequenas começam a seguir a quadrinista e a guia diz pra ela evitar muita aproximação, dar colo, por exemplo, porque os pequenos têm transtornos de apego reativo... é de chorar ver as mãozinhas levantadas, mas ela explica que isso evita que eles acabem com uma visão distorcida do mundo real, quando saírem de lá.

– Que difícil deve ter sido evitar os bracinhos de uma criança... 

– Mas é como a guia disse, é algo que deve ser levado em conta para o próprio bem dos pequenos.

– E o segundo momento que você queria contar?

– Ah! Ela conheceu um casal e sua casa/contêiner, o homem que trabalhava como barbeiro no acampamento contou sua história e que ainda aguardava a permissão para seguir para Atenas, com perspectiva de ir para outro país europeu. Aí o carinho... a quadrinista resolve desenhar o casal e o homem retribui com um desenho dela... Confesso que fiquei com lágrimas nos olhos!

– Definitivamente, o mundo precisa de mais amor! 

– Quer saber o que ele desenhou, querido? 

– Não! Quero ler!

– Ahahahah... tá bom! Aguardarei suas impressões!

– Pode deixar! Mas agora, vem cá, minha leitora preferida! Vamos tomar um café abraçados na varanda?

– Vamos! Ah, amor, que bom que temos um ao outro! :)

sábado, 15 de agosto de 2026

Uma aventura em João Pessoa

Ler uma história em quadrinho brasileira é sempre um prazer... tava garimpando por aí e "Boca de Siri", do ilustrador e quadrinista Paulo Moreira, me chamou a atenção!
Adorei a obra por vários motivos: a arte, tanto da capa quanto do miolo em P&B; o fato de nos apresentar João Pessoa (capital da Paraíba); os simpáticos protagonistas (Ygo, Vitória e Duda) que se deslocam pela cidade de bicicleta (mesmo sem saber andar, adoro esse meio de transporte... rsrsrs); entre outros.



Além de cenários muito bonitos, o roteiro é criativo, divertido... o autor nos brinda com uma aventura que mistura, na medida certa, realismo mágico com pitadas da cultura popular e belezas naturais de sua terra, consciência social e ambiental. Aliás, os extras da HQ também são encantadores... sobre as ideias originais, os rascunhos da arte, as fotos que ele fez da cidade... enfim, inspirador!




A narrativa envolve o lendário Guaiamum (uma espécie de siri) gigante, visto nas praias da cidade, desde 1977, que resolve fazer uma visita especial para evitar que o prefeito sem noção realize o alargamento da orla da praia de Cabo Branco. Em um embate, aos moldes de Godzilla, Ultraman e cia, o Guaiamum gigante duela com o robô Parahybatron (construído pela prefeitura). O mais incrível da HQ, além da diversão, é o fato de ser uma crítica afiada à especulação imobiliária que tanto afeta as praias brasileiras. Pra saber mais... leia... mergulhe nessa história solar! Viva a Natureza! Viva o quadrinista brasileiro! :)

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Uma querida injustiçada

– Oi, amor!

– Oi! Tô aqui na cozinha, não se preocupe, já passei pano no chão e limpei as janelas... 

– Adoro seu jeito prendado de ser!

– Pra mim, arrumar a casa sempre foi natural, minha saudosa mãe nos ensinou, ela queria que seus filhos soubessem se virar a qualquer tempo! 

– Sábia senhora! 

– Passou no mercado, querida?

– Sim! Fiz umas comprinhas, mas confesso que ouvi uns comentários arrogantes que me deixaram, sinceramente, irritada!

– Sobre o quê?

– Peraí, tô indo... me ajuda a guardar as compras?

– Claro, minha consumidora preferida!

– As sacolas estão mais pesadas do que planejei...

– ... você sempre compra mais coisas do que tinha na lista, amor!

– Olha quem fala... quando te peço pra comprar uma dúzia de ovos, você volta com várias sacolas descartáveis com todo tipo de mercadoria e guloseimas.

– Ahahaha... mas, seja sincera, você adora quando nessas sacolinhas tem bolachinhas de nata, chás variados e aquele docinho da infância, confere?

– Tá bom, sem críticas a ida de cada um ao mercado, agora, por favor, deixa eu sentar um pouco.

– Toma um copo de água, enquanto eu guardo tudo e, por favor, me conte o que te deixou indignada?

– Ah! Que gostoso beber água! Então... eu tava na parte de hortifrúti e me deparei com lindas mexericas...

– Tô comprovando... lindas e cheirosas!

– Pois é, adoramos essa delícia da Natureza! O problema é que tinha duas cidadãs falando mal: "não gosto nem de chegar perto, o cheiro delas fica impregnado por horas e as pessoas sabem de longe que comemos mexerica"... ao que a outra respondeu: "é verdade, prefiro banana que não tem esse cheiro horroroso"... Que ridículas, sem coração, falando na frente das frutinhas!

– Ahahaha... amor, desculpe, mas tive de rir. Concordo, já ouvi muita gente falando do cheiro da simpática mexerica... seu sabor é sem igual, não sei como podem evitá-la... Eu adoro o cheiro!

– Eu não me contive...

– Saiu no tapa com as duas?

– Só em pensamento, mas falei que era um absurdo condenar uma fruta tão saborosa e rica em nutrientes simplesmente por seu cheiro que, pra mim, é muito bom! É uma injustiça!

– Teve bate-boca?

– Não porque elas me olharam com um desprezo tão grande que não tive nem o que dizer mais. Só fiz questão de encher um saco bem grande de mexerica pra jogar na cara delas como são boas!

– Melhor não discutir, nunca se sabe com quem estamos lidando.

– Não se preocupe, eu virei as costas e saí. Provavelmente, falaram mal de mim, que se lasquem, eram duas frescas que devem preferir os insípidos sucos industrializados!

– O importante é que aqui em casa comemos fruta com as mãos, porque a ideia é se lambuzar mesmo... ahahaha...

– Concordo... fruta é pra se deliciar!

– Voltando a essa bizarrice, lembrei que trabalhei em um lugar que ninguém podia levar mexerica por causa do cheiro... quando levei a primeira vez não sabia dessa regra esdrúxula e me encheram o saco o dia inteiro alegando que a copa, a geladeira e eu ficamos cheirando mexerica... bando de neuróticos!

– Ahahaha... realmente fico indignada com quem se incomoda com o aroma de certos alimentos. Inclusive, hoje, as marmitas não são mais as mesmas... Como não amar essa doce fruta e os clássicos ovo frito com arroz e feijão ou ovo com pão? Gente insensível!

– Deixa pra lá, amor! Pra nós, mexerica tem espaço garantido! E ovo frito também!

– Nada mais agradável que alimentos saborosos...

– ... e cheirosos!

– Chega de conversa... vamos comer mexerica na varanda!

– Melhor programa depois de uma faxina rápida.

– Então, pega a sacola e vem, meu mexeriqueiro preferido!

– Ahahaha... vamos logo, senão vou te descascar em plena cozinha...

– Ahahaha... não me provoca! :)

sábado, 8 de agosto de 2026

Um delicado curta de animação

Às vezes, só precisamos assistir a uma história leve que coloque um sorriso em nosso rosto, nos dê a sensação de aconchego e nos afaste um pouco das preocupações do cotidiano.  Garimpando no YouTube, encontrei o curta de animação da Disney "Paperman", que acredito ser exatamente o que estava precisando pra relaxar.

A obra me conquistou de cara só pelo fato de ser em P&B. Achei um charme os cenários e, claro, os simpáticos protagonistas.

Ele, no trabalho, sempre rodeado de papéis por todos os lados, mas elegante e com aquele olhar sonhador que adoro. Um dia, na estação de trem, depois de uma ventania (que, aliás, vem bem a calhar, já que estamos passando por uma semana de expectativa de ventos fortes), ele conhece a "mulher da sua vida". As circunstâncias? Ah! Prefiro não contar, assista e tenha sua experiência... garanto que vai gostar... rsrsrs...

Por sua vez, ela, estilosa, com seu batom vermelho, que é decisivo na trama, também se encanta com o rapaz atrapalhadinho... rsrsrs... Enfim, é uma animação fascinante, que me fez lembrar de uma época adorável da Disney... dos clássicos "Cinderela", "Branca de Neve e os Sete Anões", "A Dama e o Vagabundo"... desenhos que assisto desde sempre com o mesmo brilho nos olhos! Viva os curtas e os longas de animação! :) 

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Quando nos reconhecemos em uma HQ

Outro dia, procurando algo pra ler, rir e relaxar um pouco, descobri a história em quadrinhos "Diário de uma volátil", da ilustradora argentina Agustina Guerrero. Além de gostar do fato de ser a reunião de publicações de seu blog autobiográfico, adorei a forma bem-humorada, por vezes escrachada e cheia de sutilezas, que ela nos apresenta seu cotidiano, com o qual me identifiquei em várias páginas... rsrsrs... Nada como uma autora sensível pra retratar, na medida certa, as mazelas de nosso dia a dia com reflexão e emoção! 



Poderia ficar aqui comentando cada uma das páginas, porque as ilustrações são lindas e divertidas, mas separei três que me abriram um sorriso no rosto, como a que fala exatamente que quanto maior o sorriso, melhor! Concordo plenamente, inclusive, já disse aqui que o sorriso sempre nos leva longe, facilita as coisas... mesmo quando estamos sem rumo!

Ah! A identificação com algumas situações foi enorme... rsrsrs... como a retratada ao lado. Quando vou ao supermercado, invariavelmente, pego o produto que está mais ao fundo da prateleira... adorei me ver nessa ilustração... ahahaha... Engraçado que faço isso com qualquer mercadoria, não importa se xampu, arroz, queijo, sabão em pó, margarina ou papel higiênico... sem pudor, escolho o mais escondido e saio satisfeita... ahahaha... 


Falando em emoção, fiquei surpresa quando me deparei com a ilustração que retrata a delicadeza de quando "o céu resolve desenhar"... Ah! Pra quem, como eu, adora o amanhecer, o entardecer, o anoitecer... enfim, admirar e conversar com o Sol, as nuvens, as estrelas e minha querida Lua, me reconheci muito nessa cena... rsrsrs... Incrível como, exatamente, no mesmo dia, registrei, da minha janela, um belo céu que também resolveu desenhar... 


Fiz a foto (ao lado) por volta das seis e meia da manhã... fiquei fascinada e, então, me identifiquei ainda mais com a moça da HQ... rsrsrs... Ah! Olhar para o céu, seja de dia ou de noite, sempre me acalma... me inspira! Viva as cores da Natureza! Viva a Nona Arte e o talento das quadrinistas! :)

sábado, 1 de agosto de 2026

Um querido e doce clássico


– Ah! Bom mesmo era meu querido Romi-Isetta azul! Foi o que enfatizou Seu Bernardo quando perguntado o que estava achando de passear na Ferrari F40, recém-adquirida pelo seu neto mais velho. Indignados, todos olham para o senhor com um misto de espanto e um leve rancor. Afinal, não é todo dia que se passeia em um automóvel tão icônico como o modelo italiano, ainda mais sendo o primeiro exemplar da coleção do rapaz.

– Eu sei que vocês gostam desses carros cheios de ostentação, espaçosos, que chamam a atenção onde quer que se vá, mas continuo com a minha opinião: são encantadores, no entanto, qual a graça se vão ficar guardados 99% do tempo em garagens todas monitoradas por câmeras, cães de guarda e seguranças?

– Mas papai, onde o senhor queria que a gente guardasse esses tesouros? Na calçada, em frente ao seu predinho simples, ao lado do metrô e da padaria da esquina?

– Não seja esnobe, querida! 

– Seu Bernardo, já sabemos sua opinião sobre tudo isso, mas gostaríamos que o senhor participasse desse momento de conquista de nosso primogênito, só isso! Queria que o senhor se divertisse com a gente! 

– Meu genro, não se desespere... peço desculpas a todos. É que toda a vez que vejo carros antigos bem conservados como esse, lembro do meu...

– ... "Bolinha Azul"! Sabemos disso, meu velho, não fique assim... um dia ainda vamos tê-lo conosco de novo e vamos fazer piquenique no parque todos os domingos de manhã!

–  Ah! Minha velha, Suzaninha! Só você mesmo pra me entender... você acha que estou sendo intransigente?

– Querido, só acho que deveríamos nos alegrar, afinal, nosso neto está começando uma bela coleção de automóveis antigos... você foi um dos seus maiores incentivadores, sempre levando-o a feiras de colecionadores! Dê ao menos um sorriso!

– Parabéns, meu neto, por iniciar sua coleção... desculpe seu avô, não queria ofendê-lo... o modelo é realmente lindo.

– Vô Bê, não se preocupe, não estou chateado, sei bem do seu amor por esse famoso "Bolinha Azul"!

– Tudo resolvido! Agora, vamos voltar pra casa, porque um lanche reforçado nos aguarda!

Seu Bernardo dá um suspiro contrariado. Ultimamente, não gosta muito de ficar longe de seu refúgio, adora passar as tardes lendo romances com Dona Suzana, porém, como já criou uma leve polêmica, aceita de bom grado ir à casa da filha.

Por mais que o clima tenha pesado durante o passeio de Ferrari, Seu Bernardo e família adoram um café da tarde e assim que veem a mesa posta repleta de pãezinhos, bolachinhas, geleias, manteiga, queijos e outras guloseimas, esquecem qualquer rusga. Com a presença dos dois netos mais novos, as conversas se tornam ainda mais animadas e as risadas preenchem o ambiente.

– Filha, adorei o café, estava tudo uma delícia, mas sua mãe e eu precisamos ir pra casa descansar!

– Nem pensar... depois do jantar, vamos cantar parabéns pro senhor, papai! Fiz o seu bolo preferido! Ou o senhor estava achando que o passeio era suficiente? Precisamos e adoramos comemorar seu aniversário!

– Ah! Imagina, filha! O passeio foi suficiente pra eu quase acabar com o dia da família... eu e minha boca grande... ahahaha...

– Não fale assim, olha a alegria de seu neto por ter te levado a esse passeio de carro novo!

– Por isso, não queria ter dado essas minhas opiniões inúteis...

– Para com isso, vovô! Vamos conversar, quero saber qual sua avaliação sobre alguns modelos que estive pensando... pai, vem cá também!

– Já tô pronto! Também quero saber o parecer de meu sogro sobre nossas ideias para as próximas aquisições! 

–  Vem, mamãe! Quero te mostrar umas toalhas e panos de prato que comprei...

– Ah, filha, quero ver tudo!

As duas saem da sala, enquanto Seu Bernardo, o genro e os netos se empolgam com o bate-papo sobre o mundo dos automóveis antigos. De repente, a conversa é interrompida por um estranho grito de Dona Suzana.

– O que foi? O que aconteceu com minha Suzaninha?

– Calma, vô! Já imagino... 

– Não se preocupe, o grito foi de satisfação, meu sogro!

– Que tipo de toalha, pano de prato ou seja lá o que for que minha filha mostrou pra mãe soltar um grito desse!? Agora fiquei curioso!

– Vamos ver, vovô!

Quando os netos e o genro abrem a porta da cozinha que dá acesso à garagem principal da casa, Seu Bernardo não consegue conter as lágrimas.

– Mas esse é meu querido "Bolinha Azul"? É ele mesmo, meu neto?

– Sim, vovô! Ele voltou para o senhor, é seu presente de aniversário!

– Como assim? Suzaninha, você sabia disso?

– Não, também fui surpreendida. Você não ouviu meu estabanado grito de alegria!?

– Mas como vocês conseguiram? Eu tive de vender meu Romi-Isetta e nunca mais tive contato com o dono, até tentei...

– Seu neto foi implacável, Seu Bê! Ele passou um ano procurando, lembra quando ele pediu pra ver as fotos do seu carro?

– Meu neto amado! Deve ter sido caro... como conseguiu achar meu "Bolinha Azul"?

– Simples, vovô! Fui atrás das pistas, conhecendo gente de tudo que é canto nas feiras que o senhor me apresentou quando eu era criança... estou realizado, comprar de volta esse carro é o que eu mais queria fazer.

– Mas como vou te pagar?

–  Com seu sorriso!

–  Me dá um abraço, meu neto! Nem sei o que dizer...

– Seus olhos já estão me dizendo, te amo Vô Bê! Agora, pegue sua garota e vá passear!

– Cadê a chave? Vamos, querida!

– Nada de passeio longo, casalzinho! Voltem logo pra gente cantar parabéns e comer o bolo! :)


* A foto que ilustra esta automobilística crônica é de minha autoria. O registro foi feito, há quase 10 anos, quando me deparei com essa coisinha lindinha sorrindo pra mim... rsrsrs... Pois é, assim como meu personagem, sou encantada por esse doce carrinho! ❤️

quarta-feira, 29 de julho de 2026

A insana violência do ser humano



– Tô chocada com a notícia da capivara que foi atingida por uma flecha, na Represa de Guarapiranga, na Zona Sul de São Paulo! O ser humano, realmente, continua sendo um dos menos evoluídos na face da Terra. 

– Também fiquei impressionado! O mundo todo sofrendo com as mudanças climáticas, tempestades, incêndios em florestas, calor extremo, fome e, no meio disso tudo, um insano é capaz de flechar uma capivara na maior metrópole da América Latina, em pleno Século XXI. Esse indivíduo não deve ter nada na cabeça.

– Deve ser um desalmado... um sem noção. Como ainda tem gente praticando caça de animais silvestres... que, além de desumana, é proibida no Brasil e configura crime ambiental?

– Sim! São Paulo tem tanto problema pra resolver, desigualdade social, violência, fome. Será que as pessoas não podiam aliviar um pouco ao invés de sair por aí brincando de tiro ao alvo?

– Não tem cabimento atentar contra os animais silvestres, com o meio ambiente. E nossa querida cidade cresceu e continua crescendo desordenadamente. Sinto tanto quando vejo árvores sendo derrubadas dando lugar a arranha-céus.

– Sem contar a quantidade de casas antigas sendo demolidas e substituídas por prédios que mais parecem caixas de sapato. Preservar a história e o patrimônio da cidade deveria ser mais levado em conta.

– Nossa, amor, que conversa mais triste. Vamos passear um pouco, se possível em um parque bem preservado pra ouvir só o canto dos pássaros?

– Claro, vem cá, me dá um abraço!

– Só se você me devolver outro...

– É pra já!

– Também te amo! :)


* A foto que ilustra essa crônica/desabafo é de minha autoria, fiz esse registro, há alguns anos, no Horto Florestal (ZN-SP). Resolvi publicar essa capivara com seus filhotinhos para reforçar como a Natureza é bonita, mais bonita do que muita gente. Viva os animais!

sábado, 25 de julho de 2026

Amor de porcelana

Aproveitando que amanhã é Dia dos Avós, tava lembrando da minha avó materna... portuguesinha de cabelinhos brancos, viúva desde muito nova... meu avô materno faleceu quando minha mãe tinha apenas sete anos.

Quando era pequenininha, lembro da hora do café da tarde, a mesa era organizada, tudo simples e muito bonito... a manteiga conservada na água pra ficar macia, os pãezinhos frescos... a faca de pão, grande de serrinha, clássica, todo mundo tinha uma em casa, o café com leite na medida certa, servido em bonitas xícaras com pires... ah... doces lembranças na casa da vó. 

Se íamos almoçar, ela acabava sempre me dando leves broncas, achava que eu comia pouco e até ameaçava dar um presente pra outra menina qualquer se eu não raspasse o prato... rsrsrs... eu me divertia... mas, às vezes, ficava preocupada... que menina seria essa que minha avó ia presentear? Até porque ela não gostava de dar brinquedos, ela sempre me dava roupa, só uma vez me deu uma bonequinha tão linda... guardo até hoje! 

Toda a vez que íamos visitá-la, minha mãe sempre dizia: comportem-se e não mexam em nada. Éramos educados e por mais que a cristaleira dela nos encantasse, nunca fizemos nada errado, a gente ficava só olhando todos aqueles itens que preenchiam as prateleiras, louças, souvenires... eu adorava os bibelôs de porcelana, especificamente, um casalzinho sentado num muro... era tão lindo! Quando minha vó faleceu, eu ainda era criança e minha tia me deu o bibelô de presente... ah... achei tão bonito, ela sabia que eu gostava! Sempre que olho pra ele sinto todo o carinho... é como um abraço de vó... da minha vó!

Uma coisa que me traz sua lembrança é o aroma de arruda... minha vó sempre ia na nossa casa logo cedo pra me benzer. Ela era muito paciente com a Gi pequenininha... rsrsrs... eu queria saber o que ela rezava enquanto me benzia, ela ria e isso atrapalhava sua reza. Minha mãe pedia pra eu ficar quieta, mas minha avó não se importava e, algumas vezes, pra conseguir me benzer, ela me virava de costas... coisa de criança sapeca e curiosa... rsrsrs... hoje sinto falta desse cuidado todo... mas sei que sua bênção continua me protegendo de onde estiver... ❤️

Já meu avô paterno, italiano, faleceu quando eu tinha três anos... não tenho lembranças dele, porém minha mãe dizia que quando eu me irritava parecia o vô Carlo... rsrsrs... e minha avó paterna faleceu quando eu tinha uns cinco anos de idade, mesmo assim lembro de seu cheirinho e de seu abraço! :)

* Esta crônica, ilustrada pela foto do meu querido casalzinho de porcelana, é uma singela homenagem aos meus avós paternos e maternos que me deram meu pai e minha mãe... ❤️

quarta-feira, 22 de julho de 2026

A calma simpática dos jabutis

– Outro dia tava observando a gente andando pela calçada rumo à padaria...

– Tava fazendo um estudo antropológico, amor?

– Não exatamente, apenas fazendo uma observação leiga.

– Qual sua conclusão?

– Não fique contente... minha conclusão é levemente incômoda!

– Não me diga!

– Pensei que tava curioso.

– Engraçadinha! Fala logo, minha observadora social!

– Ahahaha... adorei meu novo cargo! 

– Continuo aguardando seu parecer.

– Calma, vou fazer um simples comentário... de uma sensação que me veio à cabeça enquanto vi nosso reflexo nas vitrines daquela loja de departamentos, no quarteirão anterior à padaria!  

– Tá enrolando muito... e olha que eu sou o mais paciente do casal!

– Dois erros: não estou enrolando e você não é o mais paciente do casal pelo simples fato de eu não ostentar um traço sequer de paciência em meu ser!

– Ahahaha... agora você foi assertiva em sua colocação... prossiga!

– Como eu ia dizendo, olhando pra nós dois, quem vê de fora é capaz de achar que somos completamente sedentários.

– Não entendi, não somos sedentários, pelo menos, não completamente!

– Ahahaha... pois é, acho que vamos ter de rever os treinos na academia ou ao menos aumentar a intensidade das caminhadas.

– O que você viu nesse reflexo? Será que descobriu o multiverso?

– Bobo! Vi a gente se arrastando como se fôssemos um casal de jabutis indo atrás de um naco de banana ou uma folha de acelga!

– Ahahaha... exagerada! Mas não acho que estávamos nos arrastando tanto assim... se bem que parecer com um casal de jabutis é até simpático... são tão tranquilos, dóceis!

– Concordo, mas achei que estávamos até meio corcundas...

– Também gosto do Corcunda de Notre Dame... no fundo é um romântico e só queria a Esmeralda pra ele... acho justo!

– Então, assunto encerrado, não tenho mais como argumentar!

– O importante é manter o bom-humor! Não posso fazer nada se tem dias em que minha coluna adora doer a cada passo que dou... por isso, sou uma mistura de jabuti, pela calma, e corcunda pra tentar aliviar a tensão... ahahaha... 

– Se está satisfeito, ótimo! Não gostei de me ver arrrastando os chinelos e praticamente encurvada em público!

– Exagerada! Nem tinha ninguém na rua, domingo às sete da manhã, só mesmo o casal de jabutis corcundas aqui pra ir à padaria!

– Ahahaha... que raiva! Não quero rir, queria ficar chateada...

– Você é a única pessoa no mundo que quer ficar chateada. Deixa pra lá, aquelas vitrines confundem a visão, são muitos reflexos ao mesmo tempo, parece uma sala de espelhos...

– Depois eu é que sou exagerada!

– E nervosa... e impaciente!

– Mais algum adjetivo para me definir, querido?

– Por hora é isso mesmo... ahahaha...

– Você ainda quer a torta de frango que me pediu ontem à noite?

– Ah! Não... você não é vingativa.

– Talvez um pouco sentida...

– Amor... você tá querendo confete?

– Prefiro chocolate granulado!

– Ahahaha... essa é minha garota.

– A conversa tá boa, mas tenho que ir pra cozinha...

– Nem pensar... agora quero você aqui do meu lado! Tava pensando em comer um naco de banana ou uma folha de acelga junto da jabutizinha mais linda das galáxias!

– Como não tenho a calma de um jabuti, vou assar a torta!

– Você tá dispensando seu jabuti de coluna torta?

– Ahahaha... parece nome da espécie: jabuti-de-coluna-torta!

– Ahahaha... gostou? Adoro sua risada! 

– E eu adoro sua habilidade em me fazer rir!

– Deixa a torta, o jabuti e o corcunda pra lá e vem cá rir comigo, minha querida quelônia!

– Mas você não queria a torta?

– Prefiro passar a manhã, tranquilamente, em sua companhia.

– Ah! Assim você me quebra as pernas!

– Nada de violência! Aqui é só amor! :)


* A foto é de minha autoria... os inspiradores jabutis vivem na casa dos meus queridos Betão (irmão) e Nivia (cunhada)... ❤️

sábado, 18 de julho de 2026

A ternura de Ziraldo ao falar da gente...

A obra de Ziraldo é sempre uma alegria a se compartilhar! Sempre gostei de "O Menino Maluquinho" (publiquei aqui um texto sobre ele em agosto de 2024), mas agora tive a oportunidade de ler dois livros em que nós, meninas... rsrsrs..., somos as protagonistas!

Uma das coisas que mais me encantou foi a ternura com que o grande cartunista, escritor, chargista, cartazista, jornalista retratou as alegrias, sonhos e traquinagens das meninas. Em vários momentos, a Gi menininha que habita em mim se sentiu representada... foi uma leitura repleta de carinho, porque não importa a idade que temos, nossos sentimentos, valores e sonhos nos conectam à sua arte e nos fazem mais fortes!

Em "Uma menina chamada Julieta", adorei quando ela ganhou de presente da avó "uma saia bem branquinha, curtinha e toda plissada, uma camisa vermelha, tendo bordada no peito a figura de um raio". Ah... Flash! Inclusive, um dos personagens que criei é muito fã desse querido super-herói... adoro!
A partir daí, a Julieta nunca mais tirou "a roupinha que a fazia virar uma super-heroína". A pequena é um azougue, gosta de aprender novas palavras, de ouvir histórias antes de dormir, de jogar futebol, faz gol de tudo que é tipo... de cantar, brincar de teatro, de casinha e de boneca... mas uma coisa me fez lembrar da infância, quando minha mãe tentava desembaraçar meus cabelos... ai, os puxões da escova... sorte que ela tinha muitos afazeres em casa e passava a tarefa para um dos meus irmãos, que era paciente pra caramba... rsrsrs...

Já no livro "Meninas", Ziraldo convidou o amigo Aroeira para uma parceria e decretou feliz: "eu desenho, você colore". E, então, ganhamos uma obra que esbanja talento e delicadeza! No texto de abertura, o autor confessa que sempre pensou em ilustrar o livro "Alice no País das Maravilhas", acreditava que todo ilustrador tem o desejo ardente e até o dever de ilustrar o clássico de Lewis Carroll. Resultado: pensando em nos contar a história da famosa Alice à sua maneira, acabou por nos brindar com essa joia em que tenta explicar quem é a menina, "esse ser encantado que dura apenas dos sete aos onze anos". Este livro também me fez lembrar de quando era criança, sempre sonhadora... "Menina não precisa de asas para voar". Pois é, nunca precisei! Escrever me faz voar, sonhar... é quando mais me encanto com as belezas da vida. Salve a sensibilidade, a genialidade e a obra solar de Ziraldo! :)

quarta-feira, 15 de julho de 2026

Liberdade de pensamento

– O que foi? Tá quieto...

– Ah! Tava pensando...

– Algum pensamento cotidiano ou mais filosófico?

– Na verdade, há meia hora, tava pensando em fazer um café.

– Imagino que a preguiça ganhou...

– A princípio sim... rsrsrs... 

– Em nenhum momento pensou em ir me ajudar a estender a roupa no varal?

– Ahahaha... pelo jeito, já pendurou tudo, desculpe querida. É que depois de perder a vontade de fazer café, me veio um pensamento mais profundo.

– Uau! Sobre o quê?

– Liberdade de pensamento!

– Gostei... e o mais curioso é que ontem fui pesquisar sobre o Dia da Revolução Francesa e vi que 14/07 também é Dia Mundial da Liberdade de Pensamento! Fale mais a respeito, meu pensador!

– Nossa, que coincidência! Tava aqui matutando... liberdade de pensamento é muito legal... você pode pensar o que quiser, mas é importante elaborar e, acima de tudo, na hora de verbalizar, não confundir liberdade de expressão com desrespeito, preconceito e outras sandices que as redes sociais têm potencializado descaradamente a qualquer hora do dia.

– Adorei sua colocação, concordo plenamente! Liberdade é uma palavra tão bonita pra ser confundida com opiniões descompensadas...

– Liberdades de pensamento e de expressão, com responsabilidade e bom senso, são sempre muito bem-vindas! Pena que nem todos os ditos seres pensantes são realmente capazes de propagar coisas construtivas...

– Nossa... o que aconteceu que você tá tão filosófico, amor?

– Tá surpresa? Estranho, porque estou sempre propondo discussões pertinentes...

– Dormiu com o dicionário embaixo do travesseiro?

– Engraçadinha... aliás, dormi com você... de conchinha! O que tá me olhando?

– Ah! Como você diz, tava matutando aqui...

– Exponha seus pensamentos, amor!

– Pensei que se meu querido filósofo coasse mesmo o café, eu poderia abrir aquela lata de bolachinhas amanteigadas que você me deu de presente.

– Aquela lata que custou mais do que uns três boletos? Ótimo, assim vou conferir se é isso tudo mesmo!

– Que exagero! Claro que são uma delícia, bobo!

– E por que essa cara de safada?

–  Eu? Só tô falando de um lanchinho da tarde... o que os leitores vão pensar?

– Sei lá, eles têm liberdade de pensar o que quiserem...

– ... mas, por favor, com moderação... ahahaha...

– Ahahaha... não censure os pensamentos alheios!

– Chega de palavras bonitas, vamos pra cozinha!

– Sim senhora... mas depois do café quero ver se me diz o que vai aí no seu pensamento...

– Que pensamento, meu?

– Esse pensamento que te deixa com essa cara de menina travessa!

– Ahahaha... travessa é muito doce!

– Vamos logo abrir a lata de bolachinhas amanteigadas ou será que você prefere...

– Prefiro que você faça o café, menino assanhado!

– Ahahaha... bela dupla: travessa e assanhado! :)

sábado, 11 de julho de 2026

Elementar, meu caro leitor!

Outro dia, vi umas edições bonitinhas da obra de Sir Arthur Conan Doyle, num preço legal... resolvi comprar. É a primeira vez que leio Sherlock Holmes. Adorei! É uma leitura leve e instigante, a gente fica até tentando resolver os enigmas antes do detetive mais simpático e elegante da Londres do final do século XIX.

A forma como Holmes esmiúça e decifra cada caso é seu toque genial. E o assistente, o  carismático Dr. John Watson, é o amigo leal que está sempre lá pra contribuir, ainda que, muitas vezes, só com sua presença. Aqui abro um parêntese: em tempos de relacionamentos por meio de telas, é bom lembrarmos o quanto a presença física nos faz especiais, afinal, o ser humano é um ser social por natureza, já dizia o filósofo grego Aristóteles! Que tal deixarmos um pouco de lado as telas para encontros mais olho no olho? Fecho o parêntese.

Voltando à obra de Doyle, li três coletâneas de contos: "Um Escândalo na Boêmia e outras aventuras"; "A Liga dos Cabeças Vermelhas e outras aventuras" e "O Roubo da Coroa de Berilos e outras aventuras". Confesso que o que mais gostei foram os casos que não envolvem crimes, mas acontecimentos dos mais bizarros... rsrsrs... as observações detalhadas e as conclusões surpreendentes de Holmes aumentam a vontade de ler o próximo conto! 

Outro destaque é a narração feita por Watson que, como testemunha das aventuras de Sherlock Holmes, nos brinda com uma visão humana, tornando as histórias acessíveis, é como se ele traduzisse a "doideira" genial do amigo em algo mais palpável para os leitores. Claro que agora fiquei ainda mais curiosa para ler os quatro romances... quem sabe, em breve, volto a falar sobre Sherlock... rsrsrs... Viva a mente criativa de Arthur Conan Doyle! :)   


* A foto e o chá são de minha autoria... rsrsrs... afinal, nada mais apropriado do que saborear a tradicional bebida acompanhada de um clássico da literatura britânica!

quarta-feira, 8 de julho de 2026

Encantos do futebol

– Vamos comentar um pouco sobre a Copa do Mundo 2026?

– Alguma razão especial, depois do vexame?

– Nada a ver com o vexame. Nem esperava nada dessa turma mesmo... quero falar sobre o que tem me encantado na Copa... 

– Ah! Vamos comentar! Gosto de Copas do Mundo porque elas sempre trazem momentos marcantes. 

– Que bom... então, vamos lá... eu começo com uma que sempre gosto de ver: as torcidas todas misturadas nas arquibancadas dos estádios! Claro que sempre tem aquele mar de torcedores juntos...

– ... remando bem pra caramba... rsrsrs...

– Pois é... remaram, acima de tudo, com vontade, com habilidade!

– Parabéns aos vikings... mas deixemos esse capítulo pra lá.

– Certo, excluindo lembranças desagradáveis em... três... dois... um! Agora, diga alguma coisa que está te encantando, amor!

– Tô gostando por ser a Copa de lendas que estão se despedindo, mas ainda com o mesmo comprometimento, mesma alegria de menino ao chutar uma bola e ao comemorar um gol... tipo o argentino Lionel Messi que tá disputando a artilharia; o croata Luka Modric; o goleirão alemão Manuel Neuer... ah... falando em goleiro, o mexicano Ochoa, que jogou poucos minutos, mas lançou uma bola que resultou em um belo gol!

– A briga pela artilharia tá muito legal: Messi com oito gols, o francês Kylian Mbappé e o norueguês Erling Haaland com sete cada, o inglês Harry Kane com seis! Os caras estão implacáveis... muito bom ver atacantes tão efetivos! O que mais, querido?

– Também gostei de algumas seleções pela garra: Inglaterra, Bélgica e mesmo as desclassificadas do Paraguai, Canadá e México, que caíram lutando.

– Ah! Nem vem... a que mais me encanta é a Seleção Francesa... eles são demais! No ataque tem uma cacetada de jogadores de alto nível que estão entregando tudo: Mbappé, Dembélé, Doué, Olise, Thuram, Barcola...

– Chega! Já entendi que temos uma torcedora "Les Bleus"!

– Allez les Bleus!

– Creio que tá faltando alguém na lista de encantos dessa Copa...

Foto: Charlotte Wilson/Getty Images

– Ah! O mais marcante: Cristiano Ronaldo! Participou de seis Copas, marcou gols nas seis, é um atleta com a maiúsculo... gente muito boa, tenho o maior respeito por ele! 

– Concordo que ele é uma lenda... pena que a Seleção Portuguesa...

– ... nem me fale, aquele bando de moleque boicotou o CR7, ninguém cruzava pra ele. As poucas vezes que ele teve a bola marcou gol, mas fazer o quê... o meio campo português tá de parabéns, reunião de insensatos!

– Calma, querida! Não fique nervosa, durante todo o jogo das oitavas só ouvi você gritando: toca a bola pro Cristiano!

– Pois é... mas como dizia Mário Quintana: "Todos esses aí que estão atravancando meu caminho, eles passarão, eu passarinho". Viva CR7!

– Temos aqui uma torcedora franco-Cristianoronaldina... ahahaha...

– Ahahaha... e aí temos um torcedor de La Scaloneta!  

– Ahahaha... oficialmente, La Albiceleste! Mas calma que ainda tem outras seleções fortes por aí, vamos ficar atentos com La Roja, The Three Lions, Diables Rouges, Lios de l'Atlas, Vikins e Schweizer Nati.

– As quartas de final vão ser eletrizantes, querido!

– E o melhor de tudo é assistir todos os jogos agarradinho com a melhor torcedora das galáxias!

– Ah... adoro nossa arquibancada particular, meu torcedor preferido! E viva quem joga futebol com amor, garra... e SIUUU! :)

sábado, 4 de julho de 2026

Um clássico anti-herói

Uma leitura inquietante e, por vezes, avassaladora, assim é "Diário do Subsolo", do admirável Fiódor Dostoiévski. O narrador/protagonista, que se apresenta logo no início como um sujeito maldoso e repulsivo, é um clássico exemplo de anti-herói.

O ex-funcionário público resolve escrever um diário que transborda de situações pesadas e angustiantes, principalmente, pela maneira torta com que ele tenta resolver seus dilemas. Como quando decide que vai ao encontro de colegas de escola que o maltratavam e, mesmo assim, impõe sua presença e protagoniza cenas pra lá de constrangedoras. É um ser revoltado, amargo, que deixa o leitor em alerta máximo e bastante incomodado com suas memórias e sua forma de encarar a vida. O que mais me impressionou foi o tratamento desumano ao qual ele submeteu a desavisada Lisa (leiam pra saber mais sobre ela). 

O narrador, realmente, tem rompantes de crueldade absoluta, mesmo assim, sua consciência, muitas vezes, coloca um gosto amargo em sua boca. E aí é que está a genialidade de Dostoiévski, que como sempre nos mostra a complexidade da mente humana, mesclando tensão e perversidade... tudo temperado com ironia, em um texto fluido, ainda que denso, nos proporcionando uma leitura reflexiva e necessária! Viva a Literatura Clássica! :)

quarta-feira, 1 de julho de 2026

Pensamentos desenfreados

Parece brincadeira, mas quando Clotilde decide que o melhor a fazer é deitar cedo pra relaxar e ter uma noite de sono um pouco mais longa, basta colocar a cabeça no travesseiro para surgirem vários pensamentos aleatórios. Do nada, ela lembra que comprou uma escarola que precisa ser refogada, que o brócolis tá muito caro e, antes que murche na geladeira, seria muito bom comê-lo com macarrão. Tudo bem... vira para o lado, afofa o travesseiro, respira fundo, puxa a coberta e quando parece que vai dormir... tem um flash do cesto transbordando de roupas pra passar e, imediatamente, lembra de duas blusas que precisam sair do guarda-roupa direto pra máquina de lavar... sem condições, pra dizer o mínimo, estão com cheiro de armário!

Esgotada, ela fecha os olhos, tenta se acalmar... e logo vem a lembrança assustadora dos vidros das janelas da sala! Já passou da hora de limpá-los, mas não é preguiça, é dor nas costas. Dá um suspiro... estica as pernas e... ah... esqueceu de tirar a carne do congelador.... tudo bem, deixa pra lá. Ouve o caminhão do lixo passando... misericórdia, não separou os recicláveis! Agora só na semana que vem... paciência.

E, assim como veio, o turbilhão de pensamentos parece cessar gradativamente. Curiosa, antes de se aconchegar com o cobertor, olha o relógio! O que? Meia-noite e meia? Como isso pode ter acontecido? Clotilde se deitou antes das dez! Precisava tanto dormir... relaxar... e, afinal, pega no sono! Melhor assim, amanhã ela resolve tudo, mesmo que com belas olheiras de panda! :)

sábado, 27 de junho de 2026

Perspicácia animal

Sabe quando você precisa de um filme leve, divertido e com a participação de atores adoráveis como Hugh Jackson e Emma Thompson? Pois é, num desses dias chuvosos, resolvi fazer isso por mim... assisti "As Ovelhas Detetives" (The Sheep Detectives), no Prime Video.

Baseado no romance "Three Bags Full: A Sheep Detective Story", de Leonie Swann, o longa tem roteiro de Craig Mazin, direção de Kyle Balda e conta com carismáticas ovelhas, animadas em CGI.

Na trama, George (Hugh Jackman) é um pastor que vive em um trailer, na Vila de Denbrook, no interior da Inglaterra, que todas as noites costuma ler romances policiais para suas ovelhas, sem imaginar que elas entendem tudo. A rotina no campo parece calma até que George aparece morto, um choque para seu rebanho e um mistério que agita a vila. Tim Derry (Nicholas Braun) é o único policial da cidade. Mesmo bastante atrapalhado, com a ajuda das ovelhas mais que espertas, lideradas por Lily e Mimoso, acaba por desvendar o crime... não sei se fiquei tão encantada pelas imagens, mas pra mim foi uma surpresa... ahahaha... olha o que fazem simpáticas ovelhas!

Estava aberta para me divertir e logo de início George me conquistou... na primeira cena, ele aparece escrevendo uma carta... adoro! Depois conferimos um pouco de seu cotidiano cuidando e até propondo brincadeiras para o rebanho. As cenas em que as ovelhas discutem, tentando desvendar os crimes dos livros, são muito divertidas. Sem falar do cordeirinho que nasceu no inverno e é rejeitado pelo rebanho... coisa mais bonitinha, dá vontade de pegar no colo e abraçar... rsrsrs... E da presença marcante e sóbria de Tião, o carneiro que foi resgatado por George, mas que está sempre solitário com seus pensamentos.

Vale conferir os créditos finais com belas ilustrações, ao som de "I'm Gonna Be (500 Miles)", da banda escocesa The Proclaimers! Além de todo entretenimento de qualidade, o filme aborda temas sensíveis como afeto, perda, pertencimento, empatia, coragem... enfim, é uma bela pedida pra quem gosta de diversão com reflexão! Viva o cinema e sua enorme capacidade de nos fazer pensar! :)

quarta-feira, 24 de junho de 2026

Uma contundente e irônica crítica social

Em "Casa de Pensão", a veia cronista de Aluísio Azevedo nos brinda com uma narrativa rica sobre a sociedade do final do século XIX e, principalmente, a desigualdade social, que ainda hoje é uma ferida aberta no País. A obra conta a história de Amâncio de Vasconcelos, um jovem maranhense, filho de um comerciante rico, que chega ao Rio de Janeiro para estudar Medicina e se hospeda na casa de Luís Campos, que se torna uma espécie de seu tutor na Corte, e de sua esposa Hortênsia.

Um lar respeitoso parece ser a estadia perfeita para um estudante, mas Amâncio tem outros planos, não suporta ser controlado, e, com o tempo, percebe que o melhor a fazer é se mudar para onde possa ter mais liberdade e menos responsabilidade, já que "imaginara inúmeras felicidades" no Rio de Janeiro, porém não faz ideia das desventuras que enfrentará.

A convite de João Coqueiro, um rapaz que mal conhece, ele vai morar na pensão de Madame Brizard. Por trás da simpatia, o casal, na realidade, pretende que Amélia, irmã do tal Coqueiro, se envolva e quiçá case com o estudante abastado que, embora libertino, se mostra ingênuo ao cair em várias armadilhas.

A casa de pensão é como um dos personagens, a maestria com que o autor detalha seus cômodos, seus hóspedes e a rotina envolta em degradação e ironia nos coloca dentro da trama e, por vezes, até desejamos alertar Amâncio sobre o que ocorre ao seu redor e que ele, safo como pensa que é, nem percebe... como quando Lúcia, uma das moradoras (leiam pra saber mais sobre ela... rsrsrs), previne o estudante: "estás na aldeia e não vês as casas"!

Uma curiosidade é que a inspiração do autor para desenvolver o romance veio de um caso real, o Caso Capistrano, que ganhou as manchetes dos jornais, em 1876, no Rio de Janeiro. Observação do cotidiano é sempre enriquecedora para quem escreve... as histórias vivem por aí, basta ter os olhos bem abertos! Viva o talento incontestável de Aluísio Azevedo! Viva a Literatura Brasileira! :)

sábado, 20 de junho de 2026

Bate-estaca, pássaros e um mar de prédios


– Bate-estaca! Quem inventou isso não tem amor ao próximo!

– Ahahaha... desculpe a gargalhada... concordo inteiramente! 

– Por mais que se tente abstrair, o barulho desse equipamento azucrinante domina o pensamento e chega um momento em que você só quer que e o expediente dos caras termine.

– O problema é que essa sensação de urgência pelo silêncio acontece desde cedo, mas como é que se faz pra enfrentar as marteladas o dia inteiro?

– Já tentei de tudo: meditação, yoga, alongamento, passar roupas, limpar os vidros das janelas, fazer palavras cruzadas, falar em voz alta os elementos químicos da tabela periódica e as capitais dos países mundo afora, mas tenho falhado miseravelmente!

– Ontem, tentei me concentrar num livro, mas parece que, ao invés de falar, os personagens martelavam minhas ideias...

– Ahahaha... agora eu que peço desculpas pelas gargalhadas.

– Tudo bem, amor! Sinceramente, acho que estamos histéricos!

– Como não ficar assim? Quando, finalmente, todos os planetas se alinharam e conseguimos tirar férias ao mesmo tempo, imaginando as manhãs e as tardes de calmaria... o que ganhamos?

– Dias inteiros com essa trilha sonora de filme de terror!

– Mudando de assunto, mas ainda como consequência da quantidade de prédios enormes e caixotes sufocantes que estão sendo erguidos por todos os lados... essa construção desenfreada é que prejudica o planeta. Eu tava olhando na janela e vi uma revoada de passarinhos... que tristeza... eles quase não têm árvores onde pousar, se alimentar, dormir...

– Então, adoro acordar com o canto dos pássaros... é um alívio, uma alegria! Mas do jeito que destruíram as casas e os quintais arborizados pelo bairro pra levantar esse mar de prédios, os vestígios de Natureza estão cada vez mais escassos... menos árvores e mais concreto.

– Haja paciência com esse tipo de coisa... fico pensando, se nossas férias já estão taciturnas, imagina o futuro do planeta!

– Por favor, não vamos falar em futuro do planeta... vamos ao parque... pelo menos lá a gente consegue esquecer um pouco essas sandices todas.

– Desculpe pelo estresse em plenas férias!

– Imagina, querida, nosso estresse foi patrocinado pelo implacável bate-estaca... vem cá, minha irritadinha!

– Só se você me levar longe desse caos urbano...

– "Vamos fugir, pra outro lugar, baby... vamos fugir..."

– "Pra onde quer que você vá, que você me carregue"... ahahaha...

– Ahahaha... sempre! :)


* A foto é de minha autoria, mas a revoada de passarinhos é resultado de uma ediçãozinha básica. Já os versos de "Vamos fugir" (Gilberto Gil e Liminha) são a necessária pitada de poesia.

quarta-feira, 17 de junho de 2026

A relevância do beijo

Em "O beijo não vem da boca", Ignácio de Loyola Brandão nos apresenta Breno, um escritor que, após se separar, vai morar em Berlim ainda dividida pelo muro! Ao longo da narrativa, o protagonista revê sua vida, seus amores, suas dores, enquanto procura se adaptar à cidade alemã, sem perder de vista o Brasil, que tenta voltar à democracia.

As cartas são o meio que encontrou de manter contato com o país e de desabafar com os amigos. Por meio da correspondência com Ana, sua amiga da juventude, começa a entender o mundo à sua volta, tentando se reencontrar e até mesmo redescobrir o amor.

O autor usa o humor em várias situações, inclusive para mostrar as fragilidades de Breno e a sagacidade de Ana. Além disso, detalha a capital alemã, suas paisagens, arquitetura, cotidiano e isso sempre nos aproxima da história que é contada e de seus personagens... e Loyola faz isso com maestria, ainda que, muitas vezes, nos dê uma vontade desmedida de espancar o protagonista... rsrsrs... Por outro lado, há muita ternura e emoção ao longo das páginas... afinal "não são lindos os happy ends? A vida deveria ter somente happy ends, nem que para isso a gente se arrebentasse pelo caminho".

Confesso que a leitura não foi fluida, até porque o próprio personagem principal narra suas angústias de forma nada linear e, às vezes, irritante... é egoísta e, ao mesmo tempo, inseguro, tem medo de críticas aos seus livros (mas isso é seu lado mais humano... rsrsrs... totalmente compreensível). Pra mim, foi uma bela experiência de leitura e me instigou a ler mais o autor, quem sabe nas próximas feiras de livros tenha a oportunidade de adquirir sua trilogia de romances distópicos! Viva a Literatura Brasileira! Viva o humor e a perspicácia de Ignácio de Loyola Brandão! :)

sábado, 13 de junho de 2026

Primeira visita

Ah! Visitei o Museu do Futebol! Nada pensado, mas coincidiu de ser na semana de abertura da Copa do Mundo 2026. Fiquei encantada com as imagens, informações históricas e detalhes, mas pra conferir tudo uma visita só não basta! 

Na exposição principal, adorei a "Sala Pelé", as várias fotos dele em ação são fascinantes... pra quem, como eu, não o viu jogar, é uma forma de conhecer um pouco da magia do Rei! Sem contar com o registro dele com o manto sagrado do meu querido Saaaaaaantoooooos! E falando em emoção, uma das experiências mais empolgantes é a chamada "Sala da Exaltação". Telões enormes projetam imagens de várias torcidas com seus gritos de guerra em meio às pilastras de sustentação do Pacaembu... é de arrepiar! A vontade é estar na arquibancada cantando junto!

As cinco conquistas da Seleção Brasileira são contadas com os respectivos contextos de cada época. Tentei me atentar mais às de 1958, 1962 e 1970, porque assisti o tetra e o penta... rsrsrs... Mas o que mais procurei foram as fotos dos jogadores e seus uniformes que, aliás, pude conferir também na exposição temporária "Amarelinha"!  Camisas de craques de várias gerações, todas com as marcas do tempo e da luta que enfrentaram em campo... Adorei!

Sempre me interessei por curiosidades, itens raros e tudo que envolve o universo do futebol e, para isso, o Museu é um prato cheio! Destaco três (foto ao lado) que me chamaram a atenção e despertaram lembranças afetivas! Primeiro, alguns cards do querido "Futebol Cards da Ping Pong", tive o do Nilton Batata, atacante do "glorioso alvinegro praiano"... rsrsrs... Adorei lembrar que me divertia com o grande e saudoso Jô Soares, no programa "Viva o Gordo", e seu Zé da Galera, que ligava do orelhão para o também grande e saudoso Telê Santana, implorando para o técnico da Seleção Brasileira (1982 e 1986): "Bota ponta, Telê"! Ah! A Seleção de 82! Pra mim, a melhor que vi, tudo bem que não ganhou, mas encantou e muito! A capa icônica do "Jornal da Tarde" revela bem o que sentimos naquele dia! Mas no futebol é assim mesmo, por isso, é tão inspirador!

Pois é, comentei alguns pontos que marcaram esta minha primeira visita, mas certamente vou querer ir outras vezes e com mais calma. Só não podia deixar de dar uma olhadinha e registrar o campo do Pacaembu, onde tive a sorte de assistir a um jogo do Santos, única vez que fui a um estádio! Ah! O dia ensolarado tornou a visão ainda mais arrebatadora! Tomara que em breve o querido Paca volte a ser palco de jogos importantes à altura de sua história. Viva o futebol... e bola na rede! :)

quarta-feira, 10 de junho de 2026

Sabor outonal

– É preciso esclarecer que o céu de outono não é a única beleza da estação, além de suas tardes suaves e iluminadas!

– Continue, querida...

– Não faça essa cara de quem não sabe do que estou falando.

– Percebeu? Pois é, minha cara é realmente a de quem não sabe do que está falando, amor!

– Não seja tosco!

– Nossa, que delicada!

– Não mude de assunto, querido!

– Mas eu nem sei que assunto é esse? Com sua leve estupidez, fiquei meio perdido... recomece o diálogo, ó ser impaciente!

– Ahahaha... que raiva... tive que rir! Ser impaciente... até parece... ahahaha... tá bom, não precisa me fuzilar com esses doces olhos...

– Ah! Esse "doces olhos" me desmontou...

– Sou assim, te desmonto com uma simples tacada... ahahaha...

– Fala logo, minha certeira preferida!

– Ahahaha... tá bom... como eu ia dizendo... o outono não me encanta só pelo lindo céu azul e suas tardes suaves e iluminadas... tem uma fruta da época que é de lascar de boa... 

– CAQUI! Concordo, mas por que não me disse que o assunto era alimento?

– Porque, pra mim, outono é sinônimo de caqui... pensei que pra você também seria óbvio falar da estação e lembrar da fruta mais saborosa das galáxias!

– Desculpa, amor, pensei que você ia sugerir um passeio, mas aí fiquei com aquela cara que mais te irrita... ahahaha...

– Ahahaha... o que mais me irrita é me fazer rir quando tô irritada...

– Ahahaha... só piora, por favor, volte ao assunto, prometo me esforçar pra não te fazer rir.

– Não tem mais assunto... eu queria que quando falasse de outono você lembrasse de nossa fruta mais querida.

– Uma de nossas frutas mais queridas você quer dizer.

– Caqui é a nossa fruta MAIS QUERIDA DO OUTONO, ora bolas! 

– Calma, o que os vizinhos vão pensar dessa gritaria!?

– Uma conversa que poderia ter sido tão doce... mas você parece que tirou o dia pra me irritar.

– Quem sabe você tenha começado muito poética, amor... da próxima vez, seja mais direta.

– Pode deixar, vou ser mais direta: vou pra cozinha agora saborear um caqui maravilhoso! E você? Nem tente vir atrás de mim!

– Até parece que vou ficar aqui! E que fique claro, não vou atrás de você, vamos lado a lado, compartilhando tudo, como sempre!

– Sim! Compartilhando tudo, como sempre! Que romântico, amor!

– "Talvez eu seja o último romântico dos litorais desse Oceano Atlântico..."

– "Me dá um beijo, então, aperta a minha mão. Tolice é viver a vida assim sem aventura..."

– Ahahaha... vamos nos aventurar na cozinha comendo caqui, querida!

– Ahahaha... vamos de mãos dadas, amor! E viva Antônio Cícero, Lulu Santos e Sérgio Souza*! :)


* Compositores da bela canção "O Último Romântico".

sábado, 6 de junho de 2026

Uma bela e atribulada viagem

Depois de ler um livro extremamente denso, adoro me refugiar em leituras mais leves só pra dar aquela relaxada básica. Por isso, depois de um clássico de Dostoiévski, nada melhor que mergulhar no mundo das HQs. Desta vez, tive o prazer de reler "Uma volta pela Gália com Asterix". 
Ah! René Goscinny e Albert Uderzo... como vocês são geniais! O mais legal de reler as histórias é que, além de me divertir, acabo me emocionando ao lembrar que a Gi pequena adorava esses gauleses cativantes!


Com a arte impecável de Uderzo e o texto ágil e bem-humorado de Goscinny, a aventura instiga a vontade da leitora aqui de viajar pelas cidades e conferir se as especialidades apontadas são tradicionais ainda hoje! Cadê meu passaporte? Ahahaha...

O desafio de Asterix e Obelix é viajar por todas as regiões da Gália (território que compreendia a França atual, Bélgica, Países Baixos, grande parte da Suíça, parte da Itália e parte da Alemanha) e trazer os acepipes para, na volta, oferecerem um banquete... então, eles visitam, por exemplo, Lutécia (antigo nome romano de Paris... ulalá!), onde compram o famoso presunto; em Cambrai, as "mentirinhas" (balas de menta); em Toulouse, salsichas; em Bourdeaux, ostras e vinho branco; entre outras. Tudo isso, claro, tendo que driblar os romanos, mas nada que a eficiência dos dois não resolva... rsrsrs...

Adoro as HQs franco-belgas clássicas! Colecionar os títulos dessa série inspiradora é embarcar na imaginação! Viva o talento dos queridos Goscinny e Uderzo! Viva a Nona Arte! :)

quarta-feira, 3 de junho de 2026

Os labirintos da mente humana

Já postei sobre Fiódor Dostoiévski, inclusive sobre seu livro de estreia "Gente Pobre", do qual gostei muito... finalmente, depois de um longo e tenebroso inverno, li sua obra-prima: "Crime e castigo"! A narrativa densa sobre os labirintos da mente humana nos apresenta o jovem Raskólnikov "esmagado pela pobreza", que não consegue mais pagar os estudos nem o quarto que aluga e vive em constante insegurança, tendo que empenhar seus poucos pertences para conseguir alguns trocados, vivendo do dinheiro enviado pela a mãe e pela irmã, que moram no interior.

Mesmo atormentado, ele continua em Petersburgo, vestindo farrapos e isolado do convívio social, considerando-se mais inteligente do que qualquer um e quase não tolerando interações. Está sempre taciturno, refletindo sobre injustiças, moral, valores... adora Napoleão e acredita que nem todos os crimes devem ser punidos, porque alguns deles podem levar a um bem maior para a sociedade... pensamento sombrio esse, hein?

A partir de todas as dificuldades que enfrenta quando tem que deixar a faculdade e perde os alunos particulares, o jovem resolve cometer um crime que, em sua visão "napoleônica" vai livrar o mundo de uma pessoa deplorável: a velha viúva, a qual empenha seus pertences a juros escorchantes.

A desigualdade social e a forma vil como o pobre é desprezado nos grandes centros urbanos são temas constantes na obra do autor e nos deixa aquele gosto amargo, afinal, infelizmente, em pleno no Século XXI, continuamos vivendo os mesmos dilemas. Mas o que mais impressiona na narrativa é a magistral habilidade de criar personagens humanos... ainda que Raskólnikov seja um assassino cruel, tem seus momentos de puro altruísmo, como quando ajuda outras pessoas tão ou mais pobres que ele, por exemplo, doando todo o dinheiro enviado pela mãe para ajudar no enterro de um pai de família, de quem presencia o atropelamento.

A facilidade que Dostoiévski tem de detalhar não só as emoções como os cenários nos dá a sensação de estarmos acompanhando toda a jornada do protagonista e demais personagens in loco, porém, neste caso, o melhor a fazer é ficarmos olhando bem de longe... rsrsrs... Brincadeiras à parte, adoro quando o escritor lança mão do bom-humor em algumas conversas entre o protagonista e seu amigo, Razumíkhim; e ao descrever as características fisicas e trajes de outros personagens; são momentos que ajudam a aliviar a constante tensão.

Acompanhamos um homem dividido que, por um lado, acredita que seu crime era necessário, mas, ao mesmo tempo, sofre com a consciência pesada e luta por redenção. Enfim, cada livro do autor é uma aula de escrita e aumenta a vontade de ler toda sua obra! Viva a Literatura Clássica! Salve a genialidade de Dostoiévski! :)