quarta-feira, 17 de junho de 2026

A relevância do beijo

Em "O beijo não vem da boca", Ignácio de Loyola Brandão nos apresenta Breno, um escritor que, após se separar, vai morar em Berlim ainda dividida pelo muro! Ao longo da narrativa, o protagonista revê sua vida, seus amores, suas dores, enquanto procura se adaptar à cidade alemã, sem perder de vista o Brasil, que tenta voltar à democracia.

As cartas são o meio que encontrou de manter contato com o país e de desabafar com os amigos. Por meio da correspondência com Ana, sua amiga da juventude, começa a entender o mundo à sua volta, tentando se reencontrar e até mesmo redescobrir o amor.

O autor usa o humor em várias situações, inclusive para mostrar as fragilidades de Breno e a sagacidade de Ana. Além disso, detalha a capital alemã, suas paisagens, arquitetura, cotidiano e isso sempre nos aproxima da história que é contada e de seus personagens... e Loyola faz isso com maestria, ainda que, muitas vezes, nos dê uma vontade desmedida de espancar o protagonista... rsrsrs... Por outro lado, há muita ternura e emoção ao longo das páginas... afinal "não são lindos os happy ends? A vida deveria ter somente happy ends, nem que para isso a gente se arrebentasse pelo caminho".

Confesso que a leitura não foi fluida, até porque o próprio personagem principal narra suas angústias de forma nada linear e, às vezes, irritante... é egoísta e, ao mesmo tempo, inseguro, tem medo de críticas aos seus livros (mas isso é seu lado mais humano... rsrsrs... totalmente compreensível). Pra mim, foi uma bela experiência de leitura e me instigou a ler mais o autor, quem sabe nas próximas feiras de livros tenha a oportunidade de adquirir sua trilogia de romances distópicos! Viva a Literatura Brasileira! Viva o humor e a perspicácia de Ignácio de Loyola Brandão! :)

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