quarta-feira, 29 de abril de 2026
Rabiscos pueris
sábado, 25 de abril de 2026
Desvios de rota
– Cadê sua bicicleta?
– É uma longa história, Dona Amora.
– A magrela ficou avariada?
– Ah! Amassou o aro dianteiro, mas ainda bem que não cheguei a atropelar ninguém…
– E essa ralada na perna?
– Não é nada, vou pra casa tomar um banho e logo me recupero!
– Mas não vai mesmo. Entra aqui, vou pedir para o Arlindo segurar um pouco o atendimento.
Cuido de você, faço um curativo rapidinho e ainda te ofereço um copo dos grandes de suco de pitaia.
– É mesmo, a senhora me prometeu este suco há semanas!
– Eu sei que estou em dívida com você, mas não precisa cobrar assim na cara dura.
– Ahahaha… desculpe!
– Bobo, venha, enquanto cuido desse ferimento, quero saber direitinho o que aconteceu.
Dona Amora grita para o marido, que está no caixa em um momento de diversão, jogando paciência.
– O que foi, Amora? Que gritaria é essa? Angelo! Tudo bem? O que foi isso na sua canela? Se envolveu em algum acidente? Bateu a cabeça? Posso levá-lo ao médico se for algo urgente.
– Calma, seu Arlindo! Muito obrigado pela preocupação, mas estou bem, nada grave.
– Eu te chamei pra você cuidar do atendimento, enquanto faço um curativo na perna desse menino.
– E o suco de pitaia… rsrsrs…
– Ah! Também vou querer suco de pitaia, querida!
– Claro, amor! Vou fazer suco suficiente para todos nós.
– Por isso é minha Amora… doce demais… o grito é aquele azedinho que equilibra o sabor.
– Ahahaha… temos aqui um galanteador!
– Ah! Angelo, nisso você tem razão, meu marido é elegante e carinhoso até pra me criticar… por isso, amo!
Dona Amora dá um selinho em Seu Arlindo e puxa Angelo pelo braço quitanda adentro, abrindo a porta que dá acesso à casa propriamente dita.
– Sente-se! Vou pegar a caixa de primeiros socorros e não adianta fazer essa cara de que não é nada. Um ferimento é sempre perigoso, é a porta de entrada para doenças, já dizia minha mãe. Tem que cuidar!
Ele fica ali olhando os detalhes da cozinha até que avista um bolo descansando na pia, coberto com um pano de prato bordado... pelo cheiro deve ser de cenoura com calda de chocolate.
– Viu minhas cortininhas novas? O Arlindo que instalou ontem… são tão lindas! Você não acha?
– Muito lindas, gostei! Eu não me canso de dizer que essa sua cozinha é muito aconchegante, sempre que venho aqui me sinto abraçado.
– Que coisa linda de se dizer, Angelo! Obrigada! Fico feliz em proporcionar sensações tão boas pra você, querido.
– E esse bolo…
– É ele mesmo, o bolo de cenoura que você adora.
– E eu vou poder…
– …comer um pedaço enorme? Claro que vai! Quando assei, pensei em você. Nada mais agradável do que uma pessoa ficar empolgada com algo que a gente prepara! Mas primeiro vou fazer seu curativo. Deixa ver essa ralada violenta. E essa meia, vai ter que colocar de molho, hein?
– Ah! Pode deixar, quando chegar em casa, faço isso.
Dona Amora começa a passar a gaze embebida em antisséptico, Angelo se contorce de dor.
– Pra quem disse que não era nada, tá sofrendo bem, hein, querido!
– Ai… tá ardendo.
– Pois é, por isso quis cuidar de você. Raladas devem ser tratadas.
– Vou precisar… ai… de um belo pedaço de bolo.
– E o suco de pitaia?
– Sim, mas esse bolo com um cafezinho ia ser o máximo!
– Está bem, depois de fazer o curativo, vou preparar um belo café da tarde pra nós três.
– Não quero atrapalhar.
– Que bobagem, nós adoramos tomar café da tarde e quando temos pessoas queridas por companhia tudo fica mais gostoso.
Curativo feito, caixa de primeiros socorros guardada, Dona Amora coloca a água para ferver, porque, pra ela, café tem que ser coado. Angelo continua sentado, mas com cara de quem está envergonhado por não ajudar.
– Fique aí mesmo. Daqui a pouco o curativo faz efeito e você vai poder me ajudar a lavar a louça.
– Ai… acho que ainda vai doer além do café da tarde.
– Ahahaha… sei. Vou pegar o queijo e a manteiga na geladeira, enquanto isso, coloque esses guardanapos ao lado de cada xícara.
– Pode deixar.
Depois de tudo pronto, Dona Amora chama o marido. Seu Arlindo baixa a porta da quitanda com o simpático recadinho para os clientes: Pausa para o café, voltaremos em breve! :)
quarta-feira, 22 de abril de 2026
São tantas emoções...
Bióloga aposentada, ela gosta de passar o tempo inventado sobremesas inusitadas, resolvendo palavras cruzadas e fazendo toalhinhas de crochê e blusinhas de tricô que doa para o orfanato do bairro. Lavínia gosta de se sentir útil, mas sem deixar de curtir seu lar e seu querido.
sábado, 18 de abril de 2026
Um dia na fila do pão
* A ilustração é da minha querida @alikailustra ❤️ (sobrinha/afilhada/parceira/ilustradora/designer)
quarta-feira, 15 de abril de 2026
Vai saber...
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| Ilustração: Eduardo Arruda |
– "Pode crer", concordo muito! Tem dia que a única coisa a se fazer é não fazer nada...
– E digo mais, é melhor nem tentar entender!
– O ideal, nesses casos, é esperar pelas próximas 24 horas...
– Exatamente... pra ver no que vai dar!
– Enquanto isso, é ficar no seu canto... e não dar muita trela pras mazelas do mundo.
– Tomar um café forte, ler um livro, comer um bom prato de pinhão!
– Café, livro... tudo bem, mas um prato de pinhão?
– Ah! Falei porque gosto de pinhão, mas fique à vontade pra escolher outra iguaria!
– Assim é melhor... prefiro um mix de frutas secas!
– Satisfeitos os paladares, voltando à estranheza desse dia... penso que cochilar por algumas horas possa aliviar essa sensação...
– Sim, aquele cochilo que avança pela tarde inteira é uma boa ideia.
– Depois dessa nossa rápida e elucidativa conversa, minha conclusão é que, realmente, tem dias que sei lá...
– Pode crer! :)
* A tirinha que inspirou esta crônica é do quadrinista e ilustrador Eduardo Arruda (@eduardobarruda), que, mais uma vez, gentilmente, autorizou que eu publicasse sua arte aqui em meu querido blog! Obrigada e parabéns pelo trabalho! 😉
sábado, 11 de abril de 2026
As charmosas magrelas
quarta-feira, 8 de abril de 2026
O incontestável fascínio da Natureza
– Vem aqui na janela... olha que lindo, amor! Um arco-íris!
– Ah! Que demais! Quer fazer uma foto?
– Não, vamos ficar aqui só admirando!
– Ah... o incontestável fascínio da Natureza! Isso é o que temos de mais precioso!
– Precioso é admirar um arco-íris na sua companhia, amor!
sábado, 4 de abril de 2026
A adorável Torre
Além do tema central ter me conquistado, gostei muito do trabalho impecável do ator Roman Duris interpretando Eiffel e da atriz Emma Mackey, como Adrienne Bourgès. Os dois vivem um romance, que mesmo ficcional, funciona como um tempero a mais ao enredo! Destaco ainda a fotografia e a reconstrução da época, que nos transportam imediatamente à "Cidade Luz"!
Claro que até gostaria de ver mais detalhes da biografia e da trajetória profissional de Gustave Eiffel, mas pra isso podemos pesquisar (até fiz isso depois de assistir ao filme... rsrsrs). Ah! Se você se interessa pela Torre e por um bom romance, recomendo! Adorei! :)
* As fotos que ilustram esse texto são dois dos inúmeros registros que fiz durante a viagem... rsrsrs... Fiquei impressionada com a beleza da construção, não subi para ver a famosa vista da cidade, mas da próxima vez espero ter esse prazer! Foi muito divertido e inspirador caminhar pelas belas ruas de Paris!
quarta-feira, 1 de abril de 2026
Uma bela surpresa
Sua mania de sentar nesse banco todos os dias… ah… nem sei se isso é mania ou é sua hora de prazer, todos têm a sua e se não têm, procurem. É muito bom pensar em pessoas queridas, em momentos bons. Afinal, todos os dias temos momentos bons, basta abrirmos a mente!
Ainda que a paisagem, a luz do Sol, as árvores e tudo à sua volta sejam encantadores... hoje, inexplicavelmente, ele começa a prestar atenção no banco, pois é… o companheiro onde descansa o corpo, enquanto sua alma viaja pelos pensamentos. E fica mais impressionado ainda por nunca ter reparado nas inscrições que marcam o assento do querido banco.
Há tantos anos ele fazia aquele verdadeiro ritual de contemplar a natureza sentado ali que aquele cantinho parecia ser só seu e de suas lembranças, mas pelo jeito parece ser de outras pessoas também. Ao mesmo tempo em que se incomoda com os rabiscos sujando seu assento preferido, fica curioso para ler o que dizem.
Várias datas e letras entrelaçadas, algumas dentro de corações… que bonito! Certamente, são as iniciais de casais apaixonados! Neste momento, uma brisa balança os galhos da árvore e algumas flores minúsculas começam a se espalhar pela grama. Ele olha para cima admirando a chuva de florzinhas douradas e acaba esquecendo por uns instantes dos rabiscos.
Revoadas de passarinhos e o canto de um sabiá laranjeira ao longe deixam tudo ainda mais mágico... pelo menos, aos olhos dele, que troca qualquer coisa para estar ali perto da Natureza e de coisas belas, como a joaninha que pousa em seu joelho por um instante.
Distraído, ele coloca a mão no banco, sente as ranhuras e se pergunta como puderam machucar assim a madeira de seu companheiro de reflexões! De repente, ele olha para um coração, delicadamente esculpido, que quase se esconde num cantinho, e um arrepio percorre todo seu corpo. Incrédulo, ele lê seu nome junto ao da esposa. Ah! Então ela nos gravou na memória da praça? Mas como nunca me contou? Quando será que fez isso? Ele se concentra, irrita-se em não ter ido ao oftalmologista para trocar os óculos, mas eis que seus olhos se enchem de lágrimas… a data esculpida na madeira é a mesma em que eles se conheceram há exatos 60 anos!
– Meu amigo, eu nem imaginava que você fosse tão antigo! Ahahaha… estou surpreso!
– Por que surpreso, meu bem?
– Você estava aí há muito tempo, querida?
– Não, cheguei agora, mas a tempo de ouvir sua exclamação!
– Desculpe, mas estou impressionado de você nunca ter me contado que esculpiu nossos nomes dentro de um lindo coraçãozinho… e no meu banco preferido!
– Todos temos nossos segredos… por acaso, você me conta todas as lembranças que têm durante suas reflexões diárias aqui na praça?
– Nada demais, reflexões de um velho que ama sua esposa e que adoraria saber que todos os dias senta em cima de nossa história!
– Ah, querido! Na verdade, adoro saber que o banco que escolhi marcar nosso encontro de almas foi o mesmo que escolheu para pensar na vida…
– Garota esperta, escolheu o cantinho mais bonito da praça e o banco mais paciente e bom ouvinte que conheço! Talvez ele seja assim porque sabe que faz parte de nossa história…
– Sim! Você também foi um garoto esperto em escolher este belo banco! Mas agora vamos para casa, acabei de assar a torta…
– Aquela que eu adoro?
– Exatamente! :)
*A foto que ilustra esta delicada crônica é de minha autoria e foi feita em uma visita que fiz à cidade de Bento Gonçalves, na Serra Gaúcha. Um banco... um pássaro... em uma bela e inspiradora praça!










