– O que é uma beleza, amor? Você tá nessa janela há um tempão.
– Primeiro, fiquei aqui só disfarçando até que você colocasse a mesa pro almoço...
– Ah! Sacanagem...
– Não seja engraçadinho... ontem fiz tudo, hoje é seu dia!
– Calma, querida! Como combinamos há séculos, hoje eu faço a comida e ponho a mesa, mas lembre-se que a louça é sua!
– Sei bem minhas responsabilidades... hoje é dia de louça retinindo!
– Você está insinuando que não lavo bem a louça?
– Insinuando não, amor, tô afirmando que lavo com mais afinco, por isso, o resultado é melhor... rsrsrs...
– Tá saliente, hein? Deixa de ser metida e, por favor, me conta logo o que te encantou tanto lá fora.
– Ué... não era você que tava faminto?
– Ainda tô, mas como diz a canção: "a gente não quer só comida".
– Uau... como tá inspirado, amor!
– Você me inspira, querida! Mostra logo essas fotos!
– Ahahaha... elegância passou longe.
– Ahahaha... desculpe... a fome, às vezes, me tira do prumo.
– Só tava querendo fazer uma foto aleatória, fiquei admirando o céu e eis que, de repente, vi uma nuvem igual àquelas que a gente desenha quando criança... quase chorei.
– Que meiga! Na infância, eu adorava desenhar o sol, as nuvens e os pássaros... minhas obras de arte sempre envolviam o firmamento!
– Ahahaha... obras de arte... firmamento, que poético, amor!
– E por que tá rindo?
– Ah! achei divertido.
– Não precisa humilhar...
– Não exagera, bobinho! Voltando às nuvens... fiquei tão impactada que resolvi fazer umas fotos. Depois, quem sabe, pegamos papel, lápis de cor e...
– ... passamos a tarde mais nostálgica dos últimos tempos? Quero! Vamos fazer rabiscos pueris!
– Ahahaha... vou adorar.
– Chega de crueldade e mostra logo essas fotos.
– Não prefere almoçar antes, amor?
– Nem pense em não me mostrar agora!
– Ô rapaz apressado... tá bom. Olha essa... fala a verdade!
– Ah! É igualzinha às que eu desenhava.
– As minhas, provavelmente, eram mais lindas.
– Audácia! Quero ver quando a gente começar a rabiscar.
– Só que antes você tem que almoçar direitinho, comer verdura e legumes, como um menino obediente... ahahaha... e aí terá direito à sobremesa e à recreação!
– Ahahaha... pode deixar, vou fazer um prato de pedreiro e até dispenso a sobremesa pra ir desenhar mais rápido...
– Não existe a possibilidade de dispensar a sobremesa, sem pudim, nada de nuvens infantis!
– Ahahaha... então, vem almoçar, minha doce formiguinha! :)
* A foto que inspirou essa pueril crônica foi feita assim que vi essa nuvem... ela, realmente, me lembrou das que desenhava na infância.

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