quinta-feira, 26 de março de 2026

Uma ilha e seus segredos

Gabriel García Márquez é sempre encantador! Ler "Em agosto nos vemos" é um prazer não só pela escrita inspiradora, mas pelos personagens profundamente humanos, vivenciando o amor e suas desventuras.

O romance narra a história de Ana Magdalena Bach, uma mulher de 46 anos que, uma vez por ano, visita o túmulo de sua mãe em uma ilha caribenha. As visitas, que antes eram apenas para levar flores em memória da mãe, mudam completamente quando ela conhece um homem com quem passa a noite. O encontro desperta desejos talvez adormecidos pela rotina de seu casamento e, a partir daí, ela passa a considerar as visitas à ilha como novas oportunidades de viver tórridas experiências cada vez com um amante diferente. 

A obra póstuma, ainda que não tenha tido a aprovação final do autor, traz o estilo inconfundível, a maestria narrativa... o cotidiano visto pela lente poética de Gabo! O que mais gosto é a forma como o autor nos coloca nos cenários, detalhando cada objeto, a maneira como nos apresenta seus personagens, características físicas, como se vestem, seus sentimentos, pensamentos, desejos, medos... é incrível como, ao longo das páginas, vamos nos familiarizando com a protagonista e seus segredos.

A riqueza de detalhes torna a leitura tão envolvente que passamos a esperar a chegada de um novo agosto só para acompanharmos Ana Magdalena Bach à ilha caribenha, quem sabe, em busca de amor, carinho, prazer... e tudo que temos direito... rsrsrs... Viva Gabo! Viva a Literatura da América Latina! :)

terça-feira, 24 de março de 2026

Uma delicada e reflexiva animação

Quando vi o cartaz de "A pequena Amélie", achei que a animação era o que precisava no momento: a doçura, a ingenuidade e a magia das descobertas infantis! Isso porque acredito que a cada recomeço, precisamos buscar a criança dentro de nós para nos encorajar e nos ajudar a trilhar novos caminhos!

A ida ao cinema foi uma experiência bastante relaxante, primeira sessão da tarde, poucas pessoas, mas algumas bem interessantes. Amigas de longa data, duas senhoras me chamaram a atenção, muito animadas e, ao mesmo tempo, discretas... ainda no café do cinema, descobri que também iam assistir a menininha do cartaz... Adorei! Como todos que gostam de escrever e veem personagens em todos os lugares, fiquei observando discretamente as senhorinhas. Além delas, alguns senhorzinhos. Todos curiosos para conhecer Amélie!

A animação franco-belga usa cores vivas para mostrar a fascinante história de uma menina de três anos, que descobre, entre alegrias e conquistas, perdas e frustrações, o sentido da vida! Inclusive, o uso das cores não só apresenta a beleza das paisagens orientais, mas também retrata as sutilezas emocionais da protagonista. Filha de diplomatas belgas, Amélie nasce no Japão e passa seus primeiros anos em silêncio, como se observasse o mundo, numa espécie de estado vegetativo. A partir do momento em que ela desperta para a vida, embarcamos numa viajem encantadora de descobertas que nos fazem refletir e até lembrar de nossa própria infância!

Duas cenas me conquistaram: a primeira, quando a avó paterna apresenta à pequena o chocolate belga... uau... que sensação adorável... até senti o sabor... rsrsrs;  a segunda, quando a menina descobre a alegria que é tomar chuva... Ah! A Gi pequenininha adorou! Lembrei que meu pai costumava me levar no quintal pra perder o medo da chuva, minha mãe que tinha pavor de trovões e relâmpagos gostava da ideia da filha ser mais corajosa! Saudade... boas lembranças! É isso, Amélie nos faz reencontrar nossa criança! Salve todas as forma de arte! Viva a animação e o cinema! :)