O ex-funcionário público resolve escrever um diário que transborda de situações pesadas e angustiantes, principalmente, pela maneira torta com que ele tenta resolver seus dilemas. Como quando decide que vai ao encontro de colegas de escola que o maltratavam e, mesmo assim, impõe sua presença e protagoniza cenas pra lá de constrangedoras. É um ser revoltado, amargo, que deixa o leitor em alerta máximo e bastante incomodado com suas memórias e sua forma de encarar a vida. O que mais me impressionou foi o tratamento desumano ao qual ele submeteu a desavisada Lisa (leiam pra saber mais sobre ela).
O narrador, realmente, tem rompantes de crueldade absoluta, mesmo assim, sua consciência, muitas vezes, coloca um gosto amargo em sua boca. E aí é que está a genialidade de Dostoiévski, que como sempre nos mostra a complexidade da mente humana, mesclando tensão e perversidade... tudo temperado com ironia, em um texto fluido, ainda que denso, nos proporcionando uma leitura reflexiva e necessária! Viva a Literatura Clássica! :)

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