"Gente pobre" é de uma tristeza e, ao mesmo tempo, de uma beleza tão sutil proporcionada pelas pequenas alegrias cotidianas, que cativam o leitor, tornando-o íntimo dos personagens.
O autor nos brinda com a chamada narrativa epistolar, partindo da troca de cartas entre o funcionário público Makar Diévuchkin e sua vizinha Varvara Alieksiêievna, uma jovem órfã.
Na correspondência, os dois contam os desafios da vida difícil que enfrentam, mas Makar consegue ter uma visão que beira ao otimismo, um olhar doce que torna a pobreza menos amarga. Alguns trechos são encantadores, como quando ele descreve seu quarto e fala da satisfação de ter o seu "cantinho" ou quando envia junto à carta presentes para Varvara com carinho paternal.
Dostoiévski sabe como poucos nos apresentar o universo que cada um traz consigo, seus afetos e valores, de forma global e atemporal, tanto que esses dois personagens com suas dores e alegrias poderiam viver em qualquer país em desenvolvimento, como o nosso ainda sofrido e desigual Brasil.
Durante a leitura, lembrei da canção "Gente humilde" (melodia de Aníbal Augusto Sardinha, conhecido como Garoto, com letra de Vinícius de Moraes e uma pitada de Chico Buarque) que fala de quem "vai em frente, sem nem ter com quem contar". Aplausos à Música Popular Brasileira! Viva a sensibilidade de Dostoiévski! :)

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