terça-feira, 30 de dezembro de 2025
Sabedoria e bom-humor
sábado, 27 de dezembro de 2025
Folclore para todos os públicos
– Também acho... ontem, reli alguns gibis da Turma do Pererê do grande Ziraldo... uma graça!
– Pois é... embora tudo o que Ziraldo fez seja espetacular, o Pererê é bem mais suave...
– Como suave, amor? Alías, o que você tá lendo aí com essa cara de pequeno canalha?
– Obrigado pelo pequeno canalha, soa mais agradável do que ser xingado sem motivo pela mulher mais cruel das galáxias!
– Ahahaha... bobo! Não enrola... o que tá te divertindo tanto? Também quero!
– Gosto do Marcatti, imagino sua versão da mula sem cabeça... rsrsrs... Quando você comprou esse quadrinho?
– Comprei na...
– ... na CCXP? Não acredito que não consegui ir esse ano... dá vontade de chorar.
– Não chora, boba! Ano que vem, vamos juntinhos! Sua companhia melhora qualquer evento!
– Juntos tudo fica melhor! Mas você não me disse se pegou autógrafo do Marcatti...
– Não consegui, até esperei, mas ele tava numa mesa de debate... mesmo assim, não ia deixar de comprar este quadrinho!
– Claro! Então, me conta... é divertido?
– É Marcatti! Como ele mesmo diz no encarte com a lista de seus gibis: "Heurístico, idiossincrático, pervertido, obsceno, repugnante, indecente, escatológico, desconcertante... e um tanto romântico"... ahahaha...
– Ahahaha... a genialidade do Marcatti é sempre bem-vinda!
– Sempre! Ele é um dos maiores representantes do quadrinho underground no Brasil! Eu me diverti até com o que está no pé da contracapa...
– Antes de saber, já tô rindo...
– Então segura: "Quadrinhos nojentos e desaconselháveis a TODAS as idades"... ahahaha...
– Adoro coisas desaconselháveis!
– E nojentas também?
– Ahahaha... prefiro as desaconselháveis que não são nojentas!
– Ahahaha... tá bom, chega desse papo estranho... vamos voltar à arte do Marcatti!
– Sim! Voltemos ao que interessa. Quando você vai me emprestar esse quadrinho?
– No dia em que você revelar onde guarda a Turma do Pererê, da qual nunca nem cheguei perto!
– Estão guardados na última gaveta da minha escrivaninha!
– Não entendo porque são os únicos guardados longe dos outros quadrinhos que dividimos!
– Simplesmente, porque é um presente da minha avó... ela que me deu todos os gibis dessa coleção... tenho um carinho especial por eles.
– Ofendido é pouco! Tô indignado! Quer dizer que o mundo de quadrinhos que compramos juntos e estão organizados em nossas estantes não são tão importantes e nem merecedores do seu carinho?
– Não seja exagerado!
– Não adianta, não vou completar com "jogado a seus pés"... fiquei magoado!
– Não fica magoado! Tá bom, vamos arrumar um lugar pra coleção nas estantes...
terça-feira, 23 de dezembro de 2025
Sobre sorte e destino
Ah! Claro que fiquei animada para conhecer "Suki e a lojinha sem sorte", afinal, a ilustração é do querido Hiro Kawahara! Apoiei no Catarse e estava curiosa para ler a história que tem texto de Angela Tessicini! A fábula, que fala sobre sorte, destino e gatos, narra a história da garota Mei, que herda do pai uma famosa lojinha, situada no Beco dos Gatos Perdidos!
Assim que assume a loja, Mei passa longos dias sem a visita de um cliente sequer, até que um dia, um senhor, dizendo que tinha recebido ajuda de seu pai, entrega a ela um amuleto japonês, Maneki Neko! Mei se animou por ser uma gatinha da sorte!
Mas a sorte não vem assim facilmente, é preciso esforço e dedicação... por isso, não vou contar mais nada, apenas que é uma leitura leve, divertida e que nos inspira a seguir nosso caminho com coragem e determinação!
E o que dizer sobre a delicadeza das ilustrações? Ah! É sempre uma satisfação ler uma publicação com a arte de Hiro (@hirokawahara). Sou suspeita, por ser fã de seu trabalho, mas garanto que vale muito a pena acompanhar a saga da gatinha Suki!
sábado, 20 de dezembro de 2025
Reminiscências imperiais
Em dado momento, o imperador percebe que "pouco a pouco, esta carta, começada para te informar sobre os progressos do meu mal, transformou-se no entretenimento de um homem que já não tem energia necessária para se dedicar longamente aos negócios do Estado. É a meditação escrita de um doente que dá audiência a suas recordações. Já agora pretendo ir mais longe: proponho-me a contar-te minha vida."
E, então, ele segue revelando detalhes de sua juventude; do gosto pela equitação ("... o cavalo era um amigo. Se me fosse dado optar por minha condição neste mundo, teria escolhido a de Centauro."); sobre os anos em que viveu à frente do Império Romano, suas conquistas e combates nos campos de batalha, sobre o amor, também sobre a Grécia, mais especificamente Atenas, que "tornou-se cada vez mais minha pátria, o centro do meu universo."
Densa, fluida e, em vários momentos, bem-humorada, a narrativa nos apresenta, talvez, um dos mais humanos imperadores romanos, que não se sentia superior aos homens comuns: "sou, ao mesmo tempo, mais livre e mais submisso do que eles ousam ser." E ainda refletindo sobre ser livre: "Comecei por procurar uma espécie de liberdade de férias, constituída de pequenos momentos livres. Toda vida bem disciplinada os tem, e quem não sabe consegui-los não sabe viver." Nossa... é uma leitura tão rica, tão fascinante... são tantas reflexões instigantes que acabamos por nos identificar em alguns pontos com o pensamento de um imperador romano! Uau!
Ah! Roma é descrita de diversas maneiras, mas gosto de dois trechos em especial: 1 - "Roma, que eu era o primeiro a ousar qualificar como Eterna, assemelhar-se-ia cada vez mais às deusas-mães dos cultos da Ásia: progenitora dos jovens e das colheitas, cerrando contra o seio leões e colmeias."; 2 - "A Roma conquistadora da República cumpriu seu papel; a louca capital dos primeiros Césares tende, por si mesma, a tornar-se mais circunspecta; outras Romas virão das quais mal posso imaginar a fisionomia, mas para cuja formação terei contribuído." Adriano era um visionário! Realmente, pra quem, como eu, já teve a oportunidade de visitar Roma, enxerga bem essas várias faces que a cidade eterna foi esculpindo ao longo dos séculos... lá pulsa história em cada canto. Toda a vez que leio algo relacionado à Roma, meu lado italiano pulsa mais forte e dá aquela vontade de correr pra lá de novo... sempre bom sonhar!
quarta-feira, 17 de dezembro de 2025
Sonhos e descobertas
– ... do Vitor Cafaggi?
– Exatamente, espertinha!
– Bobo... você viu que o autor vai lançar o "Franjinha 2", no ano que vem?
– Oba! Vai ter que me dar de presente, amor!
– Ahahaha... calma aí! Primeiro leia a que tem em mãos, depois passe pra mim e tenha paciência porque é só no ano que vem, aliás, ainda bem... tá pensando que meu dinheiro nasce em árvore, querido?
– Nossa... essa você foi buscar no baú da sua avó... ahahaha...
– Ahahaha... certamente! Mas voltando ao Franjinha... o que você ia comentar?
– Não sei se devo... você vai ler depois...
– Ah! Comenta logo... nada vai tirar minha curiosidade de ler!
– Tá bom... na verdade, eu ia dizer que quando criança eu adorava as aulas de ciências... lembro que quando a professora mandou a gente fazer a experiência com o feijão, plantado no algodão, fiquei tão empolgado que comecei a pedir pro meu pai e pra minha mãe tudo que era livro que ensinasse experiências científicas e brinquedos relacionados ao tema...
– ... até que você quase destruiu a casa... ahahaha...
– ... ahahaha... nem vem, antes disso consegui entender que pra ser cientista era preciso estudar muito mais do que cuidar de um broto de feijão...
– Ahahaha... mas é um bom começo... o que mais tem nessa Graphic MSP?
– Ah! Sempre gostei do Franjinha pelo lado inventido e curioso... e o roteiro mostra muitos inventos dele que nem sempre funcionam, mas são adoráveis, ele ama a Ciência e isso é demais! Aí ele acha, na garagem de casa, o rádio comunicador de seu avô e resolve consertá-lo! Mas não vou contar mais nada, querida!
– Ah! Só mais um detalhe da história... por favor!
– Adorei a arte, sensível como o roteiro! Vou contar só mais um momento... aquele em que Franjinha vê Marina... ele diz assim: "Aos dez anos, eu encontrei o segundo amor da minha vida... Que sorte a minha... Até hoje, me lembro dessa sensação. A certeza juvenil de que éramos feitos um para o outro. Os dois lados de Leonardo Da Vinci. Ciência e Arte"!
– Ah! Que lindo... que romântico! Passa pra cá que já quero ler... rsrsrs...
– Sabia que você ia se animar e o mais legal é que quando li essa parte, lembrei de você, na verdade, de nós!
– Ai... que amor!
– Somos assim... a corda e a caçamba!
– Queijo com goiabada!
– Ahahaha... adoro! Essa conversa me abriu o apetite!
– Uau!
– Não faça essa carinha de travessa... tô falando de sair pra tomarmos um café...
– Ah! Claro... rsrsrs... então, vamos àquela cafeteria nova que abriu aqui perto?
– Opa! Não precisa pedir duas vezes... e para de me olhar com essa carinha...
– Carinha de quê, amor?
– De sapeca!
– Travessa, sapeca... parece que você também visitou o baú da sua avó... ahahaha...
– Vamos logo, ternura!
– Vamos, pão! :)
sábado, 13 de dezembro de 2025
Amizade e generosidade
quarta-feira, 10 de dezembro de 2025
Samba em quadrinhos
A HQ em questão é "Tempo Discos, o perigoso pagode do Gerson", de Samuel Sajo, Rodrigo Febronio e Al Stefano, que ainda tem um tempero a mais: o nome do malandro que tenta roubar as canções de Adoniram é xará do meu irmão... rsrsrs... Inclusive, por isso e também por compartilhar a admiração pelo Adoniran, ele ganhou um exemplar! Merecido!
A narrativa é rica e dá o tom ao citar canções clássicas como, por exemplo, "Saudosa maloca", "Torresmo à milanesa", "As Mariposas", "Tiro ao Álvaro", "Iracema" e a doce "Prova de carinho". Sem contar a presença da escritora Carolina Maria de Jesus, autora de "Quarto de despejo", que ao lado de Adoniran, como diz a HQ e assino embaixo, são dos "maiores cronistas da vida do povo de São Paulo"! A leitura é fluida e como dizem, li numa sentada... rsrsrs...
sábado, 6 de dezembro de 2025
Um simpático meliante
O livro reúne as primeiras nove aventuras do personagem, publicadas, originalmente, de julho de 1905 a julho de 1906, na revista "Je Sais Tout". São narrativas instigantes em que Arsène Lupin aparece em várias situações, valendo-se de sua especial habilidade em se disfarçar até mesmo de narrador das histórias, por vezes, enganando os próprios leitores... e a gente embarca legal... rsrsrs...
A irreverência de Leblanc, inclusive, ironizando o famoso detetive inglês Sherlock Holmes, de Conan Doyle, cria um personagem sedutor e enigmático, que consegue se safar de todos os golpes que aplica com inteligência e bom-humor! É uma leitura leve que, a cada página, nos faz tentar desvendar os próximos passos do protagonista!
A edição da saudosa Editora Ática foi presente do meu irmão Gerson, que estava organizando seus livros e descobriu que tinha mais de um exemplar... oba! Obrigada, Gé, por me presentear com pérolas que garimpa entre seus tesouros literários! Viva a gentileza! Viva a Literatura! :)
quarta-feira, 3 de dezembro de 2025
Raízes e memórias afetivas
Desenhista premiado, Jefferson se mostra um hábil roteirista em uma narrativa que trabalha junto à arte de forma encantadora. A obra é irretocável e nos oferece uma história, absolutamente, humana e universal, que nos toca ao longo das páginas e nos faz refletir sobre a nossa própria vida, nossa origem!
sábado, 29 de novembro de 2025
Sobre sonhos
quarta-feira, 26 de novembro de 2025
Poesia ilustrada
Na semana passada, fui visitar a exposição "Drummond em cena", no Conjunto Nacional, na Avenida Paulista! A mostra, que reúne 10 ilustrações inspiradas na obra de Carlos Drummond de Andrade é um belo passeio pra quem, como eu, adora quando a Literatura dialoga com as Artes Visuais!
sábado, 22 de novembro de 2025
Um talento criativo injustiçado
Baseada no livro "Bill the Boy Wonder: The secret co-creator of Batman", que o autor norte-americano Marc Tyler Nobleman escreveu após longa investigação sobre Bill Finger, a HQ mostra depoimentos de personalidades da época, que trabalharam com o roteirista e reiteraram a importância dele como o verdadeiro criador da persona de Batman, temperamento, história e origem, inclusive, elementos como o traje, a sombria Gothan City e toda a complexidade de Bruce Wayne. Mesmo com uma participação no desenvolvimento do homem-morcego muito maior que a de Kane, que apenas idealizou o visual do personagem, Bill não foi reconhecido em vida. Por isso, acredito que o maior mérito da HQ é trazer à luz, mais uma vez, alguém que viveu à sombra de uma indústria injusta que passou a creditar o nome do criador de Batman apenas em 2015, ou seja, 76 anos depois de sua primeira publicação, em 1939.
quarta-feira, 19 de novembro de 2025
A genialidade de um grande escritor
O mérito do autor está em nos apresentar um enredo irretocável que, mesmo apresentando temas delicados e tensos como traição, suicídio, incesto e intrigas, nos envolve em uma narrativa rica e extremamente humana. Os personagens são realmente memoŕaveis e conquistam o leitor pela forma como tentam enfrentar os problemas, como encaram a vida. As conversas entre Carlos e João da Ega são um caso à parte, sejam as mais filosóficas, sejam as mais mundanas, carregam sempre boas pitadas de ironia.
Recentemente, li também "O Mandarim", um dos contos fantásticos de Eça, que conta a história de Teodoro, um funcionário público que leva uma vida pacata e monótona, sem muitas aventuras... até que um pacto que envolve uma certa herança muda sua vida.
sábado, 15 de novembro de 2025
Bússola quebrada
– O quê?
– É como se eu estivesse sem rumo, mas ao mesmo tempo, com mil ideias... otimistas, sonhadoras e inspiradas!
– Uau! Mas, então, qual o problema?
– Difícil de entender? Pode ser, mas refletir é bom, abre horizontes!
– Ué? Onde está a insegurança que você tava sentindo há segundos atrás, quando introduziu sua bússola quebrada em nossa conversa?
– A insegurança e o medo adoram marcar presença durante minhas reflexões... normal! Mas o segredo é...
– ... tá com medo? Vai com medo mesmo! O importante é não desistir!
– Pois é, sempre em frente! Nem que esse "em frente" seja sem rumo definido, em uma estrada sinuosa, afinal, curvas são sempre bem-vindas, dão emoção à caminhada!
– Gosto assim! E lembre-se que a caminhada pode até parecer solitária, mas faço parte de sua torcida organizada...
– Obrigada, amor! E mesmo que sejam poucos nessa torcida, tudo bem, não procuro quantidade, o que me encanta é qualidade!
– Ah! Você é que me encanta, amor! E não fique mais tensa, essa sensação vai passar.
– Você acha que retomo meu rumo?
– Claro! Foi só um tropeço, uma rasteira, chame como quiser... o importante é que estou aqui pra te segurar!
– Tô melhor! Acho até que minha bússola está voltando a indicar o Norte... rsrsrs...
– Ah! Tá vendo, sei como lidar com seus descarrilamentos, querida! Vem cá que te ponho nos trilhos... rsrsrs...
– Não seja insensível... eu externando minhas aflições e você fazendo graça!
– Calma, amor! Só queria te deixar tranquila e dizer que tô aqui pra resolver seus problemas... ahahaha...
– Ahahaha... se oriente, rapaz! Da minha bússola cuido eu!
– Ih! Tá revoltada... não quer mais que eu cuide de sua bússola?
– Ê quinta série!
– Ahahaha... mas eu tô falando da bússola mesmo, aquela que tem os pontos cardeais... norte, sul, leste, oeste!
– E essa cara de canalha?
– É especial pra você... então, vem logo e me dá um abraço, porque abraçar quem a gente gosta é um santo remédio pra sensação de bússola quebrada, já dizia minha avó!
– Sua avó dizia isso mesmo?
– Sei lá... modo de dizer... ahahaha... essa expressão, sim, tenho certeza que minha avó falava... e, como você pode ver, passou de geração em geração... ahahaha...
– Ahahaha... bobo! Então, chega de conversa, quero esse seu abraço reparador!
– É pra já! :)
quarta-feira, 12 de novembro de 2025
As primeiras tirinhas
Ao longo das páginas, podemos ver que o menininho charmoso que troca a letra "r" pela "l" desde sempre gostou de pregar peças nos colegas e, inclusive, já provocava Mônica, a menina baixinha e cheia de atitude que, por sua vez, veio a se tornar nossa mais do que querida dona da rua!
sábado, 8 de novembro de 2025
A alegria de visitar uma livraria
Tudo bem que durante a pandemia, por pura necessidade de ler enquanto o mundo parava, acabei recorrendo aos livros eletrônicos... agradeço a companhia deles, mas nada como ter um livro físico em mãos, destacar os trechos que mais nos marcam na obra. No meu caso, uso marcadores de papel, não gosto de grifar nem anotar nas páginas, mas cada um na sua, quem gosta, beleza! O importante é ler e aproveitar tudo que a leitura tem de bom!
Esta semana, fui a uma livraria e até esqueci a dor na coluna... rsrsrs... pelo menos, enquanto andava por entre as estantes e me encantava com escritores conhecidos e garimpava novos universos literários! Ir ao encontro de livros e HQs é sempre bom, ainda que seja só pra passar no leitor do código de barra e assustar com o preço... rsrsrs... Ou organizar o bolso pra, quem sabe, comprar numa próxima vez e se o orçamento permitir, ter a satisfação de sair com a sacolinha recheada! Sim, claro que também apoio as bibliotecas! Elas são democráticas, inclusivas e generosas, mas é que sempre tem aquele autor ou autora que a gente quer e precisa ter em nossa estante, aí a livraria nos garante as aquisições desses livros que nos são especiais.
Mas voltando às livrarias, prefiro as de rua, são adoráveis e nos proporcionam passeios incríveis. Além de perambular por diversos gêneros litérarios, podemos fechar a programação tomando um café... adoro livrarias com cafeteria como, por exemplo, a Martins Fontes da Paulista, a Livraria da Vila da Fradique Coutinho... e até a Realejo, de Santos (cuja visita cultural pode ser um bate-e-volta com direito a uma caminhada na praia).
Ah! Só queria registrar meu amor pelas livrarias e dizer que elas são meu passeio preferido, desde que a programação inclua café e bolo... rsrsrs... Viva as queridas livrarias de rua! Viva a Literatura e seus encantos! :)
quarta-feira, 5 de novembro de 2025
Memórias e poesia em quadrinhos
Sempre que voltava do mar, todos paravam para ouvir as histórias do marinheiro até que um dia ele não consegue mais se lembrar delas. Então, decide retornar ao mar para tentar recuperar suas lembranças e, a partir daí, vive várias situações curiosas e bastante reveladoras.
Ah! A HQ é encantadora não só por ter como cenário o mar e seus mistérios, mas também por nos apresentar um protagonista tão humano e simpático como o velho Smith, que nos faz refletir sobre nossas próprias lembranças! Aplausos para Orlandeli e seu mais do que merecido Jabuti! Viva as HQs brasileiras! :)
sábado, 1 de novembro de 2025
Bela ilustração e boas reflexões
Quando comprei "Celestia", do italiano Manuele Fior, no ano passado, fiquei curiosa para ler, também porque adoro ilustração em aquarela. Confesso que a primeira vez que li, não entendi nada... rsrsrs... e guardei na estante pra tentar mais tarde. Passaram-se meses e toda a vez que eu comprava uma nova HQ ou novo livro tinha a impressão que Celestia me olhava com uma lágrima no rosto, como a de seu protagonista, Pierrô.Já a segunda tentativa de leitura deu certo! Em primeiro lugar, quero dizer que a ilustração aquarelada de Fior é de uma sensibilidade e uma beleza que, certamente, nos ajuda a compreender melhor o universo criado pelo italiano!
A narrativa é sobre a chamada "Grande Invasão", que devastou o continente, quando alguns sobreviventes encontraram refúgio em Celestia, uma pequena ilha de pedra, construída há mais de mil anos.
Os protagonistas Pierrô e Dora vivem com um grupo de jovens telepatas, mas por diversas razões, resolvem conhecer o continente, onde adultos são guardiões do "mundo antigo".
A leitura é uma sucessão de belas imagens e diálogos que nos provocam reflexões sobre a humanidade, suas fraquezas e complexidade. É uma HQ que exige mente aberta para absorver toda a sensibilidade de seu autor.
quarta-feira, 29 de outubro de 2025
Encontro especial
Naquela tarde, a chuva fina e fria deixava o dia introspectivo, ainda assim, Antoine decide fazer seu passeio diário. Sobretudo, cachecol e guarda-chuva, ele sai pelas ruas de Paris. Desde criança, sempre gostou de sair na chuva, inclusive, adorava brincar pulando nas poças para espalhar a água ou dançar imitando Gene Kelly no famoso filme de Hollywood. Porém, agora, só se permite andar calmamente ouvindo o alegre tamborilar dos pingos no guarda-chuva, o que considera um enorme prazer.
Quando dobra a esquina, Antoine se depara com uma rua quase vazia, a não ser pela presença delicada de uma senhora muito elegante, mas nada previdente... está sem guarda-chuva... será que está desorientada?
Ora, Antoine, que exagero... desorientada! Vai ver é apenas uma mulher que não se preocupa com convenções, afinal, tomar chuva não é uma contravenção, mas pode ser considerada contraindicada para pessoas com problemas respiratórios que, obviamente, devem evitar as mudanças bruscas de temperatura.
Assim de longe, ela parece bonita e, pelo que percebo, está olhando pra mim... o que será que está pensando? Será que estou bem vestido para a ocasião? Que ocasião, Antoine? Olha o exagero de novo, concentre-se no passeio. Mas que essa senhora está olhando pra mim está. Ela tem um cabelo bonito... e esse casaco de poá lhe cai muito bem!
Não sei se atravesso a rua, sei lá, pode pensar que estou flertando e se ofender. Vou ficar mais um pouco, quem sabe ela dá o primeiro passo... chato é ficar aqui de guarda-chuva vendo uma dama desprotegida.
Do outro lado da rua, Blanche parece irritada... adora dias chuvosos, mas, foi surpreendida... não acredita que esqueceu de pegar o guarda-chuva! Olhando indignada para o céu, se pergunta: Como assim? O dia nasceu tão limpo!
Parada na calçada, ela sente os pingos escorrerem pelos cabelos e, aos poucos, serem represados no cachecol, mesmo assim não perde a elegância! Sorte que a chuva é fina, basta apenas ser ágil e correr até a cafeteria mais próxima. Uma boa xícara de café sempre resolve os problemas, pelo menos, os mais simples como ser pega desprevenida por uma chuva que não avisou que cairia.
Só quando olha para frente, Blanche vê um homem, de guarda-chuva, do outro lado da rua... este é prevenido! Aposto que é organizado... se veste bem, gostei do cachecol. Ah! Por favor, não romantize a cena, é apenas um senhor se preparando para atravessar a rua. Mas é elegante!
Quanto tempo será que estou parada nesta esquina? Parece que estou enraizada nesta calçada! Qual o problema, Blanche? Talvez o problema seja estar sempre esperando que um herói venha me salvar... mesmo que o perigo seja apenas pegar um resfriado... rsrsrs... Por que estou falando de herói? Que coisa mais sem pé nem cabeça! Bem que ele poderia ser cavalheiro, vir ao meu encontro e me proteger da chuva... olha aí, de novo, divagando como uma adolescente.
Decididos, começam a atravessar a rua... passos lentos e olhos pregados um no outro, como se estivessem conectados por um ímã. Antoine traz um sorriso tímido estampado no rosto e Blance, um brilho discreto no olhar!
No meio da rua, estendem a mão para um cumprimento formal. Boa tarde, sou Antoine! Boa tarde, meu nome é Blanche! Posso lhe dar uma carona em meu guarda-chuva? Claro, seria um prazer. Estava pensando em tomar um café, posso convidá-la? Incrível, pensei nisso logo que parei naquela esquina... se puder me acompanhar, Antoine, vou adorar! Estou aqui para isso, Blanche!
De repente, ele dá um salto da poltrona como se acordasse de um sonho... Blanche está na sua frente com uma bandeja na mão. Fiz café... você estava dormindo? Não, querida, estava lembrando. Ah! Com essa chuvinha, já sei o que estava lembrando: de nosso encontro em Paris! Antoine dá uma piscadela e começa a arrumar espaço na mesa para a bandeja do café. Você pode me ajudar, cortando o bolo, querido? Claro, Blanche... continuo aqui para isso! :)
* A foto que ilustra essa romântica crônica é de minha autoria, como meus personagens, também adoro ouvir o barulhinho da chuva e admirar as gotas d'água escorrendo pelo vidro da minha janela! ❤️
sábado, 25 de outubro de 2025
Uma obra inquietante
Orientada por meu irmão Gerson (leitor assíduo e contumaz, além de historiador), resolvi deixar para me jogar em "Crime e Castigo" posteriormente, mas pra ir me preparando, ele me presenteou com "O Sósia", uma leitura inquietante e envolvente.
Logo na primeira página, o protagonista me conquistou e aguçou minha curiosidade para conhecer seu mundo e suas sensações. E desde o início, o senhor Goliádkin já se mostra uma pessoa levemente atormentada... rsrsrs... nada que não tenha se agravado a partir do momento em que entra na história seu tal sósia, que o atormenta, ao longo das páginas, deixando-o em um estado de abandono e ansiedade que só mesmo um gênio da Literatura para criar uma narrativa com tamanha tensão psicológica. Confesso que me afeiçoei ao senhor Goliádkin e torci por ele até a última linha.
Gosto de como Dostoiévski cria Goliádkin, um misto de ingênuo, inseguro, irônico e, acima de tudo, resiliente (olha eu lançando mão de uma palavra que tá na moda... rsrsrs)... porque por mais que ele estivesse enfrentando uma situação horrorosa e, por vezes, sem saída, ele sempre pensava: "Não é nada... tudo isso ainda pode muito bem melhorar". Como não torcer por um cidadão assim?
O autor sabe fazer crítica social e política sem deixar de se valer do humor para mostrar as fraquezas e vilanias humanas. Aplausos para a genialidade de Dostoiévski! :)









































