terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Sabedoria e bom-humor

Orlandeli é um dos meus quadrinistas brasileiros preferidos! Adoro seu traço e sua narrativa sempre reflexiva e, ao mesmo tempo, divertida e encantadora! Em "O mundo de Yang: caminho do meio", a cada página, o protagonista se depara com emoções e sentimentos diversos: medo, raiva, dor... enfim, todos devidamente materializados em meio à poesia e os ensinamentos do Mestre Loh!
Harumi, sensata e destemida, é um charme! Ao lado de Yang, ela sempre nos brinda com cenas adoráveis e inspiradoras, como as duas que escolhi para ilustrar minha crônica (aliás, é difícil escolher entre tantas páginas irretocáveis). Na primeira, aparece Yang alimentando a imaginação! Ah! Também adoro alimentar minha imaginação! Pra mim, ler, assim como escrever, é necessidade!
E no momento em que o autor mistura duas paixões: arte e café, conquista completamente a leitora aqui! Quando Yang diz: "Café primeiro, problemas depois", não só me representa, mas me faz lembrar de dois irmãos: o Betão (Gilberto) que não vive sem um belo cafezinho a todo instante... rsrsrs; e o Gé (Gerson), companheiro frequente nas conversas sobre livros, HQs e futebol, sempre regadas a um bom café... rsrsrs...

Ah! Adorei conhecer o mundo de Yang ainda mais porque, mesmo nos divertindo com a irreverência do protagonista diante dos desafios da vida, a leitura nos faz refletir sobre como lidamos com todos essas "criaturinhas" com as quais nos deparamos por aí! Aplausos para a poesia ilustrada de Orlandeli! Viva as HQs! :)

sábado, 27 de dezembro de 2025

Folclore para todos os públicos

– Ahahaha... nada como ler um quadrinho relacionado ao folclore brasileiro!

– Também acho... ontem, reli alguns gibis da Turma do Pererê do grande Ziraldo... uma graça!

– Pois é... embora tudo o que Ziraldo fez seja espetacular, o Pererê é bem mais suave...

– Como suave, amor? Alías, o que você tá lendo aí com essa cara de pequeno canalha?

– Obrigado pelo pequeno canalha, soa mais agradável do que ser xingado sem motivo pela mulher mais cruel das galáxias!

– Ahahaha... bobo! Não enrola... o que tá te divertindo tanto? Também quero!

– Ahahaha... tô lendo o quadrinho "A Mula sem cabeça", do grande Marcatti! Além de adorar o traço dele, cheio de personalidade... as histórias são hilárias!

– Gosto do Marcatti, imagino sua versão da mula sem cabeça... rsrsrs... Quando você comprou esse quadrinho?

– Comprei na...

– ... na CCXP? Não acredito que não consegui ir esse ano... dá vontade de chorar.

– Não chora, boba! Ano que vem, vamos juntinhos! Sua companhia melhora qualquer evento!

– Juntos tudo fica melhor! Mas você não me disse se pegou autógrafo do Marcatti...

– Não consegui, até esperei, mas ele tava numa mesa de debate... mesmo assim, não ia deixar de comprar este quadrinho!

– Claro! Então, me conta... é divertido?

– É Marcatti! Como ele mesmo diz no encarte com a lista de seus gibis: "Heurístico, idiossincrático, pervertido, obsceno, repugnante, indecente, escatológico, desconcertante... e um tanto romântico"... ahahaha...

– Ahahaha... a genialidade do Marcatti é sempre bem-vinda!

– Sempre! Ele é um dos maiores representantes do quadrinho underground no Brasil! Eu me diverti até com o que está no pé da contracapa...

– Antes de saber, já tô rindo...

– Então segura: "Quadrinhos nojentos e desaconselháveis a TODAS as idades"... ahahaha...

– Adoro coisas desaconselháveis!

– E nojentas também?

– Ahahaha... prefiro as desaconselháveis que não são nojentas!

Ahahaha... tá bom, chega desse papo estranho... vamos voltar à arte do Marcatti!

– Sim! Voltemos ao que interessa. Quando você vai me emprestar esse quadrinho?

– No dia em que você revelar onde guarda a Turma do Pererê, da qual nunca nem cheguei perto!


– Estão guardados na última gaveta da minha escrivaninha!

– Não entendo porque são os únicos guardados longe dos outros quadrinhos que dividimos!

– Simplesmente, porque é um presente da minha avó... ela que me deu todos os gibis dessa coleção... tenho um carinho especial por eles.

– Ofendido é pouco! Tô indignado! Quer dizer que o mundo de quadrinhos que compramos juntos e estão organizados em nossas estantes não são tão importantes e nem merecedores do seu carinho?

– Não seja exagerado!

– Não adianta, não vou completar com "jogado a seus pés"... fiquei magoado!

– Não fica magoado! Tá bom, vamos arrumar um lugar pra coleção nas estantes...

– Se não for de coração, sinceramente, não adianta...

– Ahahaha... claro que é de coração! Você sabe que minha coleção só ficaria na gaveta enquanto não chegassem as estantes novas...

– Mas nós já montamos todas as estantes novas!

– Sim, mas concluímos tudo ontem, ainda nem colocamos todos os quadrinhos e livros em seus lugares... calma, amor!

– Tá bom! Vou acreditar em você...

– Pode acreditar!

– Grande Marcatti... se não fosse pelo gibi que comprei dele, você nunca ia concordar em tirar da gaveta sua coleção especial!

– Ah! Não quero brigar. Hoje, tô um tanto romântica, feito o Marcatti... rsrsrs... 

– Então, vamos fazer alguma coisa desconcertante... ahahaha...

– Uau! :)

terça-feira, 23 de dezembro de 2025

Sobre sorte e destino

Ah! Claro que fiquei animada para conhecer "Suki e a lojinha sem sorte", afinal, a ilustração é do querido Hiro Kawahara! Apoiei no Catarse e estava curiosa para ler a história que tem texto de Angela Tessicini! A fábula, que fala sobre sorte, destino e gatos, narra a história da garota Mei, que herda do pai uma famosa lojinha, situada no Beco dos Gatos Perdidos!

Assim que assume a loja, Mei passa longos dias sem a visita de um cliente sequer, até que um dia, um senhor, dizendo que tinha recebido ajuda de seu pai, entrega a ela um amuleto japonês, Maneki Neko! Mei se animou por ser uma gatinha da sorte!

Mas a sorte não vem assim facilmente, é preciso esforço e dedicação... por isso, não vou contar mais nada, apenas que é uma leitura leve, divertida e que nos inspira a seguir nosso caminho com coragem e determinação!

E o que dizer sobre a delicadeza das ilustrações? Ah! É sempre uma satisfação ler uma publicação com a arte de Hiro (@hirokawahara). Sou suspeita, por ser fã de seu trabalho, mas garanto que vale muito a pena acompanhar a saga da gatinha Suki! 


E o melhor de tudo é que nem precisei esperar o envio pelos correios... Como tive a alegria de ir à CCXP 25, aproveitei e peguei meu exemplar, com direito à conversa animada, autógrafo e a foto ao lado... rsrsrs... Adorei! Viva os quadrinistas brasileiros! Salve o Artists' Valley que nos proporciona os melhores encontros e descobertas! :)

sábado, 20 de dezembro de 2025

Reminiscências imperiais

Em "Memórias de Adriano", Marguerite Yourcenar nos brinda com um carismático protagonista, que embora à beira da morte, nos conquista a cada página! Na obra, resultado de quase três décadas de pesquisa, o imperador romano, que governou de 117 d.C a 138 d.C., escreve uma carta endereçada ao seu sucessor Marco Aurélio.

Em dado momento, o imperador percebe que "pouco a pouco, esta carta, começada para te informar sobre os progressos do meu mal, transformou-se no entretenimento de um homem que já não tem energia necessária para se dedicar longamente aos negócios do Estado. É a meditação escrita de um doente que dá audiência a suas recordações. Já agora pretendo ir mais longe: proponho-me a contar-te minha vida."

E, então, ele segue revelando detalhes de sua juventude; do gosto pela equitação ("... o cavalo era um amigo. Se me fosse dado optar por minha condição neste mundo, teria escolhido a de Centauro."); sobre os anos em que viveu à frente do Império Romano, suas conquistas e combates nos campos de batalha, sobre o amor, também sobre a Grécia, mais especificamente Atenas, que "tornou-se cada vez mais minha pátria, o centro do meu universo."

Densa, fluida e, em vários momentos, bem-humorada, a narrativa nos apresenta, talvez, um dos mais humanos imperadores romanos, que não se sentia superior aos homens comuns: "sou, ao mesmo tempo, mais livre e mais submisso do que eles ousam ser." E ainda refletindo sobre ser livre: "Comecei por procurar uma espécie de liberdade de férias, constituída de pequenos momentos livres. Toda vida bem disciplinada os tem, e quem não sabe consegui-los não sabe viver." Nossa... é uma leitura tão rica, tão fascinante... são tantas reflexões instigantes que acabamos por nos identificar em alguns pontos com o pensamento de um imperador romano! Uau!

Ah! Roma é descrita de diversas maneiras, mas gosto de dois trechos em especial: 1 - "Roma, que eu era o primeiro a ousar qualificar como Eterna, assemelhar-se-ia cada vez mais às deusas-mães dos cultos da Ásia: progenitora dos jovens e das colheitas, cerrando contra o seio leões e colmeias."; 2 - "A Roma conquistadora da República cumpriu seu papel; a louca capital dos primeiros Césares tende, por si mesma, a tornar-se mais circunspecta; outras Romas virão das quais mal posso imaginar a fisionomia, mas para cuja formação terei contribuído." Adriano era um visionário! Realmente, pra quem, como eu, já teve a oportunidade de visitar Roma, enxerga bem essas várias faces que a cidade eterna foi esculpindo ao longo dos séculos... lá pulsa história em cada canto. Toda a vez que leio algo relacionado à Roma, meu lado italiano pulsa mais forte e dá aquela vontade de correr pra lá de novo... sempre bom sonhar!

Enfim, é um livro que merece ser lido e reverenciado pela maestria da escritora, que nos envolve desde o primeiro parágrafo e que nos faz mergulhar numa época tão distante, mas com muitos desafios e conflitos ainda comuns ao nosso tempo! Agradeço ao meu irmão Gé (Gerson), que me presenteou com esse belo exemplar! Viva a Literatura! :)

quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

Sonhos e descobertas

 – Tava aqui lendo a Graphic MSP "Franjinha Contato"...

– ... do Vitor Cafaggi?

– Exatamente, espertinha!

– Bobo... você viu que o autor vai lançar o "Franjinha 2", no ano que vem?

– Oba! Vai ter que me dar de presente, amor!

– Ahahaha... calma aí! Primeiro leia a que tem em mãos, depois passe pra mim e tenha paciência porque é só no ano que vem, aliás, ainda bem... tá pensando que meu dinheiro nasce em árvore, querido?

– Nossa... essa você foi buscar no baú da sua avó... ahahaha...

– Ahahaha... certamente! Mas voltando ao Franjinha... o que você ia comentar?

– Não sei se devo... você vai ler depois...

– Ah! Comenta logo... nada vai tirar minha curiosidade de ler!

– Tá bom... na verdade, eu ia dizer que quando criança eu adorava as aulas de ciências... lembro que quando a professora mandou a gente fazer a experiência com o feijão, plantado no algodão, fiquei tão empolgado que comecei a pedir pro meu pai e pra minha mãe tudo que era livro que ensinasse experiências científicas e brinquedos relacionados ao tema...

– ... até que você quase destruiu a casa... ahahaha...

– ... ahahaha... nem vem, antes disso consegui entender que pra ser cientista era preciso estudar muito mais do que cuidar de um broto de feijão...

– Ahahaha... mas é um bom começo... o que mais tem nessa Graphic MSP?

– Ah! Sempre gostei do Franjinha pelo lado inventido e curioso... e o roteiro mostra muitos inventos dele que nem sempre funcionam, mas são adoráveis, ele ama a Ciência e isso é demais! Aí ele acha, na garagem de casa, o rádio comunicador de seu avô e resolve consertá-lo! Mas não vou contar mais nada, querida!

– Ah! Só mais um detalhe da história... por favor!

– Adorei a arte, sensível como o roteiro! Vou contar só mais um momento... aquele em que Franjinha vê Marina... ele diz assim: "Aos dez anos, eu encontrei o segundo amor da minha vida... Que sorte a minha... Até hoje, me lembro dessa sensação. A certeza juvenil de que éramos feitos um para o outro. Os dois lados de Leonardo Da Vinci. Ciência e Arte"!

– Ah! Que lindo... que romântico! Passa pra cá que já quero ler... rsrsrs...

– Sabia que você ia se animar e o mais legal é que quando li essa parte, lembrei de você, na verdade, de nós!

– Ai... que amor!

– Somos assim... a corda e a caçamba!

– Queijo com goiabada!

– Ahahaha... adoro! Essa conversa me abriu o apetite!

– Uau!

– Não faça essa carinha de travessa... tô falando de sair pra tomarmos um café...

– Ah! Claro... rsrsrs... então, vamos àquela cafeteria nova que abriu aqui perto?

– Opa! Não precisa pedir duas vezes... e para de me olhar com essa carinha...

– Carinha de quê, amor?

– De sapeca!

– Travessa, sapeca... parece que você também visitou o baú da sua avó... ahahaha...

– Vamos logo, ternura!

– Vamos, pão! :)

sábado, 13 de dezembro de 2025

Amizade e generosidade

Às vezes, a gente só quer uma HQ pra acalmar um pouco e esquecer as mazelas do mundo. "Como fazer amigos e enfrentar alienígenas", com roteiro de Eric Peleias e arte de Gustavo Borges, é assim... uma história divertida e empolgante! A obra faz parte da série premiada "Como fazer amigos", neste volume, Olívia e Leo conhecem Arthur, um menino que se diz especialista em rochas que pode ajudá-los a procurar pistas de extraterrestres.

A partir daí, os três se aventuram pela cidade com a alegria e a curiosidade, próprias da infância! Com uma narrativa leve, mesmo ao tocar em assuntos delicados relacionados à família, solidão, rejeição, medo... a HQ mostra como tudo fica mais fácil de ser enfrentado quando contamos com amigos verdadeiros, cada um com seu estilo, mas unidos na vontade de descobrir o mundo e seus mistérios! Leituras que nos levam à infância são adoráveis. Por falar em adorável, a arte transborda talento e é fundamental para criar o clima de mistério. As cores fortes e o traço descontraído ajudam a dar movimento às aventuras de Olívia, Leo e Arthur!


Já "Pétalas" é uma delicada narrativa visual sobre generosidade e amizade. A HQ, com roteiro e arte de Gustavo Borges e cores de Cris Peter, conta a história de uma família de raposas, avô e neto, que luta para sobreviver, enfrentando um rigoroso inverno. 

Um dia, ao sair de casa para buscar lenha, o filhote conhece um simpático pássaro de cartola. A cena em que se encontram é de uma ternura que conquista o leitor na hora!

Sem palavras, o autor nos conta a singela história por meio da expressão dos personagens, do aconchego da casa das raposas e até mesmo do clima hostil que toma conta da paisagem. Outro destaque é o trabalho da colorista que cria a atmosfera, dá movimento e profundidade aos quadros e nos emociona.

Ah! Tenho que registrar que peguei o autógrafo do Gustavo durante a CCXP 25! Adorei! Vale a pena conferir e prestigiar nossos quadrinistas! Viva a HQ brasileira! :)

quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

Samba em quadrinhos

Quando fui à 27ª Festa do Livro da USP, no mês passado, levei um roteiro dos livros que queria comprar, mas aberta a conhecer novas obras, principalmente, no pavilhão das HQs!

Passando pela mesa da Zapata Edições, uma capa em especial me chamou a atenção... quando me aproximei, descobri que a história envolvia Adoniran Barbosa... meu cartão de crédito até suspirou (imagino ele dizendo: lascou... ela vai querer comprar)... rsrsrs... Pois é, junte uma bela arte com um dos ícones do samba de São Paulo e a paulistana aqui logo se anima! Resultado: comprei mesmo!

A HQ em questão é "Tempo Discos, o perigoso pagode do Gerson", de Samuel Sajo, Rodrigo Febronio e Al Stefano, que ainda tem um tempero a mais: o nome do malandro que tenta roubar as canções de Adoniram é xará do meu irmão... rsrsrs... Inclusive, por isso e também por compartilhar a admiração pelo Adoniran, ele ganhou um exemplar! Merecido!

Misture uma vitrola mágica, viagem no tempo e samba de qualidade... assim é a aventura de Paulinho e Amélia para evitar que Gerson, o malandro... rsrsrs... roube as canções, o talento e a história de Adoniran Barbosa... tudo isso acontecendo a partir de uma loja de discos no Bixiga!

A narrativa é rica e dá o tom ao citar canções clássicas como, por exemplo, "Saudosa maloca", "Torresmo à milanesa", "As Mariposas", "Tiro ao Álvaro", "Iracema" e a doce "Prova de carinho". Sem contar a presença da escritora Carolina Maria de Jesus, autora de "Quarto de despejo", que ao lado de Adoniran, como diz a HQ e assino embaixo, são dos "maiores cronistas da vida do povo de São Paulo"! A leitura é fluida e como dizem, li numa sentada... rsrsrs...

A arte é outro destaque e o mais curioso é que o traço me lembrou o Amigo da Onça, criado pelo cartunista Péricles, publicado pela primeira vez na Revista Cruzeiro, em 1943, personagem que se tornou popular, inclusive, por ser o arquétipo de amigo falso e traiçoeiro! Talvez o nariz alongado de Gerson Horta e sua safadeza me fizeram lembrar desse ícone da malandragem! Viva nossos quadrinistas! :)

sábado, 6 de dezembro de 2025

Um simpático meliante

O que mais gostei em "Arsène Lupin, ladrão de casaca", do francês Maurice Leblanc, é a forma como o autor nos envolve nas tramas desse elegante e simpático meliante!

O livro reúne as primeiras nove aventuras do personagem, publicadas, originalmente, de julho de 1905 a julho de 1906, na revista "Je Sais Tout". São narrativas instigantes em que Arsène Lupin aparece em várias situações, valendo-se de sua especial habilidade em se disfarçar até mesmo de narrador das histórias, por vezes, enganando os próprios leitores... e a gente embarca legal... rsrsrs...

A irreverência de Leblanc, inclusive, ironizando o famoso detetive inglês Sherlock Holmes, de Conan Doyle, cria um personagem sedutor e enigmático, que consegue se safar de todos os golpes que aplica com inteligência e bom-humor! É uma leitura leve que, a cada página, nos faz tentar desvendar os próximos passos do protagonista!

A edição da saudosa Editora Ática foi presente do meu irmão Gerson, que estava organizando seus livros e descobriu que tinha mais de um exemplar... oba! Obrigada, Gé, por me presentear com pérolas que garimpa entre seus tesouros literários! Viva a gentileza! Viva a Literatura! :)

quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

Raízes e memórias afetivas

"Roseira, medalha, engenho e outras histórias", primeiro trabalho de Jefferson Costa como escritor e desenhista, é de uma delicadeza ao retratar, por meio de relatos de membros de sua própria família e pessoas próximas, experiências que traçam um relato comovente e, ao mesmo tempo, cativante.

Desenhista premiado, Jefferson se mostra um hábil roteirista em uma narrativa que trabalha junto à arte de forma encantadora. A obra é irretocável e nos oferece uma história, absolutamente, humana e universal, que nos toca ao longo das páginas e nos faz refletir sobre a nossa própria vida, nossa origem!

Gostei bastante também do roteiro não linear, alternando momentos e épocas diferentes, retrando as dificuldades e desafios impostos pela seca, com uma linguagem realista, tornando a HQ ainda mais impressionante como registro de uma região e suas pessoas.

Ainda que mostre uma região específica, a narrativa me emocionou quando Zeca e Cotia resolvem levar as crianças pra "cumadi" Nega benzer... essas cenas me fizeram voltar à uma doce lembrança... quando minha avó materna me benzia de quebranto quase que diariamente... e eu, atrevida, ficava tentando entender o que ela dizia enquanto rezava. Às vezes, minha risada até desconcentrava minha avó que logo dizia pra minha mãe não ficar brava, porque estava tudo bem, era coisa de criança! Agradeço o autor por me fazer lembrar de minha avó com seu galhinho de arruda na mão, vindo me proteger com sua bênção ancestral. Pois é, quando uma HQ nos brinda com histórias de família, em algum momento, acabamos por nos identificar!

A arte é um caso à parte, porque Jefferson domina totalmente a forma como cada passagem de tempo ou assunto é retratado, as cores são escolhidas estrategicamente para contar essa história da maneira mais apropriada, dependendo da ação, sombrias quando necessário, mas muito iluminadas (como a página ao lado) para mostrar a alegria em um tempo em que "criança não trabaiava" e podia brincar no rio ou "trepano em árvre"! Aplausos para o talento de Jefferson Costa! Viva as histórias em quadrinhos que nos lembram nossas próprias histórias! :)

sábado, 29 de novembro de 2025

Sobre sonhos

– Será que a gente consegue viajar no próximo feriado prolongado? Eu sei que é um horror pegar a estrada lotada, mas quando a gente chega na praia é tão bom ficar contemplando o mar...

Que romântica, amor! O que foi? Tá sensível?

Eu não tô, eu sou sensível, querido!

Claro... quis dizer que hoje, neste momento, você está mais sensível que o normal.

Ah! Assim é melhor... tava aqui lembrando que adoro ficar caminhando na areia, molhando os pés na água, olhando a linha do horizonte, aqueles barcos enormes em alto mar...

Bonito... mas prefiro só olhar assim de longe. 

Ahahaha... não te critico, também prefiro só olhar... 

Mas, diga-me, o que te fez lembrar de barcos em alto mar?

– Ah! É que ontem tava lendo "O conto da ilha desconhecida" do grande...

– ... José Saramago!

– Sim! Adoramos esse português, né, amor?

– Como não amar esse Zé tão especial?

– Ahahaha... adoro!

– Então, conta...

– Pensei que íamos comentar a obra!

– Ainda não li, querida!

– Não acredito! Achei que você tinha lido quando me mostrou...

– Foi um presente pra você, amor! Não me dei o direito nem sequer de folheá-lo... queria que você lesse antes.

– Que gentileza, amor!

– É um prazer te presentear, ainda mais com livro, que a gente ama!

– Realmente, amamos! Então, vou falar o que mais gostei nesse conto de nosso querido Saramago.

– Tô curioso...

– Não vou detalhar, porque quero que você leia pra depois a gente comentar juntos!

– Beleza! Então, fala o que você mais gostou!

– Primeiro, a ironia e a genialidade de Saramago faz qualquer obra ser marcante! E esse conto narra a história de um homem que bate à porta das petições do palácio para pedir ao rei um barco que o leve à ilha desconhecida... a conversa entre eles é ótima, vou ler um trecho: "... E tu para que queres um barco, pode-se saber, foi o que o rei de facto perguntou quando finalmente se deu por instalado, com sofrível comodidade, na cadeira da mulher da limpeza, Para ir à procura da ilha desconhecida, respondeu o homem, Que ilha desconhecida, perguntou o rei disfarçando riso, como se tivesse na sua frente um louco varrido, dos que têm a mania das navegações, a quem não seria bom contrariar logo de entrada, A ilha desconhecida, repetiu o homem, Disparate, já não há ilhas desconhecidas, Quem foi que te disse, rei, que já não há ilhas desconhecidas, Estão todas nos mapas, Nos mapas só estão as ilhas conhecidas, E que ilha desconhecida é essa de que queres ir à procura, Se eu to pudesse dizer, então não seria desconhecida, A quem ouviste tu falar dela, perguntou o rei, agora mais sério, A ninguém, Nesse caso, por que teimas em dizer que ela existe, Simplesmente porque é impossível que não exista uma ilha desconhecida, E vieste aqui para me pedires um barco, Sim, vim aqui para pedir-te um barco, E tu quem és, para que eu to dê, E tu quem és, para que não mo dês, Sou o rei deste reino, e os barcos do reino pertencem-me todos..."

– E ele conseguiu o barco, amor?

– Ah! Aí você vai ter que ler!

– Que crueldade...

– Como assim? Eu te dei o prazer de me ouvir lendo um trecho lindamente escrito por nosso querido autor... foi um aperitivo...

– ... pra abrir o apetite da leitura? Parabéns, pois abriu... ahahaha...

– Ahahaha... mas não vou contar mais nada, o que posso dizer é que o conto é sobre a busca pelos sonhos e a necessidade de lutar para realizá-los... é poético, é irônico, é divertido, é profundo, é pra refletir...

– ... é Saramago! Gostei, agora, passa pra cá que quero ler!

– Sério?

– Por quê? Que carinha é essa?

– Ah! Pensei que tínhamos combinado um cineminha...

– É mesmo... quase esqueci, mas a culpa é sua que fica me tentando com boa leitura!

– Ahahaha... vai desistir? Se soubesse não tinha lido nada pra você...

– Não fala assim, adorei sua leitura enfática!

– Já vi que me lasquei, não quer mais ir ao cinema, prefere ficar lendo? O que eu posso fazer se também sou imbatível lendo em voz alta!

– Engraçadinha... claro que vamos ao cinema, mas deixa eu guardar o livro nas minhas coisas, se não você esconde...

– Não seja injusto, eu só guardo na estante depois que nós dois lemos a obra... e detalhe: guardar na estante não é sinônimo de esconder!

– Obrigada pela aula de língua portuguesa, amor! Mas agora, vamos logo que a sessão de cinema não nos espera!

– Pois devia, somos cinéfilos assíduos e estamos sempre comparecendo às sessões, divulgando os filmes, fazendo o tradicional boca a boca!

– Boca a boca? Gostei!

– Deixa de ser quinta série, amor... vou pegar minha bolsa.

– Não demora, porque se eu for te buscar no quarto, o cinema vai ficar pra outro dia... ahahaha...

– Ahahaha... sem comentários! :)

quarta-feira, 26 de novembro de 2025

Poesia ilustrada


Na semana passada, fui visitar a exposição "Drummond em cena", no Conjunto Nacional, na Avenida Paulista! A mostra, que reúne 10 ilustrações inspiradas na obra de Carlos Drummond de Andrade é um belo passeio pra quem, como eu, adora quando a Literatura dialoga com as Artes Visuais!

Uma estátua do poeta, em tamanho natural, dá as boas-vindas, cercado por poemas cheios de sutileza, delicadeza e sabedoria, como "O tempo", "Para sempre" e "Amor...", que destaco na foto ao lado por ter me emocionado (outra vez, pois já o conhecia) e por acreditar que realmente "de amor andamos todos precisados" para nos alegrar, nos reumanizar e ir pra frente... que "nos vacine contra o feio, o errado..." Ah! Poeta, suas palavras continuam tão atuais e necessárias nesse mundo frio feito de telas e relações on-line. Sorte termos a poesia, a arte e a cultura para nos salvar das nossas e das dores do mundo!

Adorei todos os artistas, mas vou destacar o ilustrador Kleverson Mariano por dois motivos: primeiro, porque adorei o poema que ele escolheu ("O amor antigo") e a forma como retratou as várias faces do amor... casais cativantes... cores vivas! Segundo, porque já conhecia e admirava seu traço, inclusive, ele é autor de uma ilustração que me inspirou a escrever a crônica "Aflições caninas", postada aqui, em junho de 2024! Mais uma vez, obrigada pela generosidade!

Além de divulgar o talento dos artistas, a exposição também é uma forma de aproximar quem gosta de ler de quem gosta de arte visual... e melhor ainda, é uma grande oportunidade de descobrir e redescobrir a necessária poesia de Drummond!

Para completar minha humilde imersão na obra do poeta, li "Sentimento do mundo", publicado em 1940. Ler poesia é estar aberto às provocações, reflexões e até à leveza! Por isso, quero citar um poema em especial, por sua delicadeza divertida: "Indecisão do Méier", que diz assim: "Teus dois cinemas, um ao pé do outro, por que não se afastam para não criar, todas as noites, o problema da opção e evitar a humilde perplexidade dos moradores? Ambos com a melhor artista e a bilheteira mais bela que tortura lançam no Méier". Aplausos para o talento sensível de Drummond! :)

sábado, 22 de novembro de 2025

Um talento criativo injustiçado

Quando foi lançada a HQ "Bill Finger - à sombra de um mito", do roteirista norte-americano Julian Voloj e do desenhista israelense Erez Zadok, fiquei muito curiosa, afinal, era sobre o cocriador do Batman.

Na capa, a máquina de escrever me tocou... escrever não é fácil, participar da criação de um dos maiores ícones da cultura pop deve ter sido uma enorme satisfação... por outro lado, não ser reconhecido como cocriador deve ter sido uma dor inimaginável. E esse não reconhecimento gerou inúmeras dificuldades para Bill, não só financeiras, mas emocionais.

É triste ver uma cabeça tão criativa ser explorada da maneira como foi. Quando Bob Kane, que já trabalhava na indústria de quadrinhos, conheceu Bill Finger viu nele uma usina de ideias! Pena que desde o primeiro trabalho juntos, Kane não creditou o nome de Bill e quando cobrado respondeu que aquele era só o começo. Pois é, só o começo de uma das maiores injustiças que o mundo das HQs veria em sua história!

Baseada no livro "Bill the Boy Wonder: The secret co-creator of Batman", que o autor norte-americano Marc Tyler Nobleman escreveu após longa investigação sobre Bill Finger, a HQ mostra depoimentos de personalidades da época, que trabalharam com o roteirista e reiteraram a importância dele como o verdadeiro criador da persona de Batman, temperamento, história e origem, inclusive, elementos como o traje, a sombria Gothan City e toda a complexidade de Bruce Wayne. Mesmo com uma participação no desenvolvimento do homem-morcego muito maior que a de Kane, que apenas idealizou o visual do personagem, Bill não foi reconhecido em vida. Por isso, acredito que o maior mérito da HQ é trazer à luz, mais uma vez, alguém que viveu à sombra de uma indústria injusta que passou a creditar o nome do criador de Batman apenas em 2015, ou seja, 76 anos depois de sua primeira publicação, em 1939. 

Bill Finger é uma mente brilhante que merece ser reverenciada! Aplausos aos roteiristas e desenhistas que juntos, cada um com seu talento, nos brindam com obras inesquecíveis! Viva as histórias em quadrinhos! :)

quarta-feira, 19 de novembro de 2025

A genialidade de um grande escritor

"Os Maias", obra-prima de Eça de Queirós, é uma leitura, absolutamente, prazerosa! O escritor português narra a história de três gerações de uma família, marcada por tragédias, na bela Lisboa do final do século XIX. 

Antes de mais nada, preciso dizer que além do autor ser um dos meus favoritos (já postei sobre ele aqui), este livro, especificamente, sempre esteve na minha lista de desejos e, finalmente, consegui comprar uma edição que coube no meu bolso... rsrsrs... Lembro de quando assisti a minissérie (TV Globo), no início dos anos 2000... desde então tinha certeza que, embora tenha adorado a adaptação para TV, a leitura seria ainda mais encantadora! Acertei!

A escrita de Eça de Queirós tem, da primeira à última linha, todas as características que admiro: narrativa envolvente, profunda quando tem de ser e irônica quando preciso for; personagens profundamente humanos e cativantes; e a tão necessária crítica social... tudo isso em um cenário que nos transporta à época! Confesso que cada vez que leio uma obra de Eça, aumenta minha vontade de visitar Portugal... fico me imaginando pelas ruas de Lisboa... Porto... é inspirador! Quando isso acontece, costumo esconder o cartão de crédito, imediatamente, para evitar compras de passagens aéreas por impulso... ahahaha!

Voltando ao livro, propriamente dito, podemos dizer que o casarão da família, o Ramalhete, é um dos personagens da história pela enorme influência que exerce no desenvolvimento da trama com seu ar sombrio, misterioso e ao mesmo tempo acolhedor. Ao longo dos anos, o Ramalhete se torna, cada vez mais, uma espécie de refúgio do avô Afonso da Maia, do neto Carlos e dos amigos da família, que vivem discutindo os rumos do País e de uma sociedade que caminha para o progresso a passos lentos, comparada à Paris e Londres.

O mérito do autor está em nos apresentar um enredo irretocável que, mesmo apresentando temas delicados e tensos como traição, suicídio, incesto e intrigas, nos envolve em uma narrativa rica e extremamente humana. Os personagens são realmente memoŕaveis e conquistam o leitor pela forma como tentam enfrentar os problemas, como encaram a vida. As conversas entre Carlos e João da Ega são um caso à parte, sejam as mais filosóficas, sejam as mais mundanas, carregam sempre 
boas pitadas de ironia.

Recentemente, li também "O Mandarim", um dos contos fantásticos de Eça, que conta a história de Teodoro, um funcionário público que leva uma vida pacata e monótona, sem muitas aventuras... até que um pacto que envolve uma certa herança muda sua vida. 

No texto sobre a obra, assinado pelo autor, ele discorre a respeito da necessidade de todo escritor português criar contos fantásticos para não sufocar nem morrer de nostalgia de seus sonhos! Adorei essa confissão... rsrsrs... e encerra dizendo: "Depois de escrita a última página, corrigida a última prova, ganha-se a rua, retoma-se o caminho e volta-se ao severo estudo do homem e de sua eterna miséria." Aplausos à genialidade do grande Eça de Queirós! Viva a Literatura! :)

sábado, 15 de novembro de 2025

Bússola quebrada

– Tô com a sensação de que minha bússola está quebrada!

– O quê?

– É como se eu estivesse sem rumo, mas ao mesmo tempo, com mil ideias... otimistas, sonhadoras e inspiradas!

– Uau! Mas, então, qual o problema?

– Difícil de entender? Pode ser, mas refletir é bom, abre horizontes!

– Ué? Onde está a insegurança que você tava sentindo há segundos atrás, quando introduziu sua bússola quebrada em nossa conversa?

– A insegurança e o medo adoram marcar presença durante minhas reflexões... normal! Mas o segredo é...

– ... tá com medo? Vai com medo mesmo! O importante é não desistir!

– Pois é, sempre em frente! Nem que esse "em frente" seja sem rumo definido, em uma estrada sinuosa, afinal, curvas são sempre bem-vindas, dão emoção à caminhada!

– Gosto assim! E lembre-se que a caminhada pode até parecer solitária, mas faço parte de sua torcida organizada...

– Obrigada, amor! E mesmo que sejam poucos nessa torcida, tudo bem, não procuro quantidade, o que me encanta é qualidade!

– Ah! Você é que me encanta, amor! E não fique mais tensa, essa sensação vai passar.

– Você acha que retomo meu rumo?

– Claro! Foi só um tropeço, uma rasteira, chame como quiser... o importante é que estou aqui pra te segurar!

– Tô melhor! Acho até que minha bússola está voltando a indicar o Norte... rsrsrs...

– Ah! Tá vendo, sei como lidar com seus descarrilamentos, querida! Vem cá que te ponho nos trilhos... rsrsrs...

– Não seja insensível... eu externando minhas aflições e você fazendo graça!

– Calma, amor! Só queria te deixar tranquila e dizer que tô aqui pra resolver seus problemas... ahahaha...

– Ahahaha... se oriente, rapaz! Da minha bússola cuido eu!

– Ih! Tá revoltada... não quer mais que eu cuide de sua bússola?

– Ê quinta série!

– Ahahaha... mas eu tô falando da bússola mesmo, aquela que tem os pontos cardeais... norte, sul, leste, oeste!

– E essa cara de canalha?

– É especial pra você... então, vem logo e me dá um abraço, porque abraçar quem a gente gosta é um santo remédio pra sensação de bússola quebrada, já dizia minha avó!

– Sua avó dizia isso mesmo?

– Sei lá... modo de dizer... ahahaha... essa expressão, sim, tenho certeza que minha avó falava... e, como você pode ver, passou de geração em geração... ahahaha...

– Ahahaha... bobo! Então, chega de conversa, quero esse seu abraço reparador!

– É pra já! :)

quarta-feira, 12 de novembro de 2025

As primeiras tirinhas

Mais uma vez, passei por uma banca de jornal só pra dar uma olhadinha e eis que me deparo com "Tiras Clássicas - Turma da Mônica"! Ah! É sempre bom encontrar publicações especiais com a gênese de personagens tão queridos como os de Maurício de Sousa! 

A coletânea traz as primeiras tirinhas publicadas em jornais, no começo da década de 1960, com o título Cebolinha, que deu início à bela carreira de nosso querido quadrinista que, recentemente, completou 90 anos de vida!

Ao longo das páginas, podemos ver que o menininho charmoso que troca a letra "r" pela "l" desde sempre gostou de pregar peças nos colegas e, inclusive, já provocava Mônica, a menina baixinha e cheia de atitude que, por sua vez, veio a se tornar nossa mais do que querida dona da rua!

O primeiro volume traz muita diversão e os primeiros traços de Cebolinha, Floquinho, Franjinha, Bidu, Cascão, Xaveco (cujo nome era grafado com "Ch"). E uma curiosidade: Zé Luís era apresentado como irmão mais velho da valente Mônica, mas depois esse parentesco deixou de existir! 


Agora, vou querer os próximos volumes das "Tirinhas Clássicas"... rsrsrs... Ah! Vale muito a pena! É uma leitura leve e relaxante sobre essa adorável turminha que nos acompanha desde a infância! Aplausos ao talento admirável de Maurício de Sousa! Viva as doces tirinhas de jornal! :)

sábado, 8 de novembro de 2025

A alegria de visitar uma livraria

Livrarias são oásis de sonhos, ideias, inspiração! Visitar uma livraria é descobrir novos autores; acariciar livros que não podemos comprar, mas que, imediatamente, incluímos em nossa lista de desejos; é esconder o exemplar que queremos no fundo da prateleira pra ninguém comprar antes; é olhar cada uma das seções com olhos infantis, transbordando de alegria! É folhear um exemplar e, lendo a contracapa, ter a curiosidade aguçada!

Tudo bem que durante a pandemia, por pura necessidade de ler enquanto o mundo parava, acabei recorrendo aos livros eletrônicos... agradeço a companhia deles, mas nada como ter um livro físico em mãos, destacar os trechos que mais nos marcam na obra. No meu caso, uso marcadores de papel, não gosto de grifar nem anotar nas páginas, mas cada um na sua, quem gosta, beleza! O importante é ler e aproveitar tudo que a leitura tem de bom!

Esta semana, fui a uma livraria e até esqueci a dor na coluna... rsrsrs... pelo menos, enquanto andava por entre as estantes e me encantava com escritores conhecidos e garimpava novos universos literários! Ir ao encontro de livros e HQs é sempre bom, ainda que seja só pra passar no leitor do código de barra e assustar com o preço... rsrsrs... Ou organizar o bolso pra, quem sabe, comprar numa próxima vez e se o orçamento permitir, ter a satisfação de sair com a sacolinha recheada! Sim, claro que também apoio as bibliotecas! Elas são democráticas, inclusivas e generosas, mas é que sempre tem aquele autor ou autora que a gente quer e precisa ter em nossa estante, aí a livraria nos garante as aquisições desses livros que nos são especiais.

Mas voltando às livrarias, prefiro as de rua, são adoráveis e nos proporcionam passeios incríveis. Além de perambular por diversos gêneros litérarios, podemos fechar a programação tomando um café... adoro livrarias com cafeteria como, por exemplo, a Martins Fontes da Paulista, a Livraria da Vila da Fradique Coutinho... e até a Realejo, de Santos (cuja visita cultural pode ser um bate-e-volta com direito a uma caminhada na praia).

Ah! Só queria registrar meu amor pelas livrarias e dizer que elas são meu passeio preferido, desde que a programação inclua café e bolo... rsrsrs... Viva as queridas livrarias de rua! Viva a Literatura e seus encantos! :)

quarta-feira, 5 de novembro de 2025

Memórias e poesia em quadrinhos

"Mais uma história para o velho Smith", do quadrinista, chargista e ilustrador Orlandeli, aborda identidade, memórias e o destino das lembranças, depois que elas vão embora. Vencedora na categoria Histórias em Quadrinhos do Prêmio Jabuti 2025, a HQ é poesia e arte irretocáveis! O autor nos brinda com ondas de emoção e humor sutil ao longo de toda a narrativa. O carismático protagonista é um grande contador de histórias, o que me conquistou logo de cara! 

Sempre que voltava do mar, todos paravam para ouvir as histórias do marinheiro até que um dia ele não consegue mais se lembrar delas. Então, decide retornar ao mar para tentar recuperar suas lembranças e, a partir daí, vive várias situações curiosas e bastante reveladoras. 

Ah! A HQ é encantadora não só por ter como cenário o mar e seus mistérios, mas também por nos apresentar um protagonista tão humano e simpático como o velho Smith, que nos faz refletir sobre nossas próprias lembranças! Aplausos para Orlandeli e seu mais do que merecido Jabuti! Viva as HQs brasileiras! :)

sábado, 1 de novembro de 2025

Bela ilustração e boas reflexões

Quando comprei "Celestia", do italiano Manuele Fior, no ano passado, fiquei curiosa para ler, também porque adoro ilustração em aquarela. Confesso que a primeira vez que li, não entendi nada... rsrsrs... e guardei na estante pra tentar mais tarde. Passaram-se meses e toda a vez que eu comprava uma nova HQ ou novo livro tinha a impressão que Celestia me olhava com uma lágrima no rosto, como a de seu protagonista, Pierrô.

Já a segunda tentativa de leitura deu certo! Em primeiro lugar, quero dizer que a ilustração aquarelada de Fior é de uma sensibilidade e uma beleza que, certamente, nos ajuda a compreender melhor o universo criado pelo italiano!

A narrativa é sobre a chamada "Grande Invasão", que devastou o continente, quando alguns sobreviventes encontraram refúgio em Celestia, uma pequena ilha de pedra, construída há mais de mil anos.


Os protagonistas Pierrô e Dora vivem com um grupo de jovens telepatas, mas por diversas razões, resolvem conhecer o continente, onde adultos são guardiões do "mundo antigo".

A leitura é uma sucessão de belas imagens e diálogos que nos provocam reflexões sobre a humanidade, suas fraquezas e complexidade. É uma HQ que exige mente aberta para absorver toda a sensibilidade de seu autor.

Vale pela beleza da ilustração e por tudo que nos faz refletir, principalmente, em tempos de ruído na comunicação, pouca conexão entre as pessoas e um mundo cada vez mais cruel e nada gentil como temos visto frequentemente por toda parte! Viva a arte que nos salva! Viva o alívio e a reflexão provocados pelas queridas HQs! :)

quarta-feira, 29 de outubro de 2025

Encontro especial

Olhando as gotas de chuva escorrendo pela janela, Antoine lembra quando conheceu Blanche. Foi num dia chuvoso como hoje, há quase uma década, em uma charmosa rua da capital francesa.

Naquela tarde, a chuva fina e fria deixava o dia introspectivo, ainda assim, Antoine decide fazer seu passeio diário. Sobretudo, cachecol e guarda-chuva, ele sai pelas ruas de Paris. Desde criança, sempre gostou de sair na chuva, inclusive, adorava brincar pulando nas poças para espalhar a água ou dançar imitando Gene Kelly no famoso filme de Hollywood. Porém, agora, só se permite andar calmamente ouvindo o alegre tamborilar dos pingos no guarda-chuva, o que considera um enorme prazer.

Quando dobra a esquina, Antoine se depara com uma rua quase vazia, a não ser pela presença delicada de uma senhora muito elegante, mas nada previdente... está sem guarda-chuva... será que está desorientada?

Ora, Antoine, que exagero... desorientada! Vai ver é apenas uma mulher que não se preocupa com convenções, afinal, tomar chuva não é uma contravenção, mas pode ser considerada contraindicada para pessoas com problemas respiratórios que, obviamente, devem evitar as mudanças bruscas de temperatura.

Assim de longe, ela parece bonita e, pelo que percebo, está olhando pra mim... o que será que está pensando? Será que estou bem vestido para a ocasião? Que ocasião, Antoine? Olha o exagero de novo, concentre-se no passeio. Mas que essa senhora está olhando pra mim está. Ela tem um cabelo bonito... e esse casaco de poá lhe cai muito bem!

Não sei se atravesso a rua, sei lá, pode pensar que estou flertando e se ofender. Vou ficar mais um pouco, quem sabe ela dá o primeiro passo... chato é ficar aqui de guarda-chuva vendo uma dama desprotegida.

Do outro lado da rua, Blanche parece irritada... adora dias chuvosos, mas, foi surpreendida... não acredita que esqueceu de pegar o guarda-chuva! Olhando indignada para o céu, se pergunta: Como assim? O dia nasceu tão limpo!

Parada na calçada, ela sente os pingos escorrerem pelos cabelos e, aos poucos, serem represados no cachecol, mesmo assim não perde a elegância! Sorte que a chuva é fina, basta apenas ser ágil e correr até a cafeteria mais próxima. Uma boa xícara de café sempre resolve os problemas, pelo menos, os mais simples como ser pega desprevenida por uma chuva que não avisou que cairia.

Só quando olha para frente, Blanche vê um homem, de guarda-chuva, do outro lado da rua... este é prevenido! Aposto que é organizado... se veste bem, gostei do cachecol. Ah! Por favor, não romantize a cena, é apenas um senhor se preparando para atravessar a rua. Mas é elegante!

Quanto tempo será que estou parada nesta esquina? Parece que estou enraizada nesta calçada! Qual o problema, Blanche? Talvez o problema seja estar sempre esperando que um herói venha me salvar... mesmo que o perigo seja apenas pegar um resfriado... rsrsrs... Por que estou falando de herói? Que coisa mais sem pé nem cabeça! Bem que ele poderia ser cavalheiro, vir ao meu encontro e me proteger da chuva... olha aí, de novo, divagando como uma adolescente.

Decididos, começam a atravessar a rua... passos lentos e olhos pregados um no outro, como se estivessem conectados por um ímã. Antoine traz um sorriso tímido estampado no rosto e Blance, um brilho discreto no olhar!

No meio da rua, estendem a mão para um cumprimento formal. Boa tarde, sou Antoine! Boa tarde, meu nome é Blanche! Posso lhe dar uma carona em meu guarda-chuva? Claro, seria um prazer. Estava pensando em tomar um café, posso convidá-la? Incrível, pensei nisso logo que parei naquela esquina... se puder me acompanhar, Antoine, vou adorar! Estou aqui para isso, Blanche!

De repente, ele dá um salto da poltrona como se acordasse de um sonho... Blanche está na sua frente com uma bandeja na mão. Fiz café... você estava dormindo? Não, querida, estava lembrando. Ah! Com essa chuvinha, já sei o que estava lembrando: de nosso encontro em Paris! Antoine dá uma piscadela e começa a arrumar espaço na mesa para a bandeja do café. Você pode me ajudar, cortando o bolo, querido? Claro, Blanche... continuo aqui para isso! :)


* A foto que ilustra essa romântica crônica é de minha autoria, como meus personagens, também adoro ouvir o barulhinho da chuva e admirar as gotas d'água escorrendo pelo vidro da minha janela! ❤️  

sábado, 25 de outubro de 2025

Uma obra inquietante

Ler Fiódor Dostoiévski é um desafio, muitos nem se atrevem... rsrsrs... Confesso que só tinha lido "Noites Brancas", mas sempre olhei com curiosidade para a obra-prima do escritor russo.

Orientada por meu irmão Gerson (leitor assíduo e contumaz, além de historiador), resolvi deixar para me jogar em "Crime e Castigo" posteriormente, mas pra ir me preparando, ele me presenteou com "O Sósia", uma leitura inquietante e envolvente. 

De cara, o prefácio, assinado por Oleg Almeida, mostrou um paralelo do autor com Nikolai Gógol, de quem tenho "Teatro Completo", que me foi indicado pelo meu saudoso irmão Geraldão! Aí me conquistou fraternalmente em dobro...rsrsrs... Almeida explica que "se não houvesse Gógol, tampouco haveria Dostoiévski, seu aluno e sucessor; por outro lado, se Gógol se mostrou, ao longo de toda a sua vida, afeito ao fabuloso, antevendo, ou melhor, antecipando o realismo mágico dos nossos dias, Dostoiévski deu um largo passo em direção à moderna prosa realista de cunho psicológico, que ainda estava aberta a toda espécie de manifestações extraordinárias, porém já excluía a visão folclórica, mitológica ou supersticiosa destas para explicá-las com base no conhecimento positivo dos processos naturais. Digamos que, mesmo sem serem sósias perfeitos, Gógol e Dostoiévski equivaliam às duas faces da mesma medalha, completando-se e harmonizando-se na perfeição sinérgica de sua arte." 

Como podem ver, gostei desde o prefácio... rsrsrs... Mas vamos à obra, propriamente, dita! A narrativa começa com o Yákov Petróvitch Goliádkin acordando de um sono prolongado e a descrição que o autor faz de suas sensações é de uma riqueza que encanta e surpreende. 

Adoro esse trecho: "Olhavam para ele, de modo familiar, as paredes de seu quartinho, fuliginosas e empoeiradas, cuja cor esverdeada parecia um tanto suja, sua cômoda de mogno, suas cadeiras de certa madeira a imitar o mogno, sua mesa pintada de tinta vermelha, seu sofá turco, revestido de oleado avermelhado com florezinhas verdinhas, e, finalmente, suas roupas tiradas às pressas, na véspera, todas amassadas largadas sobre o sofá. Por fim,  dia outonal , cinzento turvo e sujo como era, olhava para dentro de seu quarto através de uma janela embaçada, tão sombrio e com um esgar tão azedo que o senhor Goliádkin não podia mais, de jeito nenhum, duvidar de que não estava num reino de berliques e berloques qualquer e, sim, na cidade de Petersburgo, na capital, na rua Chestilávotchnaia, no terceiro andar de um prédio de alvenaria, bastante grande, em seu próprio apartamento. Ao fazer tal descoberta importante, o senhor Goliádkin fechou espasmodicamente os olhos, como se estivesse lamentando seu sono recente e querendo reavê-lo por um minutinho."

Logo na primeira página, o protagonista me conquistou e aguçou minha curiosidade para conhecer seu mundo e suas sensações. E desde o início, o senhor Goliádkin já se mostra uma pessoa levemente atormentada... rsrsrs... nada que não tenha se agravado a partir do momento em que entra na história seu tal sósia, que o atormenta, ao longo das páginas, deixando-o  em um estado de abandono e ansiedade que só mesmo um gênio da Literatura para criar uma narrativa com tamanha tensão psicológica. Confesso que me afeiçoei ao senhor Goliádkin e torci por ele até a última linha.

Gosto de como Dostoiévski cria Goliádkin, um misto de ingênuo, inseguro, irônico e, acima de tudo, resiliente (olha eu lançando mão de uma palavra que tá na moda... rsrsrs)... porque por mais que ele estivesse enfrentando uma situação horrorosa e, por vezes, sem saída, ele sempre pensava: "Não é nada... tudo isso ainda pode muito bem melhorar". Como não torcer por um cidadão assim?

O autor sabe fazer crítica social e política sem deixar de se valer do humor para mostrar as fraquezas e vilanias humanas. Aplausos para a genialidade de Dostoiévski! :)