sábado, 31 de janeiro de 2026
Uma bela homenagem
quarta-feira, 28 de janeiro de 2026
Primeiros passos de Saramago
Publicada em 2011, a obra é uma janela aberta pelo narrador para nos apresentar a rotina dos moradores de um pequeno prédio, em Lisboa, durante a primavera de 1952. Logo abrindo o primeiro capítulo, conhecemos Silvestre, o sábio sapateiro, e sua esposa Mariana, que mesmo depois de trinta anos de casados "amavam-se ternamente". São meus personagens preferidos pela leveza e postura, como diz o autor, "duas crianças, sem tirar nem pôr". E também pela profundidade das reflexões sobre a vida entre Silvestre e Abel, o jovem que aluga um quarto no apartamento do casal! Altas conversas, diálogos de mestre!
Admiro a genialidade de Samarago ao criar narrativas profundas, personagens bem construídos e, ao mesmo tempo, nos proporcionar momentos divertidos... bom-humor é tudo... rsrsrs... Como quando Anselmo, Rosália e a filha Maria Cláudia ouvem no rádio "o soluçar plangente e lastimoso do fado mais desabaladamente lancinante que jamais cantaram gargantas portuguesas"... pra completar, o autor comenta: "outro fado assim, e de três criaturas de saúde normal restariam três neuróticos"... ahahaha... adoro!
O autor detalha tão bem as características físicas e psicológicas dos personagens e seus desafios cotidianos que dá a impressão de conhecermos intimamente os moradores do prédio e até nos sentimos um deles!
"Claraboia" mostra um Saramago florescendo lindamente para a Literatura, com personagens cativantes e, acima de tudo, humanos, marca presente em toda sua obra. Ah! Já disse que o escritor português é um dos meus prediletos, ler seus livros é aconchego! Só pra registrar: ganhei este exemplar de presente de Natal do meu irmão Gerson e... adorei! Viva a literatura lusófona! Viva Saramago! :)
sábado, 24 de janeiro de 2026
Sempé e dois Patricks
Adoro o trecho em que a protagonista conta que tirar os óculos para dançar não a atrapalha em nada... ao que o pai responde: "Vai acontecer com você como aconteceu comigo quando eu era jovem... Quando você estiver sem óculos, os outros vão enxergar em seu olhar uma espécie de névoa e de doçura... A isso se dá o nome de charme..." Ah! Que meigo!
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| Sempé/Modiano Sempé/Süskind |
quarta-feira, 21 de janeiro de 2026
Um certo falso beato
O leitor acompanha as lembranças do protagonista desde quando perde os pais na infância e passa a morar com a tia rica, severa e, absolutamente, beata; passando por aventuras amorosas; até a viagem à Jerusalém, que provoca uma mudança em sua postura.
Sempre tentando agradar à tia, ele leva uma vida dupla se envolvendo em uma série de situações bizarras, divertidas e até emocionantes, mas sempre pensando em se tornar o herdeiro da fortuna de D. Patrocínio.
Sem contar detalhes, o que posso dizer é que o escritor português, mais uma vez, mostra todo seu talento criativo ao retratar/criticar a sociedade portuguesa da época e colocar em discussão a veracidade dos mitos religiosos.
Certamente, o que mais me surpreendeu foi quando Teodorico volta da viagem certo que vai abafar com a "relíquia" sagrada que dará à sua devota tia... confesso que ri alto da situação e da desfaçatez do protagonista!
Ah! A leitura é envolvente, nos faz refletir sobre a falta de limites da hipocrisia humana e sobre o fato de que colocar a mão na consciência, muitas vezes, pode mudar o rumo de uma vida, ainda que nosso Teodorico seja levemente incorrigível! Salve a genialidade do grande Eça de Queirós! Viva a Literatura clássica que tanto nos inspira! :)
sábado, 17 de janeiro de 2026
Celebrando a Cidade Luz
"Paris é uma festa", de Ernest Hemingway, é especialmente encantador por apresentar as experiências de um escritor em início de carreira e por ter como cenário Paris dos anos 1920!
Nada mais agradável para quem, como eu, gosta de escrever e já teve o prazer de visitar a adorável Cidade Luz do que ler uma narrativa leve, irônica, amorosa sobre a agitada vida na capital francesa, seus escritores e artistas, as pessoas comuns, seus cafés, suas charmosas ruas, enfim, uma festa a cada página... ops... a cada esquina!
Já no primeiro capítulo, Hemingway me conquista quando fala sobre um "bom café" que conhecia na Place Saint-Michel. "Era um café agradável, quente, limpo e acolhedor. Pendurei minha velha capa no cabide para secar, coloquei meu surrado e desbotado chapéu de feltro na prateleira que ficava por cima dos bancos e pedi um café au lait. O garçom trouxe-o e eu tirei do bolso do paletó o caderno de notas, um lápis, e comecei a escrever." Ah! Esse trecho é identificação imediata! Sempre gostei de ir às cafeterias com meus bloquinhos e já escrevi algumas crônicas, contos e trechos de livros nesse ambiente! Adoro... é inspirador!
Naquele tempo, ele não tinha dinheiro para comprar livros, mas os alugava na Shakespeare and Company, biblioteca e livraria de Sylvia Beach, figura cordial e amável, que deixou Hemingway pagar pelo empréstimo dos livros quando tivesse dinheiro. Generosidade é tudo! E assim ele conseguia ler com frequência, alías, necessidade básica de qualquer autor!
Na luta para ser um bom escritor e, ao mesmo tempo, ser fiel a si próprio, Hemingway narra a dificuldade financeira pontuada pela sensibilidade, crueza e ironia. Em dias em que, pela falta de dinheiro, era difícil até se alimentar, o autor nos envolve em uma narrativa rica e emocionante pelas ruas da cidade. "Se você não se alimentasse bem em Paris, tinha sempre uma fome mortal, pois todas as padarias exibiam coisas maravilhosas em suas vitrinas, e muitas pessoas comiam ao ar livre, em mesas na calçada, de modo que por toda parte se via comida ou se sentia o seu cheiro."
Outra situação com a qual me identifiquei bastante... rsrsrs... é quando ele reclama que está escrevendo concentrado, com a inspiração nível alto, e chega alguém para atrapalhar... "Era nesses momentos que um intruso poderia estragar tudo... Lá se ia embora a minha sorte, e o melhor era fechar o caderno. Nada pior do que isso." Pois é, também já me sentei em um café para escrever sozinha no meu canto e tive o desprazer de ser achada por esse tipo de ser humano... é de lascar! Também concordo com Hem (é tanta identificação que já tô íntima do colega... rsrsrs...) quando ele diz: "A única coisa capaz de nos estragar o dia eram pessoas, mas, se se pudesse evitar encontros, os dias não tinham limites. As pessoas eram sempre limitadoras da felicidade, exceto aquelas poucas que eram tão boas quanto a própria primavera." Assino embaixo!
Ah! O livro é uma festa! Poderia ficar aqui falando por parágrafos e mais parágrafos sobre a relação de amor e companheirismo dele com a esposa, Hadley; os vários amigos anônimos e famosos com quem viveu inúmeras situações, como o talentoso e perturbado escritor Scott Fitzgerald... mas preferi ressaltar os momentos em que Hem inspirou e até incentivou a Gi escritora e sua necessidade básica de escrever histórias! Viva Paris! Salve Hemingway! :)
quarta-feira, 14 de janeiro de 2026
Frutas temperamentais
– Precisamos falar sobre bananas!
– Claro! Você pensou que seria sobre o quê?
– Sei lá! Tô aqui concentrado calculando se o armarinho que compramos vai caber no...
– ... alto lá! Nós compramos, não! Você comprou! Eu disse que tinha que medir antes.
– Tá bom, armário que eu comprei! Mas você não pode negar que se encantou quando nos deparamos com ele na loja!
– Erro meu! Devia ter disfarçado o encantamento...
– Ahahaha! Agora, chega de cálculos! Sobre o que precisamos conversar?
– Sobre a pressa que as queridas bananas têm de amadurecer de uma hora pra outra... parece coisa de superpoder!
– Ahahaha! Desculpe pela risada, sei que o tema é sensível... mas a rapidez com que elas amadurecem realmente é digna do Flash!
– Ahahaha... bobo! Isso não é pra rir. Lembra o que aconteceu na semana passada? Compramos meia dúzia amarelinhas bem firmes, mas bastou uma noite na fruteira pra ficarem moles, quase podres!
– Sim... fiquei chateado porque elas acabaram com meu café da manhã... estavam pra lá de Bagdá!
– Porém, como não me dou por vencida, esta semana, lancei mão de outra estratégia: comprei meia dúzia amarela, mas ainda durinhas, e meia dúzia absolutamente verde! E mais do que isso, enquanto arrumava na fruteira, pedi encarecidamente para que não inventassem de amadurecer todas juntas!
– Bem que tive a impressão de ouvir você implorando alguma coisa na cozinha... ahahaha...
– Ria, insensível! As bananas precisam ser estudadas... sinceramente, elas parecem rir da cara da gente, podem estar verdes feito o Hulk...
– Ahahaha... pra continuar no tema super-heróis... você é incrível, amor!
– Engraçadinho... como eu ia dizendo, elas podem estar verdes feito o Hulk na gôndola do supermercado ou na feira, basta chegar em casa e, em poucas horas, amolecem como marias-moles! Desaforadas!
– Ahahaha... o que eu digo agora?
– Não precisa dizer nada, querido! Apenas compartilhe de minha indignação!
– Compartilho inteiramente! Às vezes, dá vontade de parar de comprar bananas... dar um tempo, mas é que quando ela tá molinha você faz um bolo tão gostoso!
– Obrigada! Sinceramente, prefiro a opção de dar um tempo, porque toda hora fazer bolo de banana está ficando inviável!
– Ah! A gente congela!
– Acho que deve ser mais fácil conseguir uma licença pra vender na rua do que arrumar lugar no freezer pra quantidade de bolo que tenho feito! A gente não come mais a fruta in natura, só em forma de bolo...
– Calma, amor!
– Por acaso, quando foi a última vez que você comeu uma banana, querido?
– É verdade, nem lembro mais...
– Tô falando! Outro que me irrita é o abacate!
– Esse é difícil... a gente compra maduro e quando corta, é só machucado!
– E se quiser companhia, compre um abacate bem verde, duro mesmo... ele vai ficar na sua fruteira intacto por décadas!
– E, muitas vezes, pulando etapas... de verde direto pra podre!
– Ainda assim, continuo achando as bananas mais atrevidas!
– Ahahaha... imagina se tivessem olhos!
– Na minha imaginação, elas têm olhos, daqueles que julgam a gente...ahahaha...
– Ahahaha... olhos blasé...
– Falando assim parece que a gente tá exagerando, mas acho que até nossa fruteira tá ficando traumatizada!
– Ahahaha... será que vamos ter que conversar com ela, querida?
– Ah! Você que converse com a fruteira, já cansei de conversar com as bananas sem resultado!
– Acho que a gente precisa viajar um pouco, espairecer... vamos pesquisar destinos inusitados?
– Uau! Já esqueci as frutas!
– Ahahaha... não fale assim, precisamos delas!
– Tô brincando, você sabe que amo bananas, abacates e afins.
– A única coisa que sei é que a gente se ama! O resto é salada de fruta...
– Que poético! :)
sábado, 10 de janeiro de 2026
Memórias peregrinas
Já disse em postagens anteriores que gosto muito da forma como o autor nos envolve em seus enredos profundos, mas confesso que, no caso dessa obra, o que mais gostei foi o prólogo, talvez porque me arrisco a escrever e tomei suas palavras como ensinamentos de um mestre!
Vencendo as incertezas, os contos, finalmente, foram reescritos. "A escrita tornou-se então fluida, e tanto que às vezes me sentia escrevendo pelo puro prazer de narrar, que é talvez o estado humano que mais se parece à levitação"... Ah! Concordo muito!
Adoro este trecho que mostra bem o tempero do querido Gabo... rsrsrs: "Sempre acreditei que toda versão de um conto é melhor que a anterior. Como saber então qual deve ser a última? É um segredo do ofício que não obedece às leis da inteligência mas à magia dos instintos, como a cozinheira que sabe quando a sopa está no ponto."
A experiência de ler o autor colombiano é sempre marcante... personagens humanos e surpreendentes, ora pela simplicidade, ora pelo extraordinário! Viva Gabo! Viva os contos, esses pequenos notáveis da Literatura! :)













