sábado, 15 de junho de 2024

Vamos de táxi

Baseado no romance do francês Benoît Cohen, "Yellow Cab", a HQ do quadrinista francês Christophe Chabouté é um passeio por Nova York, suas paisagens,  habitantes e turistas que circulam apressados por suas ruas e avenidas. 

A HQ conta a história do diretor de cinema que sofre um bloqueio criativo e, decidido, resolve virar um taxista para tentar encontrar a inspiração para sua próxima obra, transportando os passageiros em meio à agitação da megalópole.


A forma como Chabouté retrata Nova York é admirável. Com seus traços finos e a elegância do P&B, mostra pontos da cidade com uma impressionante riqueza de detalhes que surpreende o leitor a cada página, não é à toa que é considerado um dos maiores artistas europeus, atualmente.
Mesmo com a tensão presente ao longo de todo quadrinho, a começar pelas dificuldades que ele tem para tirar a licença e, finalmente, conseguir dirigir um táxi na Big Apple, os cenários retratados, volto a dizer, são um capítulo à parte, como esta ilustração, ao lado, da neve caindo. Uau!

Como não poderia deixar de ser, os passageiros são um verdadeiro mosaico de sentimentos e comportamentos, tão comum, não só à Nova York, mas a todas as grandes cidades pelo mundo. O cuidado com que Chabouté trata a obra de Cohen é fascinante, mais do que uma adaptação, é uma homenagem ao produtor, roteirista e diretor de cinema. Não sei se por gostar tanto de escrever, um detalhe que me emocionou muito é um texto publicado, timidamente, num cantinho ao final da HQ, que diz: "Nunca dirigi um táxi em Nova York... Na verdade, morro de medo disso. Mas, assim como você, estou sempre à  espreita, na busca, sendo levado e transportado por essa necessidade de contar histórias... De veicular emoção... Obrigado, Benoît". Ah! Que delicadeza, que sensibilidade, obrigada a você também, Chabouté! :)

quarta-feira, 12 de junho de 2024

Aflições caninas

Ilustração: Kleverson Mariano

Às vezes, ela fica assim, pensativa, ouvindo músicas lentas e até tristes. Não gosto de vê-la assim. Ainda não sei direito o que gerou essa melancolia, mas, vocês, considerados seres racionais, sabem bem como angustiar uns aos outros. Agora, num dia ensolarado como esse, um céu azul tão propício para aproveitar o parque passeando e cheirando tudo quanto é planta e traseiro, continuamos sentados nesse enorme abandono.

Claro que vou ficar ao seu lado em silêncio quanto tempo precisar, mas já adianto que quando essa reflexão, que ainda vou descobrir sobre o que é, acabar, quero passear por horas e, detalhe, quero seu sorriso de volta pra nos iluminar.

É isso mesmo, adoro minha dona e a considero a melhor criatura de todo o Universo! Sinceridade é inerente a nós caninos, se gostamos, gostamos mesmo; se não gostamos, corre… ahahaha… Brincadeira, ela me ensinou, desde meus primeiros passinhos de filhote animado, a não agredir, seja quem for, com mordidas ou arranhões.

Pelos meus cálculos, que não têm nenhum rigor científico, acredito que ela deva estar nesse estado de contemplação há pelos menos duas horas. Sim, porque o Sol já mudou de direção e, inclusive, a temperatura está até mais amena.

Uma coisa que me intriga nisso tudo é que ela está descalça. Ela gosta tanto de sandálias, tênis e chinelos confortáveis, com os pés descalços só a vejo em casa. Dá um certo medo, será que ela vai largar tudo, me abandonar e sumir no mundo? Que horror! Preciso me controlar, quase soltei um ganido... não quero atrapalhar sua reflexão.

Confesso que posso estar meio neurótico, ela deve estar descalça, simplesmente, porque está calor ou porque, pra pensar, é melhor ter os pés nus. Será que estou exagerando? Mas é que ela não costuma ficar tão quieta por tanto tempo. Vai ver está só meditando. Sabe do que mais? Vou me aconchegar ao seu ladinho e cochilar um pouco, quem sabe, assim, ela me nota e começa a desabafar. Ouvi dizer que guardar os sentimentos faz mal à saúde e não resolve nada... ah... que sono... zzzzzzzzzz! :)

* Esta crônica foi inspirada na bela ilustração do artista Kleverson Mariano (@kleverson_mariano), obrigada e parabéns pelo trabalho sempre tão inspirador! 😉

sábado, 8 de junho de 2024

Leveza e profundidade


Do quadrinista francês Manu Larcenet, "O Combate cotidiano" conta a história de Marco, um jovem fotógrafo que se cansa de retratar a guerra e decide se refugiar no campo, com seu gato, o temperamental Adolf, pra tentar encontrar seu lugar no mundo. É um relato comovente que mescla luta da classe trabalhadora com desafios pessoais do protagonista, como amadurecimento e autoaceitação, relações com o pai, a mãe, o irmão, a namorada, os amigos. 

É uma história impactante e, profundamente, humana, em que os personagens no estilo cartum trazem leveza aos temas densos que são abordados ao longo da vida de Marco. A HQ conquista o leitor por tratar do combate cotidiano que todos nós enfrentamos e que nos faz quem somos. O autor sabe como temperar assuntos tensos com bom humor e traços leves que tornam a leitura fluida e, ao mesmo tempo, impactante.

Como leitora, fui aprendendo a entender Marcos, que enfrentando as dificuldades cotidianas consegue superar medos e inseguranças, tornando-se um cara melhor. Afinal, as pequenas coisas, os momentos mais bonitos que vivemos são, realmente, o que importa, os que merecem ser guardados e pelos quais vale a pena enfrentar a gangorra de sentimentos que a vida nos oferece todos os dias! Ah... é uma leitura divertida e reflexiva como só as melhores HQs sabem ser! :)

quarta-feira, 5 de junho de 2024

Hope e a chuva

Ilustração: Hiro Kawahara
Ah… a chuva! Não, tempestade. Tempestade só é bom quando se está abrigada. A chuva de vento também complica, é preciso ter um guarda-chuva de qualidade para enfrentá-la, caso contrário, ele vira do avesso mesmo e nos deixa encharcada. Sem contar a vergonha de ter que lidar com aquele amontoado de varetas retorcidas.

Estou falando da chuva encantadora, aquela que cai continuamente e que nos permite usar o guarda-chuva de maneira eficiente e nos instiga até a cantar como no clássico do cinema. Aquela que nos permite andar com calma, desviando dos apressados; observar as gotas se aglomerando em poças pelo caminho; e sentir o cheiro de café que sai das padarias convidando-nos a dar aquela pausa estratégica e agradável.

Pelo visto, Hope é das minhas, adora aproveitar os momentos de chuva, inclusive, para usar seu sobretudo elegante, que dá um realce a mais à sua inseparável bolsinha azul. Como podem ver, ela não gosta de guarda-chuvas coloridos ou floridos, inclusive, esse ela ganhou de sua avó materna inglesa… uau… pois é, foi sua avó Rose quem escolheu seu nome e, embora do outro lado do Atlântico, é tão presente quanto a avó paterna, que vive em um chalé em uma cidadezinha minúscula e distante, no interior de São Paulo. Quando o assunto é avó, ela é muito bem servida.

Voltando à chuva, Hope costuma andar observando a agitação da metrópole. Curiosa, ela tenta extrair coisas boas desses momentos, ao contrário dos apressados que só reclamam, nas calçadas estreitas, e mal esperam o semáforo abrir para correr, enroscando seus guarda-chuvas uns nos outros. Se há algo que a encanta nesses dias chuvosos são as árvores, que parecem sorrir espalhando os pingos de chuva, que usam seus galhos como trampolim. Hope adora imaginar situações e encadear pensamentos... eu também! :)

* A ilustração que me inspirou a escrever essa delicada crônica é do grande Hiro Kawahara (@hirokawahara), adoro seu trabalho... desde as divertidas lâminas de bandeja do McDonald's que, particularmente, eram o que eu mais gostava da famosa lanchonete... rsrsrs... Obrigada pela gentileza e parabéns por sua arte...❤️

sábado, 1 de junho de 2024

O pai das HQs modernas

Nova York - a vida na grande cidade 
Seguindo meu encantamento pelas  histórias em quadrinhos, continuo pesquisando diversos autores, mas, claro, que não há como não falar do gênero sem citar o grande Will Eisner, considerado o pai das HQs modernas! Sempre admirei seu traço e, recentemente, tive a oportunidade de ler três obras: Nova York - A vida na grande cidade; Quadrinhos e arte sequencial: princípios e práticas do lendário cartunista; e Ao coração da tempestade! Vou começar com minhas impressões a respeito da obra-prima "Nova York", que reúne quatro graphic novels escritas nos anos 1980 e 1990. Nelas, são retratados o dia a dia dos moradores da metrópole em situações, por vezes, divertidas e irônicas, em outros momentos, trágicas. O mais impactante, além de sua arte impecável, é a sensibilidade que Eisner demonstra ao desnudar a vida, temperada pela solidão e pela indiferença, dos habitantes de uma metrópole, que, definitivamente, não é formada apenas por inúmeros edifícios, asfalto e trânsito caótico (isso me lembra minha querida São Paulo ❤).

Arrebatada pelo saudoso quadrinista norte-americano, escolhi o livro "Quadrinhos e arte sequencial" para conhecer um pouco sobre a criação de histórias em quadrinhos! No prefácio, o autor já me conquistou quando diz: "A premissa desse livro é de que, por sua natureza especial, a arte sequencial merece ser levada a sério pelo crítico e pelo profissional. O rápido avanço da tecnologia de impressão e o surgimento de uma era em grande parte dependente da comunicação visual tornam isso inevitável". O livro foi escrito a partir de ensaios que ele publicava na revista The Spirit e também do curso sobre arte sequencial que ministrou, durante duas décadas, na Escola de Artes Visuais de Nova York. Seu objetivo? "Abordar os princípios e as práticas da forma de arte mais popular do mundo de maneira estimulante e pragmática tanto para o estudante como para o profissional da área". Adorei o livro, pra mim, é um farol no mar revolto das HQs!                                                                                                                                          
Eisner em ação
O capítulo que aborda a escrita é inspirador. "A arte sequencial é o ato de urdir um tecido. Ao escrever apenas com palavras, o autor dirige a imaginação do leitor. Nas histórias em quadrinhos, ele imagina pelo leitor". Incrível! Em outro trecho, ele enfatiza que "cada componente está subordinado ao outro. O escritor deve se preocupar desde o início com a interpretação da história pelo artista, e o artista deve aceitar submeter-se à história ou à ideia". Imediatamente me faz lembrar de duplas irretocáveis como os franceses Goscinny, no texto, e Uderzo, na arte, criadores de Asterix, que adoro desde sempre! E também Zidrou, no texto, e Lafebre, na arte, autores dos doces e divertidos "Verões Felizes", que me conquistaram recentemente! 

Ao coração da tempestade 
Já "Ao coração da tempestade" é uma obra autobiográfica, ambientada na Segunda Guerra Mundial, em que Will, um jovem judeu convocado pelo exército americano, segue de trem para se apresentar ao seu batalhão. 
Da janela do trem, Eisner conta a história de seus pais, desde a chegada aos EUA, como viveram enfrentando o preconceito ao longo dos anos, ilustrando lindamente histórias de sua família e passagens marcantes de sua vida. Leitura tocante, em que o gênio dos quadrinhos nos brinda com momentos temperados por emoção, a começar pela dedicatória: "Este livro é dedicado a Ann, minha esposa e amada companheira. Seu carinho, sua sabedoria, sua perspectiva de vida e seu apoio infatigável durante nossos anos de jornada me conduziram pelas muitas tempestades criativas ao longo do caminho". Que delicadeza! Will Eisner é sinônimo de sensibilidade com seus traços fortes, seus personagens imperfeitos, humanos e cheios de nuances que nos prendem a atenção. O lendário quadrinista, que abriu as portas para novos artistas, influenciando seus contemporâneos e todos que vieram depois, a cada dia encanta, conquista e reconquista mais leitores! E nos faz sonhar com as inúmeras possibilidades que as HQs nos reservam! Salve a Nona Arte! Viva Eisner! :) 

quarta-feira, 29 de maio de 2024

Modo de fazer

Mesmo com tantos aparelhos, batedeira, liquidificador, air fryer, multiprocessadores, prefiro receitas que pedem apenas uma boa e velha tigela e um simples fuê, aquele batedor que, hoje, tem em qualquer loja de tranqueiras de cozinha e que serve pra misturar a massa delicadamente. Pois é, quando vejo uma receita que não exige aparelhos mil, logo copio e tento fazer. Adoro! Sem contar que acho um charme misturar os ingredientes seja com fuê, seja com colher, como uma feiticeira preparando poções mágicas! Ah! Gosto de receitas preparadas dessa maneira, porque aumenta, consideravelmente, a sensação de “feito por mim”! 

Bolo ou torta, não importa… ahahaha… até rimou! Se o modo de preparo pede para colocar ovos, leite e margarina derretida em uma tigela, já me interessa! É sinal que a receita vai fluir só na braçada, desculpe, mas tem dia que estou assim despachada, rimou de novo... ahahaha! Porém, sigam as orientações ao pé da letra, porque se é pra inventar, não precisa de receita. Mas, claro, fique à vontade se quiser experimentar variações, mas prefiro não arriscar, porque criar, no meu caso, só histórias e personagens... rsrsrs...

Voltando à tigela, tem satisfação maior do que acrescentar, aos poucos, a farinha e o fermento e depois levar ao forno sem pressa e aguardar lendo um livro, bordando, treinando boxe, enfim, fazendo o que quiser, desde que deixando a massa assar no tempo certo?! Pra dar um toque eepecial e ficar ainda mais gostoso, quando tirar do forno, derrame mel em toda a superfície... uau! Enquanto esfria, prepare um café no capricho (de preferência coado, porque combina mais com essa atmosfera nostálgica) pra saborear com uma fatia generosa do acepipe de fabricação própria… ahahaha… Isso mesmo, abra um sorriso... e aproveite... café com bolo é ❤️ :)

* Este texto é uma singela homenagem às receitas tradicionais da culinária, que, antes de qualquer coisa, aproximam as pessoas!

** Mais uma vez, a doce ilustração é da minha querida sobrinha, afilhada e designer Aline Cavalcante Donato (@ilustralika)! Obrigada pela parceria ❤️

sábado, 25 de maio de 2024

Em uma galáxia muito distante...

Claro que já tinha visto séries de ficção científica na TV, mas nada se comparava à ida ao cinema para assistir “O Império contra-ataca” e “O Retorno de Jedi”. E também ter a oportunidade de assistir, ainda que na TV, “Star Wars”, o primeiro episódio da Trilogia clássica e original, que, pra mim, poderia ter ficado só aí mesmo que tava ótimo! Adoro os três! No cinema, lembro até hoje a cena da floresta das sequoias gigantes, que coisa empolgante de se ver naquela telona! Ah! Luke Skywalker, mestre Yoda, Princesa Léia, Han Solo, Chewbacca, R2D2, C3PO... são diversão e encanto garantidos!

Confesso que fui poucas vezes ao cinema quando criança e adolescente. A grana era curta, mas tudo bem, porque muitos livros em casa e a criatividade em dia tornaram essa falta menos dolorosa. A chegada do videocassete melhorou um pouco o cenário, mesmo assim, a sensação de ir ao cinema é imbatível! Desde sempre, adoro mergulhar nos filmes pra esquecer, por algumas horas, as dores do mundo! Pra mim, é um ritual, gosto de ser das primeiras a entrar na sessão, recostar na poltrona, assistir aos comerciais e estar bem confortável no momento em que a sala escurece para iluminar nossa imaginação! Que alegria!


Vocês podem estar se perguntando porque estou falando da saga neste momento! Simples, porque o mês de maio é muito importante pra quem, como eu, é fã da trilogia clássica de Star Wars! Além de hoje ser aniversário de lançamento de dois deles, Guerra nas Estrelas (25/05/1977) e o Retorno de Jedi (25/05/1983); o Império contra-ataca tambem foi lançado nesse mês, só que no dia 21/05/1980! E este ano é ainda mais especial, pois, no dia 14/05, o cineasta George Lucas completou 80 anos! Lembrando que dia 4 de maio comemora-se o Dia de Star Wars e, hoje, também é comemorado o Dia do Orgulho Nerd! Ê maio intenso! Viva a Sétima Arte! Parabéns à querida saga e ao seu criador! Q
ue a força esteja com você... conosco... com todos! :)