A arte está em todos os cantos, lustres, teto, esculturas... e a escadaria... é de tirar o fôlego! Cada passo me prepara para um encantamento ainda maior quando me deparo com as clássicas poltronas, as galerias, o fosso da orquestra, o palco... que beleza poder admirar um templo da cultura assim de pertinho, tantas histórias e artistas já passaram por ali!
sábado, 22 de fevereiro de 2025
Vamos ao Theatro!
A arte está em todos os cantos, lustres, teto, esculturas... e a escadaria... é de tirar o fôlego! Cada passo me prepara para um encantamento ainda maior quando me deparo com as clássicas poltronas, as galerias, o fosso da orquestra, o palco... que beleza poder admirar um templo da cultura assim de pertinho, tantas histórias e artistas já passaram por ali!
quarta-feira, 19 de fevereiro de 2025
Uma ilha e seus segredos
A narrativa é permeada pela fantasia, com pitadas de poesia que torna a leitura envolvente e, ao mesmo tempo, inquietante. Alguns trechos são encantadores, como: "A cozinha me transporta para distantes doçuras. Como se no embaçado dos seus vapores, se fabricasse não o alimento, mas o próprio tempo. Foi naquele chão que inventei brinquedo e rabisquei os meus primeiros desenhos. Ali escutei falas e risos, ondulações de vestidos. Naquele lugar recebi os temperos do meu crescer".
A maneira poética de falar sobre a cozinha nos aproxima dos personagens. Nos identificamos, porque este cômodo da casa também no Brasil e em qualquer parte do mundo costuma ser lugar de encontros, conversas e lembranças da família!
Outro trecho que destaco é quando Marianinho chega à casa de seu pai Fulano Malta: "Em Luar-do-Chão não se bate à porta, por respeito. Quem bate à porta já entrou. E já entrou nesse espaço privado que é o quintal, o recinto mais íntimo de qualquer casa. Por isso, à entrada do quintal de meu pai eu bato palmas e grito: - Dá licença?". Isso me lembrou a infância, quando morávamos em casa e as palmas no portão eram o sinal de que chegavam visitas. Todo quintal, toda casa devem ser respeitados!
Além de falar das tradições do lugar, o autor aborda ainda os conflitos que o progresso traz ao meio ambiente, ou seja, um livro para refletir. Viva a Literatura em Língua Portuguesa! :)
sábado, 15 de fevereiro de 2025
Nicolau e Marcelino
René Goscinny é um encantador roteirista de quadrinhos, que ao lado do ilustrador Uderzo nos proporcionou belas e divertidas aventuras do icônico Asterix.
Mas hoje, quero falar de "O pequeno Nicolau" (Le petit Nicolas), de Goscinny com ilustrações do querido Jean-Jacques Sempé.
A obra conta a história de Nicolau e seus amigos, alunos absolutamente arteiros, que enlouquecem a professora e deixam os inspetores e o diretor da escola de cabelos em pé.
Mesmo com várias situações embaraçosas e dignas de pestinhas, há toda a leveza e a alegria de uma infância saudável, de tempos em que o recreio era hora de brincadeiras e diversão certa para as crianças... longe de celulares e redes sociais... infância analógica... a melhor e, certamente, a mais recomendada!
Com esse menininho sapeca, Goscinny mais uma vez nos brinda com uma narrativa sensível para além da diversão, enfatizando o que é mais importante na vida, as amizades, saber lidar com as diferenças, e a alegria de contar com os pais em momentos difíceis.
A ilustração de Sempé em "O Pequeno Nicolau" complementa a narrativa de Goscinny com maestria, seu traço fino e delicado nos coloca dentro do universo desse menininho levado e nos faz lembrar de nossos tempos de escola.
Ainda sobre Sempé, todos aqui sabem o quanto admiro sua arte e não posso deixar de destacar também a leve e divertida historia de "Marcelino Pedregulho" (Marcellin Caillou).
Marcelino é um menino que fica enrubescido sem motivo, podemos ver seu rostinho vermelho em várias situações. Mas aos poucos, ele vai aprendendo a enfrentar o problema, driblando as perguntas de todos sobre sua "mania" de ficar vermelho do nada, até que um dia conhece Renato Rocha, um menininho que espirra toda hora, sem nunca ter ficado resfriado.
A partir daí, os dois se tornam amigos, aceitando suas peculiaridades como nas verdadeiras amizades até que, de repente, Renê muda de bairro e... não vou contar mais nada. Prefiro que cada um experimente os encantos do mestre do cartum. Em "Marcelino Pedregulho, os traços finos de Sempé são de uma delicadeza ímpar e, de maneira sutil, ele nos faz ora gargalhar, ora refletir! Viva a inspiradora Nona Arte! Viva Goscinny e Sempé! :)
quarta-feira, 12 de fevereiro de 2025
Ah... esse calor
– Por isso, tô sempre propondo refeições leves e muita água!
– E se o calor fosse só de derreter os miolos, beleza! Mas tem as enchentes, os deslizamentos de terra... todos potencializados por esse clima de deserto extremo.
– Mas o céu tá bonito... iluminado!
– Concordo, mas é só pra gente se encantar e esquecer que daqui a pouco lá vem chuva da braba.
– Você está muito tensa, amor!
– Ah! É um calor do caramba... perco a paciência só de ver o termômetro de rua nas alturas! Mesmo assim, fui resolver várias coisas tentando ignorar o suor escorrendo pelas costas e dissolvendo a maquiagem!
– Percebi que você voltou chateada... desabafe... conta o que te deixou com o fio desencapado!
– Ahahaha... bobo!
– Provoquei um sorriso... tô no lucro... conta tudo!
– Vou ser bem sucinta: pra começar passei por quatro farmácias pra conseguir comprar um remédio, sendo que em uma delas quase esfreguei o nariz do atendente na receita pra ele entender o que estava escrito.
– Que vergonha, mas você não esfregou o nariz...
– ... claro que não... se eu fizesse tudo o que tenho vontade...
– Pois é, também tenho vontades que ficam só no pensamento.
– Sei bem, lembro como se fosse hoje... ahahaha... sempre quis falar essa frase emblemática... lembro como se fosse hoje você querendo quebrar a cara de todo mundo naquele café por causa de uma simples canela.
– Como simples canela? Eu não gosto de canela, deixei claro durante o pedido e eis que o cara me apresenta uma xícara de cappuccino repleta de canela!
– O pedido era da mesa ao lado, o rapaz errou...
– Mas me irritou, porque quando eu disse que não gosto de canela ele fez uma cara de deboche...
– Já te falei que não foi deboche, o rapaz era novo no trabalho, tava nervoso... aquilo foi uma tentativa de sorriso de desculpas.
– Tá bem, mas voltando ao calor... o que mais aconteceu?
– Ah! Deixa pra lá... foram só alguns contratempos que não vale a pena relembrar...
– Ah! Que linda! Só vale a pena relembrar as minhas agruras? E cadê a mulher atormentada pelo calor extremo?
– Tô mais calma, aliás, você me acalmou, meu chazinho de erva-doce!
– Você gosta é de rir da minha cara... sacanagem!
– A recíproca é verdadeira, amor!
– Ahahaha... a gente é doce! :)
* A foto que ilustra esta calorosa crônica é o registro que fiz de uma tarde de sol escaldante.
sábado, 8 de fevereiro de 2025
Viagem dos sonhos
Tênis escolhidos: um par confortável pra relaxar no avião e outro que será o modelo oficial para as caminhadas. Sem esquecer que separou uma grana pra comprar mais um par em uma das cidades visitadas. Safira adora trazer tênis de lembrança das viagens, mesmo que amigos e familiares digam que esse tipo de calçado é pesado demais. Ora, quem ouve vai pensar que ela calça 50, como os jogadores de basquete... ahahaha... e mesmo que calçasse 50, certamente, traria um par!
quarta-feira, 5 de fevereiro de 2025
Aconteceu em Paris!
sábado, 1 de fevereiro de 2025
Poéticos e humanos
O autor conta a história de dois vizinhos, o artesão Itaro e o oleiro Saburo, no Japão antigo. Enfrentando todo tipo de dificuldades, os dois consideram-se inimigos, o que torna essa relação ainda mais difícil.
Saburo, que morava com a esposa Fuyu, cultivava há tempos flores na orla da montanha... sua intenção era que o jardim funcionasse "como escola de modos, uma lição de ternura e respeito que ensinaria a todas as fomes a importância de respeitar a vida das pessoas". Mesmo assim se tornou viúvo de maneira trágica.
Itaro, por sua vez, morava com a irmã mais nova, Matsu, e a criada, senhora Kame. Ele pintava leques e aprendera a arte com o pai. "O artesão era um cúmplice da natureza, um certo intérprete. Como se avivasse a memória antiga à coisa inerte. O gesto precisava ser único, sem repetição, para que a obra comparecesse na espontaneidade possível. Os crisântemos, explicava o pai, devem nascer de verdade no calmo papel de arroz. Mais do que pintar, os artesãos semeiam. Declarava solenemente. Semeia as flores no papel, filho. Lavra".
Apenas nesses dois trechos, percebemos a delicadeza crua desses dois homens, como o próprio título diz, imprudentemente poéticos! Ao longo das páginas, o autor joga luz às profundezas do ser humano, suas alegrias, tristezas, traumas, medos!
Concordo com Laurentino Gomes, que escreve o prefácio, acima de tudo, a obra tem conteúdo profundamente humano. E vale a pena ser lida com calma e reflexão! Viva a literatura em língua portuguesa! Salve a sensibilidade de Valter Hugo Mãe! :)




















