quarta-feira, 12 de novembro de 2025

As primeiras tirinhas

Mais uma vez, passei por uma banca de jornal só pra dar uma olhadinha e eis que me deparo com "Tiras Clássicas - Turma da Mônica"! Ah! É sempre bom encontrar publicações especiais com a gênese de personagens tão queridos como os de Maurício de Sousa! 

A coletânea traz as primeiras tirinhas publicadas em jornais, no começo da década de 1960, com o título Cebolinha, que deu início à bela carreira de nosso querido quadrinista que, recentemente, completou 90 anos de vida!

Ao longo das páginas, podemos ver que o menininho charmoso que troca a letra "r" pela "l" desde sempre gostou de pregar peças nos colegas e, inclusive, já provocava Mônica, a menina baixinha e cheia de atitude que, por sua vez, veio a se tornar nossa mais do que querida dona da rua!

O primeiro volume traz muita diversão e os primeiros traços de Cebolinha, Floquinho, Franjinha, Bidu, Cascão, Xaveco (cujo nome era grafado com "Ch"). E uma curiosidade: Zé Luís era apresentado como irmão mais velho da valente Mônica, mas depois esse parentesco deixou de existir! 


Agora, vou querer os próximos volumes das "Tirinhas Clássicas"... rsrsrs... Ah! Vale muito a pena! É uma leitura leve e relaxante sobre essa adorável turminha que nos acompanha desde a infância! Aplausos ao talento admirável de Maurício de Sousa! Viva as doces tirinhas de jornal! :)

sábado, 8 de novembro de 2025

A alegria de visitar uma livraria

Livrarias são oásis de sonhos, ideias, inspiração! Visitar uma livraria é descobrir novos autores; acariciar livros que não podemos comprar, mas que, imediatamente, incluímos em nossa lista de desejos; é esconder o exemplar que queremos no fundo da prateleira pra ninguém comprar antes; é olhar cada uma das seções com olhos infantis, transbordando de alegria! É folhear um exemplar e, lendo a contracapa, ter a curiosidade aguçada!

Tudo bem que durante a pandemia, por pura necessidade de ler enquanto o mundo parava, acabei recorrendo aos livros eletrônicos... agradeço a companhia deles, mas nada como ter um livro físico em mãos, destacar os trechos que mais nos marcam na obra. No meu caso, uso marcadores de papel, não gosto de grifar nem anotar nas páginas, mas cada um na sua, quem gosta, beleza! O importante é ler e aproveitar tudo que a leitura tem de bom!

Esta semana, fui a uma livraria e até esqueci a dor na coluna... rsrsrs... pelo menos, enquanto andava por entre as estantes e me encantava com escritores conhecidos e garimpava novos universos literários! Ir ao encontro de livros e HQs é sempre bom, ainda que seja só pra passar no leitor do código de barra e assustar com o preço... rsrsrs... Ou organizar o bolso pra, quem sabe, comprar numa próxima vez e se o orçamento permitir, ter a satisfação de sair com a sacolinha recheada! Sim, claro que também apoio as bibliotecas! Elas são democráticas, inclusivas e generosas, mas é que sempre tem aquele autor ou autora que a gente quer e precisa ter em nossa estante, aí a livraria nos garante as aquisições desses livros que nos são especiais.

Mas voltando às livrarias, prefiro as de rua, são adoráveis e nos proporcionam passeios incríveis. Além de perambular por diversos gêneros litérarios, podemos fechar a programação tomando um café... adoro livrarias com cafeteria como, por exemplo, a Martins Fontes da Paulista, a Livraria da Vila da Fradique Coutinho... e até a Realejo, de Santos (cuja visita cultural pode ser um bate-e-volta com direito a uma caminhada na praia).

Ah! Só queria registrar meu amor pelas livrarias e dizer que elas são meu passeio preferido, desde que a programação inclua café e bolo... rsrsrs... Viva as queridas livrarias de rua! Viva a Literatura e seus encantos! :)

quarta-feira, 5 de novembro de 2025

Memórias e poesia em quadrinhos

"Mais uma história para o velho Smith", do quadrinista, chargista e ilustrador Orlandeli, aborda identidade, memórias e o destino das lembranças, depois que elas vão embora. Vencedora na categoria Histórias em Quadrinhos do Prêmio Jabuti 2025, a HQ é poesia e arte irretocáveis! O autor nos brinda com ondas de emoção e humor sutil ao longo de toda a narrativa. O carismático protagonista é um grande contador de histórias, o que me conquistou logo de cara! 

Sempre que voltava do mar, todos paravam para ouvir as histórias do marinheiro até que um dia ele não consegue mais se lembrar delas. Então, decide retornar ao mar para tentar recuperar suas lembranças e, a partir daí, vive várias situações curiosas e bastante reveladoras. 

Ah! A HQ é encantadora não só por ter como cenário o mar e seus mistérios, mas também por nos apresentar um protagonista tão humano e simpático como o velho Smith, que nos faz refletir sobre nossas próprias lembranças! Aplausos para Orlandeli e seu mais do que merecido Jabuti! Viva as HQs brasileiras! :)

sábado, 1 de novembro de 2025

Bela ilustração e boas reflexões

Quando comprei "Celestia", do italiano Manuele Fior, no ano passado, fiquei curiosa para ler, também porque adoro ilustração em aquarela. Confesso que a primeira vez que li, não entendi nada... rsrsrs... e guardei na estante pra tentar mais tarde. Passaram-se meses e toda a vez que eu comprava uma nova HQ ou novo livro tinha a impressão que Celestia me olhava com uma lágrima no rosto, como a de seu protagonista, Pierrô.

Já a segunda tentativa de leitura deu certo! Em primeiro lugar, quero dizer que a ilustração aquarelada de Fior é de uma sensibilidade e uma beleza que, certamente, nos ajuda a compreender melhor o universo criado pelo italiano!

A narrativa é sobre a chamada "Grande Invasão", que devastou o continente, quando alguns sobreviventes encontraram refúgio em Celestia, uma pequena ilha de pedra, construída há mais de mil anos.


Os protagonistas Pierrô e Dora vivem com um grupo de jovens telepatas, mas por diversas razões, resolvem conhecer o continente, onde adultos são guardiões do "mundo antigo".

A leitura é uma sucessão de belas imagens e diálogos que nos provocam reflexões sobre a humanidade, suas fraquezas e complexidade. É uma HQ que exige mente aberta para absorver toda a sensibilidade de seu autor.

Vale pela beleza da ilustração e por tudo que nos faz refletir, principalmente, em tempos de ruído na comunicação, pouca conexão entre as pessoas e um mundo cada vez mais cruel e nada gentil como temos visto frequentemente por toda parte! Viva a arte que nos salva! Viva o alívio e a reflexão provocados pelas queridas HQs! :)

quarta-feira, 29 de outubro de 2025

Encontro especial

Olhando as gotas de chuva escorrendo pela janela, Antoine lembra quando conheceu Blanche. Foi num dia chuvoso como hoje, há quase uma década, em uma charmosa rua da capital francesa.

Naquela tarde, a chuva fina e fria deixava o dia introspectivo, ainda assim, Antoine decide fazer seu passeio diário. Sobretudo, cachecol e guarda-chuva, ele sai pelas ruas de Paris. Desde criança, sempre gostou de sair na chuva, inclusive, adorava brincar pulando nas poças para espalhar a água ou dançar imitando Gene Kelly no famoso filme de Hollywood. Porém, agora, só se permite andar calmamente ouvindo o alegre tamborilar dos pingos no guarda-chuva, o que considera um enorme prazer.

Quando dobra a esquina, Antoine se depara com uma rua quase vazia, a não ser pela presença delicada de uma senhora muito elegante, mas nada previdente... está sem guarda-chuva... será que está desorientada?

Ora, Antoine, que exagero... desorientada! Vai ver é apenas uma mulher que não se preocupa com convenções, afinal, tomar chuva não é uma contravenção, mas pode ser considerada contraindicada para pessoas com problemas respiratórios que, obviamente, devem evitar as mudanças bruscas de temperatura.

Assim de longe, ela parece bonita e, pelo que percebo, está olhando pra mim... o que será que está pensando? Será que estou bem vestido para a ocasião? Que ocasião, Antoine? Olha o exagero de novo, concentre-se no passeio. Mas que essa senhora está olhando pra mim está. Ela tem um cabelo bonito... e esse casaco de poá lhe cai muito bem!

Não sei se atravesso a rua, sei lá, pode pensar que estou flertando e se ofender. Vou ficar mais um pouco, quem sabe ela dá o primeiro passo... chato é ficar aqui de guarda-chuva vendo uma dama desprotegida.

Do outro lado da rua, Blanche parece irritada... adora dias chuvosos, mas, foi surpreendida... não acredita que esqueceu de pegar o guarda-chuva! Olhando indignada para o céu, se pergunta: Como assim? O dia nasceu tão limpo!

Parada na calçada, ela sente os pingos escorrerem pelos cabelos e, aos poucos, serem represados no cachecol, mesmo assim não perde a elegância! Sorte que a chuva é fina, basta apenas ser ágil e correr até a cafeteria mais próxima. Uma boa xícara de café sempre resolve os problemas, pelo menos, os mais simples como ser pega desprevenida por uma chuva que não avisou que cairia.

Só quando olha para frente, Blanche vê um homem, de guarda-chuva, do outro lado da rua... este é prevenido! Aposto que é organizado... se veste bem, gostei do cachecol. Ah! Por favor, não romantize a cena, é apenas um senhor se preparando para atravessar a rua. Mas é elegante!

Quanto tempo será que estou parada nesta esquina? Parece que estou enraizada nesta calçada! Qual o problema, Blanche? Talvez o problema seja estar sempre esperando que um herói venha me salvar... mesmo que o perigo seja apenas pegar um resfriado... rsrsrs... Por que estou falando de herói? Que coisa mais sem pé nem cabeça! Bem que ele poderia ser cavalheiro, vir ao meu encontro e me proteger da chuva... olha aí, de novo, divagando como uma adolescente.

Decididos, começam a atravessar a rua... passos lentos e olhos pregados um no outro, como se estivessem conectados por um ímã. Antoine traz um sorriso tímido estampado no rosto e Blance, um brilho discreto no olhar!

No meio da rua, estendem a mão para um cumprimento formal. Boa tarde, sou Antoine! Boa tarde, meu nome é Blanche! Posso lhe dar uma carona em meu guarda-chuva? Claro, seria um prazer. Estava pensando em tomar um café, posso convidá-la? Incrível, pensei nisso logo que parei naquela esquina... se puder me acompanhar, Antoine, vou adorar! Estou aqui para isso, Blanche!

De repente, ele dá um salto da poltrona como se acordasse de um sonho... Blanche está na sua frente com uma bandeja na mão. Fiz café... você estava dormindo? Não, querida, estava lembrando. Ah! Com essa chuvinha, já sei o que estava lembrando: de nosso encontro em Paris! Antoine dá uma piscadela e começa a arrumar espaço na mesa para a bandeja do café. Você pode me ajudar, cortando o bolo, querido? Claro, Blanche... continuo aqui para isso! :)


* A foto que ilustra essa romântica crônica é de minha autoria, como meus personagens, também adoro ouvir o barulhinho da chuva e admirar as gotas d'água escorrendo pelo vidro da minha janela! ❤️  

sábado, 25 de outubro de 2025

Uma obra inquietante

Ler Fiódor Dostoiévski é um desafio, muitos nem se atrevem... rsrsrs... Confesso que só tinha lido "Noites Brancas", mas sempre olhei com curiosidade para a obra-prima do escritor russo.

Orientada por meu irmão Gerson (leitor assíduo e contumaz, além de historiador), resolvi deixar para me jogar em "Crime e Castigo" posteriormente, mas pra ir me preparando, ele me presenteou com "O Sósia", uma leitura inquietante e envolvente. 

De cara, o prefácio, assinado por Oleg Almeida, mostrou um paralelo do autor com Nikolai Gógol, de quem tenho "Teatro Completo", que me foi indicado pelo meu saudoso irmão Geraldão! Aí me conquistou fraternalmente em dobro...rsrsrs... Almeida explica que "se não houvesse Gógol, tampouco haveria Dostoiévski, seu aluno e sucessor; por outro lado, se Gógol se mostrou, ao longo de toda a sua vida, afeito ao fabuloso, antevendo, ou melhor, antecipando o realismo mágico dos nossos dias, Dostoiévski deu um largo passo em direção à moderna prosa realista de cunho psicológico, que ainda estava aberta a toda espécie de manifestações extraordinárias, porém já excluía a visão folclórica, mitológica ou supersticiosa destas para explicá-las com base no conhecimento positivo dos processos naturais. Digamos que, mesmo sem serem sósias perfeitos, Gógol e Dostoiévski equivaliam às duas faces da mesma medalha, completando-se e harmonizando-se na perfeição sinérgica de sua arte." 

Como podem ver, gostei desde o prefácio... rsrsrs... Mas vamos à obra, propriamente, dita! A narrativa começa com o Yákov Petróvitch Goliádkin acordando de um sono prolongado e a descrição que o autor faz de suas sensações é de uma riqueza que encanta e surpreende. 

Adoro esse trecho: "Olhavam para ele, de modo familiar, as paredes de seu quartinho, fuliginosas e empoeiradas, cuja cor esverdeada parecia um tanto suja, sua cômoda de mogno, suas cadeiras de certa madeira a imitar o mogno, sua mesa pintada de tinta vermelha, seu sofá turco, revestido de oleado avermelhado com florezinhas verdinhas, e, finalmente, suas roupas tiradas às pressas, na véspera, todas amassadas largadas sobre o sofá. Por fim,  dia outonal , cinzento turvo e sujo como era, olhava para dentro de seu quarto através de uma janela embaçada, tão sombrio e com um esgar tão azedo que o senhor Goliádkin não podia mais, de jeito nenhum, duvidar de que não estava num reino de berliques e berloques qualquer e, sim, na cidade de Petersburgo, na capital, na rua Chestilávotchnaia, no terceiro andar de um prédio de alvenaria, bastante grande, em seu próprio apartamento. Ao fazer tal descoberta importante, o senhor Goliádkin fechou espasmodicamente os olhos, como se estivesse lamentando seu sono recente e querendo reavê-lo por um minutinho."

Logo na primeira página, o protagonista me conquistou e aguçou minha curiosidade para conhecer seu mundo e suas sensações. E desde o início, o senhor Goliádkin já se mostra uma pessoa levemente atormentada... rsrsrs... nada que não tenha se agravado a partir do momento em que entra na história seu tal sósia, que o atormenta, ao longo das páginas, deixando-o  em um estado de abandono e ansiedade que só mesmo um gênio da Literatura para criar uma narrativa com tamanha tensão psicológica. Confesso que me afeiçoei ao senhor Goliádkin e torci por ele até a última linha.

Gosto de como Dostoiévski cria Goliádkin, um misto de ingênuo, inseguro, irônico e, acima de tudo, resiliente (olha eu lançando mão de uma palavra que tá na moda... rsrsrs)... porque por mais que ele estivesse enfrentando uma situação horrorosa e, por vezes, sem saída, ele sempre pensava: "Não é nada... tudo isso ainda pode muito bem melhorar". Como não torcer por um cidadão assim?

O autor sabe fazer crítica social e política sem deixar de se valer do humor para mostrar as fraquezas e vilanias humanas. Aplausos para a genialidade de Dostoiévski! :)

quarta-feira, 22 de outubro de 2025

Banca de jornal, HQs e desenhos animados

Estava eu voltando do mercado e resolvi passar na banca de jornal! Ah! Que saudade de quando as bancas de jornal tinham tudo que a gente precisava... rsrsrs... revistas de todos os tipos, histórias em quadrinhos, álbuns de figurinhas e, obviamente, jornais. 

Banca de jornal era sinônimo de alegria! Hoje, a maioria delas tenta se manter vendendo de um tudo e entre os diversos produtos expostos, de vez em quando, conseguimos encontrar algumas revistas, hqs e o velho e bom jornal... quer dizer, mais ou menos, nem o tamanho é mais o mesmo e o conteúdo... melhor mudar de assunto!

A banca de jornal em questão ainda parece as antigas, entrei e comecei a olhar as hqs. Sabe aqueles dias em que você quer ler alguma coisa que te transporte para um mundo menos hostil do que o que estamos enfrentando? Então, entrei decidida a encontrar um gibi barato, que me divertisse, provocasse risos e aquela sensação leve que só os desenhos animados de décadas atrás conseguiam!

Pois é... entre tantas histórias em quadrinhos, descobri uma de "Os Flintstones" e outra de "Os Jetsons"! Com um precinho legal, nem cheguei a titubear, comprei uma revisitinha de cada! E o mais legal é que quando fui pagar, o jornaleiro disse: "Ah! Tá com saudades dos desenhos animados que a gente via?" Ao que respondi, sorrindo: "é mesmo, eu assitia todos esses, adorava"... e ele retrucou, animado: "eu também passava horas assistindo esses e outros tantos desenhos na TV"!

Saí de lá satisfeita com minhas aquisições, cheguei em casa, li as duas revistinhas de uma vez, rindo e lembrando que, quando criança, a gente brincava no quintal o dia inteiro, depois tomava banho e ia assistir na TV esses maravilhosos e eternos desenhos animados, criados por William Hanna e Joseph Barbera! Queridos por gerações e gerações!

Ah! Com uma simplicidade genial, essas HQs trouxeram de volta o sorriso da Gi pequenininha, que adorava assistir desenhos animados com Fred, Wilma, Pedrita, Dino, Barney, Betty, Bambam, George, Jane, Judy, Elroy, Astro, Rosie... e outros, como Pernalonga, Patolino, Gaguinho... personagens adoráveis que inundam de alegria nossa memória afetiva! Aplausos para a dupla Hanna/Barbera que nos inspirou na infância e continua nos inspirando! Viva os desenhos animados! Viva as histórias em quadrinhos! :)