quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Tempos ainda difíceis para os sonhadores

No dia 29/08, me chamaram a atenção as postagens que faziam referência ao filme "O Fabuloso Destino de Amélie Poulain" (2001), confesso que nunca havia assistido e alguma coisa me dizia que era o que eu precisava no momento e, finalmente, assisti... 25 anos depois do lançamento! Fazer o quê, às vezes, a correria é tão insana que acabamos por perder histórias que, certamente, nos dariam aconchego!

Ah! Adoro filmes franceses! Adorei tudo! Com direção de Jean-Pierre Jeunet e roteiro dele e de Guillaume Laurent, o longa já me conquistou logo no início, quando o narrador começa a apresentar cada um dos personagens, suas características e manias... Os pais de Amélie são um caso à parte... rsrsrs... ele, médico, não tem o hábito de demonstrar carinho à filha e acaba por diagnosticá-la com uma doença fictícia, o que faz com que a menina não frequente a escola; a mãe é professora, tem tique nervoso, gosta de dar lustro no assoalho com suas pantufas e coube a ela alfabetizar a pequena em casa mesmo. Assim, sempre sozinha, privada da companhia de outras crianças, Amélie inventa um mundo só dela!

Depois que a mãe morre em uma tragédia, a menina passa a viver com o pai. Quando adulta, resolve sair de sua cidade, no norte da França e vai morar em Montmartre, bairro parisiense, trabalhar como garçonete no charmoso Café Des Deux Moulins. Mais uma vez, o narrador nos apresenta a dona, as funcionárias e os clientes do café, além dos moradores do prédio onde mora a protagonista... todos hilários em suas esquisitices. Amélie (interpretada brilhantemente pela atriz Audrey Tautou) segue sonhadora... ah... ela adora quebrar a cobertura do crème brûlée com a pontinha da colher! 

Adoro filmes que misturam fantasia e realidade, que valorizam os pequenos gestos de carinho e atestam que as coisas mais simples do cotidiano são as mais importantes da vida! O cinema sabe ser, ao mesmo tempo, emocionante e divertido, e nos fazer refletir!

As cenas com o anão de jardim do pai são impagáveis... rsrsrs... Pra incentivá-lo a viajar, ela pega o dito cujo escondida e, de repente, o pai começa a receber cartas com fotos do anão de jardim em várias partes do mundo, como um turista dos mais viajados... e o melhor de tudo é a reação nonsense do Senhor Poulain, olhando as fotos e dizendo: "Eu não entendo"... ahahaha...

Quando Amélie vê Nino Quincampoix  (Mathieu Kassovitz) é amor à primeira vista.. ele coleciona fotos rasgadas e rejeitadas por seus donos em cabines fotográficas... pois é, cada um com sua mania... rsrsrs... Mesmo querendo encontrá-lo novamente, ela uso de bizarros estratagemas qua acabam por adiar esse reencontro... mas aí é que está a delicadeza do filme... nos detalhes!

Ah! Não vou contar mais nada, porque o melhor é cada um mergulhar nessa doce viagem à Paris! Além do longa me encantar pelo roteiro pontuado pelas várias formas de amor e pela bela fotografia, preciso registrar que o guarda-chuva vermelho de bolinhas brancas foi o ápice da identificação: tenho um igualzinho... me reconheci ainda mais na história da romântica Amélie Poulain! E reafirmo: são tempos ainda difíceis para sonhadores! Viva a inventividade e a ternura do Cinema Francês! Viva a Sétima Arte! :)

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