sábado, 17 de outubro de 2026

Um sábado relaxante

– Que manhã gostosa, amor!

– Também adorei, querida! Fazia tempo que a gente não tirava o sábado pra passear sem rumo. 

– Pois é... e nossa passada rápida na banca de jornal me aliviou uma saudade enorme...

– Sei bem... achei que seria interessante sair pra arejar um pouco sem programação.

– Ah! E adorei comprar palavras cruzadas.

– Lembrou da sua velhinha, amor?

– Às vezes, a gente acorda assim... com saudade de quem foi e continua sendo importante pra gente, mesmo sem estar mais aqui...

– Era você quem comprava as palavras cruzadas?

– Não, querido! Eu era pequenininha... tava começando a aprender a ler... minha mãe que comprava... e era uma alegria imensa ver os olhos brilhantes da minha avó pegando a sacolinha e começando imediatamente a fazer as palavras cruzadas... era uma boa terapia pra ela... e, inclusive, é muito bom pra saúde dos mais velhos! 

– Opa! Acho que tá na hora da gente começar a armazenar palavras cruzadas... rsrsrs... 

– Ahahaha... bobo, mas é bom mesmo!

– Concordo! Só falei pra alegrar o dia!

– Você sempre me alegra o dia...

– ... não é isso que você diz quando esqueço a toalha na cadeira do quarto... e isso porque não é na cama... ahahaha...

– Ahahaha... mas depois que dou bronca, sempre faço um carinho pra amenizar...

– Ahahaha... aí, realmente, me alegra o dia.

– Deixa de safadeza... eu tava aqui num momento doce, lembrando de minha avó e você vem...

– Quem começou a me provocar foi você dizendo que depois das broncas faz carinho aqui no seu menino travesso... rsrsrs...

– Ahahaha... sem comentários! Tá mais pra menino maluquinho...

– Gostei... grande Ziraldo! Mas voltando à sua avó... sabe o que me deu vontade de fazer agora?

– Palavras cruzadas?

– Ahahaha... mais tarde! Agora tava pensando que a gente podia fazer aquela bolachinha de amêndoas que ela te ensinou... 

– Ah! Adorei, amor! É uma forma de lembrar um pouquinho mais dela nessa manhã tranquila.

– Posso ajudar, untando a forma...

– Claro que quero sua ajuda, vamos fazer a bolachinha em homenagem à minha avó, mas sem bagunça!

– Ah! Assoprar um pouquinho de farinha em você não pode ser classificado como uma bagunça propriamente dita!

– Ahahaha... nem vem, depois sou eu que tenho que limpar a cozinha toda por conta da sua suave assopradinha. Por que você não unta a forma como todo mundo?

– Como diria nossas mães e, provavelmente, sua avó... eu não sou todo mundo!

– Original, ele!

– Grosseira, ela! Mas adoro mesmo assim.

– Ah! Então vem alegrar meu sábado, menino travesso!

– É pra já! :)


* Outro dia, pela manhã, passei na banca de jornal e quando olhei para as revistas de palavras cruzadas, imediatamente, lembrei que minha querida e saudosa mãe adorava! Uma doce lembrança que me inspirou a escrever esta singela crônica! ❤️

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