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| Ilustração: Kleverson Mariano |
Casaizinhos caninos são encantadores... Dama e Vagabundo, Pongo e Pepita são clássicos e devem inspirar cãezinhos românticos pelo mundo afora. Este é o caso de Boris e Brenda aí do lado... rsrsrs... Toda a vez que Boris era levado pelo dono para passear no parque, ele imaginava a doce cena em que Pongo se encanta por Pepita e ficava atento a tudo que acontecia ao seu redor pra, quem sabe, conhecer sua futura companheira. Voltava pra casa sempre tão agitado que o dono não entendia por que seu cachorro parecia ficar mais estressado depois do passeio, será que ele gostava mais de ficar no quintal correndo atrás de sua bolinha? Impossível... todo cachorro gosta de dar seu rolê.
Com Brenda não era muito diferente, durante os passeios ela estava sempre de orelha em pé... modo de dizer... suas orelhinhas são um charme caidinhas como um cabelo bem cuidado... rsrsrs... mas o fato é que sua dona chegava a ficar meio envergonhada, porque sua cadela não gostava simplesmente de brincar, na verdade, parecia uma fofoqueira... olhando pros lados, procurando sabe-se lá o quê... e toda a vez que passavam em frente à cantina do seu Francesco, ela parava e ficava olhando as mesinhas com os casais enamorados. Mas como a dona de Brenda não queria incomodar o almoço alheio, sempre dava um leve puxãozinho na guia e Brenda seguia cabisbaixa... Ah! Tadinha, ela ficava magoada, queria ser a Dama para dividir uma macarronada com um belo companheiro, como o sedutor Vagabundo.
Morando em uma metrópole, em bairros de regiões diferentes, como, cargas d'água, Boris e Brenda viraram esse casal que estamos conhecendo? O leitor pode pensar: simples, os donos procuraram companheiros para seus cãezinhos em abrigos, em canis ou, quem sabe, por intermédio de amigos, conhecidos, familiares. Ah, por favor, sem mesmices... rsrsrs... A verdade é que, depois de muitos passeios nada produtivos, Boris e Brenda se acharam quando se perderam de seus donos. Sim, aconteceu numa daquelas caminhadas em que eles são chamados de pets... argh... que horror, eles abominam essa mania de chamá-los com o mesmo apelido das garrafas de refrigerante... rsrsrs...
Irritações à parte, durante o tal evento, houve um incidente lamentável. Uma queima de fogos com direito a pavorosos rojões disparados de uma empresa em festa, assustou os animais e a caminhada passou a ser uma correria desembestada... alguns cães, entre eles, Boris e Brenda, se soltaram de seus donos e correram para o parque para se protegerem do perigo. Aterrorizado, rabo entre as pernas, Boris tentava se esconder em um moita, quando sentiu seu traseiro encostar em outro traseiro... ai... era Brenda... tremendo de medo, os dois viraram ao mesmo tempo e... que amor! Finalmente, Boris achou sua Pepita e Brenda, seu Vagabundo! Melhor do que na imaginação, agora eles são um casal... nada mais vai separá-los. O leitor pode perguntar: como isso vai se resolver se os donos nem se conhecem? Ah... aí é problema dos humanos... porque, como diria Lulu Santos, "tolice é viver a vida assim, sem aventura... deixa ser pelo coração... se é loucura, então, melhor não ter razão"! Viva os necessários últimos românticos! :)
* Agradeço, mais uma vez, a generosidade de Kleverson Mariano (@kleverson_mariano) em autorizar que eu ilustrasse minha delicada e canina crônica com sua bela arte... 😉

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