sexta-feira, 15 de setembro de 2023

Velhinho

Hoje, quando embarquei no Metrô, resolvi que seria um daqueles dias em que aproveito pra fechar os olhos e ficar só imaginando mil coisas boas. E minha atitude veio bem a calhar, porque, em determinada estação, entrou um velhinho com aquela cara de nitroglicerina pura.

Como assim nitroglicerina pura?

Ah! Sabe aqueles velhinhos que gostam de conversar e só esperam o momento em que seu olhar cruza com o deles pra explodir palavras por todos os poros? E fica naquele quase monólogo em que na hora em que ele dá uma respirada, você responde apenas "pois é" ou "é mesmo"? Era esse o caso. Por isso, fechei os olhos e soltei a imaginação.

Que crueldade! Por que não interagir com o velhinho?

Eu tenho quase certeza que vi esse senhorzinho outro dia, quando voltada do trabalho. E ele puxava conversa com todo mundo o tempo todo.

Como se você não gostasse de conversar!

Gosto, mas não com desconhecidos. Sou muito linguaruda e acabo falando de coisas que não deveria pra pessoas que eu nunca vi antes. Melhor evitar.

Ahahaha... sei bem.

Como assim?

Não se faça de boba, várias vezes já tive de te tirar de conversas no mínimo constrangedoras...

Nem me lembre.

Pois é. Mas voltando ao velhinho que você acha que era o mesmo falastrão de outro dia, que coisa feia ficar julgando as pessoas!

Ah! Pelo amor dos velhinhos discretos! Se tem uma coisa que me irrita é esse negócio de julgar. Quem ouve, pensa que eu vesti uma toga e tô martelando a Justiça por aí. Por favor, é só um comentário. Quem sabe o velhinho não é um cara divertido e eu perdi uma conversa das boas logo cedo?

É isso, sem traumas! Abra os braços para o acaso, todos merecem o aconchego de uma boa conversa! Agora, me senti quase um coach de autoajuda... ahahaha...

Opa... leve ironia no ar! Inclusive, senti um certo julgamento aí...  

Ahahaha... nem vem, não vira seu canhão pra mim, porque o foco dos bombardeios é você!

Ah! Pimenta no olho dos outros é refresco?

Sei lá, não gosto de pimenta nem de refresco... ahahaha...

Bobo! Mas voltando ao velhinho, você acha que fui desalmada em fingir que estava dormindo?

Acho!

Ahahaha... por isso te amo! :)

terça-feira, 12 de setembro de 2023

Escada rolante

Ah! Tem escada rolante! Vamos?

Também prefiro as escadas rolantes aos elevadores intimidantes. Além de que, com essas paredes de vidro, podemos admirar a paisagem enquanto a escada nos leva.

No caso dos elevadores, prefiro os fechados mesmo. Aqueles com visão panorâmica dão um medinho do caramba.

Medinho do caramba?

É só pra não admitir pavor mesmo! Aí coloco no diminutivo acompanhado de um caramba e fica tudo bem... pelo menos, pra minha autoestima. 

Interessante. Vamos!

Olha que legal as luzes da cidade. De longe é tudo tão lindo.

Pois é, a cidade é como as pessoas.

Não ofenda nossa querida cidade! 

Ahahaha... boa! Perdão, querida cidade!

Chegamos!

Não, peraí... temos que subir a próxima escada.

Tudo bem!

Como as pessoas são chatas, subindo todas pelo elevador e deixando...

... deixando as escadas só pra nós. Ótimo! Melhor assim.

Verdade.

É rapidinho. Chegamos!

Não, dessa vez, eu que tenho de te alertar! Não é nesse andar. Temos que subir mais um pouco.

Mais uma escada? Daqui a pouco vamos nos atrasar para o espetáculo!

Que exagero! Ainda temos mais de meia hora.

Depois de seis andares, eles começaram a desconfiar se estavam realmente no local certo, afinal, o andar do tal teatro não chegava nunca. A placa indicativa mostrava uma seta para cima, mas a escada rolante estava desligada. Resolveram, então, subir o resto de elevador.

Às vezes, o elevador pode ser uma benção!

Ahahaha, mas você não disse que eles são intimidantes?

São, mas escada rolante parada, sem chance!

Concordo. Vamos pegar o elevador, um andar em apenas alguns segundos!

E sem cansar as pernas... ahahaha...

O sedentarismo que habita em você saúda a preguiça que habita em em mim!

Criatividade parece estar a mil, hein?

Ócio criativo. Subir seis andares de escadas rolantes aguçaram minha imaginação!

Me aguarde, despois do espetáculo, a criatividade vai aflorar geral!

Opa! Coisa boa! Criatividade é sempre bom... pra tudo!

Não me olhe assim.

Por quê?

Seu olhar alvoroça minhas ideias!

Uau! Quer ir ao teatro ainda?

Olha a safadeza! Pegue seu ingresso que a cultura nos espera! :)

sexta-feira, 8 de setembro de 2023

Lasanha

Tô pensando em fazer uma lasanha de abobrinha.

Por que não de berinjela?

Porque tem duas abobrinhas gritando na geladeira.

Tem certeza de que elas ainda estão boas?

Estão gritando, justamente, por ainda estarem ótimas para serem usadas como base em nossa lasanha.

Entendo!

Isso é uma resposta positiva? Posso fazer lasanha de abobrinha?

Eu disse que entendo que elas estejam gritando, mas ainda não sei se quero lasanha de abobrinha.

Fala baixo, você está menosprezando as abobrinhas.

Longe de mim. Pensei em fazer uma carne assada, daquelas que deixam um molhinho saboroso no fundo da forma pra gente passar o pão francês e nos deliciarmos com a gordurinha temperada.

Caramba! Senti o cheiro e até o gosto desse pãozinho passado no fundo da forma!

Então, mudou de ideia?

Claro que não! As abobrinhas continuam gritando na geladeira e, além disso, tem o fato de que fazer uma lasanha de abobrinha é mais saudável, mais fácil de preparar e não suja muita louça.

Mas não proporciona aquela gordurinha no fundo da forma que pede um pãozinho francês!

Vamos fazer o seguinte: hoje, faço a lasanha de abobrinha e amanhã ou depois assamos a carne, pode ser?

Amanhã ou depois é muito vago.

Como assim, vago?

Temos de definir, exatamente, qual será o dia da carne assada!

Precisamos comprar a carne com antecedência, depois temperá-la de véspera...

E daí? A carne já comprei, está no freezer!

Quando você comprou a carne?

O dia em que fui ao mercado para comprar frutas, legumes e verduras.

Ah! Que ótimo! Foi ao mercado comprar frutas, legumes e verduras e trouxe uma peça de carne para assar?

Você quem mandou comprar essas coisas de frutas, legumes e verduras...

Não mandei nada! Pedi, encarecidamente, para você ir ao mercado, enquanto eu lavava o quintal.

Você pediu mandando! Isso é diferente de pedir encarecidamente.

Ficou magoado e comprou a carne.

Comprei a carne porque a gente gosta, oras!

Sei...

Por acaso você não gosta de carne assada?

Gosto, mas isso está desprestigiando totalmente minha lasanha.

E não seria nossa lasanha?

Seria nossa se você quisesse comer também.

Quem disse que eu não quero?

Pergunto sobre a lasanha de abobrinha e você responde sobre a carne assada!

Eu gosto de lasanha de...

As abobrinhas devem estar murchando de angústia cada vez que ouvem você falar...

Que bobagem, você disse que elas estão boas, então, vamos fazer logo essa lasanha e não se fala mais nisso!

Não quero assim. Que frieza! Adoro cozinhar com você.

Você gosta é que eu faça o trabalho de ajudante de cozinha, cortando os temperos, é isso, chef?

Claro que não. É que cada um tem as suas habilidades. Sem contar que, depois de amanhã, você vai assumir o forno para preparar nossa carne assada.

Ah! Que linda! Agora, gostei. Então, vamos à lasanha de abobrinha!

Assim você me emociona, amor!

Chega desse papo romântico, senão vou deixar as abobrinhas gritando.

Opa! Vamos focar na lasanha!

Abobrinhas, lá vamos nós! :)

sábado, 19 de novembro de 2022

Teses sobre coisas e pessoas...

- Sabe aquela forma de coração? Aquela que não gruda a massa?
- Sei... lá!
- Como assim, sei lá?
- Se eu disser que lembro, você continua a conversa?
- Ahahaha... a curiosidade mata! Mas se você não lembra...
- Vamos fingir que eu lembro: sei, aquela que não gruda a massa!
- Ahahaha... Barbosa... tudo bem, muita gente aí não lembra, mas era um personagem hilário, interpretado pelo grande Ney Latorraca, no TV Pirata, programa de humor dos anos 1980...
- Seus anos preferidos! Mas fala logo... o que tem a forma?
- Ah! É que agora tem de diversas cores!
- Um coração vermelho não basta?
- Deixa de ser muquirana... as novas cores são demais... adorei a amarela e a azul celeste. 
- Entendi. Então, você vai querer comprar mais duas formas de coração?
- Na verdade, se você realmente se lembrasse do assunto, saberia que fico encantada pela forma de coração vermelha há meses na vitrine daquela loja de esquina, mas até agora não comprei.
- Putaquepariu, lembrei! Mas que amor é esse? Você não tem a vermelha?
- Pois é, preciso da forma vermelha, mas agora também da amarela e da azul celeste.
- Bizarra essa sua mania de querer várias coisas do mesmo modelo, como as botinhas...
- E daí? Minhas botinhas preferidas são sempre as mais confortáveis. quando encontro um modelo legal, compro as cores que tiverem e, claro, que me agradarem!
- Mas a graça da vida não é a diversidade, no caso de coisas, de modelos?
- Não, no caso das coisas úteis, pra mim, a diversidade está nas cores. Prefiro um modelo de botinha ou uma forma de coração de várias cores diferentes do que de modelos variados, que podem me machucar, no caso da botinha, ou grudar meu bolo, no caso da forma.
- Bela tese!
- Agora, quando o assunto é o ser humano, é outra coisa! Nesse caso, pensamentos, personalidades, posturas diante da vida, gostos e crenças variadas tornam o mundo muito mais inspirador, mais democrático, mais bonito! Viva as instigantes e diferentes pessoas que habitam o planeta! :)

*Ah... a doce ilustração é da minha parceira/afilhada/gêmeadeboas: Aline Cavalcante Donato (instagram@ilustralika).

sábado, 15 de outubro de 2022

Recanto de amor

A árvore, no meio do quintal, parece abraçar a casinha térrea no final da rua. Amarela, com suas janelas de madeira pintadas de branco, nela mora um casal de idosos. Ele, jardineiro aposentado; ela, dona de casa e tricoteira de mão cheia.

A árvore, um ipê rosa, está plantada ali desde mudinha e, como diz Seu Juca, foi uma criança muito acarinhada, por isso, hoje, é um belo exemplar adulto, que espalha graça pelo ambiente e, nos dias ensolarados, parece tingir as cortinas brancas com sua cor suave e iluminada.

Todos os dias pela manhã, na época da florada, sua beleza invade a varanda e convida o casal a abrir as janelas e os olhos para a beleza da vida. E assim os anos passaram, um cuidando do outro e de seu lugar no mundo. Seu Juca e Dona Tília moram ali desde que realizaram a mais doce cerimônia de casamento que se ouviu falar nas redondezas.  

Mas tudo começou há muitos anos, quando o jovem casal chegou ao terreno, onde havia apenas um casebre, e começou a capinar. Como se diz... era só mato. O terreno deles era o único naquele pedaço. Então, arregaçaram as mangas e começaram a transformar o local no lar que imaginaram um dia. Como o jovem Juca já trabalhava como jardineiro ajudando seu mestre (um velhinho que o ensinou tudo e de quem herdou os clientes, o que facilitou a realização do sonho de comprar o terreno perto da serra e longe dos carros, da fumaça e das aglomerações), acabou recebendo dicas preciosas de como preparar a terra para plantar seu pomar, sua horta e seu doce jardim.

E mesmo quando tudo floria, preenchendo de cor, aromas e sabores o belo terreno, o casal, sentado na varanda do ainda casebre, admirando tudo que construíam, sentia falta de algo. Como precisavam de alguma coisa que não sabiam o que era, então, resolveram começar a construir a nova casa. Aos poucos, o casebre foi sendo demolido e as paredes da casinha sendo levantadas. Todo o dinheiro que os dois ganhavam, ele, primeiro como ajudante e depois como jardineiro; e ela, com seus trabalhos em tricô, vendidos aos clientes dele; era investido na propriedade.

Quando a casa ficou pronta, pintada de amarelo, com as janelas brancas instaladas, a varanda recebeu cadeiras de balanço e uma mesinha de vime. Na sala, no quarto, na cozinha, no banheiro, na área dos fundos, todos os cômodos eram enfeitados com peças de tricô feitas por Tília. Com o pomar e a horta em andamento, o jardim com as primeiras roseiras florindo, os dois admiravam a delicadeza da obra-prima que o empenho de ambos produziu.

Ainda assim, faltava uma alegria que eles não identificavam qual seria. E enquanto não descobriram, não quiseram marcar o casamento. E assim passaram dias angustiados, tentando descobrir do que tanto sentiam falta. E continuaram trabalhando, ele cuidando dos jardins dos clientes, ela tricotando suas peças de decoração, toalhas de mesa, tapetes, almofadas. Não ousavam morar na casa, por isso, armaram duas barracas na varanda, onde dormiam cada um no seu canto durante várias noites até que, numa tarde, o jovem Juca chegou muito animado, carregando uma sacola no colo, como se fosse algo muito precioso.

E realmente era uma preciosidade. A jovem Tília estranhou os cuidados extremos de Juca e só não ficou com ciúmes porque não era de seu feitio. Mas estava curiosa, largou as agulhas de tricô na cestinha e levantou apressada perguntando por que havia chegado mais cedo do trabalho. Dando um beijo em sua testa, Juca pediu calma, dizendo que tinha descoberto o que tanto faltava. Ela abriu aquele sorriso que o cativou desde a primeira vez que se viram e quis saber logo o que ele carregava com tanto carinho.

O jovem Juca abriu a sacola com cuidado e revelou uma muda com um galho comprido cheio de folhas verdinhas. Tília ficou encantada com a beleza da frágil planta. Juca ainda não sabia em qual ponto do terreno ia plantá-la, mas disse, sorrindo, que era um ipê rosa que ganhou de seu mestre jardineiro. E mais uma vez Tília abriu um enorme sorriso e abraçou Juca. Por alguns minutos, ficaram ali abraçados, observando a plantinha colocada na mesa ao lado da cestinha de tricô. Ah! Agora tudo estava perfeito para o casamento, poderiam preparar a cerimônia.

No dia seguinte, Juca acordou sobressaltado em sua barraca, sentou e só então percebeu Tília carregando uma bandeja com duas xícaras de café e dois pedaços de pão sovado. Nas cadeiras de balanço, os dois saborearam o café da  manhã improvisado. De repente, Juca dá um suspiro e conta  que sonhou com a localização exata do ipê rosa no terreno... seria no meio do quintal, perto da casa. Tília se anima. 

Após o café, Juca pegou suas ferramentas e foi para o local exato, abriu a cova e plantou a mudinha. Três meses depois, com a plantinha firme no propósito de se tornar uma árvore frondosa, Juca e Tília se casaram. A cerimônia, realizada ao pôr do Sol, contou com Juca de terno branco de linho, que pagou em 12 vezes no crediário, e Tília com um belo vestido branco de tricô, produzido sempre nas horas em que ele estava trabalhando, e um véu de seda que ela havia ganhado, anos antes, de sua saudosa  mãe, para irem juntas à missa. Os dois de mãos dadas, em frente ao jovem ipê rosa, deram as mãos, abençoados pela serra que tanto respeitam e protegem, rodeados pela casa, pomar, horta e jardim, rezaram a ave-maria e o pai-nosso, disseram palavras carinhosas um para o outro e trocaram alianças.

E até hoje, olhando para o ipê rosa, Seu Juca ainda se admira por ter sonhado com o local exato que em deveria plantá-lo. E dona Tília não esquece a alegria e emoção que tiveram ao testemunhar sua primeira florada. A sensação se repete ao longo dos anos, mas certamente aquele dia foi especial, tão especial quanto terem realizado o sonho de construírem seu recanto de amor.


*Texto escrito em homenagem à natureza e seus encantos. A ilustração é da Alika, minha querida sobrinha... afilhada... parceira... minha designer preferida... minha gêmea de boas... responsável pelas capas de meus livros... amor da madrinha (instagram@ilustralika)! Salve o ipê rosa, amarelo, roxo, branco e todas as árvores, flores e plantas que nos fazem tão bem! :)

sexta-feira, 30 de setembro de 2022

Viva o Gordo!

Sempre admirei Jô Soares por sua inteligência, talento, criatividade, generosidade, simpatia e leveza! Seus programas de humor eram os meus preferidos, adorava seus personagens... Reizinho, Zé da Galera, Menininho (que tava sempre com soniiinho... rsrsrs), Gardelon... e Múcio com sua falta de opinião formada sobre tudo... ahahaha, tava sempre em cima do muro... ahahaha... Era diversão garantida! Ah! Jô era um gênio do humor! Quando ele passou a apresentar o talk show gostei mais ainda, adorava assistir as entrevistas, nem sempre pelo entrevistado, mas sempre pela sua elegância ao entrevistar! 
Quando ele lançou os dois volumes de sua autobiografia "O Livro de Jô", fiquei muito curiosa. Imaginei como aquelas páginas estariam recheadas de histórias de vida e dos vários trabalhos que realizou desde muito jovem no teatro e em emissoras de TV (como a icônica Família Trapo). Mas naquele primeiro momento nem pensei em comprar os livros. Passou o tempo, veio a pandemia e, durante a quarentena, passei a ler e-books. A vida volta à correria de sempre e eis que chega 2022 e Jô sai de cena... que tristeza! Sempre que perdemos um grande representante da Cultura, ficamos mais pobres. Resolvi que era hora de ler e comprei os dois e-books. 
O primeiro volume, com aquele menino desinibido na capa é um convite pra uma agradável leitura, parece que ouvimos sua voz narrando cada uma das histórias emocionantes, curiosas e divertidas. Gostei muito de dois trechos com os quais me identifiquei como escritora. O primeiro diz assim: "Um escritor se forma não só lendo bastante, mas prestando muita atenção nas pessoas, na experiência que elas transmitem, naquilo que viveram".  O segundo: "... nas conversas das esquinas, dos cafés e até dos chás da tarde das senhoras, havia uma atmosfera onde a ficção parecia estar na realidade (lá, eu sentia que nunca foi tão verdadeiro o trocadilho do Oswald de Andrade, que dizia que 'a gente escreve o que ouve, nunca o que houve')". 
O segundo volume detalha sua produção em teatro e TV e o quanto era talentoso nos diversos trabalhos que abraçou! Destaco também dois trechos que me emocionaram como fã do grande humorista e artista absolutamente sensível: "Eu só existo por causa da plateia, preciso dela pra viver". "Dediquei a minha vida a fazer a vida dos outros um pouquinho mais alegre. Talvez eu devesse contabilizar o meu patrimônio em sorrisos". 
Certamente ele fez nossa vida melhor! Aplausos ao genial e eterno Jô Soares! Viva o humor! Viva a Cultura! :)

quarta-feira, 28 de setembro de 2022

Diálogos inusitados...

- Vamos ao teatro?

- Claro! Quando?

- Agora!

- Como assim, agora?

- Segundo o dicionário, neste momento, nesta hora, neste instante!

- Isso eu entendi. Mas são oito horas da manhã!

- E?

- E os teatros estão fechados.

- E daí?

- Por acaso, você quer ir pra frente de um deles e esperar por, pelo menos, umas 10 horas até o estabelecimento abrir as portas?

- Algum problema nisso?

- Vários.

- Cite três.

- Fácil: está um frio intenso do caramba; não teremos onde sentar por horas e vamos colocar nossa segurança em risco.

- E se pegarmos um avião e formos a algum teatro de outra cidade? Ou quem sabe outro país?

- O que tinha naquele café que você tomou agora há pouco? Sim, porque o meu era só café mesmo, sem aditivos...

- Não exagere. Aditivos! Parece que tá falando de óleo de carro.

- O que acontece com você, então?

- Nada demais... só animação, vontade de fazer alguma coisa inusitada...

- Ir ao teatro às oito da manhã sendo que o espetáculo começa às oito da noite é algo realmente inusitado... mas nada instigante!

- Veja o lado bom das coisas. Podemos escolher um teatro em qualquer parte do País. Tem lugar que está a alguns quilômetros de carro e outros que estão a quatro ou cinco horas de distância, é só escolher! Passamos o dia em busca do teatro pra nossa noite ser ainda mais especial!

- Ainda mais especial?

- Calma, você não esqueceu nenhuma data marcante. É que, pra mim, todos nossos segundos, minutos, dias, noites, meses, anos são especiais por si só. Queria apenas que hoje nossa noite fosse tão boa como foi nossa madrugada.

- Quebrou minhas pernas, amor... Te amo!


*Essa bela história surgiu assim... de forma inusitada... rsrsrs... 

Viva o lado doce da vida! Viva o Teatro! Viva a Cultura! :)