– Tava aqui lendo a Graphic MSP "Franjinha – Contato"...
– ... do Vitor Cafaggi?
– Exatamente, espertinha!
– Bobo... você viu que o autor vai lançar o "Franjinha 2", no ano que vem?
– Oba! Vai ter que me dar de presente, amor!
– Ahahaha... calma aí! Primeiro leia a que tem em mãos, depois passe pra mim e tenha paciência porque é só no ano que vem, aliás, ainda bem... tá pensando que meu dinheiro nasce em árvore, querido?
– Nossa... essa você foi buscar no baú da sua avó... ahahaha...
– Ahahaha... certamente! Mas voltando ao Franjinha... o que você ia comentar?
– Não sei se devo... você vai ler depois...
– Ah! Comenta logo... nada vai tirar minha curiosidade de ler!
– Tá bom... na verdade, eu ia dizer que quando criança eu adorava as aulas de ciências... lembro que quando a professora mandou a gente fazer a experiência com o feijão, plantado no algodão, fiquei tão empolgado que comecei a pedir pro meu pai e pra minha mãe tudo que era livro que ensinasse experiências científicas e brinquedos relacionados ao tema...
– ... até que você quase destruiu a casa... ahahaha...
– ... ahahaha... nem vem, antes disso consegui entender que pra ser cientista era preciso estudar muito mais do que cuidar de um broto de feijão...
– Ahahaha... mas é um bom começo... o que mais tem nessa Graphic MSP?
– Ah! Sempre gostei do Franjinha pelo lado inventido e curioso... e o roteiro mostra muitos inventos dele que nem sempre funcionam, mas são adoráveis, ele ama a Ciência e isso é demais! Aí ele acha, na garagem de casa, o rádio comunicador de seu avô e resolve consertá-lo! Mas não vou contar mais nada, querida!
– Ah! Só mais um detalhe da história... por favor!
– Adorei a arte, sensível como o roteiro! Vou contar só mais um momento... aquele em que Franjinha vê Marina... ele diz assim: "Aos dez anos, eu encontrei o segundo amor da minha vida... Que sorte a minha... Até hoje, me lembro dessa sensação. A certeza juvenil de que éramos feitos um para o outro. Os dois lados de Leonardo Da Vinci. Ciência e Arte"!
– Ah! Que lindo... que romântico! Passa pra cá que já quero ler... rsrsrs...
– Sabia que você ia se animar e o mais legal é que quando li essa parte, lembrei de você, na verdade, de nós!
– Ai... que amor!
– Somos assim... a corda e a caçamba!
– Queijo com goiabada!
– Ahahaha... adoro! Essa conversa me abriu o apetite!
– Uau!
– Não faça essa carinha de travessa... tô falando de sair pra tomarmos um café...
– Ah! Claro... rsrsrs... então, vamos àquela cafeteria nova que abriu aqui perto?
– Opa! Não precisa pedir duas vezes... e para de me olhar com essa carinha...
– Carinha de quê, amor?
– De sapeca!
– Travessa, sapeca... parece que você também visitou o baú da sua avó... ahahaha...
– Vamos logo, ternura!
– Vamos, pão! :)
quarta-feira, 17 de dezembro de 2025
sábado, 13 de dezembro de 2025
Amizade e generosidade
Às vezes, a gente só quer uma HQ pra acalmar um pouco e esquecer as mazelas do mundo. "Como fazer amigos e enfrentar alienígenas", com roteiro de Eric Peleias e arte de Gustavo Borges, é assim... uma história divertida e empolgante! A obra faz parte da série premiada "Como fazer amigos", neste volume, Olívia e Leo conhecem Arthur, um menino que se diz especialista em rochas que pode ajudá-los a procurar pistas de extraterrestres.
A partir daí, os três se aventuram pela cidade com a alegria e a curiosidade, próprias da infância! Com uma narrativa leve, mesmo ao tocar em assuntos delicados relacionados à família, solidão, rejeição, medo... a HQ mostra como tudo fica mais fácil de ser enfrentado quando contamos com amigos verdadeiros, cada um com seu estilo, mas unidos na vontade de descobrir o mundo e seus mistérios! Leituras que nos levam à infância são adoráveis. Por falar em adorável, a arte transborda talento e é fundamental para criar o clima de mistério. As cores fortes e o traço descontraído ajudam a dar movimento às aventuras de Olívia, Leo e Arthur!
Já "Pétalas" é uma delicada narrativa visual sobre generosidade e amizade. A HQ, com roteiro e arte de Gustavo Borges e cores de Cris Peter, conta a história de uma família de raposas, avô e neto, que luta para sobreviver, enfrentando um rigoroso inverno.
Um dia, ao sair de casa para buscar lenha, o filhote conhece um simpático pássaro de cartola. A cena em que se encontram é de uma ternura que conquista o leitor na hora!
Sem palavras, o autor nos conta a singela história por meio da expressão dos personagens, do aconchego da casa das raposas e até mesmo do clima hostil que toma conta da paisagem. Outro destaque é o trabalho da colorista que cria a atmosfera, dá movimento e profundidade aos quadros e nos emociona.
Ah! Tenho que registrar que peguei o autógrafo do Gustavo durante a CCXP 25! Adorei! Vale a pena conferir e prestigiar nossos quadrinistas! Viva a HQ brasileira! :)
quarta-feira, 10 de dezembro de 2025
Samba em quadrinhos
Quando fui à 27ª Festa do Livro da USP, no mês passado, levei um roteiro dos livros que queria comprar, mas aberta a conhecer novas obras, principalmente, no pavilhão das HQs!
Passando pela mesa da Zapata Edições, uma capa em especial me chamou a atenção... quando me aproximei, descobri que a história envolvia Adoniran Barbosa... meu cartão de crédito até suspirou (imagino ele dizendo: lascou... ela vai querer comprar)... rsrsrs... Pois é, junte uma bela arte com um dos ícones do samba de São Paulo e a paulistana aqui logo se anima! Resultado: comprei mesmo!
A HQ em questão é "Tempo Discos, o perigoso pagode do Gerson", de Samuel Sajo, Rodrigo Febronio e Al Stefano, que ainda tem um tempero a mais: o nome do malandro que tenta roubar as canções de Adoniram é xará do meu irmão... rsrsrs... Inclusive, por isso e também por compartilhar a admiração pelo Adoniran, ele ganhou um exemplar! Merecido!
A narrativa é rica e dá o tom ao citar canções clássicas como, por exemplo, "Saudosa maloca", "Torresmo à milanesa", "As Mariposas", "Tiro ao Álvaro", "Iracema" e a doce "Prova de carinho". Sem contar a presença da escritora Carolina Maria de Jesus, autora de "Quarto de despejo", que ao lado de Adoniran, como diz a HQ e assino embaixo, são dos "maiores cronistas da vida do povo de São Paulo"! A leitura é fluida e como dizem, li numa sentada... rsrsrs...
A HQ em questão é "Tempo Discos, o perigoso pagode do Gerson", de Samuel Sajo, Rodrigo Febronio e Al Stefano, que ainda tem um tempero a mais: o nome do malandro que tenta roubar as canções de Adoniram é xará do meu irmão... rsrsrs... Inclusive, por isso e também por compartilhar a admiração pelo Adoniran, ele ganhou um exemplar! Merecido!
Misture uma vitrola mágica, viagem no tempo e samba de qualidade... assim é a aventura de Paulinho e Amélia para evitar que Gerson, o malandro... rsrsrs... roube as canções, o talento e a história de Adoniran Barbosa... tudo isso acontecendo a partir de uma loja de discos no Bixiga!
A narrativa é rica e dá o tom ao citar canções clássicas como, por exemplo, "Saudosa maloca", "Torresmo à milanesa", "As Mariposas", "Tiro ao Álvaro", "Iracema" e a doce "Prova de carinho". Sem contar a presença da escritora Carolina Maria de Jesus, autora de "Quarto de despejo", que ao lado de Adoniran, como diz a HQ e assino embaixo, são dos "maiores cronistas da vida do povo de São Paulo"! A leitura é fluida e como dizem, li numa sentada... rsrsrs...
A arte é outro destaque e o mais curioso é que o traço me lembrou o Amigo da Onça, criado pelo cartunista Péricles, publicado pela primeira vez na Revista Cruzeiro, em 1943, personagem que se tornou popular, inclusive, por ser o arquétipo de amigo falso e traiçoeiro! Talvez o nariz alongado de Gerson Horta e sua safadeza me fizeram lembrar desse ícone da malandragem! Viva nossos quadrinistas! :)
sábado, 6 de dezembro de 2025
Um simpático meliante
O que mais gostei em "Arsène Lupin, ladrão de casaca", do francês Maurice Leblanc, é a forma como o autor nos envolve nas tramas desse elegante e simpático meliante!
O livro reúne as primeiras nove aventuras do personagem, publicadas, originalmente, de julho de 1905 a julho de 1906, na revista "Je Sais Tout". São narrativas instigantes em que Arsène Lupin aparece em várias situações, valendo-se de sua especial habilidade em se disfarçar até mesmo de narrador das histórias, por vezes, enganando os próprios leitores... e a gente embarca legal... rsrsrs...
A irreverência de Leblanc, inclusive, ironizando o famoso detetive inglês Sherlock Holmes, de Conan Doyle, cria um personagem sedutor e enigmático, que consegue se safar de todos os golpes que aplica com inteligência e bom-humor! É uma leitura leve que, a cada página, nos faz tentar desvendar os próximos passos do protagonista!
A edição da saudosa Editora Ática foi presente do meu irmão Gerson, que estava organizando seus livros e descobriu que tinha mais de um exemplar... oba! Obrigada, Gé, por me presentear com pérolas que garimpa entre seus tesouros literários! Viva a gentileza! Viva a Literatura! :)
O livro reúne as primeiras nove aventuras do personagem, publicadas, originalmente, de julho de 1905 a julho de 1906, na revista "Je Sais Tout". São narrativas instigantes em que Arsène Lupin aparece em várias situações, valendo-se de sua especial habilidade em se disfarçar até mesmo de narrador das histórias, por vezes, enganando os próprios leitores... e a gente embarca legal... rsrsrs...
A irreverência de Leblanc, inclusive, ironizando o famoso detetive inglês Sherlock Holmes, de Conan Doyle, cria um personagem sedutor e enigmático, que consegue se safar de todos os golpes que aplica com inteligência e bom-humor! É uma leitura leve que, a cada página, nos faz tentar desvendar os próximos passos do protagonista!
A edição da saudosa Editora Ática foi presente do meu irmão Gerson, que estava organizando seus livros e descobriu que tinha mais de um exemplar... oba! Obrigada, Gé, por me presentear com pérolas que garimpa entre seus tesouros literários! Viva a gentileza! Viva a Literatura! :)
quarta-feira, 3 de dezembro de 2025
Raízes e memórias afetivas
"Roseira, medalha, engenho e outras histórias", primeiro trabalho de Jefferson Costa como escritor e desenhista, é de uma delicadeza ao retratar, por meio de relatos de membros de sua própria família e pessoas próximas, experiências que traçam um relato comovente e, ao mesmo tempo, cativante.
Desenhista premiado, Jefferson se mostra um hábil roteirista em uma narrativa que trabalha junto à arte de forma encantadora. A obra é irretocável e nos oferece uma história, absolutamente, humana e universal, que nos toca ao longo das páginas e nos faz refletir sobre a nossa própria vida, nossa origem!
Desenhista premiado, Jefferson se mostra um hábil roteirista em uma narrativa que trabalha junto à arte de forma encantadora. A obra é irretocável e nos oferece uma história, absolutamente, humana e universal, que nos toca ao longo das páginas e nos faz refletir sobre a nossa própria vida, nossa origem!
Gostei bastante também do roteiro não linear, alternando momentos e épocas diferentes, retrando as dificuldades e desafios impostos pela seca, com uma linguagem realista, tornando a HQ ainda mais impressionante como registro de uma região e suas pessoas.
Ainda que mostre uma região específica, a narrativa me emocionou quando Zeca e Cotia resolvem levar as crianças pra "cumadi" Nega benzer... essas cenas me fizeram voltar à uma doce lembrança... quando minha avó materna me benzia de quebranto quase que diariamente... e eu, atrevida, ficava tentando entender o que ela dizia enquanto rezava. Às vezes, minha risada até desconcentrava minha avó que logo dizia pra minha mãe não ficar brava, porque estava tudo bem, era coisa de criança! Agradeço o autor por me fazer lembrar de minha avó com seu galhinho de arruda na mão, vindo me proteger com sua bênção ancestral. Pois é, quando uma HQ nos brinda com histórias de família, em algum momento, acabamos por nos identificar!
A arte é um caso à parte, porque Jefferson domina totalmente a forma como cada passagem de tempo ou assunto é retratado, as cores são escolhidas estrategicamente para contar essa história da maneira mais apropriada, dependendo da ação, sombrias quando necessário, mas muito iluminadas (como a página ao lado) para mostrar a alegria em um tempo em que "criança não trabaiava" e podia brincar no rio ou "trepano em árvre"! Aplausos para o talento de Jefferson Costa! Viva as histórias em quadrinhos que nos lembram nossas próprias histórias! :)
sábado, 29 de novembro de 2025
Sobre sonhos
– Será que a gente consegue viajar no próximo feriado prolongado? Eu sei que é um horror pegar a estrada lotada, mas quando a gente chega na praia é tão bom ficar contemplando o mar...
– Que romântica, amor! O que foi? Tá sensível?
– Eu não tô, eu sou sensível, querido!
– Claro... quis dizer que hoje, neste momento, você está mais sensível que o normal.
– Ah! Assim é melhor... tava aqui lembrando que adoro ficar caminhando na areia, molhando os pés na água, olhando a linha do horizonte, aqueles barcos enormes em alto mar...
– Bonito... mas prefiro só olhar assim de longe.
– Ahahaha... não te critico, também prefiro só olhar...
– Mas, diga-me, o que te fez lembrar de barcos em alto mar?
– Ah! É que ontem tava lendo "O conto da ilha desconhecida" do grande...
– ... José Saramago!
– Sim! Adoramos esse português, né, amor?
– Como não amar esse Zé tão especial?
– Ahahaha... adoro!
– Então, conta...
– Pensei que íamos comentar a obra!
– Ainda não li, querida!
– Não acredito! Achei que você tinha lido quando me mostrou...
– Foi um presente pra você, amor! Não me dei o direito nem sequer de folheá-lo... queria que você lesse antes.
– Que gentileza, amor!
– É um prazer te presentear, ainda mais com livro, que a gente ama!
– Realmente, amamos! Então, vou falar o que mais gostei nesse conto de nosso querido Saramago.
– Tô curioso...
– Não vou detalhar, porque quero que você leia pra depois a gente comentar juntos!
– Beleza! Então, fala o que você mais gostou!
– Primeiro, a ironia e a genialidade de Saramago faz qualquer obra ser marcante! E esse conto narra a história de um homem que bate à porta das petições do palácio para pedir ao rei um barco que o leve à ilha desconhecida... a conversa entre eles é ótima, vou ler um trecho: "... E tu para que queres um barco, pode-se saber, foi o que o rei de facto perguntou quando finalmente se deu por instalado, com sofrível comodidade, na cadeira da mulher da limpeza, Para ir à procura da ilha desconhecida, respondeu o homem, Que ilha desconhecida, perguntou o rei disfarçando riso, como se tivesse na sua frente um louco varrido, dos que têm a mania das navegações, a quem não seria bom contrariar logo de entrada, A ilha desconhecida, repetiu o homem, Disparate, já não há ilhas desconhecidas, Quem foi que te disse, rei, que já não há ilhas desconhecidas, Estão todas nos mapas, Nos mapas só estão as ilhas conhecidas, E que ilha desconhecida é essa de que queres ir à procura, Se eu to pudesse dizer, então não seria desconhecida, A quem ouviste tu falar dela, perguntou o rei, agora mais sério, A ninguém, Nesse caso, por que teimas em dizer que ela existe, Simplesmente porque é impossível que não exista uma ilha desconhecida, E vieste aqui para me pedires um barco, Sim, vim aqui para pedir-te um barco, E tu quem és, para que eu to dê, E tu quem és, para que não mo dês, Sou o rei deste reino, e os barcos do reino pertencem-me todos..."
– E ele conseguiu o barco, amor?
– Ah! Aí você vai ter que ler!
– Que crueldade...
– Como assim? Eu te dei o prazer de me ouvir lendo um trecho lindamente escrito por nosso querido autor... foi um aperitivo...
– ... pra abrir o apetite da leitura? Parabéns, pois abriu... ahahaha...
– Ahahaha... mas não vou contar mais nada, o que posso dizer é que o conto é sobre a busca pelos sonhos e a necessidade de lutar para realizá-los... é poético, é irônico, é divertido, é profundo, é pra refletir...
– ... é Saramago! Gostei, agora, passa pra cá que quero ler!
– Sério?
– Por quê? Que carinha é essa?
– Ah! Pensei que tínhamos combinado um cineminha...
– É mesmo... quase esqueci, mas a culpa é sua que fica me tentando com boa leitura!
– Ahahaha... vai desistir? Se soubesse não tinha lido nada pra você...
– Não fala assim, adorei sua leitura enfática!
– Já vi que me lasquei, não quer mais ir ao cinema, prefere ficar lendo? O que eu posso fazer se também sou imbatível lendo em voz alta!
– Engraçadinha... claro que vamos ao cinema, mas deixa eu guardar o livro nas minhas coisas, se não você esconde...
– Não seja injusto, eu só guardo na estante depois que nós dois lemos a obra... e detalhe: guardar na estante não é sinônimo de esconder!
– Obrigada pela aula de língua portuguesa, amor! Mas agora, vamos logo que a sessão de cinema não nos espera!
– Pois devia, somos cinéfilos assíduos e estamos sempre comparecendo às sessões, divulgando os filmes, fazendo o tradicional boca a boca!
– Boca a boca? Gostei!
– Deixa de ser quinta série, amor... vou pegar minha bolsa.
– Não demora, porque se eu for te buscar no quarto, o cinema vai ficar pra outro dia... ahahaha...
– Ahahaha... sem comentários! :)
quarta-feira, 26 de novembro de 2025
Poesia ilustrada
Na semana passada, fui visitar a exposição "Drummond em cena", no Conjunto Nacional, na Avenida Paulista! A mostra, que reúne 10 ilustrações inspiradas na obra de Carlos Drummond de Andrade é um belo passeio pra quem, como eu, adora quando a Literatura dialoga com as Artes Visuais!
Uma estátua do poeta, em tamanho natural, dá as boas-vindas, cercado por poemas cheios de sutileza, delicadeza e sabedoria, como "O tempo", "Para sempre" e "Amor...", que destaco na foto ao lado por ter me emocionado (outra vez, pois já o conhecia) e por acreditar que realmente "de amor andamos todos precisados" para nos alegrar, nos reumanizar e ir pra frente... que "nos vacine contra o feio, o errado..." Ah! Poeta, suas palavras continuam tão atuais e necessárias nesse mundo frio feito de telas e relações on-line. Sorte termos a poesia, a arte e a cultura para nos salvar das nossas e das dores do mundo!
Adorei todos os artistas, mas vou destacar o ilustrador Kleverson Mariano por dois motivos: primeiro, porque adorei o poema que ele escolheu ("O amor antigo") e a forma como retratou as várias faces do amor... casais cativantes... cores vivas! Segundo, porque já conhecia e admirava seu traço, inclusive, ele é autor de uma ilustração que me inspirou a escrever a crônica "Aflições caninas", postada aqui, em junho de 2024! Mais uma vez, obrigada pela generosidade!
Além de divulgar o talento dos artistas, a exposição também é uma forma de aproximar quem gosta de ler de quem gosta de arte visual... e melhor ainda, é uma grande oportunidade de descobrir e redescobrir a necessária poesia de Drummond!
Para completar minha humilde imersão na obra do poeta, li "Sentimento do mundo", publicado em 1940. Ler poesia é estar aberto às provocações, reflexões e até à leveza! Por isso, quero citar um poema em especial, por sua delicadeza divertida: "Indecisão do Méier", que diz assim: "Teus dois cinemas, um ao pé do outro, por que não se afastam para não criar, todas as noites, o problema da opção e evitar a humilde perplexidade dos moradores? Ambos com a melhor artista e a bilheteira mais bela que tortura lançam no Méier". Aplausos para o talento sensível de Drummond! :)
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