quarta-feira, 6 de abril de 2022

Olha pro céu...

Tem dias em que a gente dorme e acorda meio tristinha. Não sei se pelas várias saudades acumuladas ou se pela vontade de que tudo, tudo mesmo, das coisas mais simples aos anseios mais secretos, deem logo certo e nos coloquem sorriso no rosto e brilho no olhar, então, vem o mundo nos lembrar que tudo tem seu tempo.

Antes das seis da manhã, abri a janela e vi o dia raiando, o Sol chegando devagarzinho com sua força e encanto, as nuvens dando aquele efeito especial, enfim, as várias cores e nuances do céu acabam por me acalmar e me inspirar.

Gosto de olhar para o céu todos os dias, em vários momentos, em todas as estações do ano, desde o amanhecer até o entardecer, à noite, de madrugada, porque além de me alegrar profundamente, me faz lembrar minha mãe cantando pra mim: "olha pro céu, meu amor, vê como ele está lindo..." (canção de Luiz Gonzaga e José Fernandes). Pois é, doces lembranças também são inspiradoras.

Hoje, fiz duas fotos do amanhecer (que ilustram esta singela conversinha... rsrsrs) e, como sempre, ficaram lindas, não por mérito meu ou da câmera do meu celular, mas da beleaza do céu, do poder do Sol, da graça delicada das nuvens, do dia nascendo e trazendo esperança.

Assim como escrever, pra mim, olhar pro céu é tranquilizador, torna as coisas mais fáceis de enfrentar, quaisquer coisas, tanto as alegres como as mais tensas. Nada que um tamborilar no teclado ou um rabisco no papel não faça tudo fluir mais agradavelmente. Gosto da intensidade, sentir e escrever quando tudo pede clareza e desabafo é libertador! Viva a natureza! Viva os sentimentos! Viva a satisfação de escrever! :)

segunda-feira, 21 de março de 2022

Viva a Natureza!

O dia amanhece lentamente, os raios do Sol refletidos nas águas do lago tornam o momento ainda mais especial. Tudo flui normalmente, o canto dos pássaros e o leve farfalhar das folhas das árvores enchem o ambiente de poesia... até que a paz matutina é quebrada com um duplo bocejo... da capivarinha Ester e do patinho Bernardo. Os filhotes aproveitam aquele instante mágico de espreguiçar o corpo todo, deixando pra trás a noite de sono.

- Bom dia, Bê! Tudo bem?
- Bom dia, Teté! Tudo ótimo! Uma noite bem dormida sempre recarrega as energias... e admirar o que temos a nossa volta é ainda mais energizante!
- Que bom! Gostei de ver esse seu entusiasmo! Também dormi bem!
- Mas confesso que tô meio preocupado... estive pensando...
- Ih! O que foi, Bê? Algum problema com alguém da sua família?
- Não, estão todos bem, Teté! Desculpe começar o dia assim, mas estive pensando e fico impressionado com a falta de sensibilidade e amor à Natureza por parte das pessoas. Como conseguem cobrir a terra de construções, umas coladas nas outras, sem deixar um respiro, e ainda achar que assim está tudo bem! Tudo azulejado e sem árvores pra não sujar o quintal. Como se as folhas fossem se comparar à sujeira horrorosa que eles produzem às toneladas. Sem contar a total falta de cuidados no descarte do lixo!
- E os córregos e rios, Bê? Todos tomados pela poluição, que aliás é fruto da mania que o ser humano tem de mexer aonde não devia. A praga do petróleo e seus derivados, por exemplo, pra quê retirar material das profundezas dos oceanos e produzir um monte de coisa que só polui e suja nossas águas? Não consigo não me indignar ao olhar os rios que eles sujam constantemente e depois intitulam de "esgoto a céu aberto"... ora, ora... respeitem nossas riquezas naturais!
- As florestas, então, Ester, estão sendo cada vez mais devastadas por garimpos, extração ilegal e uma profusão de pastos e plantações. Parece que realmente ninguém está muito preocupado com o pulmão do mundo. Gastam dinheiro com tudo, viagens ao espaço, tecnologias a cada segundo mais modernas, enchem suas rotinas de computador, celular, equipamentos eletrônicos, mas investem muito pouco em despoluição de rios e na proteção das nações indígenas e de nossas florestas. Quando vão entender que a saúde do planeta é...
- ... ah, Bê! Agora você forçou! Não adianta falar em saúde do planeta, muitas pessoas não pensam na própria saúde como vão pensar na dos outros ou da natureza? Alimentam-se de produtos industrializados, cheios de conservantes e corantes e aromatizantes, torcem o nariz para a comida saudável e natural... pensam que o meio ambiente vai aturá-los por mais quanto tempo?
- Na minha opinião, a Terra é muito boazinha com os seres humanos, cujo senso de humanidade está cada vez mais escasso. E por falar em escassez, Teté, voltando ao tema água, eles ainda pensam que podem abusar assim das nossas nascentes? Só vejo preocupação quando as chuvas diminuem e eles se lembram dos tais reservatórios esvaziados!
- Olha... eu entendo a importância da Ciência, dos pesquisadores e gênios mundo afora, mas muitas vezes o que foi estudado e desenvolvido acaba tendo sua utilidade original deturpada. As descobertas do homem nem sempre são usadas para o bem. Não quero me aprofundar, vou dar um exemplo de algo mais recente: as redes sociais e aplicativos de mensagem instantânea, que dizem terem sido criados para aproximar as pessoas, disseminar a informação, mas, na realidade, estão fomentando brigas, injustiças, falsas notícias, causando problemas de saúde, e mesmo assim as pessoas passam horas e horas conectadas, atentas à vida dos outros, esquecendo-se de agradecer pela sua própria vida, desejando ser o que não é e ter o que não tem... tristes tempos em que ter é mais importante do que ser... lamentável! 
- Esterzinha do céu... e as guerras que se espalham pelos quatro cantos do planeta? É desesperador que ainda usem armas e lancem bombas e mísseis uns contra os outros, sempre matando inocentes aos montes, como se ainda estivessem nos primórdios quando haviam batalhas por territórios. Cadê o respeito pela soberania dos países? Cadê a empatia? Cadê o respeito ao próximo? Sim, porque as guerras devastam não só os envolvidos diretamente nos confrontos, mas impacta todos os habitantes do planeta. Até a gente aqui em nosso lago... não há como escapar... o mundo é um lugar só... é único!

De repente, um barulho interrompe o bate-papo dos filhotes.
- Ai... abriu o parque. Pausa na conversa, Bê... é hora de compartilhar nosso paraíso com os humanos.
- Pois é, Teté, sorte que, agora cedinho, a maioria deles vem até aqui pra cuidar do corpo e da alma. Ah... mas deixo claro que é pausa na conversa, não em nossa indignação!

Os dois filhotes trocam um sorriso carinhoso e mergulham no lago, aproveitando o frescor da manhã.

* Este texto foi escrito para reflexão e em homenagem a duas datas extremamente importantes: Dia Internacional das Florestas (21/03) e Dia Mundial da Água (22/03). É preciso mais atenção e mobilização em prol do Meio Ambiente! Vamos proteger nossas florestas e mananciais! Respeitem a Natureza! :)

** Agradecimento especial à @ilustralika pela doce ilustração dos queridos filhotinhos Teté e Bê... :)

terça-feira, 20 de julho de 2021

Para refletir

Hoje, volto a falar sobre Lima Barreto que nos brinda com críticas sociais ácidas bem temperadas pela ironia. Desta vez, destaco dois contos. Primeiro, o clássico "O Homem que sabia javanês" conta a história de Castelo, que driblou a necessidade e o desemprego fazendo-se passar por conhecedor da língua e cultura javanesa. Malandro, foi galgando degraus da respeitabilidade de fachada até que foi nomeado cônsul, representando o País pelo mundo. Com sua brilhante escrita, o autor nos traz pérolas como: "O que me admira é que tenhas ocorrido tantas aventuras aqui neste Brasil imbecil e burocrático." E esta, em que o protagonista vangloria-se de seu feito, como, aliás, muitos por aí: "E a minha fama crescia. Na rua, os informados apontavam-me dizendo aos outros: 'lá vai o sujeito que sabe javanês'". Enfim, uma figura que mostra como o oportunismo fez escola e ainda se faz muito presente na cena brasileira, em que as aparências seguem valorizadas no ritmo do eterno país do futuro!

Em "A Biblioteca", o que chama a atenção são as ricas descrições que o autor faz das lembranças de Fausto Carregal, um funcionário público que herdou uma bela biblioteca com livros do pai e do avô. O intuito do protagonista é fazer com que um dos filhos se interesse pela rica coleção de obras de ciências clássicas e de literatura, da qual ele mesmo não leu um único exemplar. O conto começa com Fausto lembrando de detalhes da decoração do casarão do pai, onde a biblioteca "tinha vivido durante dezenas de anos, a gosto e à vontade". Entre as recordações, adoro esta: "E o espevitador de velas? Como ele se lembrava desse utensílio obsoleto, de prata! Era com ternura que se recordava dele, nas mãos de sua mãe, quando, nos longos serões, na sala de jantar, à espera do chá - que chá! - ele o via aparar os morrões das velas do candelabro, enquanto ela, sua mãe, não interrompia a história do Príncipe Tatu, que estava contando...". Confesso que o final é bastante inquietante pra quem, como eu, adora livros, mas a narrativa de Lima Barreto é sempre muito rica, com pitadas divertidas que tornam a leitura leve e, ao mesmo tempo, com contundente crítica social que nos faz refletir. Viva o escritor brasileiro! Salve os clássicos! :)

segunda-feira, 19 de julho de 2021

Beleza e simplicidade

Desde quando foi lançado, em 2018, tinha curiosidade de ler "Os meninos da caverna", do jornalista Rodrigo Carvalho, correspondente da TV Globo em Londres. Como jornalista/escritora, adoro as histórias por trás da notícia. O livro (no meu caso, e-book em promoção... rsrsrs) conta a história do drama pelo qual passaram os meninos e o técnico do time de futebol Javalis Selvagens, que ficaram presos, por 18 dias, na caverna Tham Luang, na província de Chiang Rai, na Tailândia. O resgate quase impossível envolveu mergulhadores e profissionais do mundo todo e mobilizou as atenções e a nossa torcida. Ainda que o tema seja dramático, o autor, que participou da cobertura jornalística, nos brinda com uma narrativa leve e repleta de humanidade. Gosto de como Rodrigo conta os detalhes de forma bem humorada e carinhosa, como nesses trechos: "Quando finalmente foram encontrados por mergulhadores britânicos, depois de nove dias, os garotos pareciam filhotinhos de cachorro"... uns assustados, outros encantados. Achei de uma delicadeza! "As motos barulhentas estão por todos os cantos, nem sempre pilotadas por adultos. Também não chega a ser difícil ver quatro humanos sem capacete na mesma lambreta: um pai ou mãe com três pequenos grudados no guidão, quando, não raro, há um cachorro assustado e espremido no meio." Adorei a cena família completa! E falando de sua religiosidade: "Hoje em dia nos falamos até demais. Não preciso me ajoelhar, nem comer seu corpo e beber seu sangue. Às vezes, basta cruzar o olhar com o vira-lata aqui de casa. Afinal, são um só." Pra quem, como eu, segue o jornalista nas redes sociais e conhece o grande Biriba (o vira-lata mais charmoso do Brasil em Londres... rsrsrs), essa reflexão é ainda mais bonita! Mas não vou contar mais, esses trechos foram só um "aperitisco"... rsrsrs... quem ler entenderá! Enfim, gostei por mostrar como a simplicidade, os sorrisos e a empatia (coisa que anda muito em falta atualmente) são tão importantes para tornar a vida mais iluminada e alegre! Sem contar que um livro que fala de um time de futebol, de cachorro, com pitadas de bom humor e humanidade é um prazer! Recomendo! Salve o Jornalismo! Viva a sagrada liberdade de expressão! :)

terça-feira, 13 de julho de 2021

Todo dia é dia de rock!

Dia Mundial do Rock! Pra mim, rock é amor intenso em forma de música! É prazer total! Acordei com vontade de escrever sobre alguns shows de rock'n'roll que tive o privilégio de assistir. Claro que fui a muito menos shows do que gostaria, mas, enfim, resolvi lembrar algumas histórias sobre esses momentos! Ouvir rock sempre me fez melhor e mais forte... em tudo! 

Nos anos 1990, fui a duas edições do Hollywood Rock, no Pacaembu! Pqp! Em 1994, assisti Titãs... maravilhoso... gosto da banda desde os primeiros discos, faz parte de mim. E encerramos a noite com Aerosmith... adoro... Steven Tyler e sua boca enorme... e olhos brilhantes. Fiquei pertinho do palco e tive a nítida impressão que ele cantou algumas canções olhando pra mim... deve ter sido a adrenalina... ahahaha... Em 1996, fui pra ver o The Cure! "Inbetween days" é daquelas pra cantar gritando bem alto... adorava ouvir correndo pra pegar o ônibus e recomendo... rsrsrs... Ah... sobre esse dia, cheguei perto do palco na hora da apresentação do White Zombie... gostei do som dos caras! Lembro que aproveitei e bati cabelo pra garantir lugar perto do palco pra apresentação do The Cure... ahahaha... e consegui! Aqui dentro, a Gi dos anos 1990 tá gritando e cantando!

Ainda nos doces e agitados anos 1990, fui a alguns shows que vô te falá... Coisa Phina mesmo! Em 1993, no Pacaembu, assisti pela primeira vez sir Paul McCartney! Adoro... nem sei qual adjetivo usar... cantei todas as músicas com ele... uau... adorei "My Love" (a Linda estava com ele no palco) e me emocionei em várias outras... como "The long and winding road"... linda canção que me emociona sempre... inclusive, em 2014, no show do Allianz Parque, literalmente chorei... e depois pulei até quase perder o fôlego com "Ob-la-di ob-la-dá"... ahahaha... Beatles é sempre muito bom! Paul, Ringo, John (divino) e George... o mais doce dos quatro meninos de Liverpool.

Em 1995, fui pela primeira vez assistir, no Pacaembu, aos simplesmente irresistíveis Rolling Stones! Era a turnê Voodoo Lounge! Adoro Mick Jagger flanando pelo palco... a guitarra absurda de Ketih Richards... Ron Wood e sua cara de irmão gêmeo do Rod Stewart... rsrsrs... e o senhor da bateria: Charlie Watts, que fez um solo do caramba, a gente quase queimou a mão de tanto aplaudir... o cara é de uma elegância e, ao mesmo tempo, de uma força! O detalhe, que qualquer dia conto melhor, é que assisti a esse show especificamente dois dias seguidos, um dentro do estádio e outro fora, pendurada no morro ao lado do Paca... ai que saudade dessas noites de rock! Aí, em 2016, no Morumbi, fui de novo ao encontro dos Stones na maior satisfaction! Adoro! Foi difícil não pular e cantar aos gritos "Start me up", que é uma das minhas preferidas... sem palavras pra falar da apresentação desses caras, é sempre um banho de qualidade, beleza... tudo de lindo! Pois é, sou fã mesmo!

Ah! Em 2013, fui ao Monsters of Rock, na Arena Anhembi! Assisti shows durante o dia todo, um sol de sei lá uns 35 graus (fiquei com umas marquinhas vermelhas nos braços que arderam pra cacete, mas só percebi à noite quando não conseguia nem encostar a mão nos ombros... rsrsrs). Enfim, quando subiu ao palco o Whitesnake foi muito legal... "Is this love"... ah... um pouco de romantismo é sempre bom! E aí, mais uma vez, assisti a uma apresentação do Aerosmith! Ah! É uma doideira... a gente quase passa por cima dos outros pra chegar mais perto da grade do palco quando o Tyler se aproxima e até esquecemos que fomos lá apenas pra curtir um som e não pra passar vergonha... ahahaha...

Ah! Por outro lado, tem vários roqueiros que mesmo não tendo tido a oportunidade de ver em shows, adoro e ouço sempre, mas aqui vou citar apenas dois: primeiro, nossa rainha Rita Lee! Adoro suas músicas... "Ovelha negra", "Orra meu", "Flagra", "Erva venenosa", "Pega rapaz", e a clássica "Agora só falta você". Inclusive, um de meus livros (Infância, o recreio da vida) tem uma personagem chamada Rita em homenagem a nossa rainha, que conta que adorava cantar "E fui andando sem pensar em voltar"... adoro a sensação de liberdade que essa frase provoca! Como uma de suas súditas, minha reverência e meus maiores aplausos para nossa grande Rainha Rita Lee! E segundo, preciso dizer que adoro Dire Straits... a guitarra em "Sultans of Swing" é de lascar de boa, está em meus fones de ouvido desde sempre... Mark Knopfler... absoluto! O disco "Brothers in arms" é todo muito bom... e a música "Walk of life"... nossa!

Ah! Quase ia esquecendo de falar do meu primeiro ídolo roqueiro... meu irmão Gilberto (Giba para o mundo, mas, pra mim, Betão!)... eu era muito pequenininha, mas lembro dele tocando guitarra com sua banda, ensaiando na nossa casa... e também colecionava umas revistinhas que traziam as músicas com as cifras, ele tocava e a gente cantava sem medo de ser feliz... ahahaha... enfim, foi quem me apresentou a esse adorável mundo do rock! Viva os roqueiros de todos os estilos! Viva o Rock! :)

segunda-feira, 5 de julho de 2021

Sonho clássico!

"Assim é que, no meu entender, têm língua amarrada o amor e a simplicidade: quanto menos falam, mais dizem"... Ah! Essa frase é de uma delicadeza imensa! "Sonho de uma noite de verão", de William Shakespeare, é daqueles livros (no meu caso, e-book... rsrsrs) que alegra os momentos de isolamento! A narrativa tem romance, fantasia, casais apaixonados, fadas, duendes e belas pitadas de humor. Não é preciso dizer que o autor é grande e atemporal, continua nos fazendo refletir e sonhar há séculos. Já li vários outras obras do dramaturgo inglês, mas certamente essa é uma de minhas preferidas. No caso de "Romeu e Julieta", confesso que as imensas falas da Ama me derrubaram na primeira tentativa... devia ter uns 13 ou 14 anos... e abandonei... só mais tarde, voltei a ler e aí gostei! Ah... lembro também quando fiz um curso, lá por 2005, sobre História do Teatro, na Biblioteca Mário de Andrade, quando li "Hamlet" e "A Comédia dos Erros"... fiquei encantada com os personagens muito bem construídos e a narrativa envolvente. Enfim, Shakespeare é um clássico da dramaturgia mundial e merece ser lido e relido sempre! Viva o Teatro! :)

quarta-feira, 16 de junho de 2021

Uma espécie de Quixote!

Em "Triste fim de Policarpo Quaresma", de Lima Barreto, o protagonista é um patriota fervoroso que ama o Brasil, luta pela valorização da cultura nacional e sonha com um país mais acolhedor, onde houvesse fartura para todos. A leitura é uma viagem pelos primeiros anos da República, a temática é absolutamente atual. Irônico e certeiro, o autor nos brinda com uma contundente denúncia social. O que me chamou a atenção foi a descrição do subúrbio, no caso do Rio de Janeiro, os diferentes tipos de casas, as ruas e vielas e até sobre o calçamento ou a falta dele, como nesse trecho: "Os cuidados municipais também são variáveis e caprichosos. Às vezes, nas ruas, há passeios em certas partes e em outras não, algumas vias de comunicação são calçadas e outras da mesma importância estão ainda em estado de natureza"... coisa que nas periferias brasileiras ainda acontece, mesmo em pleno século XXI. A narrativa é recheada de detalhes que nos faz viajar pelos cenários, os personagens são muito bem construídos, como Ricardo Coração dos Outros, professor de violão e um dos únicos amigos de Quaresma, que também sofre com a falta de afeto e amor no mundo. Agora, preciso dizer que Policarpo Quaresma me conquistou por sua personalidade sonhadora, lembrando meu querido Dom Quixote (Miguel de Cervantes), que lutou incansavelmente pela valorização das coisas brasileiras, e na sua ilusão propôs tornar o Tupi língua oficial do País, tentou ser agricultor para mostrar ao povo como explorar a terra de forma saudável e em determinado momento, cansado de sua luta inglória, perguntou-se onde estava a doçura de nossa gente. Boa pergunta, Quaresma! Enfim, existem muitas reflexões que a obra nos propõe. Leitura mais do que necessária! Viva a Literatura Brasileira! :)