sábado, 22 de novembro de 2025

Um talento criativo injustiçado

Quando foi lançada a HQ "Bill Finger - à sombra de um mito", do roteirista norte-americano Julian Voloj e do desenhista israelense Erez Zadok, fiquei muito curiosa, afinal, era sobre o cocriador do Batman.

Na capa, a máquina de escrever me tocou... escrever não é fácil, participar da criação de um dos maiores ícones da cultura pop deve ter sido uma enorme satisfação... por outro lado, não ser reconhecido como cocriador deve ter sido uma dor inimaginável. E esse não reconhecimento gerou inúmeras dificuldades para Bill, não só financeiras, mas emocionais.

É triste ver uma cabeça tão criativa ser explorada da maneira como foi. Quando Bob Kane, que já trabalhava na indústria de quadrinhos, conheceu Bill Finger viu nele uma usina de ideias! Pena que desde o primeiro trabalho juntos, Kane não creditou o nome de Bill e quando cobrado respondeu que aquele era só o começo. Pois é, só o começo de uma das maiores injustiças que o mundo das HQs veria em sua história!

Baseada no livro "Bill the Boy Wonder: The secret co-creator of Batman", que o autor norte-americano Marc Tyler Nobleman escreveu após longa investigação sobre Bill Finger, a HQ mostra depoimentos de personalidades da época, que trabalharam com o roteirista e reiteraram a importância dele como o verdadeiro criador da persona de Batman, temperamento, história e origem, inclusive, elementos como o traje, a sombria Gothan City e toda a complexidade de Bruce Wayne. Mesmo com uma participação no desenvolvimento do homem-morcego muito maior que a de Kane, que apenas idealizou o visual do personagem, Bill não foi reconhecido em vida. Por isso, acredito que o maior mérito da HQ é trazer à luz, mais uma vez, alguém que viveu à sombra de uma indústria injusta que passou a creditar o nome do criador de Batman apenas em 2015, ou seja, 76 anos depois de sua primeira publicação, em 1939. 

Bill Finger é uma mente brilhante que merece ser reverenciada! Aplausos aos roteiristas e desenhistas que juntos, cada um com seu talento, nos brindam com obras inesquecíveis! Viva as histórias em quadrinhos! :)

quarta-feira, 19 de novembro de 2025

A genialidade de um grande escritor

"Os Maias", obra-prima de Eça de Queirós, é uma leitura, absolutamente, prazerosa! O escritor português narra a história de três gerações de uma família, marcada por tragédias, na bela Lisboa do final do século XIX. 

Antes de mais nada, preciso dizer que além do autor ser um dos meus favoritos (já postei sobre ele aqui), este livro, especificamente, sempre esteve na minha lista de desejos e, finalmente, consegui comprar uma edição que coube no meu bolso... rsrsrs... Lembro de quando assisti a minissérie (TV Globo), no início dos anos 2000... desde então tinha certeza que, embora tenha adorado a adaptação para TV, a leitura seria ainda mais encantadora! Acertei!

A escrita de Eça de Queirós tem, da primeira à última linha, todas as características que admiro: narrativa envolvente, profunda quando tem de ser e irônica quando preciso for; personagens profundamente humanos e cativantes; e a tão necessária crítica social... tudo isso em um cenário que nos transporta à época! Confesso que cada vez que leio uma obra de Eça, aumenta minha vontade de visitar Portugal... fico me imaginando pelas ruas de Lisboa... Porto... é inspirador! Quando isso acontece, costumo esconder o cartão de crédito, imediatamente, para evitar compras de passagens aéreas por impulso... ahahaha!

Voltando ao livro, propriamente dito, podemos dizer que o casarão da família, o Ramalhete, é um dos personagens da história pela enorme influência que exerce no desenvolvimento da trama com seu ar sombrio, misterioso e ao mesmo tempo acolhedor. Ao longo dos anos, o Ramalhete se torna, cada vez mais, uma espécie de refúgio do avô Afonso da Maia, do neto Carlos e dos amigos da família, que vivem discutindo os rumos do País e de uma sociedade que caminha para o progresso a passos lentos, comparada à Paris e Londres.

O mérito do autor está em nos apresentar um enredo irretocável que, mesmo apresentando temas delicados e tensos como traição, suicídio, incesto e intrigas, nos envolve em uma narrativa rica e extremamente humana. Os personagens são realmente memoŕaveis e conquistam o leitor pela forma como tentam enfrentar os problemas, como encaram a vida. As conversas entre Carlos e João da Ega são um caso à parte, sejam as mais filosóficas, sejam as mais mundanas, carregam sempre 
boas pitadas de ironia.

Recentemente, li também "O Mandarim", um dos contos fantásticos de Eça, que conta a história de Teodoro, um funcionário público que leva uma vida pacata e monótona, sem muitas aventuras... até que um pacto que envolve uma certa herança muda sua vida. 

No texto sobre a obra, assinado pelo autor, ele discorre a respeito da necessidade de todo escritor português criar contos fantásticos para não sufocar nem morrer de nostalgia de seus sonhos! Adorei essa confissão... rsrsrs... e encerra dizendo: "Depois de escrita a última página, corrigida a última prova, ganha-se a rua, retoma-se o caminho e volta-se ao severo estudo do homem e de sua eterna miséria." Aplausos à genialidade do grande Eça de Queirós! Viva a Literatura! :)

sábado, 15 de novembro de 2025

Bússola quebrada

– Tô com a sensação de que minha bússola está quebrada!

– O quê?

– É como se eu estivesse sem rumo, mas ao mesmo tempo, com mil ideias... otimistas, sonhadoras e inspiradas!

– Uau! Mas, então, qual o problema?

– Difícil de entender? Pode ser, mas refletir é bom, abre horizontes!

– Ué? Onde está a insegurança que você tava sentindo há segundos atrás, quando introduziu sua bússola quebrada em nossa conversa?

– A insegurança e o medo adoram marcar presença durante minhas reflexões... normal! Mas o segredo é...

– ... tá com medo? Vai com medo mesmo! O importante é não desistir!

– Pois é, sempre em frente! Nem que esse "em frente" seja sem rumo definido, em uma estrada sinuosa, afinal, curvas são sempre bem-vindas, dão emoção à caminhada!

– Gosto assim! E lembre-se que a caminhada pode até parecer solitária, mas faço parte de sua torcida organizada...

– Obrigada, amor! E mesmo que sejam poucos nessa torcida, tudo bem, não procuro quantidade, o que me encanta é qualidade!

– Ah! Você é que me encanta, amor! E não fique mais tensa, essa sensação vai passar.

– Você acha que retomo meu rumo?

– Claro! Foi só um tropeço, uma rasteira, chame como quiser... o importante é que estou aqui pra te segurar!

– Tô melhor! Acho até que minha bússola está voltando a indicar o Norte... rsrsrs...

– Ah! Tá vendo, sei como lidar com seus descarrilamentos, querida! Vem cá que te ponho nos trilhos... rsrsrs...

– Não seja insensível... eu externando minhas aflições e você fazendo graça!

– Calma, amor! Só queria te deixar tranquila e dizer que tô aqui pra resolver seus problemas... ahahaha...

– Ahahaha... se oriente, rapaz! Da minha bússola cuido eu!

– Ih! Tá revoltada... não quer mais que eu cuide de sua bússola?

– Ê quinta série!

– Ahahaha... mas eu tô falando da bússola mesmo, aquela que tem os pontos cardeais... norte, sul, leste, oeste!

– E essa cara de canalha?

– É especial pra você... então, vem logo e me dá um abraço, porque abraçar quem a gente gosta é um santo remédio pra sensação de bússola quebrada, já dizia minha avó!

– Sua avó dizia isso mesmo?

– Sei lá... modo de dizer... ahahaha... essa expressão, sim, tenho certeza que minha avó falava... e, como você pode ver, passou de geração em geração... ahahaha...

– Ahahaha... bobo! Então, chega de conversa, quero esse seu abraço reparador!

– É pra já! :)

quarta-feira, 12 de novembro de 2025

As primeiras tirinhas

Mais uma vez, passei por uma banca de jornal só pra dar uma olhadinha e eis que me deparo com "Tiras Clássicas - Turma da Mônica"! Ah! É sempre bom encontrar publicações especiais com a gênese de personagens tão queridos como os de Maurício de Sousa! 

A coletânea traz as primeiras tirinhas publicadas em jornais, no começo da década de 1960, com o título Cebolinha, que deu início à bela carreira de nosso querido quadrinista que, recentemente, completou 90 anos de vida!

Ao longo das páginas, podemos ver que o menininho charmoso que troca a letra "r" pela "l" desde sempre gostou de pregar peças nos colegas e, inclusive, já provocava Mônica, a menina baixinha e cheia de atitude que, por sua vez, veio a se tornar nossa mais do que querida dona da rua!

O primeiro volume traz muita diversão e os primeiros traços de Cebolinha, Floquinho, Franjinha, Bidu, Cascão, Xaveco (cujo nome era grafado com "Ch"). E uma curiosidade: Zé Luís era apresentado como irmão mais velho da valente Mônica, mas depois esse parentesco deixou de existir! 


Agora, vou querer os próximos volumes das "Tirinhas Clássicas"... rsrsrs... Ah! Vale muito a pena! É uma leitura leve e relaxante sobre essa adorável turminha que nos acompanha desde a infância! Aplausos ao talento admirável de Maurício de Sousa! Viva as doces tirinhas de jornal! :)

sábado, 8 de novembro de 2025

A alegria de visitar uma livraria

Livrarias são oásis de sonhos, ideias, inspiração! Visitar uma livraria é descobrir novos autores; acariciar livros que não podemos comprar, mas que, imediatamente, incluímos em nossa lista de desejos; é esconder o exemplar que queremos no fundo da prateleira pra ninguém comprar antes; é olhar cada uma das seções com olhos infantis, transbordando de alegria! É folhear um exemplar e, lendo a contracapa, ter a curiosidade aguçada!

Tudo bem que durante a pandemia, por pura necessidade de ler enquanto o mundo parava, acabei recorrendo aos livros eletrônicos... agradeço a companhia deles, mas nada como ter um livro físico em mãos, destacar os trechos que mais nos marcam na obra. No meu caso, uso marcadores de papel, não gosto de grifar nem anotar nas páginas, mas cada um na sua, quem gosta, beleza! O importante é ler e aproveitar tudo que a leitura tem de bom!

Esta semana, fui a uma livraria e até esqueci a dor na coluna... rsrsrs... pelo menos, enquanto andava por entre as estantes e me encantava com escritores conhecidos e garimpava novos universos literários! Ir ao encontro de livros e HQs é sempre bom, ainda que seja só pra passar no leitor do código de barra e assustar com o preço... rsrsrs... Ou organizar o bolso pra, quem sabe, comprar numa próxima vez e se o orçamento permitir, ter a satisfação de sair com a sacolinha recheada! Sim, claro que também apoio as bibliotecas! Elas são democráticas, inclusivas e generosas, mas é que sempre tem aquele autor ou autora que a gente quer e precisa ter em nossa estante, aí a livraria nos garante as aquisições desses livros que nos são especiais.

Mas voltando às livrarias, prefiro as de rua, são adoráveis e nos proporcionam passeios incríveis. Além de perambular por diversos gêneros litérarios, podemos fechar a programação tomando um café... adoro livrarias com cafeteria como, por exemplo, a Martins Fontes da Paulista, a Livraria da Vila da Fradique Coutinho... e até a Realejo, de Santos (cuja visita cultural pode ser um bate-e-volta com direito a uma caminhada na praia).

Ah! Só queria registrar meu amor pelas livrarias e dizer que elas são meu passeio preferido, desde que a programação inclua café e bolo... rsrsrs... Viva as queridas livrarias de rua! Viva a Literatura e seus encantos! :)

quarta-feira, 5 de novembro de 2025

Memórias e poesia em quadrinhos

"Mais uma história para o velho Smith", do quadrinista, chargista e ilustrador Orlandeli, aborda identidade, memórias e o destino das lembranças, depois que elas vão embora. Vencedora na categoria Histórias em Quadrinhos do Prêmio Jabuti 2025, a HQ é poesia e arte irretocáveis! O autor nos brinda com ondas de emoção e humor sutil ao longo de toda a narrativa. O carismático protagonista é um grande contador de histórias, o que me conquistou logo de cara! 

Sempre que voltava do mar, todos paravam para ouvir as histórias do marinheiro até que um dia ele não consegue mais se lembrar delas. Então, decide retornar ao mar para tentar recuperar suas lembranças e, a partir daí, vive várias situações curiosas e bastante reveladoras. 

Ah! A HQ é encantadora não só por ter como cenário o mar e seus mistérios, mas também por nos apresentar um protagonista tão humano e simpático como o velho Smith, que nos faz refletir sobre nossas próprias lembranças! Aplausos para Orlandeli e seu mais do que merecido Jabuti! Viva as HQs brasileiras! :)

sábado, 1 de novembro de 2025

Bela ilustração e boas reflexões

Quando comprei "Celestia", do italiano Manuele Fior, no ano passado, fiquei curiosa para ler, também porque adoro ilustração em aquarela. Confesso que a primeira vez que li, não entendi nada... rsrsrs... e guardei na estante pra tentar mais tarde. Passaram-se meses e toda a vez que eu comprava uma nova HQ ou novo livro tinha a impressão que Celestia me olhava com uma lágrima no rosto, como a de seu protagonista, Pierrô.

Já a segunda tentativa de leitura deu certo! Em primeiro lugar, quero dizer que a ilustração aquarelada de Fior é de uma sensibilidade e uma beleza que, certamente, nos ajuda a compreender melhor o universo criado pelo italiano!

A narrativa é sobre a chamada "Grande Invasão", que devastou o continente, quando alguns sobreviventes encontraram refúgio em Celestia, uma pequena ilha de pedra, construída há mais de mil anos.


Os protagonistas Pierrô e Dora vivem com um grupo de jovens telepatas, mas por diversas razões, resolvem conhecer o continente, onde adultos são guardiões do "mundo antigo".

A leitura é uma sucessão de belas imagens e diálogos que nos provocam reflexões sobre a humanidade, suas fraquezas e complexidade. É uma HQ que exige mente aberta para absorver toda a sensibilidade de seu autor.

Vale pela beleza da ilustração e por tudo que nos faz refletir, principalmente, em tempos de ruído na comunicação, pouca conexão entre as pessoas e um mundo cada vez mais cruel e nada gentil como temos visto frequentemente por toda parte! Viva a arte que nos salva! Viva o alívio e a reflexão provocados pelas queridas HQs! :)