Uma das coisas que mais me encantou foi a ternura com que o grande cartunista, escritor, chargista, cartazista, jornalista retratou as alegrias, sonhos e traquinagens das meninas. Em vários momentos, a Gi menininha que habita em mim se sentiu representada... foi uma leitura repleta de carinho, porque não importa a idade que temos, nossos sentimentos, valores e sonhos nos conectam à sua arte e nos fazem mais fortes!
Em "Uma menina chamada Julieta", adorei quando ela ganhou de presente da avó "uma saia bem branquinha, curtinha e toda plissada, uma camisa vermelha, tendo bordada no peito a figura de um raio". Ah... Flash! Inclusive, um dos personagens que criei é muito fã desse querido super-herói... adoro!
A partir daí, a Julieta nunca mais tirou "a roupinha que a fazia virar uma super-heroína". A pequena é um azougue, gosta de aprender novas palavras, de ouvir histórias antes de dormir, de jogar futebol, faz gol de tudo que é tipo... de cantar, brincar de teatro, de casinha e de boneca... mas uma coisa me fez lembrar da infância, quando minha mãe tentava desembaraçar meus cabelos... ai, os puxões da escova... sorte que ela tinha muitos afazeres em casa e passava a tarefa para um dos meus irmãos, que era paciente pra caramba... rsrsrs...
Já no livro "Meninas", Ziraldo convidou o amigo Aroeira para uma parceria e decretou feliz: "eu desenho, você colore". E, então, ganhamos uma obra que esbanja talento e delicadeza! No texto de abertura, o autor confessa que sempre pensou em ilustrar o livro "Alice no País das Maravilhas", acreditava que todo ilustrador tem o desejo ardente e até o dever de ilustrar o clássico de Lewis Carroll. Resultado: pensando em nos contar a história da famosa Alice à sua maneira, acabou por nos brindar com essa joia em que tenta explicar quem é a menina, "esse ser encantado que dura apenas dos sete aos onze anos". Este livro também me fez lembrar de quando era criança, sempre sonhadora... "Menina não precisa de asas para voar". Pois é, nunca precisei! Escrever me faz voar, sonhar... é quando mais me encanto com as belezas da vida. Salve a sensibilidade, a genialidade e a obra solar de Ziraldo! :)


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