sábado, 25 de julho de 2026

Amor de porcelana

Aproveitando que amanhã é Dia dos Avós, tava lembrando da minha avó materna... portuguesinha de cabelinhos brancos, viúva desde muito nova... meu avô materno faleceu quando minha mãe tinha apenas sete anos.

Quando era pequenininha, lembro da hora do café da tarde, a mesa era organizada, tudo simples e muito bonito... a manteiga conservada na água pra ficar macia, os pãezinhos frescos... a faca de pão, grande de serrinha, clássica, todo mundo tinha uma em casa, o café com leite na medida certa, servido em bonitas xícaras com pires... ah... doces lembranças na casa da vó. 

Se íamos almoçar, ela acabava sempre me dando leves broncas, achava que eu comia pouco e até ameaçava dar um presente pra outra menina qualquer se eu não raspasse o prato... rsrsrs... eu me divertia... mas, às vezes, ficava preocupada... que menina seria essa que minha avó ia presentear? Até porque ela não gostava de dar brinquedos, ela sempre me dava roupa, só uma vez me deu uma bonequinha tão linda... guardo até hoje! 

Toda a vez que íamos visitá-la, minha mãe sempre dizia: comportem-se e não mexam em nada. Éramos educados e por mais que a cristaleira dela nos encantasse, nunca fizemos nada errado, a gente ficava só olhando todos aqueles itens que preenchiam as prateleiras, louças, souvenires... eu adorava os bibelôs de porcelana, especificamente, um casalzinho sentado num muro... era tão lindo! Quando minha vó faleceu, eu ainda era criança e minha tia me deu o bibelô de presente... ah... achei tão bonito, ela sabia que eu gostava! Sempre que olho pra ele sinto todo o carinho... é como um abraço de vó... da minha vó!

Uma coisa que me traz sua lembrança é o aroma de arruda... minha vó sempre ia na nossa casa logo cedo pra me benzer. Ela era muito paciente com a Gi pequenininha... rsrsrs... eu queria saber o que ela rezava enquanto me benzia, ela ria e isso atrapalhava sua reza. Minha mãe pedia pra eu ficar quieta, mas minha avó não se importava e, algumas vezes, pra conseguir me benzer, ela me virava de costas... coisa de criança sapeca e curiosa... rsrsrs... hoje sinto falta desse cuidado todo... mas sei que sua bênção continua me protegendo de onde estiver... ❤️

Já meu avô paterno, italiano, faleceu quando eu tinha três anos... não tenho lembranças dele, porém minha mãe dizia que quando eu me irritava parecia o vô Carlo... rsrsrs... e minha avó paterna faleceu quando eu tinha uns cinco anos de idade, mesmo assim lembro de seu cheirinho e de seu abraço! :)

* Esta crônica, ilustrada pela foto do meu querido casalzinho de porcelana, é uma singela homenagem aos meus avós paternos e maternos que me deram meu pai e minha mãe... ❤️

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