sábado, 26 de setembro de 2026

Mestre das crônicas e do humor elegante


Hoje o irretocável Luis Fernando Verissimo completaria 90 anos de vida! E que vida! Cronista, cartunista, roteirista, músico de jazz... uau... tantas habilidades em meio à sua charmosa timidez! Pra comemorar a data, uma exposição no Centro Cultural Fiesp, na Avenida Paulista, faz a alegria dos fãs. Adorei cada um dos itens dessa linda história do mestre das crônicas e do humor elegante!

"Traçando Verissimo - O Mundo Fabuloso do Mestre do Humor Brasileiro" nos dá a oportunidade de mergulhar nesse universo irônico, criativo e talentosíssimo do saudoso grande escritor! São mais de 300 itens entre originais de romances e crônicas, desenhos, charges e tiras de seus mais divertidos e reflexivos personagens, além de instrumentos musicais, fotos e vídeos.

Com uma carreira de mais de 50 anos, sua obra retrata o cotidiano, principalmente da classe média, sempre mesclando humor e crítica social... impossível não se identificar com alguma das situações e/ou reflexões... rsrsrs...   

Confesso que minha visita à exposição teve muita risada e muita emoção... emoção de alguém que escreve (ou tenta escrever), que se encantou em conhecer um pouco mais sobre o mestre... e até sentiu uma pontinha de tristeza por não ter tido a chance de conhecê-lo pessoalmente. O bom é que ler seus livros é uma forma de nos aproximar dele. Foi encantador ver os roteiros originais de Comédias da Vida Privada!

As capas das primeiras publicações de "Orgias", "A Mulher do Silva" e "Amor Brasileiro", entre outras, elaboradas a partir de ilustrações de Verissimo são criativas, divertidas e mostram todo seu talento para o desenho... traços leves que resultam em imagens poderosas! Dá vontade de ter esses exemplares, pena que são edições muito raras e difíceis de encontrar. 
Ah! As Cobras... irônicas e tão reflexivas... adoro! Segundo o mestre, "são o produto da combinação de meu gosto por quadrinhos com minhas limitações como desenhista. Cobra é fácil de desenhar porque não tem mão, só pescoço e cabeça, sempre gostei muito de cartum, e quando comecei a ter uma coluna no jornal aproveitei para me divertir com o desenho". Genial! Aliás, elas estão glamourosas, no meio da exposição!

Fiquei emocionada quando vi que, além do futebol e quadrinhos, a gente tem mais coisas em comum como, por exemplo, adorar a capital da França! Gostei muito de ver os manuscritos do livro "Traçando Paris", que tem ilustrações de Joaquim da Fonseca. Parei ali, encantada, e li a primeira página exposta como se estivesse em casa! Ah, mestre... agora, conquistou de vez sua admiradora aqui!

Suas crônicas são fascinantes por serem um retrato crítico e bem-humorado da nossa sociedade, mas, recentemente, quando soube da exposição, resolvi ler "As Aventuras da Família Brasil" pra conferir a reunião de suas tiras irônicas e sofisticadas... são puro jazz! Adorei o livro e ver seus originais de perto foi encantador! 

Uma das situações das que mais gosto é essa que reproduzo ao lado... quando o filho, desaforado, diz que tudo que tem em um livro, tem em seu computador, com som e movimento e o pai responde categórico: "Cheiro de livro é melhor"! Concordo plenamente! Inclusive, na minha humilde opinião, livros são melhores que muita gente... rsrsrs... Enfim, a exposição é uma experiência inspiradora! Recomendo não só a visita, mas também a leitura da vasta obra do mestre do humor brasileiro! Viva Luis Fernando Verissimo! Salve as crônicas, as charges, o jazz e toda forma de arte! :)

quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Uma escritora que merece reconhecimento

Única mulher entre os idealizadores da Academia Brasileira de Letras (ABL), Júlia Lopes de Almeida não foi escolhida para ocupar uma das cadeiras quando da oficialização da instituição, simplesmente, por ser mulher. Os intelectuais não aceitaram sua inclusão, pois se inspiraram na Académie Française de Lettres, onde não havia a presença feminina. Então, no lugar de Júlia, quem ocupou a cadeira número 3 foi seu marido, o poeta português Filinto de Almeida. Uma enorme injustiça!

Como mulher, que adora ler e escrever, fico indignada com essa falta de respeito. No início do século XX, ela era considerada a escritora mais importante do Brasil. Pioneira na luta pelos direitos das mulheres, defendia o voto e a educação formal, combateu a escravidão, a violência sexual e condenava a supremacia masculina. Enfim, uma grande escritora e uma cidadã consciente que, certamente, merece muito mais reconhecimento.

Pela primeira vez, tive a oportunidade de ler sua obra, adorei a forma como Júlia conduz as tramas, constrói os personagens e torna a leitura fluida. Além de retratar a sociedade brasileira no século XIX e início do século XX, faz uma crítica contundente à elite, enfocando machismo, preconceito e desigualdade social.

Em "A Falência", a escritora nos conta a história do português Francisco Teodoro, um comerciante que enriquece por meio do café e é casado com Camila, uma moça de origem humilde que aceita se casar em troca de ascensão social. O casal vive confortavelmente, com quatro filhos e uma sobrinha. Camila é mantém um relacionamento extra-conjugal com o medico Gervásio. Ao longo da trama, a falência que atinge a família não é apenas financeira, mas também moral. 

Gosto da maneira como a autora nos mostra o lado humano dos personagens, como quando Teodoro fica olhando as filhas gêmeas de seis anos dormindo... uma cena que mostra a ternura enorme de um homem simples que enriquece depois de uma vida dedicada ao trabalho, mas que pela ambição desmedida se arrisca em investimentos nada seguros e perde tudo. Por outro lado, viúva e novamente sem recursos financeiros, Camila precisa reaprender a viver de forma simples e consegue se reerguer trabalhando, apoiada pelas filhas e pela sobrinha, sem depender de um provedor, aí a autora apresenta uma saída inovadora para os romances da época.

Em "A Intrusa", Argemiro, um advogado viúvo, certo dia, resolve colocar um anúncio no jornal para contratar uma governanta. A ideia é que a funcionária cuidaria não só da casa, mas também da educação de sua filha, Maria da Glória, uma menina mimada, que mora com os avós maternos em uma chácara. O detalhe é que Argemiro tinha uma condição bizarra: que a governante jamais falasse diretamente com ele e evitasse circular pelos cômodos quando o patrão estivesse em casa.

Alice, a contratada, rapidamente se adapta às exigências e desempenha suas tarefas de maneira eficiente, muito carinhosa com a menina e nos cuidados com tudo o que diz respeito ao patrão. Os dias vão passando e Argemiro passa a adorar o ambiente de limpeza e organização de sua casa e a mudança de comportamento da filha.

Adorei, especialmente, um trecho em que um dos personagens fala sobre os romances e o ato de escrever: "Bem dizem os romancistas que os romances se fazem por si. Criada a personagem, posta no meio em que terá de agir, ela caminhará por seus pés até o ponto final do último capítulo. Acontece, por isso, que o autor tem, às vezes, verdadeiras surpresas, como se todos os atos dos seus heróis não fossem obra sua! Concebida a ideia fundamental do livro, está criado o sopro de vida que o animará. A dificuldade está toda no primeiro impulso!" Concordo plenamente! Viva Júlia Lopes de Almeida! Viva as escritoras, que nos abriram as portas, e sua preciosa contribuição à Literatura Brasileira! :)

* Ah! Já que estamos em tempo de eleições, valorize seu voto e celebre a importância de exercer esse direito!

sábado, 19 de setembro de 2026

Vamos ao teatro!

Mais uma vez, Carmela e Gregório estão, confortavelmente, sentados em suas poltronas prediletas, na primeira fileira. Só frequentam este teatro, pois, além de ser perto de casa, foi onde se conheceram. Não, essa não é uma lembrança romântica. Na verdade, foi aporrinhação à primeira vista! Gregório gosta de dizer que a culpada pelo fato da primeira memória do casal ser ruim é Carmela! E ela diz que a grosseria dele é que contribuiu para que a situação se tornasse tão desagradável.

Voltamos para meados da década de 1970. Era inverno e caía uma garoazinha que, para os desavisados, encharcava até os ossos, lembra Gregório. A noite pedia um pouco de arte para amenizar o dia atarefado de trabalho e ele tentou caprichar no visual: vestiu seu melhor jeans boca de sino, camiseta básica, jaqueta surrada, tênis batido e seguiu para o teatro!

Apressada, Carmela estreava uma minissaia, casaco de lã, botas de cano longo e seu recorrente guarda-chuva colorido... sentia-se pronta para ser feliz em uma noite teatral. Ao atravessar a avenida, tomou um susto com o alvoroço na bilheteria... devia ter comprado o ingresso na hora do almoço, mas preferiu adiantar o serviço e ficar livre mais cedo a tempo de ir para casa trocar de roupa. Sem lamentações, afinal, não há problema em enfrentar uma fila.

Com o ingresso na mão, Gregório aproveitou para tomar um café, enquanto olhava a aglomeração que ainda se formava na bilheteria. Gostava da agitação e de observar as pessoas e suas esquisitices... como se ele não tivesse esquisitices também, ora bolas!

Quando, finalmente, Carmela comprou o ingresso, correu para o toalete, precisava garantir que não teria vontade de fazer xixi no meio da peça. A hora do teatro, pra ela, deveria ser encarada com todo respeito que a arte merece, portanto, nada de arriscar! 

Primeiro sinal. Hora de entrar e se acomodar em sua poltrona. Em meio ao leve burburinho, os mais prevenidos e atentos logo começaram a procurar seus lugares. Gregório entrou pela porta da esquerda e Camela pela da direita, por ser a mais próxima ao sanitário feminino. Com o ingresso na mão, ela ficou indignada quando viu um homem sentado em seu lugar e logo o questionou.

– Acredito que o senhor está ocupando meu lugar!

– O quê?

– O senhor é surdo? Está ocupando meu lugar...

– Claro que não! Acabei de comprar meu ingresso... você é que deve estar enganada!

– Não costumo me enganar... também comprei meu ingresso agora há pouco.

– E?

Segundo sinal. A peça iria começar em 15 minutos!

– O senhor ouviu o segundo sinal?

– Claro que ouvi... espero que a senhorita sente na hora do espetáculo, caso contrário, vai atrapalhar não só a mim, mas toda a plateia que está, imediatamente, atrás de nós!

– O senhor é bem articulado e, portanto, já entendeu que está sentado no meu lugar... agora, seja gentil e levante!

– A senhorita é sempre assim?

– Assim como? Educada?

– Não... pedante!

– Como o senhor é grosseiro. Agora, já chega... preciso sentar logo, não gosto de chamar a atenção.

– Nem eu. Por isso, entrei logo e sentei no meu lugar, já a senhorita continua de pé me aporrinhando!

– Me mostre seu ingresso logo... vai ver como estou...

– ... errada! Aqui está: Fileira A, poltrona 13!

– Não pode ser... a minha também é Fileira A, poltrona 13!

Terceiro sinal. As luzes da plateia seriam apagadas e, em cinco minutos, o espetáculo começaria.

– Eu não acredito, quero meu lugar!

– Me dá aqui seu ingresso! Vamos conferir isso agora!

Gregório revira os olhos, faz uma careta e respira fundo.

– A senhorita está atrasada, este seu ingresso é da peça que encerrou temporada na semana passada! Ahahaha... que situação!

– Como assim? Devolve meu ingresso, agora!

As pessoas em volta já se mostravam incomodadas com os dois discutindo. Carmela fica vermelha, procura em sua bolsa e acha o ingresso correto: Fileira A, poltrona 15.

– Mil desculpas... as luzes... por favor, pode me dar licença pra que eu sente em minha poltrona?

Gregório dá um sorrisinho de canto de boca e começa a considerar que, como dizia sua avó: há males que vem para o bem! Por sua vez, Carmela olha discretamente e conclui que, apesar da grosseria, ele tem um rosto bonito! Então, as luzes se apagam e abrem-se as cortinas. É hora de aproveitar o momento, pois uma vida inteira os espera após a sessão! :)


* Hoje comemora-se o Dia Nacional do Teatro e essa crônica é minha humilde homenagem aos dramaturgos, atores, atrizes, diretores e aos inúmeros profissionais que abrem as cortinas, iluminam os palcos, clareando ideias e enriquecendo nossas vidas!

* Na foto, meus exemplares de peças do saudoso Plínio Marcos (adorava encontrá-lo nos corredores da Bienal do Livro de São Paulo pra conversar e pegar seu autógrafo); e uma relíquia... rsrsrs... o tíquete do espetáculo "Dores de Amores" (1989), de autoria de Léo Lama, filho do Plínio e da grande atriz Walderez de Barros, que tinha como protagonistas Malu Mader e o querido e talentosíssimo Taumaturgo Ferreira! Viva o Teatro brasileiro!

quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Um doce filme, uma bela recordação

Ambientada nos anos 1950 e tendo como "trilha sonora" o agradável som das máquinas de escrever, a comédia romântica francesa "A Datilógrafa", direção e roteiro de Regis Roinsard, me conquistou antes mesmo de assistir! Fotografia, cenários e figurinos me encantaram do mesmo modo. Ah! A sonhadora aqui adora essas delicadezas!

O filme conta a história de Rose Pamphyle (Déborah François), que aos 21 anos decide sair da casa do pai, em uma cidadezinha da Normandia, norte da França, para morar na maior cidade da região, Lisieux, e tentar uma vaga como secretária, sonho da maioria das moças modernas daquela época! Para surpresa do chefe Louis Échard (Romain Duris), ela é muito rápida teclando, então, ele resolve treiná-la para ser a datilógrafa mais rápida da França e, pra isso, não mede esforços para que desenvolva cada vez mais a técnica... Rose passa dias e noites teclando, copiando livros inteiros! Em meio às confusões que envolvem os bastidores dos concursos, Rose e Louis vivem um romance. A trama conta ainda com simpáticos coadjuvantes. Pra quem só precisa de algo leve e divertido, vale a pena! 

Assistindo ao longa, não pude deixar de lembrar da Gi aqui, quando tinha... sei lá... uns 10 anos de idade, teclando numa máquina de escrever, como esta da foto ao lado. Eu não fiz datilografia... já não era mais obrigatório como nos tempos da Rose... rsrsrs... mas confesso que gostaria de ter aprendido, tenho saudade de teclar. Toda a vez que vejo uma máquina de escrever, fico com vontade de datilografar, ainda vou comprar uma dessas pra ouvir o adorável e instigante barulhinho das teclas. Viva o Cinema sempre tão inspirador! :)

sábado, 12 de setembro de 2026

A banda mais revolucionária das galáxias

Dia desses estava procurando um filme pra assistir sem grandes expectativas e eis que me aparece um que desde a primeira vez que ouvi falar despertou curiosidade e, ao mesmo tempo, uma certa repulsa, afinal a premissa de que, depois de um apagão, o mundo esquecia da existência dos Beatles é muito alarmante. Nasci ouvindo os garotos de Liverpool, meu irmão roqueiro adorava e continua adorando, cresci acompanhando as letras em revistinhas de música que ele colecionava.

Controlado o horror de um mundo sem Beatles, resolvi assistir "Yesterday", direção de Danny Boyle! E fui fisgada justamente pelas músicas, que cantei a plenos pulmões... sozinha no meu quarto, claro... o espetáculo deixo para a banda mais criativa e revolucionária das galáxias! No início, o músico Jack Malik (Himesh Patel) pensa, seriamente, em desistir da carreira, depois de fazer shows para meia dúzia de espectadores. No dia do tal apagão, ele é atropelado por um ônibus e ao acordar descobre que vive em um mundo em que os Beatles não existiam... que mundo esquisito, eu, hein?

Depois de fazer uma busca na internet e constatar que a banda não existe, ele passa, de forma pouco honesta, a gravar as músicas como se fossem suas composições... fiquei arrasada. Só que quando ele começa a cantar, embarcamos nas belas e instigantes canções: "Yesterday", "Let it be", "I want to hold your hand", She loves you", "I saw here standing there", "In my life", "Back in the USSR", The Long and winding road", "Here comes de sun", "Something", "A hard's day night", "Carry that weight hey" "Hey Jude", "Help", "All you need is love", "Ob-la-di, Ob-la-da". Com uma trilha sonora dessas, não há como não se encantar, mais uma vez, pela genialidade do quarteto!

Que alegria que os Beatles existiram! O mundo se tornou muito melhor com eles. O filme serviu pra resgatar músicas que não ouvia faz tempo. Ah! Beatles faz bem pra saúde e pra sonhar um pouco em meio às preocupações do dia a dia... recomendo! Viva o rock and roll! Viva John, Paul, George e Ringo! :)


* A crônica de hoje é minha doce homenagem ao Betão, meu irmão musical, que quando eu era pequenininha tinha uma banda, era meu ídolo da guitarra, baixo, violão e o que mais viesse, além de ser meu MacGyver particular... e que faz aniversário amanhã! Parabéns ❤️

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Tempos ainda difíceis para os sonhadores

No dia 29/08, me chamaram a atenção as postagens que faziam referência ao filme "O Fabuloso Destino de Amélie Poulain" (2001), confesso que nunca havia assistido e alguma coisa me dizia que era o que eu precisava no momento e, finalmente, assisti... 25 anos depois do lançamento! Fazer o quê, às vezes, a correria é tão insana que acabamos por perder histórias que, certamente, nos dariam aconchego!

Ah! Adoro filmes franceses! Adorei tudo! Com direção de Jean-Pierre Jeunet e roteiro dele e de Guillaume Laurent, o longa já me conquistou logo no início, quando o narrador começa a apresentar cada um dos personagens, suas características e manias... Os pais de Amélie são um caso à parte... rsrsrs... ele, médico, não tem o hábito de demonstrar carinho à filha e acaba por diagnosticá-la com uma doença fictícia, o que faz com que a menina não frequente a escola; a mãe é professora, tem tique nervoso, gosta de dar lustro no assoalho com suas pantufas e coube a ela alfabetizar a pequena em casa mesmo. Assim, sempre sozinha, privada da companhia de outras crianças, Amélie inventa um mundo só dela!

Depois que a mãe morre em uma tragédia, a menina passa a viver com o pai. Quando adulta, resolve sair de sua cidade, no norte da França e vai morar em Montmartre, bairro parisiense, trabalhar como garçonete no charmoso Café Des Deux Moulins. Mais uma vez, o narrador nos apresenta a dona, as funcionárias e os clientes do café, além dos moradores do prédio onde mora a protagonista... todos hilários em suas esquisitices. Amélie (interpretada brilhantemente pela atriz Audrey Tautou) segue sonhadora... ah... ela adora quebrar a cobertura do crème brûlée com a pontinha da colher! 

Adoro filmes que misturam fantasia e realidade, que valorizam os pequenos gestos de carinho e atestam que as coisas mais simples do cotidiano são as mais importantes da vida! O cinema sabe ser, ao mesmo tempo, emocionante e divertido, e nos fazer refletir!

As cenas com o anão de jardim do pai são impagáveis... rsrsrs... Pra incentivá-lo a viajar, ela pega o dito cujo escondida e, de repente, o pai começa a receber cartas com fotos do anão de jardim em várias partes do mundo, como um turista dos mais viajados... e o melhor de tudo é a reação nonsense do Senhor Poulain, olhando as fotos e dizendo: "Eu não entendo"... ahahaha...

Quando Amélie vê Nino Quincampoix  (Mathieu Kassovitz) é amor à primeira vista.. ele coleciona fotos rasgadas e rejeitadas por seus donos em cabines fotográficas... pois é, cada um com sua mania... rsrsrs... Mesmo querendo encontrá-lo novamente, ela uso de bizarros estratagemas qua acabam por adiar esse reencontro... mas aí é que está a delicadeza do filme... nos detalhes!

Ah! Não vou contar mais nada, porque o melhor é cada um mergulhar nessa doce viagem à Paris! Além do longa me encantar pelo roteiro pontuado pelas várias formas de amor e pela bela fotografia, preciso registrar que o guarda-chuva vermelho de bolinhas brancas foi o ápice da identificação: tenho um igualzinho... me reconheci ainda mais na história da romântica Amélie Poulain! E reafirmo: são tempos ainda difíceis para sonhadores! Viva a inventividade e a ternura do Cinema Francês! Viva a Sétima Arte! :)

sábado, 5 de setembro de 2026

Livros e HQs à mancheia

– É sempre bom... "um dia frio, um bom lugar pra ler um livro..."

– ... ou uma HQ!

– Claro, esse clima friozinho também combina com histórias em quadrinhos!

– Concordo muito. Inclusive, acabei de ler uma!

– Também conclui meu momento leitura do dia... pelo menos, até segunda ordem.

– Isso se a senhora ficar bem longe da estante... ahahaha...

– Ahahaha... pois é, não é prudente provocar meu lado leitora voraz!

– Uau! Voraz é bonito, hein?

– Ahahaha... não muda de assunto, querido!

– Ahahaha... você é que tá pensando outra coisa... eu tava dizendo que gostei da palavra voraz...

– Tá bom... e essa cara de safado?

– Ahahaha... como assim? Tudo bem... vamos voltar ao tema leitura! O que você tava lendo tão concentrada?

– Ah! Achei que o dia pedia contos... e peguei aquele teu exemplar antigo de "Contos Novos"...

– ... de Mário de Andrade! Gostou?

– Muito... principalmente, o conto "Tempo da camisolinha"... ah... lembranças da infância infância, embora às vezes ácidas, são delicadas... como a dor de ter que cortar os cabelos cacheados e o medo de ter "ficado homem naquele tamanhinho".... rsrsrs...

– Brincava até sujar a barra da tal camisolinha na terra... e muitas vezes faltava "a calcinha de encobrir as coisas feias " e "sentia um esporte de inverno em levantar a camisola na frente pro friozinho entrar"... ahahaha... esses contos são pérolas do autor!

– Concordo muito! Os personagens vivem diversas situações que nos divertem e nos emocionam... além de nos brindarem com as sutilezas das relações humanas. 

– Outro conto que adoro revisitar é "O peru de Natal"! O Juca, o desajustado da família, resolve transformar a primeira noite de Natal, após a perda do pai, em uma momento de felicidade familiar: finalmente, iam comer um peru só eles, sem chamar outros parentes. Adoro esse trecho: "Minha mãe, minha tia, nós, alagados de felicidade... Era uma felicidade maiúscula, um amor de todos, um esquecimento dos outros parentescos distraidores do grande amor familiar. E foi, sei que foi aquele primeiro peru comido no recesso da família, o início de um amor novo, reacomodado, mais completo, mais rico e inventivo, mais complacente e cuidadoso de si". É de uma sensibilidade da melhor espécie...

– Sim... sensibilidade misturada com bom humor e pitadas de ironia! Grande Mário de Andrade! Mas e você, querido... estava lendo qual história em quadrinho?

– "Greatest Hits", uma edição uruguaia assinada por Maco e Roy. A Maco é uma renomada quadrinista, inclusive, parece que ela já tem HQ lançada no Brasil...

– Ah! Conhecer novas HQs é uma ótima desculpa pra dar um pulinho nas livrarias de rua!

– Vou adorar passear com minha leitora preferida por esses oásis de alegria! Agora, voltando à HQ que estava lendo, é uma coletânea das melhores histórias produzidas pelos dois anteriormente tanto no Uruguai como na Argentina, além de uma inédita... uma adaptação de Alice no País das Maravilhas, chamada "Alicia entre viñetas"... gostei do traço e das ideias!  

– Parece bem legal! Ainda não conhecia os autores... vou ter que acionar meu portunhol... rsrsrs...

– Ah! As línguas latinas são irmãs, a gente sempre dá um jeito de entender... principalmente, se o conteúdo nos interessa.

– Sim... livros, HQs, filmes, músicas e artes em geral a gente adora... então, tá lido!

– Assim que eu gosto! Como diz o Caetano: "Livros, discos, vídeos à mancheia. E deixa que digam, que pensem, que falem".

– É isso mesmo! Eu quero é mais!

– Ah! É?

– Olha ele apimentando o diálogo de novo!

– Ahahaha... Você que veio com esse negócio de "eu quero é mais", minha leitora voraz!

– Ahahaha... olha a cara de safado de novo! :)


* Muito bom ganhar um quadrinho vindo direto do Uruguai e um livro de contos de um simpático sebo... obrigada pelos presentes, conversa e presença Gé (Gerson Donato), meu irmão e assessor para assuntos literários, históricos e futebolísticos... rsrsrs... ❤️

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Enredo tocante... arte acolhedora

A graphic novel "Lydie" é a primeira parceria assinada por uma das duplas contemporâneas de que mais gosto no mundo da Nona Arte! O texto de Zidrou aborda, com delicadeza, a dor de Camille Tirion, uma mãe que perde seu bebê durante o parto e para seguir em frente, passa a agir como se a criança, a qual deu o nome de Lydie, continuasse viva. O avô, pai de Camille, Augustin Tirion, apoia a filha, auxiliando-a em todos os momentos, desde o batizado até quando Lydie é matriculada na escola.

A comunidade do beco, então, acolhe a história de Lydie e participa do cotidiano da família como se, realmente, a bebê estivesse viva. A beleza maior do enredo está na generosidade e na compreensão das pessoas que vibram com o desenvolvimento de Lydie, tratando a mãe com carinho... as crianças até fazem amizade com a menina "invisível". 


A conexão de Augustin com a filha é de uma ternura que nos emociona e nos leva a refletir sobre as sutilezas que envolvem as relações humanas. 
Ao retratar uma história sobre superação da perda, aceitação e a habilidade necessária de se colocar no lugar do outro, a arte de Lafebre é cativante. Os personagens expressivos e os cenários impecáveis nos transportam para o beco e, de imediato, somos conquistados pela simpatia dos moradores e da família de Lydie. 

Como já disse, sou muito fã dessa brilhante parceria, a cada trabalho, uma grata surpresa! Aplausos para a genialidade de Zidrou e Lafebre! Viva as histórias em quadrinhos e seus diversos e inspiradores mundos! :)

sábado, 29 de agosto de 2026

Passa a bola, Lola!

Ilustração: Kleverson Mariano

Aos três anos de idade, as perninhas curtas e levemente desajeitadas de Lola já adoravam chutar uma bola. Como assim, menina? Ela não podia ver os irmãos jogando futebol que esquecia as bonecas! Mas assim pequena? Claro que ainda era considerada café-com-leite do time, vai ver por isso gosta tanto da bebida.

– Passa a bola, Lola! Este era o pedido que mais se ouvia quando ela invadia a pelada dos irmãos mais velhos. Ícaro, de 10, e Ítalo, de 8 anos, passavam as férias jogando futebol num pequeno campinho gramado no quintal dos fundos cedido pela mãe para que suas roseiras se livrassem das boladas certeiras.

Como é fato conhecido, até pouco tempo atrás, as mulheres não tinham vez quando o assunto era futebol. Entender do esporte, tudo bem, mas jogar? Driblar? Fazer golaços? Sem chance, fora de cogitação! Por isso, Iolanda, ou melhor, a centroavante Lola, passou parte da infância jogando só com os irmãos.

Aos poucos, o pai, que era meio reticente em apoiar a filha em um mundo tão masculino quanto o do futebol, começou a perceber que ela tinha mais do que jeito pra coisa… e, então, quando a menina completou seis anos, deu de presente um uniforme completo com direito à chuteira profissional e resolveu que era hora de matriculá-la em uma escolinha, afinal, praticar esportes é, antes de tudo, muito saudável.

Lola ficou radiante, sua mãe nunca viu seu sorriso tão iluminado como quando recebeu o uniforme e foi pra escolinha de futebol, nem quando ganhou uma boneca do seu tamanho, seu maior sonho de infância! Ainda assim, a boneca seguiu sendo sua companheira e herdando os uniformes antigos da garotinha.

Durante todos os anos em que esteve na escolinha, o pai fazia questão de levar e buscar a filha, adorava as conversas no carro sobre o treino, as jogadas ensaiadas e seus gols. Até que um dia, o olheiro de um time grande foi assistir um jogo aleatório, sem qualquer aviso.

Na ocasião, Lola foi a única criança convidada a fazer um teste na peneira do tal clube. Emocionado e meio reticente, o pai aceitou, mas disse que precisava conversar com a esposa antes de qualquer coisa. O olheiro deixou seu cartão e marcou o teste para a semana seguinte. Lola não deu uma palavra no caminho da escolinha à casa.

A mãe, mesmo assustada com a possibilidade de sua filha se machucar num jogo de contato por vezes tão violento, apoiou Lola e, então, a família toda acompanhou-a no teste. Os irmãos, embora meio constrangidos por nunca terem sido chamados para peneiras, no fundo não se importaram, afinal, ela era a mais talentosa dos três. Resultado: a pequena foi aceita e passou a integrar o clube nas categorias de base. Festa no gramado dos fundos do quintal, abram alas para a nova centroavante!

Dez anos depois, Lola estreou como profissional na partida final do Campeonato Paulista de Futebol! Na arquibancada, pai, mãe e irmãos se desmancharam de orgulho ao assistirem ao primeiro gol da sua querida café-com-leite. Torcendo a plenos pulmões, Ícaro e Ítalo ostentavam, durante o jogo, um cartaz enorme com a frase que mais gritavam no campinho da família, mas com uma modificação bastante significativa: PASSA A BOLA PRA LOLA! :)


* Escrevi esta doce e futebolística crônica para um concurso, mas não fui escolhida... faz parte... então, resolvi postar em meu querido blog, afinal, minha centroavante merece ser conhecida!

** Assim que vi a ilustração do Kleverson (@kleverson_mariano) no Instagram, reconheci minha Lola... rsrsrs... Por isso, pedi autorização para publicar aqui e ele, gentilmente, autorizou! Mais uma vez, obrigada pela parceria e parabéns por sua arte! 

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Encanto, bom humor... e altas reflexões!

Com uma fotografia deslumbrante tal qual os quadros impressionistas de Claude Monet, "As Cores do Tempo", do cineasta e ator francês Cédric Klapisch, é um filme encantador que mistura dois momentos da capital parisiense: o atual e a charmosa Belle Époque.

A trama se desenrola quando primos distantes se reúnem para inspecionar uma propriedade da família, abandonada na Normandia, desde a década de 1940. 

No terreno, uma incorporadora planeja construir um supermercado e um enorme estacionamento... que horror... rsrsrs.... Claro que entre os trinta herdeiros reunidos em torno da questão, vários deles gostam da ideia de vender o casarão, mas a venda não é uma unanimidade.

Dos parentes, quatro são escolhidos para visitar a casa e aí começa o encantamento! A propriedade foi de Adèle Meunier (Suzanne Lindon), uma moça simples, que depois da morte da avó, resolve ir à Paris conhecer sua mãe Odette (Sara Guraudeau). Alternando a vida da protagonista, em 1895, e de seus descendentes, em 2025, o longa, então, nos brinda com cenas bucólicas de Adèle viajando e chegando à capital parisiense, onde conhece os jovens Anatole (Paul Kircher) e Lucien (Vassili Schneider); com as divertidas e emocionantes histórias e conflitos dos primos Seb (Abraham Wapler), Guy (Vincent Macaigne), Cèline (Julia Piaton) e Abdelkrim (Zinedine Soualem). Com idades e profissões distintas, aos poucos, eles vão se conhecendo e ficam fascinados com o que descobrem sobre a vida de Adèle.

Ah! Pra começar, um filme que envolva Paris moderna e antiga, Arte, Fotografia, humor e reflexão, facilmente, me conquista! Assim foi desde a primeira cena no museu com a sensível obra de Monet enchendo a tela! Porém, sem contar muitos detalhes pra não atrapalhar a experiência que cada um deve ter e que só a sala de cinema nos dá, preciso destacar as cenas emocionantes e, por vezes, divertidas, em que os primos passeiam pela casa abandonada e ficam arrebatados com as fotografias ainda penduradas nas paredes e com a atmosfera poética e até mágica do local. As várias situações vividas pelos personagens nos provocam altas reflexões sobre a conexão entre gerações e sobre a complexidade da vivência humana. Pois é, recomendo muito!

Uma curiosidade: quando os créditos começam a subir e aparecem fotos da família ao longo dos anos, fiquei impressionada com a semelhança de muitas delas com registros de minha mãe e meu pai quando jovens, por volta de 1950. Que elegante reminiscência! :) 

sábado, 22 de agosto de 2026

Sempre em frente

O importante é continuar caminhando... sem perder os sonhos de vista! Enquanto escrevia, lembrei da famosa frase de Martin Luther King: "Se não puder voar, corra; se não puder correr, ande; se não puder andar, rasteje, mas continue em frente de qualquer jeito". 

Não é fácil, depois de cair, levantar e continuar, mas caminhar é preciso! Cada um deve tentar encontrar coisas que ajudem nesse recomeço. No meu caso, escrever me acalma, ler me ajuda a continuar sonhando e conversar com a Lua ilumina meus pensamentos! 

Reflexões são, absolutamente, bem-vindas! Gosto de encadear ideias, olho a Lua e logo vem à cabeça duas músicas... primeira, do Caetano: "Lua de São Jorge, Lua soberana, nobre porcelana sobre a seda azul"... poesia pura! Segunda, de Johnny Mercer (letra) e Henry Mancini (melodia): "Moon River, wider than a mile; I'm crossing you in style, some day; Oh, dream maker, you heartbreaker, wherever you're going, I'm going your way...." Ah! Adoro a Audrey Hepburn cantando na janela, no doce "Bonequinha de Luxo"!

Pois é, "a gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte; a gente não quer só comida, a gente quer saída para qualquer parte"... Admiráveis Titãs, que me embalam desde sempre!

A Literatura, as HQs, a Música, o Cinema, enfim, as Artes em geral me salvam e me inspiram, por isso, mesmo aos trancos e barrancos, sigo procurando rumo, acolhida e atenção! Afinal, como cantou o Legião: "Sempre em frente, não temos tempo a perder." :)


* A foto que ilustra essa crônica é de minha autoria... adoro registrar as visitas que a Lua faz à minha janela... ❤️

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Uma cruel sala de espera

– Ah! Eu não aguento olhar pela janela e ver cada vez mais uma construção colada na outra... casas tão bonitas são demolidas dando lugar a essas caixas de sapato que insistem em chamar de prédio. Acho que já  falei sobre isso...

– Calma, amor! Realmente é de lascar... seria tão bom se, pelo menos, a construção não ocupasse o terreno todo e sobrasse um espacinho, sei lá, pra uma árvore, um arbusto ou um gramado que fosse... seria tão mais saudável pra cidade!

– E, assim, nossa querida metrópole vai perdendo sua memória arquitetônica e isso deixa um vazio na gente, daqui a pouco não vai ter mais nenhum quintal de caquinho, jardins com roseira, terraços aconchegantes... é triste! Mas, mudando de assunto, qual HQ você tava lendo aí tão quietinha?

– Ah! É "A Sala de Espera da Europa", da quadrinista holandesa Aimée de Jongh. É um relato sensível sobre a situação dos refugiados, em 2017, na ilha grega de Lesbos.

– Sei qual é... e aí, gostou?

– Adorei! Os temas são pesados, mas a delicadeza da arte torna a leitura fluida, nos aproxima daquelas pessoas sofridas que aguardam a autorização pra entrar na Europa... e nos faz refletir!

– É importante, sempre que possível, jogar os holofotes sobre o tema "refugiados" para que o mundo e, principalmente, os países mais ricos se mobilizem mais a respeito. Hoje, milhares de cidadãos de várias regiões fogem de todo tipo de conflito. Inclusive, potências mundiais continuam gastando montanhas de dinheiro com armamento e guerra infinitas... lamentável! 

– Concordo plenamente! Sem estragar sua leitura, querido, só quero destacar dois momentos da HQ que me sensibilizaram: o primeiro, quando crianças bem pequenas começam a seguir a quadrinista e a guia diz pra ela evitar muita aproximação, dar colo, por exemplo, porque os pequenos têm transtornos de apego reativo... é de chorar ver as mãozinhas levantadas, mas ela explica que isso evita que eles acabem com uma visão distorcida do mundo real, quando saírem de lá.

– Que difícil deve ter sido evitar os bracinhos de uma criança... 

– Mas é como a guia disse, é algo que deve ser levado em conta para o próprio bem dos pequenos.

– E o segundo momento que você queria contar?

– Ah! Ela conheceu um casal e sua casa/contêiner, o homem que trabalhava como barbeiro no acampamento contou sua história e que ainda aguardava a permissão para seguir para Atenas, com perspectiva de ir para outro país europeu. Aí o carinho... a quadrinista resolve desenhar o casal e o homem retribui com um desenho dela... Confesso que fiquei com lágrimas nos olhos!

– Definitivamente, o mundo precisa de mais amor! 

– Quer saber o que ele desenhou, querido? 

– Não! Quero ler!

– Ahahahah... tá bom! Aguardarei suas impressões!

– Pode deixar! Mas agora, vem cá, minha leitora preferida! Vamos tomar um café abraçados na varanda?

– Vamos! Ah, amor, que bom que temos um ao outro! :)

sábado, 15 de agosto de 2026

Uma aventura em João Pessoa

Ler uma história em quadrinho brasileira é sempre um prazer... tava garimpando por aí e "Boca de Siri", do ilustrador e quadrinista Paulo Moreira, me chamou a atenção!
Adorei a obra por vários motivos: a arte, tanto da capa quanto do miolo em P&B; o fato de nos apresentar João Pessoa (capital da Paraíba); os simpáticos protagonistas (Ygo, Vitória e Duda) que se deslocam pela cidade de bicicleta (mesmo sem saber andar, adoro esse meio de transporte... rsrsrs); entre outros.



Além de cenários muito bonitos, o roteiro é criativo, divertido... o autor nos brinda com uma aventura que mistura, na medida certa, realismo mágico com pitadas da cultura popular e belezas naturais de sua terra, consciência social e ambiental. Aliás, os extras da HQ também são encantadores... sobre as ideias originais, os rascunhos da arte, as fotos que ele fez da cidade... enfim, inspirador!




A narrativa envolve o lendário Guaiamum (uma espécie de siri) gigante, visto nas praias da cidade, desde 1977, que resolve fazer uma visita especial para evitar que o prefeito sem noção realize o alargamento da orla da praia de Cabo Branco. Em um embate, aos moldes de Godzilla, Ultraman e cia, o Guaiamum gigante duela com o robô Parahybatron (construído pela prefeitura). O mais incrível da HQ, além da diversão, é o fato de ser uma crítica afiada à especulação imobiliária que tanto afeta as praias brasileiras. Pra saber mais... leia... mergulhe nessa história solar! Viva a Natureza! Viva o quadrinista brasileiro! :)

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Uma querida injustiçada

– Oi, amor!

– Oi! Tô aqui na cozinha, não se preocupe, já passei pano no chão e limpei as janelas... 

– Adoro seu jeito prendado de ser!

– Pra mim, arrumar a casa sempre foi natural, minha saudosa mãe nos ensinou, ela queria que seus filhos soubessem se virar a qualquer tempo! 

– Sábia senhora! 

– Passou no mercado, querida?

– Sim! Fiz umas comprinhas, mas confesso que ouvi uns comentários arrogantes que me deixaram, sinceramente, irritada!

– Sobre o quê?

– Peraí, tô indo... me ajuda a guardar as compras?

– Claro, minha consumidora preferida!

– As sacolas estão mais pesadas do que planejei...

– ... você sempre compra mais coisas do que tinha na lista, amor!

– Olha quem fala... quando te peço pra comprar uma dúzia de ovos, você volta com várias sacolas descartáveis com todo tipo de mercadoria e guloseimas.

– Ahahaha... mas, seja sincera, você adora quando nessas sacolinhas tem bolachinhas de nata, chás variados e aquele docinho da infância, confere?

– Tá bom, sem críticas a ida de cada um ao mercado, agora, por favor, deixa eu sentar um pouco.

– Toma um copo de água, enquanto eu guardo tudo e, por favor, me conte o que te deixou indignada?

– Ah! Que gostoso beber água! Então... eu tava na parte de hortifrúti e me deparei com lindas mexericas...

– Tô comprovando... lindas e cheirosas!

– Pois é, adoramos essa delícia da Natureza! O problema é que tinha duas cidadãs falando mal: "não gosto nem de chegar perto, o cheiro delas fica impregnado por horas e as pessoas sabem de longe que comemos mexerica"... ao que a outra respondeu: "é verdade, prefiro banana que não tem esse cheiro horroroso"... Que ridículas, sem coração, falando na frente das frutinhas!

– Ahahaha... amor, desculpe, mas tive de rir. Concordo, já ouvi muita gente falando do cheiro da simpática mexerica... seu sabor é sem igual, não sei como podem evitá-la... Eu adoro o cheiro!

– Eu não me contive...

– Saiu no tapa com as duas?

– Só em pensamento, mas falei que era um absurdo condenar uma fruta tão saborosa e rica em nutrientes simplesmente por seu cheiro que, pra mim, é muito bom! É uma injustiça!

– Teve bate-boca?

– Não porque elas me olharam com um desprezo tão grande que não tive nem o que dizer mais. Só fiz questão de encher um saco bem grande de mexerica pra jogar na cara delas como são boas!

– Melhor não discutir, nunca se sabe com quem estamos lidando.

– Não se preocupe, eu virei as costas e saí. Provavelmente, falaram mal de mim, que se lasquem, eram duas frescas que devem preferir os insípidos sucos industrializados!

– O importante é que aqui em casa comemos fruta com as mãos, porque a ideia é se lambuzar mesmo... ahahaha...

– Concordo... fruta é pra se deliciar!

– Voltando a essa bizarrice, lembrei que trabalhei em um lugar que ninguém podia levar mexerica por causa do cheiro... quando levei a primeira vez não sabia dessa regra esdrúxula e me encheram o saco o dia inteiro alegando que a copa, a geladeira e eu ficamos cheirando mexerica... bando de neuróticos!

– Ahahaha... realmente fico indignada com quem se incomoda com o aroma de certos alimentos. Inclusive, hoje, as marmitas não são mais as mesmas... Como não amar essa doce fruta e os clássicos ovo frito com arroz e feijão ou ovo com pão? Gente insensível!

– Deixa pra lá, amor! Pra nós, mexerica tem espaço garantido! E ovo frito também!

– Nada mais agradável que alimentos saborosos...

– ... e cheirosos!

– Chega de conversa... vamos comer mexerica na varanda!

– Melhor programa depois de uma faxina rápida.

– Então, pega a sacola e vem, meu mexeriqueiro preferido!

– Ahahaha... vamos logo, senão vou te descascar em plena cozinha...

– Ahahaha... não me provoca! :)

sábado, 8 de agosto de 2026

Um delicado curta de animação

Às vezes, só precisamos assistir a uma história leve que coloque um sorriso em nosso rosto, nos dê a sensação de aconchego e nos afaste um pouco das preocupações do cotidiano.  Garimpando no YouTube, encontrei o curta de animação da Disney "Paperman", que acredito ser exatamente o que estava precisando pra relaxar.

A obra me conquistou de cara só pelo fato de ser em P&B. Achei um charme os cenários e, claro, os simpáticos protagonistas.

Ele, no trabalho, sempre rodeado de papéis por todos os lados, mas elegante e com aquele olhar sonhador que adoro. Um dia, na estação de trem, depois de uma ventania (que, aliás, vem bem a calhar, já que estamos passando por uma semana de expectativa de ventos fortes), ele conhece a "mulher da sua vida". As circunstâncias? Ah! Prefiro não contar, assista e tenha sua experiência... garanto que vai gostar... rsrsrs...

Por sua vez, ela, estilosa, com seu batom vermelho, que é decisivo na trama, também se encanta com o rapaz atrapalhadinho... rsrsrs... Enfim, é uma animação fascinante, que me fez lembrar de uma época adorável da Disney... dos clássicos "Cinderela", "Branca de Neve e os Sete Anões", "A Dama e o Vagabundo"... desenhos que assisto desde sempre com o mesmo brilho nos olhos! Viva os curtas e os longas de animação! :) 

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Quando nos reconhecemos em uma HQ

Outro dia, procurando algo pra ler, rir e relaxar um pouco, descobri a história em quadrinhos "Diário de uma volátil", da ilustradora argentina Agustina Guerrero. Além de gostar do fato de ser a reunião de publicações de seu blog autobiográfico, adorei a forma bem-humorada, por vezes escrachada e cheia de sutilezas, que ela nos apresenta seu cotidiano, com o qual me identifiquei em várias páginas... rsrsrs... Nada como uma autora sensível pra retratar, na medida certa, as mazelas de nosso dia a dia com reflexão e emoção! 

Poderia ficar aqui comentando cada uma das páginas, porque as ilustrações são lindas e divertidas, mas separei três que me abriram um sorriso no rosto, como a que fala exatamente que quanto maior o sorriso, melhor! Concordo plenamente, inclusive, já disse aqui que o sorriso sempre nos leva longe, facilita as coisas... mesmo quando estamos sem rumo!

Ah! A identificação com algumas situações foi enorme... rsrsrs... como a retratada ao lado. Quando vou ao supermercado, invariavelmente, pego o produto que está mais ao fundo da prateleira... adorei me ver nessa ilustração... ahahaha... Engraçado que faço isso com qualquer mercadoria, não importa se xampu, arroz, queijo, sabão em pó, margarina ou papel higiênico... sem pudor, escolho o mais escondido e saio satisfeita... ahahaha... 


Falando em emoção, fiquei surpresa quando me deparei com a ilustração que retrata a delicadeza de quando "o céu resolve desenhar"... Ah! Pra quem, como eu, adora o amanhecer, o entardecer, o anoitecer... enfim, admirar e conversar com o Sol, as nuvens, as estrelas e minha querida Lua, me reconheci muito nessa cena... rsrsrs... Incrível como, exatamente, no mesmo dia, registrei, da minha janela, um belo céu que também resolveu desenhar... 


Fiz a foto (ao lado) por volta das seis e meia da manhã... fiquei fascinada e, então, me identifiquei ainda mais com a moça da HQ... rsrsrs... Ah! Olhar para o céu, seja de dia ou de noite, sempre me acalma... me inspira! Viva as cores da Natureza! Viva a Nona Arte e o talento das quadrinistas! :)

sábado, 1 de agosto de 2026

Um querido e doce clássico


– Ah! Bom mesmo era meu querido Romi-Isetta azul! Foi o que enfatizou Seu Bernardo quando perguntado o que estava achando de passear na Ferrari F40, recém-adquirida pelo seu neto mais velho. Indignados, todos olham para o senhor com um misto de espanto e um leve rancor. Afinal, não é todo dia que se passeia em um automóvel tão icônico como o modelo italiano, ainda mais sendo o primeiro exemplar da coleção do rapaz.

– Eu sei que vocês gostam desses carros cheios de ostentação, espaçosos, que chamam a atenção onde quer que se vá, mas continuo com a minha opinião: são encantadores, no entanto, qual a graça se vão ficar guardados 99% do tempo em garagens todas monitoradas por câmeras, cães de guarda e seguranças?

– Mas papai, onde o senhor queria que a gente guardasse esses tesouros? Na calçada, em frente ao seu predinho simples, ao lado do metrô e da padaria da esquina?

– Não seja esnobe, querida! 

– Seu Bernardo, já sabemos sua opinião sobre tudo isso, mas gostaríamos que o senhor participasse desse momento de conquista de nosso primogênito, só isso! Queria que o senhor se divertisse com a gente! 

– Meu genro, não se desespere... peço desculpas a todos. É que toda a vez que vejo carros antigos bem conservados como esse, lembro do meu...

– ... "Bolinha Azul"! Sabemos disso, meu velho, não fique assim... um dia ainda vamos tê-lo conosco de novo e vamos fazer piquenique no parque todos os domingos de manhã!

–  Ah! Minha velha, Suzaninha! Só você mesmo pra me entender... você acha que estou sendo intransigente?

– Querido, só acho que deveríamos nos alegrar, afinal, nosso neto está começando uma bela coleção de automóveis antigos... você foi um dos seus maiores incentivadores, sempre levando-o a feiras de colecionadores! Dê ao menos um sorriso!

– Parabéns, meu neto, por iniciar sua coleção... desculpe seu avô, não queria ofendê-lo... o modelo é realmente lindo.

– Vô Bê, não se preocupe, não estou chateado, sei bem do seu amor por esse famoso "Bolinha Azul"!

– Tudo resolvido! Agora, vamos voltar pra casa, porque um lanche reforçado nos aguarda!

Seu Bernardo dá um suspiro contrariado. Ultimamente, não gosta muito de ficar longe de seu refúgio, adora passar as tardes lendo romances com Dona Suzana, porém, como já criou uma leve polêmica, aceita de bom grado ir à casa da filha.

Por mais que o clima tenha pesado durante o passeio de Ferrari, Seu Bernardo e família adoram um café da tarde e assim que veem a mesa posta repleta de pãezinhos, bolachinhas, geleias, manteiga, queijos e outras guloseimas, esquecem qualquer rusga. Com a presença dos dois netos mais novos, as conversas se tornam ainda mais animadas e as risadas preenchem o ambiente.

– Filha, adorei o café, estava tudo uma delícia, mas sua mãe e eu precisamos ir pra casa descansar!

– Nem pensar... depois do jantar, vamos cantar parabéns pro senhor, papai! Fiz o seu bolo preferido! Ou o senhor estava achando que o passeio era suficiente? Precisamos e adoramos comemorar seu aniversário!

– Ah! Imagina, filha! O passeio foi suficiente pra eu quase acabar com o dia da família... eu e minha boca grande... ahahaha...

– Não fale assim, olha a alegria de seu neto por ter te levado a esse passeio de carro novo!

– Por isso, não queria ter dado essas minhas opiniões inúteis...

– Para com isso, vovô! Vamos conversar, quero saber qual sua avaliação sobre alguns modelos que estive pensando... pai, vem cá também!

– Já tô pronto! Também quero saber o parecer de meu sogro sobre nossas ideias para as próximas aquisições! 

–  Vem, mamãe! Quero te mostrar umas toalhas e panos de prato que comprei...

– Ah, filha, quero ver tudo!

As duas saem da sala, enquanto Seu Bernardo, o genro e os netos se empolgam com o bate-papo sobre o mundo dos automóveis antigos. De repente, a conversa é interrompida por um estranho grito de Dona Suzana.

– O que foi? O que aconteceu com minha Suzaninha?

– Calma, vô! Já imagino... 

– Não se preocupe, o grito foi de satisfação, meu sogro!

– Que tipo de toalha, pano de prato ou seja lá o que for que minha filha mostrou pra mãe soltar um grito desse!? Agora fiquei curioso!

– Vamos ver, vovô!

Quando os netos e o genro abrem a porta da cozinha que dá acesso à garagem principal da casa, Seu Bernardo não consegue conter as lágrimas.

– Mas esse é meu querido "Bolinha Azul"? É ele mesmo, meu neto?

– Sim, vovô! Ele voltou para o senhor, é seu presente de aniversário!

– Como assim? Suzaninha, você sabia disso?

– Não, também fui surpreendida. Você não ouviu meu estabanado grito de alegria!?

– Mas como vocês conseguiram? Eu tive de vender meu Romi-Isetta e nunca mais tive contato com o dono, até tentei...

– Seu neto foi implacável, Seu Bê! Ele passou um ano procurando, lembra quando ele pediu pra ver as fotos do seu carro?

– Meu neto amado! Deve ter sido caro... como conseguiu achar meu "Bolinha Azul"?

– Simples, vovô! Fui atrás das pistas, conhecendo gente de tudo que é canto nas feiras que o senhor me apresentou quando eu era criança... estou realizado, comprar de volta esse carro é o que eu mais queria fazer.

– Mas como vou te pagar?

–  Com seu sorriso!

–  Me dá um abraço, meu neto! Nem sei o que dizer...

– Seus olhos já estão me dizendo, te amo Vô Bê! Agora, pegue sua garota e vá passear!

– Cadê a chave? Vamos, querida!

– Nada de passeio longo, casalzinho! Voltem logo pra gente cantar parabéns e comer o bolo! :)


* A foto que ilustra esta automobilística crônica é de minha autoria. O registro foi feito, há quase 10 anos, quando me deparei com essa coisinha lindinha sorrindo pra mim... rsrsrs... Pois é, assim como meu personagem, sou encantada por esse doce carrinho! ❤️

quarta-feira, 29 de julho de 2026

A insana violência do ser humano



– Tô chocada com a notícia da capivara que foi atingida por uma flecha, na Represa de Guarapiranga, na Zona Sul de São Paulo! O ser humano, realmente, continua sendo um dos menos evoluídos na face da Terra. 

– Também fiquei impressionado! O mundo todo sofrendo com as mudanças climáticas, tempestades, incêndios em florestas, calor extremo, fome e, no meio disso tudo, um insano é capaz de flechar uma capivara na maior metrópole da América Latina, em pleno Século XXI. Esse indivíduo não deve ter nada na cabeça.

– Deve ser um desalmado... um sem noção. Como ainda tem gente praticando caça de animais silvestres... que, além de desumana, é proibida no Brasil e configura crime ambiental?

– Sim! São Paulo tem tanto problema pra resolver, desigualdade social, violência, fome. Será que as pessoas não podiam aliviar um pouco ao invés de sair por aí brincando de tiro ao alvo?

– Não tem cabimento atentar contra os animais silvestres, com o meio ambiente. E nossa querida cidade cresceu e continua crescendo desordenadamente. Sinto tanto quando vejo árvores sendo derrubadas dando lugar a arranha-céus.

– Sem contar a quantidade de casas antigas sendo demolidas e substituídas por prédios que mais parecem caixas de sapato. Preservar a história e o patrimônio da cidade deveria ser mais levado em conta.

– Nossa, amor, que conversa mais triste. Vamos passear um pouco, se possível em um parque bem preservado pra ouvir só o canto dos pássaros?

– Claro, vem cá, me dá um abraço!

– Só se você me devolver outro...

– É pra já!

– Também te amo! :)


* A foto que ilustra essa crônica/desabafo é de minha autoria, fiz esse registro, há alguns anos, no Horto Florestal (ZN-SP). Resolvi publicar essa capivara com seus filhotinhos para reforçar como a Natureza é bonita, mais bonita do que muita gente. Viva os animais!

sábado, 25 de julho de 2026

Amor de porcelana

Aproveitando que amanhã é Dia dos Avós, tava lembrando da minha avó materna... portuguesinha de cabelinhos brancos, viúva desde muito nova... meu avô materno faleceu quando minha mãe tinha apenas sete anos.

Quando era pequenininha, lembro da hora do café da tarde, a mesa era organizada, tudo simples e muito bonito... a manteiga conservada na água pra ficar macia, os pãezinhos frescos... a faca de pão, grande de serrinha, clássica, todo mundo tinha uma em casa, o café com leite na medida certa, servido em bonitas xícaras com pires... ah... doces lembranças na casa da vó. 

Se íamos almoçar, ela acabava sempre me dando leves broncas, achava que eu comia pouco e até ameaçava dar um presente pra outra menina qualquer se eu não raspasse o prato... rsrsrs... eu me divertia... mas, às vezes, ficava preocupada... que menina seria essa que minha avó ia presentear? Até porque ela não gostava de dar brinquedos, ela sempre me dava roupa, só uma vez me deu uma bonequinha tão linda... guardo até hoje! 

Toda a vez que íamos visitá-la, minha mãe sempre dizia: comportem-se e não mexam em nada. Éramos educados e por mais que a cristaleira dela nos encantasse, nunca fizemos nada errado, a gente ficava só olhando todos aqueles itens que preenchiam as prateleiras, louças, souvenires... eu adorava os bibelôs de porcelana, especificamente, um casalzinho sentado num muro... era tão lindo! Quando minha vó faleceu, eu ainda era criança e minha tia me deu o bibelô de presente... ah... achei tão bonito, ela sabia que eu gostava! Sempre que olho pra ele sinto todo o carinho... é como um abraço de vó... da minha vó!

Uma coisa que me traz sua lembrança é o aroma de arruda... minha vó sempre ia na nossa casa logo cedo pra me benzer. Ela era muito paciente com a Gi pequenininha... rsrsrs... eu queria saber o que ela rezava enquanto me benzia, ela ria e isso atrapalhava sua reza. Minha mãe pedia pra eu ficar quieta, mas minha avó não se importava e, algumas vezes, pra conseguir me benzer, ela me virava de costas... coisa de criança sapeca e curiosa... rsrsrs... hoje sinto falta desse cuidado todo... mas sei que sua bênção continua me protegendo de onde estiver... ❤️

Já meu avô paterno, italiano, faleceu quando eu tinha três anos... não tenho lembranças dele, porém minha mãe dizia que quando eu me irritava parecia o vô Carlo... rsrsrs... e minha avó paterna faleceu quando eu tinha uns cinco anos de idade, mesmo assim lembro de seu cheirinho e de seu abraço! :)

* Esta crônica, ilustrada pela foto do meu querido casalzinho de porcelana, é uma singela homenagem aos meus avós paternos e maternos que me deram meu pai e minha mãe... ❤️